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A banana é uma fruta de grande importância mundial e o quarto alimento vegetal mais consumido no mundo, superada pelo arroz, trigo e milho. O método de irrigação a ser utilizado depende das condições do solo, clima, topografia, suprimento hídrico disponível e aporte tecnológico do produtor. Os métodos pressurizados: aspersão, microaspersão e gotejamento são os mais utilizados.(1)

O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de banana, com 6,4 milhões de toneladas, embora a produtividade brasileira média ainda seja baixa, apenas 12,5 t/ha. O método da irrigação localizada, pela maior eficiência e menor consumo de água e energia, tem sido o mais recomendado, principalmente em regiões onde o fator água é limitante. A utilização da irrigação localizada tem sido preferida pelos agricultores em decorrência das suas vantagens em relação aos demais sistemas de irrigação, apesar de o seu custo de implantação ser maior inicialmente.

Métodos usuais de irrigação

O método da aspersão é o que molha completamente todo o solo (área molhada de 100%), e quando usado, os aspersores devem ficar a 1 m do solo, com ângulo de inclinação no máximo de 7 graus.

No caso da microaspersão, usar um microaspersor de vazão superior a 45 L/h, para quatro plantas, preferencialmente dispostas em fileiras duplas.

No caso do gotejamento, deve-se usar pelo menos dois gotejadores por planta, preferencialmente em faixa continua. É o sistema de menor área molhada, podendo, portanto, não ter o resultado dos anteriores.

A irrigação localizada apresenta maior eficiência relativa (85% a 95%), quando comparada com os demais métodos. A principal desvantagem desse sistema é o elevado custo inicial de investimento, em especial em relação à irrigação por sulcos.

O número de emissores por cova depende do espaçamento de plantio, do tipo de solo e, mais precisamente, do tamanho do bulbo molhado formado pelo gotejador. Quando a cultura é plantada em espaçamentos mais adensados, pode-se optar pelo gotejamento em faixa, com uma linha lateral por fileira de planta e gotejadores espaçados entre 0,30 m, para solos de texturas arenosa, e 0,50 m, para solos de textura média e argilosa. No caso de espaçamentos maiores, pode-se dispensar o uso do gotejamento em faixas e adotar dois gotejadores por cova.

No caso da microaspersão, devem ser usados microaspersores de vazões superiores a 45 L/h, para quatro plantas, de forma que se obtenha maiores áreas molhadas. Pode ser utilizado um emissor para 2 ou 4 plantas.

Necessidade de água

Estudos mostram que aproximadamente 80% da bananeira é composta por água. Quanto maior a área foliar, maior a produção de frutos e, consequentemente, maior o consumo de água. Em média, estima-se que uma bananeira necessite de 18 a 20 litros de água por dia. (2)

O cálculo da lâmina de irrigação a ser reposta ao solo leva em conta os valores da profundidade efetiva do sistema radicular (mm) e da redução máxima permissível da disponibilidade de água no solo (decimal) sem causar redução significativa (física e econômica) na produtividade da cultura. Sugere-se usar valores para f entre 30% e 35%. Tem-se verificado que mais de 86% da extração de água pelas raízes ocorre até 0,40 m de profundidade, embora o sistema radicular, dependendo do tipo de solo, possa chegar a 2,0 m.

As vazões de cada gotejador geralmente variam de 2 a 10 L/h e dentre suas vantagens estão a grande economia de água e energia e a excelente uniformidade de aplicação de água, comparado a outros tipos de irrigação (Mantovani et al., 2007).

Configurações dos sistemas

Uma vez escolhido o método de irrigação, o passo seguinte é configurar o sistema de irrigação, escolhendo adequadamente o número de emissores a serem utilizados, a vazão e a disposição dos mesmos em relação à planta. O efeito poderá variar em função das condições de solo e do clima local. (3)

Estudos no Projeto Jaíba - MG mostraram que 98% das raízes da bananeira irrigadas por aspersão e microaspersão, concentram-se até a profundidade de 40 cm. Em microaspersão, 93% da massa seca das raízes concentram-se até em 60 cm de profundidade. No gotejamento, foram encontradas profundidades efetivas do sistema radicular entre 25 e 60 cm.

Gotejamento

Ao se utilizar a irrigação localizada na cultura da bananeira, o volume de solo molhado, medido na faixa de 30 cm a 40 cm de profundidade, onde se concentram as raízes de absorção, não deve ser inferior a 40% da área ocupada por planta. Garante-se com isso que mais de 90% do sistema radicular seja irrigado, o que favorece o processo de transpiração da cultura (Rodrigo Lopez & Hernandez Abreu, 1981).

