Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Ultimamente, tem surgido no Brasil uma mobilização da classe agronômica contra o descaso e ineficiência do sistema CONFEA/CREAs.  Nas 27 unidades federativas, profissionais se articulam acompanhando atentamente aos debates que tem se intensificado Brasil afora para a criação de um conselho de classe específico para a área agronômica e, ciente da posição contraditória do sistema CONFEA/CREAs com relação ao surgimento de tal órgão, nos dirigimos às entidades representativas, com a intenção de convidá-los a participar ativamente na criação do mesmo.

Provavelmente a resistência à criação de um órgão dessa natureza venha da crença, profundamente arraigada no subconsciente de todo brasileiro, de que ao nosso país nada falta ou faltará. Todavia, constatações feitas ultimamente têm derrubado sistematicamente todas as nossas convicções de que o sistema CONFEA/CREAs seja fiscalizador das atribuições garantidas à modalidade agronomia e que venha a garantir de forma responsável a segurança do maior bem que possuímos – a vida humana.

Esse sistema fiscalizador mostrou-se extremamente frágil às investidas de outras áreas em nossas atribuições, assim como totalmente despreparado e, com um corpo técnico ignorando a real situação dos conflitos de interesses que vem se acumulando há tempos, além de uma desenfreada onda de criação de cursos tecnológicos e/ou superiores, sendo fragmentos do curso de agronomia.

Entretanto, o maior risco do descaso de nosso atual conselho de classe reside na ineficiência/inexistência de fiscalização no uso indiscriminado e sem o devido acompanhamento técnico (DIC = Dose, Intervalo, Carência) de produtos químicos utilizados no sistema produtivo do agronegócio, de forma assustadora e preocupante, podendo representar um gravíssimo problema à saúde humana.

Nosso trabalho é alimentar pessoas. Para isso, acordamos cedo, trabalhamos duro dia e noite. Preparamos, plantamos e zelamos pela terra que nos dá abrigo e sustento. Cuidamos com dedicação das plantas e animais que estão sob nossa responsabilidade, ajudando-os a nascer, a se alimentar, protegendo-os com respeito e gratidão.

Acreditamos que uma alimentação equilibrada é essencial para o desenvolvimento adequado em todas as fases da vida e que é parte importante na mesa de milhões de famílias no Brasil.

Acreditamos na vocação natural do Brasil para o agronegócio, na sua eficiência e na sua relevância como provedor de alimentos.

Movimentamos a indústria de insumos, profissionais e técnicos, transportadoras, operadores de máquinas, trabalhadores do campo, da indústria e do comércio, gerando milhares de empregos diretos e indiretos e mais de R$ 1,2 trilhões de reais na economia do país. Somos os responsáveis por 33% dos empregos no Brasil, 32% do PIB Nacional e mais de 50% das exportações do país.

Queremos um conselho de classe que promova a valorização profissional através de uma fiscalização à altura de nossa capacidade produtiva, que nos dê segurança jurídica e que garanta a saúde ao consumidor, salvaguardando os recursos naturais do país.

A agropecuária faz parte da história e da cultura do Brasil. Ajudou a desbravar fronteiras e a fortalecer raízes. A agropecuária evoluiu com o país, assim como o país evoluiu com a agropecuária. Há muitas coisas boas para serem contadas como a enorme contribuição para desenvolvimento rural, urbano e humano do Brasil. E nos orgulhamos disso!

No campo e, em todas as atividades, evolui a consciência da nossa responsabilidade para com o planeta, com os recursos naturais e o desenvolvimento sustentável. O agronegócio brasileiro acompanha essa evolução e tem se mostrado um grande aliado na redução do desmatamento e na conservação da biodiversidade. Não é à toa que o Brasil é reconhecido como o único país no mundo que, nos últimos anos, conseguiu aumentar a produção sem explorar novas áreas.

Somos referência!

Somos da terra!

Somos homens e mulheres trabalhando pelo campo e pela cidade.

Vivemos da terra e pela terra lutamos por nosso país.

Nesse cenário, a criação de um CONSELHO DE AGRONOMIA, é indispensável posto que a atuação dos atuais órgãos responsáveis pela fiscalização do agronegócio no país mostra-se claramente ineficiente/inexistente. A competência de um conselho exclusivamente voltado ao agronegócio é inegável.

Por isso, este manifesto convida a todos a fazer parte deste importante processo, com o compromisso do aprimoramento contínuo na busca pela eficiência no uso de recursos naturais, no processo produtivo, garantindo um produto saudável e saboroso sob um processo de produção responsável e rentável, através de uma fiscalização eficiente.

Juntos na criação do novo conselho de classe profissional.


Juntos pela criação do CREAGRO!

FRANCISCO JOSÉ BURLAMAQUI FARACO

Engenheiro Agrônomo, ScD, MBA

+55 14 981 121 349

Agrovialis Environment & Agribusiness

Solu Soluções Corporativas Ltda.

e-mail: fjfaraco@uol.com.br

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Comentário de Francisco Lira em 29 setembro 2016 às 11:56

O debater se faz urgente  e com a maior numero de colegas, precisamos avançar nesse debate. A nossa profissão precisa de novos rumos.

Comentário de Celso José Dall´Acqua em 29 setembro 2016 às 11:09

E isso mesmo Chico, Tamo junto. ha muito tempo temos sentido o fatiamento da Agronomia, com a criação de cursos pouco ecléticos, e temos visto também crescer o numero de pessoas com câncer por falta de assistência capaz, no meio rural: o canetaço de FHC permitindo a técnicos de nível médio a receitarem agro fármacos e a presença de resíduos em alimentos tudo isso precisa ser revisto. Sim à criação do  CREAGRO

Comentário de Manoel José Sant´Anna em 28 setembro 2016 às 14:22

Boa tarde debatedores, nós somos aquilo que somos!... valorizados e desprezados para quem colaboramos!...Assim como nosso Brasil, somos cheios de teoria, mas com bem pouca prática no quesito profissional!. Logo do que precisamos?!. ... Como nos coloca o Dr Francisco. - Que tal sermos bem "tóxicos", e pouco "residual"!?!?!?. Um D.I.C. para o campo profissional!.

Comentário de Francisco Lira em 26 setembro 2016 às 14:40

A classe agronômica precisa sair da inercia, precisamos de novos rumos, precisamos não apenas discutir os gargalos que estão impedindo o reconhecimento e valorização dos engenheiros agrônomos em nosso país mais agir ou então  sucumbiremos  engolidos pela fragmentação da profissão. 

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