Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

O Globo de hoje, 15.2.2018 o Economia, pág. 17, um artigo de página inteira da jornalista Daiane Costa com este título. Diz que um estudo da FGV mostra que o Brasil está na 50a. posição numa lista que inclui 68 países, ou seja, quase no fim da fila. Atrás, inclusive, da Argentina e da Venezuela.

Resumindo: um trabalhador brasileiro gera, em média, US$ 16,80 (ou R$ 54,09) por hora trabalhada, enquanto na Alemanha, o 5o. do ranking, os empregados são quase 4 vezes mais produtivos do que os brasileiros, embora trabalhando 340 horas a menos por ano.

Para os especialistas, as razões para a baixa qualificação da nossa mão de obra, passam pela falta de investimento em inovação; concentração em setores mais informais --- como comércio e serviços; e economia ainda bastante fechada à concorrência estrangeira. O grau de qualificação da mão de obra, a capacidade de inovar e de difundir novas técnicas são fundamentais para a produtividade do trabalho crescer.

Trabalhadores de países com maior produtividade, em geral, têm um padrão de vida melhor, são mais qualificados, têm maiores salários e, por isso, se dão ao luxo de terem uma jornada menor.

O fato de estarmos entre os piores do mundo em qualidade da educação e do baixo percentual (menos de 15% do total) de alunos formados em ciências, tecnologia, engenharia e matemática, também são apontados como causas do problema. Cita-se, ainda, que a maior parte das empresas brasileiras usam técnicas mais rudimentares de produção, puxando para baixo a média da produtividade. Comenta-se, inclusive, a falta de mais parcerias entre as empresas e universidade para a produção de novas tecnologias.

Olhando para o nosso umbigo

Nós, Engenheiros Agrônomos, nos vangloriamos de sermos os responsáveis pela maior parcela do PIB, e de praticarmos a agricultura mais desenvolvida do mundo. Mas, noves-fora a Embrapa e as grandes empresas do agronegócio, focando apenas no nosso desempenho individual como profissionais, como estamos ?

Não seria o caso de, vez ou outra, usarmos este espaço para discussão e para fazermos uma autocrítica ? Sou daqueles que acha que a valorização profissional não deve depender apenas de órgãos de classe como o CREA e outras associações, mas devemos nos impor pelo conhecimento.

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 19 fevereiro 2018 às 15:20

SIGA AS NORMAS

Tenho um amigo virtual que é Engenheiro Agrônomo e extensionista rural numa cidade do interior da Paraíba e, nas redes sociais, está sempre postando fotos de suas realizações. Hoje, pela segunda vez, colocou no Facebook a de um pluviômetro.

Como sabem, esse dispositivo (da foto), é um pluviômetro chamado "Ville de Paris", tem medidas e instalação padronizadas e é usado para medir a altura diária das chuvas em todo o Brasil. No endereço a seguir, você pode verificar algumas dessas Normas:

http://www.daee.sp.gov.br/acervoepesquisa/relatorios/pluvpmsp/capit...

Pelo menos duas dessas normas parece que não foram respeitadas: a 'b' que trata da distância do obstáculo mais próximo (o coqueiro) e a 'h' que se refere à necessidade de proteção com cerca. Se eu estivesse no local ainda verificaria mais duas: a altura de instalação e a própria fabricação do instrumento. Observe, p.ex., que a solda (grosseira, não esmerilhada e voltada para a parte frontal) está  inclinada em relação ao eixo vertical no trecho afunilado de baixo. Se isso for verdade, nos remete à hipótese dele ter sido fabricado numa funilaria de fundo de quintal e, assim, a possibilidade de não ter seguido as Normas construtivas (principalmente o diâmetro da boca de captação, que é fundamental para a precisão do aparelho) não terem sido seguidas à risca.

Na foto do outro pluviômetro a que me referi acima, publicada por ele se não me engano no ano passado, o local da instalação era a cidade, mas também ficava muito próximo de um muro e, pior que isso, visivelmente fora de prumo. Na ocasião eu lhe chamei a atenção, pelo chat do Facebook mesmo, para as transgressões às Normas mas, como ele agora publica outra foto com os mesmos erros, concluo que não está nem aí para fazer as coisas do modo certo.

O rigor a que me refiro não deve contemplar apenas as Normas. Dou um exemplo. No Excel, com frequência, usamos o valor de pi (π) como 3,14 e vez de digitarmos PI() para que contemple todas as decimais.

Atitudes aparentemente sem importância, como as que citei acima, melhoram a exatidão das medições e dão credibilidade ao profissional que se preocupa com elas. Seja, portanto, um deles. Não é porque o cara está lá no interior do país, que pode exercer a sua profissão sem o rigor científico que, muitas vezes, precisa de atualização (ções).

P.S.

De nada, Francisco. Continue participando.

Comentário de Francisco Lira em 19 fevereiro 2018 às 10:42

Obrigado pela rica reposta José Luiz

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 19 fevereiro 2018 às 9:53

QUANDO A TECNOLOGIA IRÁ ABALAR A EDUCAÇÃO SUPERIOR ?

Esta pergunta é o título do artigo de Kenneth Rogoff, Professor de Harvard e publicado hoje em O Globo, pág. 12. Ele começa dizendo que no início dos anos 1990, no nascimento da era da internet, uma explosão da produtividade acadêmica parecia estar logo ali à esquina. No entanto, a tal esquina nunca apareceu. Em vez disso, as técnicas de ensino em faculdades e universidades, que se orgulham de lançar ideias criativas que mudam o resto da sociedade, continuam a evoluir num ritmo glacial.

