Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

 

Histórico do Sistema Plantio Direto (SPD)

Texto formulado como produto da PLATAFORMA PLANTIO DIRETO - Plataforma Tecnológica para Direcionamento de Projetos Cooperativos de P & D em Sistema Plantio Direto (2000/2002).  Executado pela FEBRAPDP,  Embrapa e FUNAPE, financiado pelo PADCT/CNPq  e com apoio logístico da APDC, Brasília, DF.

Texto formatado disponível em https://cloud.sede.embrapa.br/owncloud/s/xv2OSdoWgHoElRZ

Origens

A produção agrícola à semelhança da natureza – isto é, sem preparo do solo – é tão antiga quanto a própria agricultura e persistiu até que os egípcios, há uns 6.000 anos atrás, inventaram o arado de madeira arrastado por bois. O bispo Diego de Landa, ao visitar a península de Yucatán no México, em 1549, descreveu a forma como os nativos cultivavam milho, queimando os restos vegetais, abrindo covas com paus pontiagudos e depositando as sementes, que eram a seguir cobertas com a terras das próprias covas. Esse sistema primitivo de Plantio Direto só não pode ser considerado conservacionista porque a prática da queima dos restos vegetais deixa o solo desprotegido e exposto à erosão.

Em muitas regiões do México, América Central e América do Sul, os camponeses tradicionais ainda usam pequenos enxadões ou facões (machetes) como única forma de preparar o terreno para a semeadura; simplesmente cortam a vegetação espontânea rente ao solo e a enleiram, para semear milho ou feijão nos espaços livres; ou então, esparramam os restos vegetais e procedem a semeadura sobre a cobertura morta, usando paus pontiagudos para abrir covas (Violic, 1989, citado por Muzilli, 1999).  Ainda hoje é possível encontrar o plantio com o chamado “chucho”, “sacho” ou "punções”, descritos como hastes com pontas de ferro ou pontiagudas (Dallmeyer, 2001).  Na América Central, antes da chegada dos europeus, era utilizado um sistema chamado de “tapado”, o qual consistia em distribuir sementes a lanço, seguido do corte de plantas invasoras no estádio de florescimento, encobrindo as sementes e facilitando a sua germinação (Landers, 2000).  A semeadura direta de culturas era prática comum em civilizações antigas como a Egípcia e a Inca.  A “evolução” foi pela preparação intensa do solo com arados e grades, com tração animal e com a intensa mecanização tratorizada, incluindo-se máquinas cada vez maiores (Derpsh, 1998).

As primeiras referências sobre a possibilidade de deixar de arar o solo foram feitas por Edward H. Faulkner em 1943 no livro “Plowman’s Folly”, em que o autor admitia não haver, até aquele momento, qualquer razão científica razoável para o preparo mecânico do solo e propunha o cultivo mínimo como alternativa.  As idéias de Faulkner foram comprovadas por Louis Bromfield em Ohio.  Agricultores americanos não estavam, naquela época, preparados para aceitar e usar os conceitos de Faulkner, Scarseth, Bromfield ou Klingham (Landers, 2000). Os primeiros estudos sobre o SPD foram realizados na Estação Experimental de Rothamsted na Inglaterra na mesma década de 40 quando se constatou que o preparo do solo era dispensável, desde que não houvesse competição de plantas daninhas (Koronka, 1973, citado por Wiethölter (2000).

O termo Plantio Direto é originado do conceito de “zero tillage”, “no-tillage” ou “direct drilling”, já que os ingleses e americanos foram os primeiros a mecanizarem a técnica, plantando sementes ou mudas com o mínimo de interferência no solo, preservando os resíduos de cobertura vegetal, tendo sido conceituado pela primeira vez por Jones et al., 1968 (informação de João C. M. Sá.)

O SPD moderno só se tornou realidade a partir de pesquisas de cientistas norte-americanos e europeus, com o controle químico de plantas daninhas, dispensando-se o uso de cultivos mecânicos (Derpsch, 1998).  Como resultado desse esforço de pesquisa a Imperial Chemical Industries - ICI, da Inglaterra, lançou no mercado, em 1961, a molécula do “paraquat”, descoberta seis anos antes, e que deu o impulso significativo aos primeiros trabalhos e aos fundamentos de formação da palha, base para o uso do SPD.

O primeiro experimento comparando o PD com PC, incluindo rotação de culturas, foi implantado, em 1961, na estação experimental da Universidade de Ohio em Wooster por Glover Tripllet. As primeiras culturas comerciais mecanizadas com o Plantio Direto foram idealizadas e colocadas em prática por Shirley H. Phillips, um extensionista da Universidade de Kentucky, e por Harry M. Young, um agricultor do mesmo estado, em um trabalho em articulação com a Allis Chalmers, a qual, em 1966, lança a primeira semeadora com disco ondulado para corte frontal da palha.  Em 1973 é lançado o livro “No-tillage Farming” (Phillips & Young, 1973) que é, ainda hoje, referência sobre o sistema em todo o mundo.  A área de PD nos EUA chegou, em 1999/2000 a 19,75 milhões de ha.  Problemas relatados foram relacionados à dificuldade de germinação por baixas temperaturas na primavera; adaptação de semeadoras; e, dificuldades no manejo de plantas invasoras (Landers, 2000).  Na Europa, onde a erosão não é expressiva, os agricultores têm encontrado problemas com excesso de palha e embuchamento de semeadoras (Landers, 2000)

Área de SPD no mundo em mil ha, ano agrícola 2004/2005 (Fonte: Rolf Derpsch, ISTRO, 2005)

EUA                                              25.304

BRASIL                                         23.600

ARGENTINA                                  18.269

CANADÁ                                       12.522

AUSTRALIA                                    9.000

PARAGUAI                                     1.700

PLANICIE INDO-GANGÉTICA          1.900

OUTROS (Estimativa)                      2186

Total                                           94.481

 

Sistema Plantio Direto no Brasil

No Brasil, a história do SPD é um exemplo de integração tecnológica entre produtores, profissionais ligados aos setores de equipamentos e herbicidas, profissionais liberais e pesquisadores.  O processo foi iniciado por produtores pioneiros que se mobilizaram trocando experiências e buscando conhecimentos e inovações no país e no exterior.   A essência do desenvolvimento do SPD no Brasil ainda persiste na abnegação e persistência desses pesquisadores e produtores pioneiros, no importante aprendizado sobre como explorar a agricultura em maior harmonia com a natureza, em um processo constante de mudança do comportamento humano.  Muitos atores dessa façanha ainda estão presentes, na plenitude de seus trabalhos, ajudando no fomento do SPD, com belíssimos exemplos para serem vistos e discutidos, principalmente na faina diária dos produtores pioneiros.

 

Pioneirismo no desenvolvimento do sistema

A mobilização de atenções para as possibilidades de introdução do SPD no Brasil teve início ao final da década de 60.  Registros de trabalhos precursores são reportados como sendo, em 1966, o plantio de leguminosas em pastagens, com a utilização de uma semeadora John Deere na Estação Experimental do IRI em Matão, SP (Landers, 2000).   Foi, porém, nos Estados do Rio Grande do Sul e do Paraná que o SPD concentrou o maior elenco de pesquisadores e produtores voltados ao seu desenvolvimento tecnológico.

No Estado do Rio Grande do Sul registra-se, em 1969, o primeiro plantio de sorgo no Posto Agropecuário do Ministério da Agricultura em Não-Me-Toque com uma semeadora “Buffalo” adquirida pela Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, por meio de convênio com o MEC/USAID (Borges, 1993).  Testes anteriores foram conduzidos em 1968 pelo Eng. Agrônomo Paulo Leo Ramos, considerado o pioneiro no Estado.  Em 1971 são iniciadas pesquisas com a cultura do trigo, sob a liderança do Eng. Agrônomo José Abrão, no Centro de Experimentação e Pesquisa da FECOTRIGO, transformada em fundação em 1989 com o nome de FUNDACEP/FECOTRIGO.   Em 1973 iniciavam-se trabalhos na Estação Experimental de Passo Fundo-RS (IPEAS/DNPEA/MA), depois Embrapa Trigo, com a participação de vários pesquisadores, incluindo: José A. Velloso, Amélio Dall’Agnol, Clóvis Borkert, Otavio J. Fernandes de Siqueira, Rainoldo A. Kochhann, Luiz Ricardo Pereira, Bernard R. Bouglé, Sírio Wiethölter e Werner Wünsche, além da participação de José Alberto Martini, da FAO e da Universidade de Passo Fundo (UPF).  Esses trabalhos incluíram também ensaios em outros municípios como Cruz Alta (FUNDACEP/FECOTRIGO), Santo Ângelo (COTRISA), Giruá (Sr. Edvino Lausmann) e em Palmeira das Missões (Sr. Ilmo Kerber).  Para resolver os problemas encontrados com o sistema, a ICI Brasil iniciou pesquisas no Rio Grande do Sul tendo, em sua equipe, os Eng. Agrônomos Erivelton S. Roman, Nabuco D. Correa, Periguassú Dias, Getulio Orlandini e Rubens Bemerguí.  No final da década está em andamento o projeto “Guarda chuva”, desenvolvido em Ibirubá sob a liderança de Werner A. Wünsche (Borges, 1993; Wiethölter, 2000).   O registro da primeira adoção de SPD no estado acontece em Santo Ângelo pelo Sr. José Carlos da Veiga Mello em 1974 (Wiethölter, 2000).

No Estado do Paraná, em 1971 registraram-se as primeiras pesquisas no Instituto de Pesquisa Agropecuária Meridional (IPEAME/DNPEA/MA) em Londrina, sob acompanhamento do Eng. Agrônomo Francisco Terasawa (Borges, 1993), as quais receberam o apoio da ICI Brasil e da Missão Agrícola Alemã (GTZ).  Naquele mesmo ano, os trabalhos foram estendidos para a Estação Experimental do IPEAME em Ponta Grossa, pelo Eng. Agrônomo Milton Geraldo Ramos que gerou a primeira publicação de natureza regional (Ramos, 1976).  Os trabalhos que vinham sendo conduzidos pelo DNPEA foram incorporados pela Embrapa desde o seu nascedouro, em 1973.  A partir de 1974 passaram para a UEPAE de Ponta Grossa e, em seguida, foi transferida para o IAPAR, onde as pesquisas são mantidas até o presente.   Uma das razoes de sucesso dessas pesquisas foi a proximidade de um grupo de agricultores altamente evoluído, estabelecido sobre um complexo de solos extremamente frágil nos Campos Gerais do Paraná (Lourenço, 1998).  Assim, ao mesmo tempo em que era estudado e avaliado em áreas-piloto pelas instituições de pesquisa, o movimento em torno do SPD descortinava-se no Paraná, incentivado por um misto entre necessidade e idealismo dos produtores, preocupados com a erosão e as restrições de credito para custeio (Landers, 1999).

Destaca-se a participação de produtores rurais do Paraná, os quais, “assumindo os riscos e custos inerentes a uma tecnologia jamais testada em grandes proporções no país, adotou-a” (Sade, 2000).  Foram destaque produtores como o Sr. Bráulio Barbosa Ferraz e profissionais, como o Eng. Agrônomo Dirceu Bonacin, que importaram equipamentos e, por um período demasiadamente curto, sem continuidade, desenvolveram trabalhos de SPD no município de Andirá (Norte do Paraná).  Porém, dentre os diversos atores que fizeram parte desta luta, um espaço especial deve ser reservado ao produtor Herbert Bartz, em Rolândia, por ter sido o único que acreditou e conseguiu vencer as dificuldades iniciais de um sistema desconhecido, no qual nos ajudou a montar a tecnologia da semeadura direta e o manejo da palha, para estabelecer, sobre um quadro antes degenerativo, a agricultura baseada no conhecimento e respeito à natureza (FEBRAPDP, 2001; Saturnino, 1998; Saturnino, 2001).  Mediante testes orientados desde 1969 pelo especialista Rolf Derpsch (GTZ) e com o apoio da equipe técnica da ICI Brasil, entre eles Brian O’Dwyer e Terry L. Wiles, Sr. Herbert Bartz viaja aos EUA e à Inglaterra e importa equipamentos de ambos os países e inicia o plantio direto em 1972, constituindo-se na referência mais antiga de quem iniciou e deu continuidade ao plantio direto até o presente (Borges, 1993; Borges, 1997).  

