Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

 O Globo de hoje, 8.9.14, além do resumo do encontro internacional Educação 360, recém terminado Aqui no Rio de Janeiro, trás pelo menos três notícias que nos interessam;

1 – Agricultura saudável, Tânia Cavalcante (secretária-executiva da Conicq/Inca), p.13, refere-se à Santa Cruz do Sul – RS, considerada a capital mundial do tabaco (responsável por 72% do PIB local e que emprega cerca de 160.000 famílias, controladas por grandes transnacionais) e os riscos que essa atividade gera para a saúde de adultos e crianças, como os efeitos da intoxicação por nicotina, presente nas folhas de tabaco e absorvida pela pele durante a colheita, e por pesticidas largamente empregados nessa lavoura.

2 – Brasil pode ficar de fora da corrida tecnológica, afirma Reis Veloso, Danielle Nogueira, p.16, onde o ex-ministro do Planejamento diz que a necessidade de investimento em inovação é crucial para que o país recupere o atraso nessa corrida internacional onde o mundo passa por uma nova revolução industrial.

3 – Cortar árvores é a segunda profissão mais antiga, seção Conte algo que não sei, p.2, Topher White, físico americano, CEO e criador da empresa start-up Rainforest Connection (Conexão da Floresta, em tradução livre). Ele bolou pegar os smartphones que seriam jogados no lixo e colocá-los no topo das árvores, equipados com pequenas placas de energia solar recicladas e com microfones para captar os sons da floresta, principalmente o [estridente] das motosserras. Quando isto acontece, um aplicativo instalado previamente no celular, envia um alerta para guardiões (os índios, p.ex.) que correm até o local para impedir o corte. O invento será testado pela primeira vez no Brasil, no estado do Pará, com 50 índios da etnia Tembé.

Agora, reunindo as 3 notícias em benefício da nossa classe. Já que: a) dia sim e outro também estamos sendo acusados de poluir o meio ambiente com agrotóxicos (caso do fumo, do tomate, do algodão...); b) a nossa agricultura familiar – que é a responsável pela maioria dos alimentos que consumimos – nem de longe apresenta os avanços que podemos ver nas máquinas agrícolas e na agricultura de precisão; e c) as nossas florestas continuam a ser desmatadas como em épocas primitivas (e povos idem)...

que tal sairmos um pouco da nossa zona de conforto (= acomodados com a nossa rotina) e passarmos a discutir os problemas graves da nossa profissão em fóruns sérios como esse [Rede Agronomia] ? Nunca é tarde para começar e, mais importante, continuar.

Lembro que na década de 70, quando eu trabalhava como Engenheiro Agrônomo na Hidroesb, aqui no Rio de Janeiro, esta empresa de consultoria ganhou uma concorrência pública para (pela primeira vez no Brasil) estudar a Hidrologia de Bacias Hidrográficas Representativas na Amazônia Ocidental, próximo a Manaus – AM. Para evitar desmatamentos, os postos pluviométricos foram instalados em plataformas de madeira (*), no topo de 3 a 4 árvores próximas umas das outras, como “casas de Tarzan”. Isso é inovação e criatividade. Naquela época, nem computador havia, quanto mais celular (pra jogar no lixo).

(*) Esta é a imagem mais próxima do real que encontrei no Google.

Exibições: 174

Comentar

Você precisa ser um membro de Rede Agronomia para adicionar comentários!

Entrar em Rede Agronomia

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 22 setembro 2014 às 17:32

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 22 setembro 2014 às 17:31
Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 9 setembro 2014 às 11:46

ELAS PRECISAM DE REENGENHARIA. O problema não é tanto a pequena quantidade de engenheiros que o Brasil forma – é a sua qualidade. (Época Negócios, setembro 2014, p.84).

Francisco, não estou querendo de forma alguma relacionar o interesse dos colegas em discutir problemas da Profissão com a qualidade do seu saber (deles). Talvez seja o formato do blog, onde os temas atuais vão empurrando para baixo os mais antigos, como acontece no Facebook mas tinha uma comunidade à parte no finado Orkut.

Mas um pedacinho do artigo em epígrafe merece ser reproduzido (pois tem a ver com a sua fala): “As principais escolas de engenharia do país estão caducando. Elas perderam o viço. Já não cumprem a missão que lhes caberia em uma economia minimamente nutrida: formar líderes, lançar no mercado jovens dispostos – e preparados – para mudar o mundo”. “Aqui, entre todos os formados no ensino superior, menos de 5% são engenheiros. Na China, são mais de 40%”.

Um detalhe interessante citado na revista: “Os pesquisadores do IPEA também identificaram outros desequilíbrios no setor [da engenharia]. Faltam, por exemplo, profissionais experientes, que possam liderar projetos (a engenharia estava em baixa nos anos 80 e 90)”.

O trecho que valeu pela reportagem: “Espera-se, hoje, que o engenheiro seja criativo, comunique-se bem, saiba trabalhar em equipe (um pré-requisito em qualquer área), lidere, empreenda (mesmo que dentro de uma empresa) e, principalmente, que tenha apetite pela inovação”.

Li o trabalho que me enviou (gostei) e agradeço. Um abraço cordial.

Comentário de Francisco Lira em 8 setembro 2014 às 22:05

Agora tratando propriamente de alternativas tecnológicas para  bem estar da sociedade a um bom tempo venho apostando minhas fichas na palma forrageira uma cactácea que tem um potencial enorme mesmo em condições de baixa precipitação, mas que apesar de pesquisas mostrando seu potencia próximo a quase mil toneladas de matéria verde por hectare ainda é pouco conhecida nas regiões onde a escassez de água é algo cronico.

Comentário de Francisco Lira em 8 setembro 2014 às 21:58

Realmente vejo muto comodismo meu amigo José não ó aqui, mas em boa parte de nossas faculdades, com pesquisas voltadas apenas para encher o famoso lattes, o que  infelizmente tem sido a regra de modo geral, eu mesmo ao longo de minha curta carreira já sugerir parcerias com colegas de faculdade para estudar alternativas que gerem tecnologias infelizmente algo que demora mais de 6 meses não interessa ser pesquisados pois o tempo e curto e os artigos relâmpagos é que atualmente são a prioridade.

© 2020   Criado por Gilberto Fugimoto.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço