Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

O temor da morte pelo Coronavírus, aquelas causadas pelas últimas enxurradas, e a qualidade da água potável no Rio de Janeiro e São Paulo pela contaminação com esgotos, tudo junto e misturado, me inspirou a trocar ideias sobre mais este tipo de causa mortis, pouco comentada pelo preconceito, religiosidade ou, mesmo, falta de informações.

A decomposição ou putrefação de um corpo compreende várias fases, das quais a fase humorosa ou coliquativa (dissolução pútrida das partes moles do corpo) é a mais preocupante em termos ambientais. É nesta fase (duração de dois ou mais anos) que ocorre a liberação do líquido humoroso (liquame, putrilagem), também conhecido por necrochorume. (1)

Tudo começou com um diálogo no Facebook com um colega da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU), ao publicar esta foto:

Aqui está a nossa conversa:

Daí me surgiu a ideia de aventar aqui este problema da produção de necrochorume nos cemitérios, e da possibilidade de ingestão de água contaminada do lençol freático ser consumida pelos moradores das redondezas, causando problemas de saúde sérios.

É que eu lembrei que anos atrás um sobrinho meu foi Prefeito de Marituba-PA, cidadezinha próxima a Belém e, em conversa comigo, disse estar orgulhoso porque a cidade possuía 5 cemitérios. O coitado ignorava que muitos bebiam água de poços na periferia da cidade, onde chove muito.

Métodos de controle

Entre esses métodos tem-se como principais o tratamento através de Filtros biológicos, Pastilhas e Mantas absorventes. (2)

A instalação dos filtros faz parte de uma determinação do CONAMA através da Resolução 335\03 em seu Artigo 8º e tem maior aplicabilidade em Cemitérios do tipo Parque. Consiste primeiramente na aplicação de uma manta impermeabilizante que deve ser colocada abaixo dos túmulos, com a finalidade de auxiliar na proteção para impedir a contaminação de águas subterrâneas.

As pastilhas promovem sua ação direta junto ao cadáver. Elas são um conjunto de bactérias específicas para consumir matéria orgânica sintetizadas em esporos agrupados no formato de pastilhas. Essas pastilhas são colocadas dentro do caixão, bem próximas ao corpo sem vida, principalmente junto a esse corpo e na base da coluna do morto.

A manta, na verdade, é um tipo de plástico com a característica da impermeabilidade que é colocado no fundo do caixão, ou no fundo do túmulo quando o cadáver é enterrado direto na terra. Ela deve ficar no local por um tempo variável entre 3 a 5 anos que, em geral, corresponde ao período da decomposição do cadáver, segundo suas características físicas. A ação dessa manta consiste no fato de possuir uma camada de celulose em pó que funciona como absorvente do líquido (Necrochorume), quando este começa a ser liberado pelo corpo em decomposição. Essa camada de celulose pó ao entrar em contato com o líquido, se transforma num tipo de gel que retém o necrochorume sem deixar que ele saia da urna funerária. Com isso não polui o meio ambiente.

Apesar da bibliografia tradicional sobre o tema se limitar a esses 3 métodos, considerando que o Necrochorume é o produto da putrefação corporal em mistura com a água da chuva, que tal se diminuíssemos ou anulássemos este último fator ? Foi a solução encontrada para o Chorume dos lixões e aterros sanitários, apresentado pelo método de tratamento de resíduos pelo método da vala, que já comentei aqui no blog Projeto de Aterro Sanitário em Valas, 10 anos atrás (14/10/2010) em http://agronomos.ning.com/profiles/blogs/projeto-de-aterro-sanitari... utilizado em algumas cidades e Estados do Brasil, como na Bahia.

Outra solução, embora envolva custos e crenças, é a cremação dos corpos.

REF. (1)

https://www.teraambiental.com.br/blog-da-tera-ambiental/o-que-os-ce...

(2) CUIDADOS NECESSÁRIOS PARA EVITAR A POLUIÇÃO AMBIENTAL EM CEMITÉRIOS

https://semanaacademica.org.br/system/files/artigos/leticia_roncada...