Em 1972, sob incentivo da sociedade rural paranaense que demandava a busca de soluções tecnológicas compatíveis com as reais necessidades do Paraná, foi inaugurado o IAPAR - Instituto Agronômico do Paraná, na época presidido pelo Eng. Agrônomo Raul Juliatto. Em julho de 1975, o Programa Conservação de Solos do IAPAR, liderado pelo Eng. Agrônomo Arcângelo Mondardo, promoveu em Londrina o Encontro Nacional de Pesquisa da Erosão com Simuladores de Chuvas (IAPAR, 1975), onde eram lançadas as bases modernas para uma consciência conservacionista. Nesse evento, foi enfatizada a eficiência do SPD no controle da erosão, com diminuição de 90% das perdas de solo e acima de 50% das perdas de água.   Em 1975, mediante um Acordo de Cooperação Técnica com a ICI Brasil, o IAPAR iniciou o seu primeiro projeto de pesquisas em SPD. Sob coordenação do Eng. Agrônomo Osmar Muzilli (IAPAR) e tendo como contrapartida o Eng. Agrícola John Wiles (ICI) esse projeto caracterizou-se por enfocar o desenvolvimento tecnológico do plantio direto como um sistema de produção, no lugar da visão reducionista de uma simples técnica de manejo do solo para controle da erosão. Sob a ótica sistêmica, o Projeto envolveu a participação de uma equipe multidisciplinar de pesquisadores do IAPAR, integrada por Fernando Souza Almeida, Anésio Bianchini, Rodolfo Bianco, Alfredo O. R. Carvalho, Rafael Fuentes Lanillo, Antonio Carlos Laurenti, Seiji Igarashi, Yeshwant R. Mehta, Osmar Muzilli, Nilceu R. X. Nazareno, Onaur Ruano, Walter Jorge dos Santos, Marcos José Vieira e Rui S. Yamaoka, além de John Wiles (ICI) e Hans Peeten (CCLPL, Carambeí).  Direcionado à busca da diversificação de culturas no lugar da sucessão soja-trigo, a abordagem multidisciplinar permitiu o melhor entendimento do SPD nos seus componentes fitotécnicos, edáficos, fitossanitários e econômicos, cujos avanços estão registrados na Circular n. 23, editada pelo IAPAR em Agosto de 1981 sob o título de “Plantio Direto no Estado do Paraná”.

Em 1976, motivados por diferentes fatores e tendo como base o trabalho demonstrativo de pioneiros, como Herbert Bartz, os produtores Manoel Henrique Pereira, Franke Djikstra e Wibe de Jagger iniciaram, na região dos Campos Gerais do Paraná, o processo de adoção do SPD.  Deu-se inicio assim um ciclo de prosperidade, revertendo, pelo efeito demonstrativo, o quadro de degradação dos recursos naturais que então persistia pelo efeito erosivo das arações e gradagens e que já vinha sendo denunciado desde 1973, quando foi fundada a Associação Conservacionista de Ponta Grossa.  O credenciamento de Eng. Agrônomos para a comprovação de trabalhos conservacionistas, vinculando-a a liberação de financiamento pelo Banco do Brasil, fez com que os produtores adotassem o SPD em suas terras de topografia acidentada, como as de Manoel Henrique Pereira.

Visando o amplo engajamento dos produtores da região é criado, em 1979, o “Clube da Minhoca”, formado por produtores e extensionistas em Ponta Grossa (FEBRAPDP, 2001).  Essa ação contou, também, com a participação do técnico holandês Hans Peeten, que vinha participando dos trabalhos da equipe multidisciplinar do Acordo IAPAR/ICI em Carambeí, o Eng. Agrônomo Nadir Razini, contratado para trabalhar especificamente com o Plantio Direto, Desmóstenes Duzzi e Milton Moreira, os quais contribuirão para a sistematização do desenvolvimento da tecnologia com foco no produtor, na identificação de problemas e orientação das pesquisas para a solução dos mesmos, tendo a adoção como resultado esperado.  A partir dessas ações conjuntas foram dados os primeiros passos para a expansão do SPD,  “em virtude da formação de Grupos de Produtores que, interessados em discutir suas dúvidas, reuniram-se em fazendas, em dias de campo e em ambientes menores, tornando possível a adoção do Plantio Direto por produtores de todo o país” (FEBRAPDP, 2001).

 

Inovações Tecnológicas – Viabilizado o SPD

Em meados da década de 70 iniciou-se a fabricação das primeiras semeadoras no Brasil (Howard Rotacaster – Curitiba, PR), as quais baseavam-se na abertura de sulcos com enxadas rotativas, pouco eficientes e com alta demanda de energia. Em 1978 a Embrapa Trigo (Passo Fundo, RS), através de convênio com a ICI Brasil, iniciou ensaios de avaliação de semeadoras para Plantio Direto utilizando implementos importados da Inglaterra e o desenvolvimento de mecanismos rompedores de solo para plantio. Essas ações se constituíram em importantes passos orientadores para a industrialização de semeadoras nacionais para o SPD.  Conseqüência desse convênio é o lançamento de kit para semeadora pela Semeato (Passo Fundo), desenvolvido por Laurence I. Richardson (ICI) e José A. Portela (Embrapa Trigo).  Em seqüência a esses estudos, em 1980, a Embrapa Trigo firmou convênio com a Agência Internacional de Desenvolvimento /Ministério da Agricultura do Canadá (CIDA), e introduziu no Brasil o elemento rompedor de solo para semeadora de Plantio Direto, chamado disco duplo defasado, o qual passou a equipar a maioria das semeadoras comerciais do Brasil e do exterior.

Marca-se, assim, a passagem dos anos 70, com tecnologia ainda incipiente, baseada no controle de plantas daninhas (paraquat e 2,4 D), no desenho de semeadoras problemáticas e com altos custos de produção, para os 80.  Já na virada da década (70/80) ocorre a introdução do primeiro dos herbicidas modernos, o glyphosate, o princípio ativo que atua em mecanismos bioquímicos exclusivos do reino vegetal, constituindo-se em importante propulsor do SPD. O lançamento do herbicida glyphosate, inicialmente como Roundup, pela empresa Monsanto, ainda nos anos 80, e como genérico, a partir de 1984/85, por outras empresas nacionais e estrangeiras, ao lado da primeira semeadora-adubadora nacional para PD pela Semeato, empresa brasileira sediada em Passo Fundo, RS, seguida por outras empresas (já em 1985, mais de 13 semeadoras encontravam-se disponíveis no mercado brasileiro), bem como a intensificação de estudos de campo sobre culturas de cobertura e rotações, deram novo ímpeto ao SPD nos anos 80, rumo à competitividade em custos. 

Outra expressiva contribuição foram os trabalhos desenvolvidos no Paraná com ênfase à inclusão das plantas de coberturas (adubos verdes) nos sistemas de rotação de culturas, proporcionada pelo Acordo estabelecido entre o IAPAR e a GTZ da Alemanha em 1977, sob a coordenação de Arcângelo Mondardo (IAPAR) e Rolf Derpsch (GTZ).  Os avanços desse Acordo foram publicados em 1988 na Alemanha e traduzidos para o português em versão editada pelo IAPAR em 1991, sob o título “Controle da erosão no Paraná, Brasil” (Derpsch et al, 1991).  Em 1985 foi disponibilizada a primeira publicação específica sobre plantas de cobertura:  “Guia de plantas para adubação verde de inverno” (Derpsch e Calegari, 1985). 

