Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

IRRIGAÇÃO POR GOTEJAMENTO DA CANA-DE-AÇÚCAR

A revista Globo Rural que está nas bancas (Março 2015, pág. 27) trás uma interessante reportagem intitulada “Supercana do Sertão”, dizendo que o Brasil irriga 5,7 milhões de hectares (9% da área agrícola) e incentivando o sistema de gotejamento subterrâneo. Diz que os sistemas se dividem em 35% na aspersão, 24% inundação, 19% pivô central, 7% localizado, 6% sulco e 8% outros. Embora o assunto seja cana, a foto do tópico é o café, que também vai muito bem neste sistema de irrigação.

Segundo a Netafim, uma empresa (com fábrica no Brasil desde 1997) que fornece gotejadores, este sistema (gotejamento subterrâneo) chega a dobrar a produção da cana-de-açúcar (de 60 para 120 t/ha); possibilita até 12 colheitas sem reforma do canavial; produz até 13.000 l/ha de etanol (enquanto no sequeiro não passa de 6,5 mil litros); e amortização do investimento entre a 3ª. e a 5ª. colheita.

O gotejamento subterrâneo é o sistema de irrigação mais recentemente utilizado em cana-de-açúcar, em que a água é aplicada diretamente na região radicular em pequenas intensidades (baixa vazão) e alta frequência (turno de rega pequeno, de 1 a 4 dias), mantendo esse solo próximo a capacidade de campo. Nesse sistema, a água se distribui por uma rede de tubos, sob baixa pressão. Os emissores são fixos nas tubulações dispostas na superfície do solo ou enterradas, acompanhando as linhas de plantio. Este tipo de irrigação apresenta um controle rigoroso da quantidade de água fornecida às plantas, possibilitando grande economia de água e energia. Além de ser usualmente semi-automatizado ou automatizado, necessitando de menos mão-de-obra para o manejo do sistema. O uso desse sistema permite o cultivo em áreas com afloramentos rochosos e, ou, com declividades acentuadas. Porém, requer de um alto custo inicial e oferece elevado potencial de entupimento dos emissores, necessitando um sistema de filtragem, além de requerer a manutenção com maior frequência. Normalmente a irrigação localizada é executada por sistemas de gotejamento e microaspersão.

O gotejamento é composto por emissores, denominados de gotejadores, através dos quais a água escoa após ocorrer uma dissipação de pressão ao longo da rede de condutos. As vazões são usualmente pequenas, variando 2 a 20 l/h. O uso da irrigação por gotejamento vem crescendo nos últimos anos, principalmente pela grande economia no consumo da água que a mesma proporciona, no entanto, por se tratar de um sistema fixo, os elevados custos de instalação tendem a inibir a utilização desta técnica. O gotejamento requer uma mão-de-obra extremamente especializada. Pode ser superficial e sub-superficial e em cana-de-açúcar, principalmente em grandes áreas, o mais recomendado é o sub-superficial.

Como nem tudo são flores, o sistema subterrâneo apresenta problemas de entupimento pelas raízes (cerca de 82% delas se concentram nos primeiros 60 cm do solo, contra 75% na cana não irrigada) e por partículas do solo, por efeito do vácuo que se forma nos tubos quando cessa a irrigação.

Aos colegas, sugiro a leitura da tese de Ronaldo Resende (Piracicaba – SP, 2003) “Intrusão radicular e efeito de vácuo em gotejamento enterrado na irrigação de cana-de-açúcar”, disponível no Google.

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 3 novembro 2019 às 10:51
Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 15 março 2015 às 12:13

IRREGULARIDADE DA FORMA DO TALHÃO

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 14 março 2015 às 16:06

MANUAIS DE IRRIGAÇÃO E HIDRÁULICA 

(Da Rain Bird)

http://www.rainbird.com/landscape/resources/DesignGuides.htm

Bom proveito

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 14 março 2015 às 15:19

DESENHO DOS TALHÕES EM CANAVIAL DE CAMPOS - RJ

Considerados diversificados (vários formatos) e irregulares (baixa relação Área/Comprimento máx. x Largura máx.). 

Comentário de José Leonel Rocha Lima em 13 março 2015 às 18:35

Gilberto e José Luiz,

Na região canavieira de Campos existem colegas com muito conhecimento sobre cana-de-açucar. Vários são membros da Rede.

O Sebastião é um grande incentivador da produção de cana, leite, carne e etanol pelo pequeno agricultor associado.

A irrigação por gotejamento  é o + indicado.

 

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 13 março 2015 às 18:21

Voltando à vaca fria:

Qual o formato e dimensão ideal de um talhão ?

http://inteliagro.com.br/qual-o-formato-e-dimensao-ideal-de-um-talhao/

Comentário de Gilberto Fugimoto em 13 março 2015 às 11:46

José Luiz,

Também acho: pena que poucos aqui se disponham a compartilhar seus conhecimentos, ou mesmo suas dúvidas. Seria enriquecedor para todos!

abração

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 13 março 2015 às 11:08

Gilberto,

Grato pelo incentivo que sempre recebi aqui na R.A., principalmente de você. Embora eu nunca tenha trabalhado com cana-de-açúcar, seja pela importância histórica dessa cultura (talvez a 1a. a ser cultivada no Brasil) ou pelo seu potencial atual (como alimento ou combustível), acho que nós, Engenheiros Agrônomos, deveríamos conferir-lhe a sua devida importância. Pena que outros colegas, que entendem realmente do seu plantio e irrigação, se neguem a compartilhar os seus conhecimentos.

Roteiros como os que me esforço para divulgar, podem ser úteis quando, no campo, basta acessar a Internet e a Rede Agronomia, para ter à mãos o formulário e as dicas necessárias para um determinado projeto em andamento ou em rascunho.

Um abraço,

José Luiz

Comentário de Gilberto Fugimoto em 13 março 2015 às 10:12

José Luiz,

Suas dicas são excelentes!

Fui ao site e baixei o Manual do Plano Diretor de Irrigação de Canaviais.

Uma publicação bem cuidada com mais de 50 páginas onde se detalham as etapas e requisitos para elaboração do Plano.

Grato pela dica!

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 13 março 2015 às 9:11

Comparação entre as linhas 4 e 6 da planilha mostrada anteriormente:

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