Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

IRRIGAÇÃO DE PASTAGENS POR ASPERSÃO EM MALHA

Engo. Agro. JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO

jviana@openlink.com.br

 

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Até alguns anos atrás, nem se pensava em irrigar capim mas, com a valorização da carne de boi para exportação, essa atividade virou um bom negócio. A baixa tecnologia utilizada pelos pequenos criadores, faz com que um hectare de pasto (10.000 m2) só sustente uma cabeça de gado, contra três nos Estados Unidos. A irrigação (aliada a outros fatores de produção) está mudando esse quadro. E ela veio com uma novidade técnica, nunca antes utilizada na agricultura brasileira: a rede em malha, ou anel. Veja na Figura abaixo um esquema que eu fiz para uma área de 3 ha.

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A REDE EM ANEL

Rede em anel, como diz o nome, é o conjunto de tubulações que forma uma figura fechada, sendo alimentada por mais de um ponto. Isso equilibra as pressões e diminui o diâmetro dos tubos. Na Figura acima, a numeração da 1a. malha à esquerda, indica a posição a ser ocupada pelo aspersor durante a rega.

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Outras novidades do novo método, segundo a Embrapa, são as seguintes:

a)     os diâmetros das tubulações (25 e 50 mm) são pré-fixados;

b)     as tubulações são fixas, e enterradas a 30-50 cm;

c)      em cada malha, só funciona um aspersor por vez;

d)     a pressão de serviço do aspersor é baixa (H=10 a 20m; R=6 a 12m); e

e)     a potência da moto-bomba também é baixa (2 a 5 CV/ha).

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VANTAGENS AMBIENTAIS

Sabemos que a atividade pecuária (principalmente a de animais de grande porte, criados de forma extensiva) é de grande impacto ambiental. Seja pelo desmatamento que provoca, compactação do solo, excesso de nutrientes (fezes e urina) que provocam a eutrofização de mananciais, metano expelido pelo rúmen, consumo de água na industrialização da carne, etc. Como a irrigação aumenta o alimento do gado, tanto em quantidade como em qualidade, cada hectare passa a ser bem melhor aproveitado, liberando as áreas de pasto degradadas para as atividades agrícolas ou florestais.

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FONTES:

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http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/BovinoCorte/...

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www.bovino.com.br/emb/spc/sudeste/irrigacao.php

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www.cppse.embrapa.br/080servicos/070publicacaogratuita/boletim-de-p...

 

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 10 março 2019 às 16:27

UMA PRIMEIRA ATUALIZAÇÃO

Como foi noticiado e os colegas devem saber, a Rede Agronomia está completando dez (10) anos de existência, e eu estava lá desde o início (com um artigo sobre Agrotóxicos publicado dia 24/11/2009 e teve 18.292 visualizações), como também foi noticiado e comemorado como o 500o membro a se inscrever na Rede.

Esta semana o seu fundador, Eng. Agr. Gilberto Fugimoto, me cumprimentou dizendo que um post meu (Irrigação de Pastagens por Aspersão em Malha, publicado em 15/03/2011), com 36.205 visitas, é o campeão de audiências.

Considerando que a Rede tem 8.200 colegas, isso dá uma média de 4,4 visitas/Agrônomo ou estudante de Agronomia. Minha conta estaria certa (a taxa real é menor), se outras pessoas de fora da Rede, não tivessem acessado o artigo depois de uma consulta ao Google ao pesquisar o tema irrigação de pastagens. Muitos fazendeiros o leram;  alguns me contataram, e daí surgiram consultorias pagas.

Eu confesso que fiquei duplamente surpreso. Primeiro, porque não tinha noção desse número; e depois, pela simplicidade do seu conteúdo. Trata-se de uma área contínua de 3 hectares de pastagem, dotada de uma rede de tubos de PVC com 25 mm de diâmetro, onde cada um dos 14 aspersores das 16 malhas são operados de cada vez. Só isso. E não foi inventado por mim, mas pela Embrapa (daí, talvez, a credibilidade).

Além da simplicidade, o grande atrativo do sistema é a economia: com tubos de pequeno diâmetro, um aspersor e uma moto-bomba. Exagero à parte, eu imagino um grande fazendeiro numa feira de agronegócio, vendo o (meu) esquema na prateleira e dizendo pro vendedor: "Eu vou levar meia dúzia desses para a minha fazenda !".

Os que me consultaram, expliquei que aquela solução se destinava ao pequeno fazendeiro já que, ao funcionar um aspersor de cada vez, quando o seu número é grande (mesmo que haja água suficiente), não haverá tempo disponível para incorporar ao solo o volume de água que a grama vai precisar, naquele local.

A Figura abaixo é o PrtScn de uma planilha com malha de apenas um hectare (1 ha), formada com aspersores da Fabrimar (um dos mais econômicos do mercado, até no nome), que pode ser reproduzido em módulos iguais. O tubo agora tem DN = 50 mm e a potência da moto-bomba vai aumentando com o número de ramais em funcionamento simultâneo (vide quadro em rosa).

Para contornar esse impasse, nós podemos continuar com os aspersores mais baratos e de pequena vazão mas agora, em vez de operar um por vez, pelo menos 2 ramais (que formam uma malha) devem funcionar simultaneamente. Isso vai aumentar o diâmetro das tubulações, a vazão de projeto e a potência do conjunto moto-bomba, como mostra a planilha acima.

Outra inovação (que eu sugiro agora) é a adoção de válvulas solenoides (para acionar os ramais à distância), poupando mão de obra na operação do sistema.

A vantagem dessa atualização é o roteiro de projeto, com fórmulas, e a adoção de um aspersor comercial, além da simulação do número de ramais com funcionamento simultâneo.

Bom proveito.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 6 março 2019 às 8:00

Gilberto,

Obrigado pelo apoio que você sempre me deu desde que comecei a participar da Rede, cerca de um ano ou dois após o seu lançamento. De fato, 36.205 visualizações é um número considerável. Esse post (sobre Irrigação de Pastagem por Aspersão em Malha) tem me dado muitas alegrias, pelas mensagens que tenho recebido e pelas consultorias (pagas) por fazendeiros que me procuram.

Um abraço

Comentário de Gilberto Fugimoto em 5 março 2019 às 18:32

José Luiz,

Pelo minha pesquisa, este é o blog com maior audiência da Rede Agronomia!

Parabéns!

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 30 novembro 2014 às 14:16

TENSIÔMETRO DE DIEDRO

(Uma invenção da Embrapa)

http://www.cnpdia.embrapa.br/noticia_20082012b.html

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 30 novembro 2014 às 10:30

VALORES DE C

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 29 novembro 2014 às 14:35

PERDA DE CARGA

É isto:

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 29 novembro 2014 às 14:33

A perda de pressão pode ser calculada pela fórmula empírica em anexo:

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 31 janeiro 2014 às 16:40

Josivan,

Acho temeroso chamar meu esquema de Projeto; ele é um simples croqui. O primeiro passo nos estudos posteriores seria calcular as necessidades de irrigação (função do clima e latitude); escolher o aspersor (por um catálogo); checar a topografia do local de captação e do lote a ser irrigado; calcular as velocidades no interior das tubulações (o software Epanet 2.0 pode ser usado); etc. O número de setores seria um dos resultados desses estudos. Um abraço.

Comentário de josivan da costa ferrer em 29 julho 2012 às 20:33

Parabens pelo projeto, quanto setores seria dividido este projeto?

Comentário de Jean Carlos Cerqueira Martins em 30 março 2011 às 9:10
José Luiz, obrigado !

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