Em 1977, acontece nas dependências da Embrapa em Londrina (Centro Nacional de Pesquisa de Soja, hoje Embrapa Soja) a Reunião Brasileira de Pesquisa sobre Plantio Direto, primeira iniciativa a reunir um grande volume de pessoas de diferentes áreas, instituições e locais de todo o país em torno do plantio direto (REUNIÃO, 1977).  Em 1980, a Embrapa foi encarregada pelo Ministro da Agricultura de organizar reunião para discutir e analisar as reivindicações de apoio à iniciativa do SPD feita por agricultores do Sul do Paraná, incluindo a diferenciação de crédito.

No Rio de Janeiro, pesquisadores da Embrapa Solos (então Serviço Nacional de Levantamento e Conservação do Solo), sob a liderança do Prof. Renato Luis Pereira de Sousa, conduziram, a partir de 1978, os primeiros estudos no sentido de viabilizar o SPD e de orientar futuros trabalhos na região.  Trabalhos foram conduzidos no Km. 47 (Seropédica, RJ) com a cultura do milho (Sousa et al., 1980).  Na mesma época, as equipes da Embrapa Solos e da PESAGRO-RIO, conduziam trabalhos com a cultura de tomate estaqueado na região de Vassouras.

 

 

Do Clube da Minhoca à Confederação Americana de Agricultura Sustentável

Fruto da iniciativa de produtores organizados no Clube da Minhoca, com o expressivo apoio da COOPERSUL, é realizado, em fevereiro de 1981, o 1o. Encontro Nacional de Plantio Direto em Ponta Grossa (PR).  Dois outros encontros nacionais aconteceram no mesmo local em 1983 e 1985.

Em fevereiro de 1983 é assinado o acordo de cooperação técnica entre Embrapa e a Cooperativa Central de Laticínios do Paraná – CCCPL.  Em julho/agosto do mesmo ano é publicado o primeiro número do Informativo de circulação nacional: Plantio Direto (Embrapa, CCLPL, IAPAR, e EMATER/ACARPA) com tiragem de 4 mil exemplares.  Comitê editorial do primeiro número era formado por Fernando Tavares (Embrapa), Maury Sade (CCLPL), Lourenço Oliari (IAPAR) e Oromar Bertol (ACARPA), sendo editores os Srs. Gustavo Silva e Hermano Matos.   O informativo serviu como fonte de informações da área até sua interrupção, no número 23, em outubro/dezembro de 1987, quando, segundo Sidival Lourenço: “setores reformistas, ditos de vanguarda, passaram a dificultar a impressão sua impressão sob a acusação de que o convênio seria elitista por privilegiar a agricultura empresarial e favorecer o interesse de multinacionais produtoras de insumos” (Lourenço, 1998).  

Importantes trabalhos de desenvolvimento do SPD foram realizados em cooperativas do Estado do Paraná desde o início da década de 80, tais como COCAMAR (Maringá), COROL (Rolândia), COAMO (Campo Mourão), COPAVEL (Cascavel), com destaque a atuação dos Eng. Agrônomos Moacir Ferro (COCAMAR) e Joaquim Montans (Produtor).   Trabalhos de teste/validação são realizados em Floresta (Norte do PR) pela COCAMAR/IAPAR por sete anos contínuos a partir de 1986, incluindo a viabilidade técnica e econômica de sistemas de rotação e cobertura do solo (Calegari et al., 1995).

A partir de 1982, foram implementadas ações para a institucionalização, no Rio Grande do Sul, dos Clubes Amigos da Terra (CATs), idealizados pela ICI Brasil com base na experiência do Clube da Minhoca, mediante ações de conscientização, capacitação desenvolvimento técnico para a adoção e refinamento do SPD (Borges, 1993).  A partir dessa iniciativa, muitos CATs se formaram e estão sendo desenvolvidos no País, contribuindo significativamente como célula básica para a organização dos produtores que praticam o sistema PD e facilitando, de maneira marcante, as ações de transferência, difusão e desenvolvimento de novas tecnologias.  Destacam-se aqui os avanços alcançados pela pesquisa brasileira em relação ao conhecimento e manejo de herbicidas, as técnicas de pulverização, adubação e calagem, redução da erosão, integração lavoura-pecuária, entre outros, sem os quais o Brasil não seria, hoje, referência internacional em SPD.

A partir de 1983 passa a ser oferecida o 1o Curso de Plantio Direto em nível universitário no curso de Eng. Agronômica da Universidade Estadual de Ponta Grossa no Paraná, por iniciativa do Eng. Agrônomo, Prof. Américo Meinicke, que editou os livros “As Minhocas “ (1983) e “Micorrizas - terra fértil para sempre “ (1991).   Em 1995 a disciplina de Plantio Direto passou a ser obrigatória por proposição do colegiado, com apoio da FEBRAPDP, consolidando assim a oferta de mão de obra especializada na nova ferramenta da fazer agricultura.  Disciplina de Plantio Direto também seria oferecida pela Universidade de Cruz Alta (UNICRUZ, RS).

Reportando novamente ao Rio Grande do Sul, em 1984 a Embrapa Trigo, Passo Fundo (RS) dá continuidade as experiências de Renato Borges de Medeiros da COTRIJUI, implantando culturas anuais em campo nativo (Tomasini et al., 1986).   Essa experiência hoje expande-se, além dos campos nativos do sul do RS, para os Campos Gerais do Paraná (Acordo IAPAR-FEBRAPDP) e na região do arenito Caiuá (Noroeste do Paraná), através de programas direcionados à integração lavoura-pecuária (Acordo IAPAR/SEAB-COCAMAR-ZENECA-Prefeituras Municipais).  No mesmo ano, as cooperativas dos Campos Gerais do Paraná (Arapoti, Batavo e Castrolanda) criam a Fundação ABC para Assistência e Divulgação Técnica Agropecuária, que muito contribuiu para o desenvolvimento e a divulgação do SPD e é considerada “um exemplo nacional de pesquisa adaptada e assistência técnica profissional aos agricultores” (Landers, 2000). 

No Estado de São Paulo, os primeiros trabalhos foram realizados pelo Instituto Agronômico de Campinas – IAC em cinco locais. Os trabalhos iniciados em 1943 reportavam o efeito da manu­tenção da palha na superfície no controle da erosão em plantios manuais.  Os primeiros trabalhos com SPD propriamente dito também tinham iniciaram--se em 1973 em Campinas e Pindorama, com o objetivo de avaliar a eficiência do SPD em controlar a erosão e no espaçamento entre terraços (Lombardi et al., 1991).  Ensaios com o SPD foram iniciados em 1979 no Vale do Paranapanema, coordenados por Orlando M. Castro e Sidney R. Vieira.  Em 1983 o Centro Acadêmico e a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” promovem, em 1983, a Semana de PD, que gerou a publi­cação do livro:  “Plantio Direto no Brasil” (Torrado e Aloisi, 1984).  Em 1984, ainda por iniciativa da Fundação Cargill, é publicado o livro: “Atualização em Plantio Direto” (Fancelli et al., 1985).

