Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Os usuários podem reduzir a enxurrada dos arredores da sua casa, adotando uma estrutura estética e funcional chamada de Jardim de Chuva. Este jardim consta de uma pequena área situada na calçada ou próxima da casa, destinada a coletar e infiltrar a água da chuva que cai no telhado e outras áreas próximas impermeáveis. Não se trata de uma piscina ou alagado. Ela fica seca a maior parte do tempo e retém a água após uma chuva.

O jardim via de regra é plantado com uma mistura de flores perenes, plantas ornamentais e arbustos adaptados às condições secas e úmidas do solo. A água coletada no Jardim de Chuva infiltra lentamente no solo para garantir o crescimento da planta. Num projeto bem elaborado, a água desaparece em menos de 48 horas.  

Segundo o “Manual Jardim de Chuva – Projeto e Instalação” (1), essa instalação leva em consideração: a água da chuva, o local da instalação, o modo de vida, objetivos financeiros, aspectos estéticos, estudo do solo, ecologia e identificação das espécies de plantas. Desse modo, entre as soluções já aplicadas para o manejo da água da chuva, além das terras úmidas (“wetlands construídas”) esta é a solução que mais se adéqua aos conhecimentos do Engenheiro Agrônomo.

REF. (1) Rain garden design and installation,

 http://hcenvironmental.coffeecup.com/files/Download/RainGardendesig...

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 14 março 2020 às 10:06

JARDIM DE CHUVA TAMBÉM PODE SER ALIMENTADO PELA SARJETA

(Cálculo da vazão)

Bom proveito.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 12 março 2020 às 8:38

IDENTIFICAÇÃO DE TODAS AS ÁRVORES DE NOVA IORQUE

https://tree-map.nycgovparks.org/

Explore o mapa.

Fonte: Facebook.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 28 fevereiro 2020 às 16:03

EXEMPLO DE PROJETO

Frequentemente, o tamanho dos jardins de chuva é destinado a pequenas áreas, sendo adotado um critério mínimo de dimensionamento de 5% da área da superfície impermeável (Christensen; Schmidt 2008; Li; Zhao, 2008; Li; Che; Ge, 2010; Winston et al., 2010).

A Figura abaixo mostra um Jardim de chuva construído ao lado do telhado de uma casa, e dotado de piezômetros para monitoramento do seu funcionamento.

Projeto

Área impermeável: 74,80 m². Área do jardim: 3,74 m² (5% da AI); adotada: 4 m². Infiltração: 28,49 mm/h. Equação das chuvas intensas (abaixo):

Método da Curva envelope

Este método baseia-se na determinação dos volumes de água acumulados de entrada e saída da estrutura a ser dimensionada. Este volume deverá ser suficiente para armazenar a máxima diferença entre os volumes acumulados na entrada e saída, levando-se em consideração a porosidade do material de enchimento. Desta forma, plotando simultaneamente o escoamento superficial direto (acumulado) e a infiltração (acumulada), tem-se o volume desejado (Ciria,1996). Veja o esquema na Figura abaixo.

O método da “curva envelope” ou “método das chuvas” é bastante utilizado no dimensionamento expedito de bacias de detenção (DAEE/CETESB, 1980). Por esse método, a curva de massa, no tempo, dos volumes afluentes ao dispositivo é comparada com a curva de massa dos volumes dele efluentes, e a máxima diferença entre as duas curvas é o volume de dimensionamento. O método pode ser adaptado para qualquer MC com algum volume de armazenamento.

Para efeito de cálculo, os volumes podem ser expressos em lâminas de água equivalentes sobre a área em planta do dispositivo. A curva afluente é dada pela curva HDF (altura-duração-frequência das chuvas) afetada por coeficientes de escoamento e de relação de áreas enquanto que a curva efluente normalmente é uma reta, pois se admite, por simplicidade, uma vazão de saída constante do dispositivo.

Definem-se, inicialmente, as seguintes variáveis de massa (função do tempo):

 He = lâmina d’água de entrada acumulada medida sobre a área em planta da MC;

 Hs = lâmina d’água de saída acumulada, também medida sobre a área em planta da MC

A função HE é construída pela IDF multiplicada pelo tempo (o que vem a ser uma HDF) e por fatores de escoamento e relações de área. A expressão de Talbot permite solução explícita do volume máximo, conforme mostrado adiante. Parte-se, portanto, de relações IDF com a expressão geral análoga à de Talbot (Azzout et al,1994) :

i = a.T^b/(t+c)

i = intensidade da chuva (mm/h)

T = período de retorno (anos)

t = duração da chuva (min)

a, b, c são os parâmetros da equação

Desta forma, a expressão de , em mm, fica:

He = B.a.T^b.t/(t+c).60

onde B é produto do coeficiente de escoamento pela razão entre a área contribuinte e a área do dispositivo.

A função HS (em mm) é obtida pela multiplicação pelo tempo da vazão de saída constante, conforme segue:

Hs = y.H.qs.t/60

qs = vazão de saída constante do dispositivo (mm/h)

 y = razão entre a área de percolação e volume do dispositivo (/mm)

H = profundidade média do volume de acumulação do dispositivo (mm);

t = duração da chuva (min)

Experiência no Brasil

Projetos gratuitos

http://biblus.accasoftware.com/ptb/jardim-de-chuva-projeto/

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 25 fevereiro 2020 às 7:54

Alex Ramos, bom dia e grato pela contribuição.

As pedras portuguesas (assim como os paralelepípedos), de fato, permitem que a água infiltre. Acontece que, se abaixo delas (deles) não houver uma boa camada de material permeável (areia + brita), o volume infiltrado será insignificante para as chuvas que têm ocorrido. Os jardins de chuva, pela sua relativamente pequena área, também não resolvem (totalmente) o problema das enxurradas mas, como você disse, matam dois coelhos com uma só cajadada: reduzem o volume de chuva e enfeitam a sua calçada. 