 

P.S.

Meus agradecimentos pela foto do blog emania.com.br do cabeçalho.

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 30 abril 2020 às 16:19

Amanda.

Essa proposta da urna com muda, eu não conheço. O interessante da recomposição é que não há necessidade nem de cemitério, pois a empresa já entrega só as cinzas do corpo à família interessada, sob a forma de adubo. Por outro lado, os Cemitérios-Parque já existem como, p.ex., o Jardim da Saudade, aqui no Rio de Janeiro, e ocupam muito mais espaço que os comuns.

Um abraço.

Comentário de Amanda Souza da Silva em 30 abril 2020 às 14:43
Muito interessante. Outra proposta seria as urnas tipo indígenas, com uma muda. De maneira que não mais haveria cemitérios, mas parques com belas arvores. Esse metodo causaria bons impactos nas vidas das pessoas, clima e permeabilidade.
Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 22 abril 2020 às 17:12

Obrigado pelo apoio, colega André César. A ideia da gringa pode até parecer macabra mas, pensando bem, o que ela propõe é acelerar o processo de compostagem do corpo. Os Kardecistas devem apoiar pois, segundo eles, as pessoas muito apegadas às coisas materiais, ao desencarnarem, têm dificuldade de se desligar do seu corpo físico e  (se isso não for fake news) o sofrimento seria apenas durante 4 a 6 semanas. Pode até parecer chocante mas, quando morremos e somos enterrados (como outra matéria orgânica qualquer) viramos lixo e, possivelmente, com a ajuda da chuva, vamos contaminar os viventes com necro-chorume.

Comentário de Andre Cesar em 22 abril 2020 às 11:01

Muito bom! Obrigado por compartilhar mais esse conhecimento.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 21 abril 2020 às 19:29

RECOMPOSIÇÃO DE CORPOS - O FIM DOS CEMITÉRIOS ?

A revista Época Negócios deste mês (No. 158, Abril 2020, pág.26), que trás na capa o texto "Como a pandemia vai acabar", diz que a antropóloga americana Katrina Spade desenvolveu uma tese de Mestrado em arquitetura na Universidade de Massachusetts com a tese: "Um lugar para os mortos urbanos".

Partindo do princípio que os corpos enterrados (nos cemitérios) levam um longo tempo para se decompor, e a (outra alternativa) cremação lança no ar cerca de 1,4 t de CO² (o equivalente à queima de 750 litros de gasolina ou 15 tanques), fez parceria com Lynne Carpenter-Boggs, uma pedóloga da Washington State University e outros pesquisadores, e fundou em 2014 o Urban Death Project (Projeto Mortos Urbanos). Em 2018, seu projeto, já bastante testado e amadurecido, transformou-se na empresa Recompose (Recomposição).

A metodologia consiste em acomodar o corpo em uma cama de lascas de madeira (lembre-se que na compostagem do adubo, mistura-se a matéria orgânica com serragem) no topo de um silo de 3 andares, e acelerar a decomposição do corpo com uma solução de água e açúcar e a ajuda de ventiladores,

Á medida que a deterioração natural acontece, o corpo é deslocado para os andares debaixo, liberando o pavimento superior. Num período estimado entre 4 e 6 semanas, os restos mortais, incluindo os ossos, se transformam em algo semelhante àquela terra preta, rica em adubo, vendida em lojas de jardinagem. Finalizado o processo, as famílias poderão levar para casa  o solo resultante e espalhá-lo no quintal.

Katrina, diz o artigo, prefere o termo”recomposição” em vez de “decomposição”. Afinal, como ela observa, as moléculas são reorganizadas em outras moléculas, deixando de ser restos humanos. Ela define como “praticidade amorosa”. Lembra que a recomposição humana economiza espaço (nos cemitérios) e dinheiro (com a cremação) e, acima de tudo, é sustentável.

As operações comerciais da sua empresa estão previstas para o início de 2021. A partir daí, pretende chegar a outros Estados americanos e outros países.

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