 “A utilização do sistema – planta, solo e clima – de modo a garantir a sua produtividade, requer o máximo de conhecimento para assegurar o mínimo de degeneração dos seus componentes. Têm-se a consciência de que estamos num período de transição na agricultura.  Um período durante o qual podemos optar por uma dentre as muitas possíveis.  Poderemos escolher aquela que substitua o amanho tradicional por uma técnica que seja o mínimo necessário para colocar a terra em condições de ser um ninho para a semente, a da qual resulte o máximo ode benefício para a humanidade.”  (Trecho de “O máximo e o mínimo” – Eng. Agrônomo, Prof. Dr. Zilmar Ziller Marcos Prefácio do livro “PD no Estado de São Paulo  -  Fancelli, 1989)

Em 1989 é realizado o 2o Encontro Paulista de Plantio Direto, em Assis, quando eram relatados uma área de 40 mil ha com SPD (Fancelli, 1989), predominantemente no Vale do Paranapanema, na região de Holambra e de Itapetininga, pioneiros na adoção do sistema motivadas nas iniciativas do norte do Paraná.

Nos anos 80 ocorreu uma intensa cooperação entre os países do CONESUL, através do IICA-BID/Procisur, que permitiu que os colegas desses países visitassem frequentemente áreas de Plantio Direto no Brasil, assim como a realização de reuniões técnicas sobre o assunto.

Em 1990 é lançado o Jornal do Plantio Direto, hoje Revista Plantio Direto, publicado em Passo Fundo (RS), após reunião na Fundação ABC por iniciativa dos Eng. Agrônomos Mauri Sade, Hans Peeten, João Carlos de Moraes Sá e Eng. Agrônomo Gilberto de Oliveira Borges (in memoriam).  O lançamento oficial ocorreu em durante a I Jornada Sul-Brasileira de Plantio Direto (Cruz Alta-RS e Ponta Grossa-PR, entre 10 a 13 de setembro).  A Revista Plantio Direto é publicada pela Aldeia Norte Editora e editada por Juliane Borges.  Em março de 1992 é realizado, em Castro (PR) o Io Seminário Internacional sobre Plantio Direto em Sistemas Sustentáveis, promovido pela Fundação ABC, com a presença do Dr. Shirley H. Phillips.  Nesse evento foi lançado o livro “Manejo da fertilidade do solo no plantio direto” (Sá, 1993) de autoria do Eng. Agrônomo João Carlos de Moraes Sá (atualmente na UEPG), onde eram lançados os resultados sobre calagem em superfície e adubação em sistemas de produção.   Ao mesmo tempo, o Eng. Agrônomo Dirceu Gassen (Pesquisador licenciado da Embrapa Trigo, Consultor Técnico da COPLANTIO), lançava a idéia do controle de pragas com a visão do sistema.  Em 1993 é lançado, pela Embrapa Trigo, FECOTRIGO e Fundação ABC, o livro “Plantio Direto no Brasil”, um compendio relatando os avanços do Sistema (EMBRAPA, 1993).

Em julho de 1992 é instituída a Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha - FEBRAPDP, sediada em Ponta Grossa (PR), com o objetivo de “reunir e representar, nacional e internacionalmente, as entidades a ela associadas” (Sade, 2000).  A Federação é reconhecida como entidade de utilidade pública federal em 1998. Também em 1992 é criado, em São Paulo, SP, o Grupo Plantio Direto, um “pool” de empresas de agroquímicos (adubos e herbicidas).   Em 1991/1992 é criada a Confederação de Associações Americanas para a Produção Agropecuária Sustentável - CAAPAS.  Fazem ainda parte da CAAPAS a APRESID (Associacion Argentina de Productores em Siembra Directa), a SOCOSCHI (Sociedad de Conservacion de Suelos de Chile), FEPASIDIAS (Federacion Paraguaya de Siembra Directa para una Agricultura Sustentable), a AUSID (Associacion Uruguaya pró siembra Directa), a AMLC (Associacion Mexicana de Labranza de Conservacion), a ANAPO (Associacion de Productores de Oleaginosas y Trigo de Bolívia), e o CTIC (Conservation Tecnologicas Information Center – West Lafayette, Indiana, USA).

 

Cerrados – Vencendo o desafio do Centro-Oeste

Na década de 80, com os exemplos do sul, ocorre a introdução dos trabalhos visando a viabilização do SPD nos Cerrados, fato considerado extremamente importante, “pois atende a maior fronteira agrícola do país, onde há necessidade de cuidados especiais para defesa do meio ambiente” (Sade, 2000).  Várias iniciativas são registradas, começando com as tentativas datadas de 1981 do Sr. Eurides Penha na Fazenda Boa Esperança em Rio Verde (GO) com apoio da Agroquima, através do Eng. Agrônomo Benedito Soares Adorno Filho.  A partir das experiências bem sucedidas, o sistema é apresentado em dia de campo realizado em 6 de fevereiro de 1982 como uma nova e grande solução para o grave problema de erosão dos Chapadões do Sudoeste Goiano (Rio Verde, Paraúna, Jataí, Mineiros, Aporé, Serranópolis etc.).

Em 1982 o sistema era utilizado por Ricardo Merola, com o apoio do Eng. Agrônomo Eliseu Marson, em áreas de produção de sementes de milho em Santa Helena, GO.   Vale destacar o pioneirismo das experiências de John N. Landers na Fazenda Tijunqueiro, em Morrinhos, GO a partir de 1981, quando aconteceram os primeiros testes com plantadeiras adaptadas e, dois anos após, o plantio direto de milho, soja , arroz, sorgo, girassol e gergelim.  Vários eventos aconteceram na área mantida até 1987, sendo o primeiro realizado no verão de 1983.  A partir de 1988, John Landers conduziu vários campos experimentais em fazendas da região, com apoio da Manah e dos Eng. Agrônomos Vivaldo de Souza Machado e José Antonio R. de Almeida.  Entre as proezas do Projeto Morrinhos, destaca-se a consagração do plantio de culturas em safrinha incluindo o milheto, testes de sobressemeadura com sorgo e capim gordura, testes de plantio de colonião em consórcio com milho, o consorcio de leguminosas perenes com o milho, a sub-semeadura de guandu em milho, a aplicação de P antes do plantio, o pastoreio rotativo com cercas elétricas e a avaliação de herbicidas pós-emergentes.