Na página seguinte (do jornal) UMA CRISE SEM FIM, (d)escrita pelo Professor Arnaldo Niskier, ele começa dizendo que nos países desenvolvidos fala-se hoje em Quarta Revolução Industrial (4.0). São novas tecnologias que integrarão os domínios físicos, digitais e biológicos, o que naturalmente irá modificar o panorama das escolas em todos os graus. O que vai acontecer nas escolas de 2019 só Deus sabe...

Ele continua dizendo que sua neta acaba de regressar de uma temporada de seis meses de estudos na Austrália e voltou empolgada com a preocupação deles com a internet das coisas, Big Data, hologramas, impressão 3D etc. e, também, com o extraordinário valor que dão à remuneração dos professores.

Termina dizendo que mais da metade (55%) das nossas escolas de ensino médio não dispõem de laboratórios de Ciências. Completa dizendo que das 40 mil escolas públicas no Brasil, cerca de 20% não dispõem de internet banda larga e, segundo o Censo Escolar 2017, 10% não têm abastecimento regular de água. E arremata: É claro que tentar equacionar a educação profissional diante desse panorama é quase um exercício improvável, num sistema com tamanhas carências.

Os depoimentos desses dois Professores eméritos (um do Hemisfério Norte e outro do Sul) me fizeram recordar a grande decepção que eu tive, como profissional do ensino, quando lecionava Hidráulica e Irrigação na UFRRJ nas décadas de 1980 e 90, ao desativarem o laboratório de Hidráulica que montei a duras penas, para ocupar o espaço com salas de aula.

Perguntei recentemente a um graduado funcionário da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro - FIRJAN, quais os programas do órgão voltados para promover a indústria rural caseira no interior do Estado e a resposta foi: nenhum.

Por essas e outras, Francisco, continuamos na  Lanterna da Produtividade, pelo menos o Estado do Rio de Janeiro.

Comentário de Francisco Lira em 18 fevereiro 2018 às 20:27

Excelente artigo José, e ao mesmo tempo sua postagem nos mostra a triste situação e os gargalos que vivemos atualmente, vendo tal situação fico a me pergunta como se aplica isso também ao nosso setor, onde pequenas e media propriedades ainda trabalhando campo com tecnologias de 100 anos atrás, esvaziando os mesmo e desestimulado a juventude, serviço braçal enquanto países de primeiro mundo o campo aplica alta tecnologia inclusive com ordenhas totalmente mecanizadas e informatizadas. Uma situação ainda muito longe de nosso campo.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 16 fevereiro 2018 às 14:19

MEA CULPA

No artigo virtual "Mão de obra deficiente e falta de internet dificultam difusão da agricultura de precisão" (Câmara Notícias, 10/8/2017), a deputada Tereza Cristina (PSB-MS) disse que "Daqui a 30 anos o Brasil terá a responsabilidade de alimentar 40% do mundo. E isso será feito com o uso dessa tecnologia e o investimento em pesquisa e desenvolvimento tecnológico".

Depois do estrago das chuvas intensas de ontem à noite aqui no Rio de Janeiro, expondo a ineficiência de obras de engenharia recentes, como o desabamento de mais um trecho da  ciclovia Tim Maia e da inoperância dos piscinões da Tijuca, manchando a imagem da nossa tão tradicional Engenharia Civil, eu me pus a refletir sobre o desempenho cotidiano dos colegas Engenheiros Agrônomos.

Quando eu ainda era professor de Hidráulica e Irrigação na UFRRJ na década de 70, tive a oportunidade de proferir uma palestra de atualização para Extensionistas da EMATER-Rio, e fiquei impressionado com a falta de conhecimento de noções básicas dessas disciplinas entre os colegas. E olhe que a nossa responsabilidade é grande nessa área pois, segundo dados da ONU, 70% da água doce do planeta é destinada à irrigação agrícola. Durante essa 'aula', ao ressaltar a importância do cálculo do NPSH para o bom funcionamento da bomba centrífuga, um colega desabafou: "Isso eu não aprendi na Escola". Deu vontade de dizer: "Mas devia".

Se somos capazes de falhar num tema básico como esse, imagine se necessitarmos atuar em áreas que envolvam os drones, SIG, imagens de satélite, GPS, emissões na agropecuária, CAR, segurança biológica, energia alternativa (principalmente a que resulta do esterco de bois, porcos e aves com o biogás, e que também gera adubo) ou turismo rural.

Um tema que também merece discussão, é o da especialização. Eu, p.ex., me considero Especialista em Irrigação, mas defendo o conhecimento (agronômico) generalista. No Globo de hoje, 16.2.2018, à pág.2, na coluna 'Conte algo que não sei', o executivo americano Rick Ueno, que trabalha em hotéis há 35 anos, de visita ao Rio, foi entrevistado. Perguntado "se pudesse deixar um conselho para alguém que queira trabalhar com hotéis, qual seria ?", ele respondeu: Não faça apenas um tipo de trabalho. Aprenda finanças, culinária, recursos humanos, faxina, tudo. Você ganha respeito das pessoas quando mostra que entende a situação pela qual ela está passando. Diversidade é muito importante na maneira como covê constrói sua carreira. Assim, pode aparecer o problema que for, pode ser até um furacão, e você vai saber como superá-lo.

Faço minhas as suas palavras.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 15 fevereiro 2018 às 15:59
Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 15 fevereiro 2018 às 15:54

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