Projeto de Gotejamento para 3 Hectares

REF. (1) Sistema de Produção da Bananeira Irrigada.

https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/110622/1/Sis...

(2) Manejo de fertirrigação para aumentar produtividade de banana

https://www.grupocultivar.com.br/artigos/sede-de-nutricao

(3) Irrigação da bananeira, Coelho E.F., Embrapa, 2012.

http://www.ifbaiano.edu.br/reitoria/wp-content/uploads/2013/02/livr...

 

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 16 abril 2020 às 16:33

FILTROS DE TELA

O filtro de tela tem forma cilíndrica e constitui-se de uma carcaça de plástico ou metal não corrosivo e de um cesto móvel do mesmo material, o qual é recoberto por uma tela. A tela pode ser de nylon ou aço inoxidável e é classificada quanto ao tamanho em números de aberturas por polegada linear (mesh), que geralmente variam, na irrigação localizada, entre 50 a 200 mesh (ou poros de 0,3 a 0,074 mm). O seu principal objetivo é reter as partículas inorgânicas em suspensão na água de irrigação. É comum usar tela de malha de 120 mesh (abertura dos poros de 0,14 mm), segundo Bernardo, 1995.

Os filtros de tela costumam ser instalados depois dos filtros de areia e dos sistemas injetores de fertilizantes, com a função de reter as partículas não dissolvidas. Removem de forma eficiente partículas muito finas de areia ou pequenas quantidades de algas, mas não são apropriados para a retenção de todo material orgânico (algas, fitoplânctons e zooplânctons) presentes na água de irrigação.

Grau de filtragem

Segundo o fabricante de materiais para irrigação NaanDan, o grau de filtragem necessário para se especificar o filtro para o projeto, é mostrado na Figura abaixo.

Os fatores a serem considerados na escolha são: qualidade da água, vazão do sistema, área de filtragem, porcentagem de área livre por filtro, tempo para o ciclo de limpeza e perda de carga permissível. A perda de carga máxima admitida é de 4 m.

Segundo o fabricante Netafim, para o nosso projeto com vazão de Q = 30,6 m³/h, seriam recomendados instalar 2 unidades de Filtro de Disco de 120 mesh e 2" (duas polegadas) com vazão máxima de 34 m³/h, como mostra a Tabela da Figura abaixo, do fabricante Netafim.

Filtros Azud

Dimensionamento

Bom proveito.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 15 abril 2020 às 12:27

PROJETO COM FITA SANTENO

(Copiado do Manual do fabricante)

O link está logo aí em cima.

Bom proveito.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 14 abril 2020 às 11:53

CABEÇAL DE CONTROLE

Chama-se cabeçal de controle o conjunto de equipamentos e tubulações reunidos para filtrar a água de irrigação, controlar vazões e distribuir fertilizantes, nos métodos de irrigação localizada. A Figura abaixo mostra um esquema típico e completo.

filtro&cabeçal.gif (Irrigação)

Filtros de areia

Filtros de areia são tanques ou reservatórios cilíndricos metálicos, em cujo interior se coloca uma camada de material poroso particulado, também chamado de leito filtrante, através da qual se filtra a água de irrigação. A Figura abaixo mostra como são instalados.

O dimensionamento mostrado na planilha abaixo foi feito com base nas recomendações do Manual Filtros de Areia na Irrigação Localizada, de Roberto Testezlaf e auxiliares, Campinas - SP, 2014. (1)

A partir da qualidade da água, seleciona-se a taxa de filtração. A área da seção transversal do filtro é obtida, dividindo-se a vazão de projeto pela taxa. Entrando-se com essa área na Tabela do fabricante do filtro, escolhe-se um modelo. Da altura comercial desse modelo, subtrai-se as alturas do fundo e do bordo livre (25%). Dividindo-se a altura restante pela área do filtro, obtém-se o volume de areia. Multiplicando-se o resultado pela densidade e porosidade da areia, chega-se à massa a ser adquirida para 'encher' o filtro.

É bom frisar que devem ser adquiridos, sempre, (pelo menos) dois filtros para que a irrigação não seja interrompida enquanto o outro estiver em manutenção ou renovação da areia. Isso deve ser feito quando o manômetro que acompanha o filtro indicar cerca de 2 m de perda de carga ou pressão. Há, também outros tipos de filtros, como os de tela e de discos.

REF. (1) http://www2.feis.unesp.br/irrigacao/pdf/testezlaf_filtros.pdf

Bom proveito.

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