Em 1984, vencendo as dificuldades de manejo dos solos arenosos da região de Maracaju (MS), Ake Van der Vinne estabelece o sistema e, dez anos depois, inicia a integração entre a lavoura de soja e a pecuária.  Após 1989, a gradual conversão dos trabalhos da equipe CIRAD (Lucien Séguy e Serge Bouzinac), em colaboração com o Eng. Agrônomo Ayrton Trentini e o agricultor Munefume Matsubara, de Lucas do Rio Verde, MT, que participou das primeiras discussões sobre a integração lavoura-pecuária na região.  Várias outras experiências são registradas, como a dos engenheiros agrônomos Luis Lovato (então da Monsanto) e Helvecio Mattana Saturnino, nos cerrados da região da represa de Três Marias em Minas Gerais (1982 a 1984 com o grupo BMG) e dos produtores do PRODECER, como Enary Seibt, a família Lohmann, de Irai de Minas, MG (1984).

Vários ensaios foram instalados na região no início dos anos 80, com destaque aos trabalhos de Medson Janer na UFMS em Dourados, MS (1981), Joaquim Machado na UNESP Ilha Solteira (1985).  Ainda em 1985 foram iniciados ensaios de adaptação de espécies de cobertura do solo no Mato Grosso do Sul (então Estado do Mato Grosso) por Dionisio Gazziero (Embrapa Soja), Francisco de Assis Rolim Pereira (EMPAER-MS) e o Luiz Albino Bonamigo (Sementes Bonamigo), os quais podem ser considerados os primeiros experimentos oficiais sobre SPD na região. A continuidade do trabalho culminou com lançamento das primeiras duas variedades comerciais brasileiras de milheto e de uma de guandu para pastoreio.  Em 1988 são iniciados os trabalhos buscando sistemas alternativos de manejo do solo pela equipe da Embrapa Solos (antigo SNLCS) sediada em Goiânia e Senador Canedo (GO), complementadas com observações na Microbacia Piloto do Estado de Goiás, em Morrinhos (Teixeira et al., 1998).

Empresas, como a Monsanto, também tiveram participação importante em todas as iniciativas nos Cerrados Brasileiros, apoiando os trabalhos em realização, disseminando tecnologias adaptadas, promovendo ensaios de culturas em safrinha em rede (UFMS em Dourados, MS, UNESP em Ilha Solteira, SP, FESURV em Rio Verde, GO, EMPA em Cuiabá, MS, Emgopa em Morrinhos, GO, UFU em Uberlândia, MG, Embrapa Cerrados em Planaltina, DF, Embrapa Milho e Sorgo em Sete Lagoas, MG), promovendo treinamentos e apoiando eventos, ao lado da Semeato, Manah, SLC, entre várias outras.

No início da década de 90 o sistema era dominado por vários produtores e técnicos, culminando com a criação de Fundações, como a Fundação MS, com sede em Maracaju (MS) por iniciativa dos associados da COAGRI.  No mesmo ano foi fundada a Associação de Plantio Direto no Cerrado – APDC com a proposta de promover a troca das muitas experiências existentes na região visando o rápido desenvolvimento do SPD na Região.  Fruto do trabalho da APDC, foram criados vários Clubes Amigos da Terra – CATs -  e similares, com destaque ao CAT de Rio Verde (GO) e o CAT de Uberaba (MG), com a contribuição de produtores como Flavio Faedo, Andréas C. J. Peeters, José Roberto Brucelli, Jônadan Hsuan Min Ma, entre outros.  Com o objetivo de promover o SPD como caminho para atingir a sustentabilidade da agricultura nos Cerrados Brasileiros, a APDC e os CATs afiliados organizaram, entre 1992 e 2001, seis encontros regionais (ERPDC) e, em nome da FEBRAPDP, dois encontros nacionais (ENPDP), que foram decisivos para a evolução da área de PD, chegando a 5 milhões de ha no ano agrícola 2001/2002.

Em 1993 a APDC formulou a publicação: “Fascículos de Experiências de Plantio Direto no Cerrado”, editado por John N. Landers (Landers, 1994), um manual prático baseado em experiências de produtores da região, incluindo recomendações das indústrias e resultados de trabalhos gerados pela pesquisa agropecuária (tiragem de 4.300 exemplares).  Em 1996 é publicado o livro: “O Meio Ambiente e o Plantio Direto” incluindo os principais argumentos sobre o assunto levantados durante o 5o ENPDP realizado em Goiânia no mesmo ano (Saturnino e Landers, 1996).

Em 1996 foi iniciada a publicação do jornal quadrimensal “Direto no Cerrado”, com tiragem de 10.000 exemplares em 2001. 

No início da década de 90 é oferecida a primeira disciplina em SPD na região pela Escola de Agronomia da FESURV (Rio Verde – GO).  Em 1993, a Escola de Agronomia da UFG (Goiânia, GO) é oferecido o Curso de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) em Agronomia, onde o SPD é inserido em várias disciplinas, com destaque a de Manejo e Conservação do Solo e da Água de responsabilidade do Prof. Huberto Kliemann com a colaboração de Philippe Blancaneaux (ORSTOM – atual IRD) e Pedro L. de Freitas (Embrapa Solos).  Várias outras iniciativas acontecem na região, como a disciplina de Sistema de produção em Plantio Direto no Programa de pós-graduação em Agronomia do ICIAG/UFU (Uberlândia, MG).  Ainda em 2000 é oferecido o Curso de Pós-graduação Lato sensu por tutoria à distância em Plantio Direto pela UnB, com apoio da ABEAS e da APDC.

Em 1994 a AgenciaRural (então Emgopa), com a parceria da Embrapa Solos e suporte financeiro da FINEP/PADCT/CIAMB inicia a execução de projeto visando o desenvolvimento de sistemas agroecológicos integrados, com ênfase a viabilização do SPD nos Cerrados Brasileiros (Freitas et al., 1994).  Em 1996, o Centro de Recursos localizado em Dourados (MS) – Embrapa Agropecuária Oeste – promove um workshop visando delinear sua atuação na região.  A partir de então, concentra suas atividades em programas de pesquisa em SPD. 

