Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Há algum tempo vem se debatendo no âmbito dos Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia a legalidade da atuação do engenheiro agrônomo na elaboração de estudos hidrogeológicos para testes e regularização ambiental em poços tubulares utilizados em atividades rurais. Nesses estudos aplicam-se os conceitos da hidrologia no ambiente geológico, abordando temas como a prospecção, captação e proteção das águas subterrâneas para atender as necessidades da sociedade de forma sustentável.

Para os engenheiros agrônomos que atuam na área da engenharia rural, com destaque nas subáreas da hidrologia, hidráulica, solos, Irrigação e drenagem, a hidrogeologia apresenta-se materializada em diversos momentos. Tais momentos perpassam por estudos hidrológicos e hidráulicos, na hidrodinâmica aplicada às características físico-hídricas do solo, nos testes de infiltração e percolação, chegando até nas avaliações hidrométricas do comportamento das surgências freáticas e artesianas. De maneira bem natural a hidrogeologia compõe a rotina do trabalho agronômico, seja para se determinar um balanço hídrico, seja nos estudos de viabilidade ambiental de um empreendimento que utiliza a “água subterrânea” como insumo de produção. Principalmente em momentos de escassez hidrica em regiões de alta atividade irrigada em que a pressão para a superexplotação da água subterrânea torna-se imprescindível a atuação do engenheiro agrônomo com conhecimentos hidrogeológicos.

As regiões norte e nordeste de Minas Gerais apresentam condições climáticas que variam desde o subúmido ao semiárido, e nesses cenários, pode-se afirmar  que a produção agrícola está baseada  em dois eixos principais. O primeiro com os perímetros irrigados e sistemas de abastecimento a partir de projetos hidroagrícolas (barragens e sistemas de distribuição). O segundo, e mais disperso,  em irrigações e sistemas de abastecimento a partir de fontes de água subterrâneas.  Nesse segundo eixo, verifica-se de forma clara a aproximação da atuação do engenheiro agrônomo em relação a esse recurso natural renovável.

Essa aproximação pode ser notada, da mesma forma, no trabalho agronômico de projetar e executar esses sistemas de abastecimento, sistemas de irrigação, distribuição de água para a pecuária e drenagens, o que conduz o engenheiro ao resgate da sua base acadêmica em física, química, geologia, pedologia, hidrologia e hidráulica para responder, profissionalmente, a demanda da sociedade rural em conhecer a principal, ou as vezes a única, fonte de água disponível,  a subterrânea.

Nesse contexto, o conhecimento hidrogeológicos está para a agronomia, assim como a água subterrânea está para sociedade rural norte mineira, necessária e essencial para desenvolvimento de suas atividades no campo. Trabalhos como a elaboração de um perfil construtivo de poços tubulares com acompanhamento do serviço de perfuração, assim como um teste de vazão seguindo as normas técnicas pré-estabelecidas, compõe o conjunto que deve constar das diretrizes curriculares da formação acadêmica do engenheiro agrônomo. A hidrogeologia como atribuição profissional da agronomia, jamais teve por objetivo diminuir ou simplificar os estudos hidrogeológicos em poços tubulares, pelo contrário! Por respeitar essa ciência, a agronomia busca delimitar sua atuação apenas em seu campo de atribuições, ou seja, para as atividades ligadas a engenharia rural, como saneamento rural, irrigação e pecuária.

Por fim, ressalta-se que a responsabilidade técnica vai muito além de uma atribuição concedida pelo conselho de classe, essa se encontra intrínseca na responsabilidade pessoal de cada profissional em exercer, qualquer que seja a atividade, apenas quando se sentir  preparado tecnicamente, para atuar com competência e segurança diante dos desafios profissionais.  

                       Rafael Alexandre Sá  (1)                                                                                  Edson Vieira de Oliveira (2)

                   Msc. Engenheiro Agrônomo                                                                              Dr. Engenheiro Agrônomo

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Comentário de Eduardo B. Teixeira Mendes em 30 abril 2018 às 19:33
Boa tarde Rafael, lendo o seu artigo e também a partir de discussões com colegas fui pesquisar na mesma linha que o nobre doutor José Luiz.
O currículo básico dos cursos de agronomia, em geral tratam, de maneira até superficial a dinâmica da água de superfície. Sou um defensor vigoroso da Agronomia, porém fiquei com a mesma dúvida.

Entendo que as habilitações e atribuições básicas devem ser fornecidas pelo conjunto básico de disciplinas. Eu tive a oportunidade de olhar parcialmente o conjunto atual de disciplinas da escola que estudei, a ESALQ, e não vi nas disciplinas obrigatórias nenhuma matéria que contemplasse em suas ementas a dinâmica da águas subterrânea.
Porém nas disciplinas optativas encontrei algumas.
Por essa razão acho que é um debate que precisa ser aprofundado, pois não me estou ainda seguro que fosse uma atribuição inerente
Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 30 abril 2018 às 19:02

Rafael, foi oportuno chamar a atenção dos colegas para a Hidrogeologia pois, como disse antes, acho que grande parte não conhece estudos correlatos. Citei o caso da barragem subterrânea porque acredito na sua eficiência já que, em princípio, quando o lençol freático está a 1,5 m da superfície a evaporação é zero.

A Hidrologia também tem muita importância no semi-árido, apesar da baixa precipitação pluviométrica anual. No Noroeste de Pernambuco, p.x., na simples olhada em diagonal de uma das sua bacias hidrográficas, a nítida variação na densidade de drenagem de sub-bacias vizinhas mostra que na de maior densidade, o subsolo é bem mais impermeável, indicando rochas cristalinas.

Mesmo que não conste do Currículo das Escolas, acho que os colegas deveriam 'correr atrás' da informação (no Google, p.ex.).

Comentário de Rafael Sá em 30 abril 2018 às 18:40
Ótima observação José Luiz. Como colocado no artigo em regiões semiáridas o Engenheiro Agrônomo lida muito com a água subterrânea em suas atividades e nesse sentido acredito que a hidrogeologia deve constar na matriz curricular dos cursos de agronomia muitos já abordam esse tema na hidrologia agrícola e na geologia básica.
Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 30 abril 2018 às 10:54

Bom dia a todos.

Eu me formei na UFRRJ em 1966 e no meu Curso de Agronomia nenhum Professor disse uma palavra sequer (que eu me lembre) sobre Hidrologia e muito menos sobre Hidrogeologia. Até a matéria que abordava Geologia foi muito limitada. Doze anos depois voltei à mesma Universidade, agora como Professor de Hidráulica, Hidrologia e Irrigação e Drenagem. A Hidrologia já era estudada na Disciplina de Irrigação e Drenagem, mas a Hidrogeologia continuava uma incógnita. Lecionei ali durante 21 anos seguidos. Nesse período, comecei a me interessar por água subterrânea porque no meu Departamento havia um Professor, Engenheiro Civil, que havia feito o seu Doutorado nos Estados Unidos nessa área, e aprendi muito com ele.

Não sei como está o Currículo agora mas, ao meu ver, os Engenheiros Agrônomos não atuam mais na área por falta de conhecimentos técnicos (sobre Hidrogeologia). Muitos, inclusive, nunca ouviram falar em Barragem Subterrânea. Andei postando aqui na Rede uns cálculos sobre Hidrogeologia e não houve qualquer comentário à respeito.

Uma pena.

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