Comentário de Álex Ramos em 24 fevereiro 2020 às 17:41
Na NSra de Copacabana ,em nome do modernismo, retiraram as pedras portuguesas que são hidrófilas ja que permitemo escoamento pluvial ao solo....Resultado: Na primeira chuva foi um desastre .Tudo alagado .
Este jardim de chuva é adequado em todos os sentidos ...Estéticamente inclusive
Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 24 fevereiro 2020 às 16:06

CAPACIDADE DE INFILTRAÇÃO

As enchentes nas cidades ocorrem, justamente porque a água da chuva não consegue se infiltrar no solo (pela impermeabilização das calçadas e telhados, principalmente). Por esta razão, nos métodos que se utilizam desse artifício (a infiltração) para reduzir o volume de água que escoa pela superfície, é importante conhecer como o solo se comporta nesse quesito.

A medição da capacidade de infiltração da água no solo é feita com o Infiltrômetro de duplo anel ou modificado de Munsel, feito com chapa de aço e mostra em planta e corte na Figura abaixo.

A capacidade de infiltração do solo condiciona bastante o uso das Medidas de Controle (MCs) que infiltram a água no solo, pois é um parâmetro que influencia muito o desempenho destes dispositivos. Baixas capacidades de infiltração (abaixo de 7 mm/h) praticamente inviabilizam as MCs de infiltração. Por outro lado, altas taxas de infiltração prejudicam o uso de bacias de retenção, pois haveria dificuldade de manter os níveis d´água. Algumas das indicações da Tabela 5.3 foram retiradas de Schueler (1987), Manual de Drenagem de Washington, EUA. (1)

REF. (1)

 http://www.aguasparana.pr.gov.br/arquivos/File/pddrenagem/volume6/m...

(2) PDDU Rio Cachoeira - Manual de Drenagem

https://www.joinville.sc.gov.br/wp-content/uploads/2017/11/PDDU-BHR...

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 20 fevereiro 2020 às 14:30

JARDIM DE CHUVA - UMA VISÃO CONCEITUAL

O estudo da drenagem urbana teve 3 fases. A 1a. no final do século XIX, chamada de Higienista ou Sanitarista, na Europa, buscava eliminar as águas servidas, sujas e empoçadas através da rápida evacuação das mesmas, por meio de canalizações subterrâneas que as conduzissem para longe das cidades. A 2a. fase, iniciada no início do século XX, foi denominada de Racionalização ou de Normatização da drenagem urbana; esses modelos, a exemplo do Método Racional, foram desenvolvidos para solucionar problemas de drenagem urbana sem modificar o uso do solo e, introduziram-se também, as primeiras ideias sobre o amortecimento quantitativo do volume de água drenado e sobre o controle da qualidade das águas. A 3a. fase, já no século XXI, chamada fase Sustentável da drenagem urbana, se caracteriza pelas abordagens ecológicas e novos avanços tecnológicos, sendo necessário agir preventivamente sobre as causas dos problemas, onde as relações interdisciplinares ganhavam mais enfoque, a fim de obter resultados eficientes no meio urbano, de maneira mais harmoniosa e ambientalmente sustentável. (1)

O manejo das águas pluviais urbanas tem como objetivo aliar a melhoria da qualidade de vida, através de um planejamento integrado e sustentável do homem e meio ambiente. Nesse contexto, novas alternativas estão sendo desenvolvidas para dar suporte ao sistema de drenagem urbana existente.

Essas alternativas são chamadas de Técnicas Compensatórias, Ambientais ou Sistemas não convencionais para a drenagem urbana e tem como objetivos minimizar os efeitos da urbanização, diminuir a geração dos volumes de escoamento e vazões a jusante, maximizar o controle na fonte, resgatar os processos envolvidos no ciclo hidrológico e potencializar o controle da qualidade das águas e a recarga de aquíferos.

A Figura abaixo resume esses novos métodos de drenagem urbana, destacando em vermelho o do Jardim de Chuva, que pertence ao sistema de biorretenção.

O objetivo é reduzir os picos das vazões veiculadas para a rede de drenagem, para que a urbanização proposta não amplie os picos naturais de escoamento, ou intensifique os anteriores.

As técnicas compensatórias se inserem no conceito de Best Management Practices (BMP's), prevendo soluções para o desenvolvimento urbano baseado no princípio de que as áreas alteradas tenham um comportamento similar às condições hidrológicas de pré desenvolvimento.

As vantagens e limitações do uso do Jardim de Chuva encontram-se listadas na Figura abaixo.

REF. (1) https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/5799/1/arquivo6628_...

P.S.

Obrigado pelo apoio e participação, Gilberto. Se bem que, no caso do Jardim de Chuva, por se tratar de uma iniciativa particular, o único trabalho da Prefeitura seria conceder a autorização para a obra.

Um abraço.

Comentário de Gilberto Fugimoto em 19 fevereiro 2020 às 20:22

José Luiz,

Excelente colaboração.
Pena que as prefeituras ainda são insensíveis e demoram a absorver boas ideias!

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 19 fevereiro 2020 às 9:44

PROJETO DE JARDIM DE CHUVA

Dos parâmetros de projeto do Manual anexo, eu destacaria os três primeiros: área <= 10.000 m² (um hectare); a capacidade de infiltração da água no solo, que deve ficar entre 7 e 200 mm/h; e nível do lençol freático no local, que deve ser de até 1 m abaixo do fundo da instalação do jardim. O resto está explicado, inclusive com fotos. (1)

REF. (1)

http://solucoesparacidades.com.br/wp-content/uploads/2013/04/AF_Jar...

Bom proveito.

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