 

PD para Pequenos Produtores

Inicialmente considerada tecnologia para grandes produtores, o SPD em pequenas propriedades é objeto de campanhas visando a adequação e adoção em vários estados. As primeiras experiências relacionadas com a pequena propriedade ocorreram a partir de 1984 no Paraná, quando a Área de Engenharia Agrícola do IAPAR lançou um protótipo de semeadora-adubadora com uso de tração animal – a “Gralha Azul” - desenvolvida pelos Engenheiros Agrônomos Ruy Casão Jr., Augusto G. de Araújo e Rui S. Yamaoka. Na seqüência, objetivando estudar a viabilidade do plantio direto em solos de baixa aptidão agrícola, o IAPAR implantou, sob orientação dos Eng. Agrônomos Gustavo Merten e Ademir Calegari e do Eng. Agrícola Augusto G. de Araújo. Uma rede de ensaios temáticos em distintas regiões edafoclimáticas do Paraná, para avaliar sistemas de preparo do solo com tração animal e o uso de plantas de cobertura do solo no verão e inverno, em rotação com as culturas de feijão e milho.  A partir de 1991, sob patrocínio do Programa PARANARURAL e com o intuito de validar e difundir as tecnologias geradas, o IAPAR implementou - em parceria com a EMATER-PR, FEBRAPDP, indústrias de equipamentos de tração animal e grupos de agricultores familiares - um projeto de pequenas propriedades localizadas em microbacias hidrográficas na região Centro-sul e, mais tarde, no Sudoeste do Paraná, começando pela região de Irati, com destaque ao produtor Félix Krupek. No IAPAR, tais projetos ainda prosseguem, coordenados pela Eng. Agrônoma Maria de Fátima dos Santos Ribeiro.  Uma parceria da FEBRAPDP com o IAPAR, Emater-PR e a Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná permitiu elevar a área de SPD em pequenas propriedades para 69 mil ha em 1998/99 (FEBRAPDP, 2001). 

Em 1993 é realizado, em Ponta Grossa, o 1o Encontro Latino-Americano de Plantio Direto na Pequena Propriedade, o qual teve seqüência com a realização de encontros em 1996 na região de Itapua, no Paraguai, em 1998 na cidade de Pato Branco (PR) e, em sua 4a edição, em 2000, na cidade de Erechim-RS.  Na região dos Cerrados, destaca-se o trabalho da Escola de Agronomia da UFG que, em 1993, iniciou trabalhos de pesquisa desenvolvendo adaptações em semeadoras manuais (matracas) e de tração animal, validadas na comunidade Pequenos Agricultores do Serra-Abaixo, município de Inhumas (GO).  A parceria, coordenada pelo Eng. Agrônomo, Prof. Rogério Araújo de Almeida, culminou com a realização de encontros de plantio direto para pequenos produtores em 1996 e 1997 na cidade de Inhumas-GO.

Década de 90 – Desenvolvimento Maciço  

Na década de 90 o desenvolvimento do SPD aconteceu de forma maciça em todo o país.  Na Região Sul em particular o processo prosperava com a consolidação de 43 CATs no Rio Grande do Sul.  Em 1993 é lançado o Projeto METAS (programa de viabilização e difusão do Sistema Plantio Direto no Planalto do Rio Grande do Sul), liderado pela Embrapa Trigo, com a articulação com instituições dos setores público e privado (Emater RS, Monsanto, Semeato, Agroceres, Adubos Trevo, Jacto, Calcário FIDA e Cia. Agrícola Extremo Sul).  A parceria, por meio da realização de 450 demonstrações técnicas, 202 excursões, 113 encontros, 195 dias de campo, 131 cursos, 1150 reuniões e palestras, e a instalação de 97 unidades técnico-demonstrativas, abrangendo 90 mil grandes, médios e pequenos produtores, contribuiu efetivamente para o aumento da área sob PD na região, de 320 mil em 1993 para mais de 800 mil ha em 1998.  Acontece assim a implantação de um modelo de P & D, o qual tem sido praticado em vários locais do país, a exemplo da Fundação ABC (Ponta Grossa, PR), FUNDACEP (Cruz Alta, RS), Fundação MS (Maracaju, MS), entre outras.  Paralelamente, são desenvolvidas ações fundamentais de difusão do PD, com o marcante trabalho de demonstrações e comunicações entre produtores, com eventos locais, regionais e nacionais com a efetiva participação de instituições de pesquisa, ensino e assistência técnica e extensão rural.  Cria-se assim um ambiente de grande interesse pelo sistema em todo o Brasil e chamando-se a atenção de organismos internacionais, a exemplo do Banco Mundial, FAO, entre outros.

Em 1994 acontece em Cruz Alta, RS, o 4º Encontro Nacional, organizado pelo CAT, sob coordenação do Eng. Agrônomo Kurt Arns.  Esse encontro foi um marco fundamental na história e no desenvolvimento do Sistema não só no Sul, mas em todo o país e no Paraguai, marcando a consolidação do “Sistema de Plantio Direto na Palha como tecnologia Ambientalista para uma Agricultura Sustentável” (Sade, 2000).  Em 1996 é realizado, em Ponta Grossa-PR, o 1º Congresso Brasileiro de Plantio Direto para uma Agricultura Sustentável, promovido pelo IAPAR (Pólo Regional de Pesquisa de Ponta Grossa), FEBRAPDP, UEPG, Prefeitura Municipal e Rotary Club, sob a coordenação do Eng. Agrônomo Bady Curi.  Os 1200 participantes permitiram consolidar o SPD pelo Tripé Ensino - Pesquisa – Assistência Técnica, definitiva na formação de uma personalidade unida das partes integradas, não deixando mais espaço para dúvidas e retrocessos em relação a viabilidade do SPD.  

No final da década registram-se a realização de três edições da Expodireto, nas cidades de Carazinho e de Não-Me-Toque (RS), feira agrodinâmica direcionada para tecnologias que utilizam o SPD como base e que, na última edição, em março de 2001, reuniu 70 mil pessoas, entre produtores e técnicos.

Lançamento, em agosto de 1998, do Programa Estadual de Plantio Direto de São Paulo, com duração prevista para seis anos visando a promoção de cursos de treinamento, seminários e unidades de demonstração e o intercambio com outras regiões.

Na Região Centro-Oeste, onde predominam os Cerrados Brasileiros, o SPD experimentou um crescimento vertiginoso nos anos 90, com a realização vários encontros regionais e locais (1991 – Goiânia; 1992 – Passo Fundo e Brasília; 1995 – Brasília; 1997 – Rio Verde e, 1999 – Uberlândia).  A região foi ainda sede de dois encontros nacionais (5º ENPDP, Goiânia, 1996 e 6º ENPDP, Brasília, DF, 1998), que contaram com a presença de mais de 2.000 participantes cada.

 

Integração Tecnológica e a Plataforma

No final dos anos 90, como reconhecimento da importância da integração tecnológica praticada por todos os setores envolvidos com o SPD no Brasil e fruto das discussões acontecidas nos encontros nacionais ocorridos em Goiânia (1996) e Brasília (1998) iniciam-se ações que culminariam com a proposição e a organização da Plataforma Plantio Direto.  Para isto foi determinante a necessidade de maior envolvimento dos produtores na determinação de prioridades de pesquisa, os problemas surgidos em decorrência do novo quadro edafo-ambiente encontrado após alguns anos da implantação definitiva do SPD e, por fim, a implantação definitiva dos conceitos de agronegócio, considerando que o Plantio Direto permeia praticamente todas as cadeias produtivas envolvendo as atividades agrosilvipastoris.

É desta forma que, em 1998, acontece um workshop sobre o Sistema Produtivo Plantio Direto em Goiânia, GO, fruto de entendimentos entre Almiro Blumenschein, então Diretor Executivo da FUNAPE-GO, e Helvecio M. Saturnino, então Presidente da APDC.  Naquela oportunidade, com a efetiva participação e colaboração do CNPq, Embrapa e FEBRAPDP foram mobilizados os vários segmentos do agronegócio, tendo-se o SPD como o centro das atenções nas diversas cadeias produtivas.   Reflexo dessa ação, a Embrapa promove em maio de 1998 na sua sede em Brasília uma Reunião Interna sobre Plantio Direto e Integração Agricultura/Pecuária.  Naquela ocasião, Sidival Lourenço afirmava que: “a questão da consolidação da prática e dos estudos sobre PD nas unidades da Embrapa não depende da contratação de novos pesquisadores, mas da mudança das concepções das equipes ou, como diz o entusiasmado Dr. Landers (John N. Landers), em vez de virar a terra, virar a cabeça” (Lourenço, 1998).  Como recomendação foi criado, em dezembro de 1998, o Núcleo de Gestão Tecnológica  sobre o Sistema Plantio Direto (NGT-SPD) como assessor da Diretoria Executiva e do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa.

No mesmo ano é proposto o Projeto Plataforma Plantio Direto tendo a FEBRAPDP como proponente, a Embrapa como executora, ao lado de inúmeras instituições de pesquisa, ensino, extensão rural e organizações públicas e privadas.  Aprovado em 1999, o projeto só seria implantado em fevereiro de 2000, tendo como meta final identificar as tendências tecnológicas e estimular o relacionamento entre os diferentes setores envolvidos, buscando a formação de parcerias que tornassem possível dar soluções aos problemas tecnológicos levantados e, ao mesmo tempo, equacionar o quadro atual da difusão de tecnologias, aproximando a pesquisa aos produtores e, propor instrumentos políticos de estimulo ao SPD.  O projeto teve sua execução facilitada pelo apoio recebido pela FUNAPE/GO e pela APDC.

No ano 2000 acontece em Foz do Iguaçu (PR) o 7o Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha, promovido pela FEBRAPDP, o qual contou com a participação de 1700 inscritos, sendo na sua grande maioria pequenos, médios e grandes produtores de todo o País.

A integração tecnológica proporcionada pelo SPD pela iniciativa de produtores rurais de todo o país, com a participação decisiva dos órgãos de pesquisa e da assistência técnica, extensão rural e do ensino, transformaram o Brasil em uma referência internacional no sistema.  Importantes avanços no conhecimento sobre o sistema foram desenvolvidos na década de 90, entre os quais se destacam:

  • o melhor entendimento sobre a entomologia, a fitopatologia e a herbologia, e os mecanismos de controle biológico com o PD;
  • o melhor entendimento da dinâmica do PD nos trópicos e subtrópicos e as alternativas de rotação de culturas e plantas de cobertura e de safrinha;
  • o maior desenvolvimento dos equipamentos, culminando com a situação de que 100% das demonstrações de semeadoras nos últimos anos em exposições dinâmicas, como o Agrishow (Ribeirão Preto, SP), Expodireto (Carazinho e Não-me-Toque, RS), Cascavel (PR), AgroCentroShow (Goiânia, GO), Rondonópolis (MT), entre outras, foram somente em PD;
  • a universalidade do sistema PD, com aplicação potencial em todas as fazendas e atividades na agricultura, tais como a horticultura, o reflorestamento, a fruticultura, a cafeicultura e as pastagens, na pecuária, com significativos e interessantes avanços na década de 90;
  • os avanços nas ações de pesquisa e desenvolvimento, tais como: 
    • maior mobilidade de cations, como o cálcio, no solo sob PD,
    • significativa melhoria da porosidade do solo sob PD  (5 vezes em 5 anos) comparada com solos sob o cultivo convencional com 15 anos de gradagens sucessivas,
    • constatação de que os ácidos húmicos provenientes da palha em decomposição tornam o alumínio menos tóxico, o que reduz a necessidade de calagem, assim como a constatação de que os resíduos orgânicos da palha causam efeitos semelhantes à calagem, o que reduz a acidez e aumenta a mobilidade do cálcio e do magnésio, contribuindo, dessa forma, para a expansão do sistema radicular,
    • demonstração de que sob PD, a cobertura de N propicia alta resistência do arroz à pragas e doenças,
    • desenvolvimento de semeadoras para PD de parcelas experimentais, cuja  demanda somente era atendida mediante importação, com a introdução no mercado, em 1999, de uma semeadora para PD de ensaios, caracterizada por permitir a semeadura simultânea de progênies de inúmeras espécies e por possibilitar múltiplos comprimentos de parcela, espaçamentos entre linhas, densidades de semeadura, doses de fertilizantes, etc.,    
    • lançamento, em 1999, de uma semeadora autopropelida, dimensionada para PD em pequenas unidades produtivas,
    • maior desenvolvimento das máquinas de tração animal para atender ao SPD, e,
    • melhor organização dos produtores e técnicos em torno do PD, com significativos avanços em arranjos institucionais.

Há, no entanto, um vastíssimo campo a ser adequadamente explorado com os recursos de P&D, especialmente nas condições tropicais e subtropicais, especialmente nos cerrados, região considerada o celeiro do mundo.   O SPD está vinculado às mais diversas condições climáticas como mostra o crescente interesse por produtores e técnicos de outras regiões climáticas, como da Europa (Alemanha, Suíça, Holanda, França, Espanha, e Portugal), da África e da Ásia.  Produtores, técnicos, pesquisadores e consultores dessas regiões têm se reunido para conhecer o extraordinário avanço do SPD no Brasil, em programas patrocinados pelo Banco Mundial e organizados pela FEBRAPDP.

Nesses aspectos vale observar trabalhos internacionais como do CTIC (1997) e nacionais como de Derpsch et al (1991), Calegari et al (1993), Freitas (1994), Landers (1996), Saturnino e Landers (1997), Darolt & Wall (1999), Muzilli (1999), Lara Cabezas  & Freitas (2000), FEBRAPDP (2001), dentre vários outros que discutem os princípios e fundamentos do SPD, seja nos subtrópicos e nos trópicos e que são relacionados como referências tecnológicas no banco de dados da Plataforma Plantio Direto.

 

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Comentário de Gilberto Fugimoto em 26 agosto 2016 às 9:26

Pedro,

Parabéns pela iniciativa; um artigo técnico completo!

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