Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

(querem saber de Saneamento)

[Não é fakenews, pois é notícia de revista conceituada]

Na capa mesmo da Revista Brasileira de Saneamento e Meio Ambiente - BIO, da ABES, que eu assino e recebi hoje, referente a Jul./Set.2018, sobre as eleições presidenciais deste mês, consta com letras garrafais que os CANDIDATOS DÃO POUCA ÊNFASE AO SANEAMENTO. Daí o título do post.

Em SAÚDE todo mundo fala e prioriza, esquecendo que a maioria (+ de 82%) dos doentes no Brasil é vítima da falta de Saneamento, ou seja, se cuidar DELE (Saneamento) , haverá bem menos gastos posteriores NELA (a Saúde). A relação de praxe é de R$ 4 para R$ 1.

Pior é que não são apenas os políticos que nada sabem ou se interessam por Saneamento Básico; os técnicos (Engenheiros inclusive), também.

Voltando à Bio, logo o primeiro artigo valeu ter lido a revista: "Tratamento Biológico: um acordo com a Natureza", de autoria de Francisco Luiz Noel, sobre a nova ETE Ponte dos Leites, em Araruama - RJ. Ela trata 200 l/s de esgotos, tem 11 ha, do gênero Wetland construída, sendo a maior da América Latina na modalidade.

A Figura abaixo mostra um esquema da ETE com o sistema Wetland, embora fora de proporções, vez que a área alagada, na prática é muito maior.

Esta ETE - Ponte dos Leites tem uma área 200 vezes maior do que uma estação de tratamento de esgotos convencional, mas apresenta um custo 300% menor, e o custo de operação também é menor. Apresenta um ganho ambiental extra: a proliferação de microrganismos faz da wetland um rico ecossistema, povoado por aves, anfíbios, peixes e répteis.

A empresa Águas de Juturnaíba apresentou um trabalho sobre logística reversa realizada na ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) Ponte dos Leites, em Araruama, que desenvolve o sistema Wetland de tratamento sem a utilização de produtos químicos, substituídos por plantas aquáticas: papiro, papirinho e sombrinha chinesa, que se encarregam pelo tratamento de 200 litros de esgoto por segundo, e com isso ganhou o Prêmio FIRJAN de Ação Ambiental em 2016. (*)

A Figura abaixo é uma foto aérea da ETE Ponte dos Leites, obtida na Internet, através do Google.

Há 4 décadas em mandei construir uma casa de praia (que está à venda) próxima à Av. Amaral Peixoto e à Lagoa de Araruama, e posso testemunhar o efeito de uma ETE na balneabilidade das praias e a importância turística que isso tem para a famosa Região dos Lagos Fluminense.

Voltando à vaca fria. Em vez de perdermos tempo no Facebook com debates sobre os candidatos nós, técnicos, deveríamos estar debatendo estratégias para o Saneamento.

A primeira, que sugiro, é sobre o PORTE das futuras ETEs: grande ou pequeno ? Eu torço pelas pequenas, que tratem os esgotos de área populosa, mas que tenha tamanho reduzido. Assim, quem sabe, voltemos a valorizar os Valos de Oxidação.

NOTA: Vídeo sobre a ETE no endereço https://youtu.be/GrjukwSxj1o

(*)

http://www.osaqua.com.br/2016/06/22/ete-ponte-dos-leites-ganha-prem...

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 24 outubro 2018 às 11:41

Amigo Manoel, bom dia.

Que bom que, enfim, um colega se digna participar opinando num post meu, que quase sempre vira monólogo. Assim, talvez, outros se animem a fazer o mesmo. Reconheço que o tema não faz parte do currículo da Agronomia mas, como disse, num assunto tão importante para o país, não devemos nos omitir. Mas, voltando à vaca fria.

Na enquete que lancei sobre o tamanho ideal das ETEs no Brasil, eu pretendia ignorar as concessionárias (CETESB em Sampa, CEDAE no Rio, etc.), mas sim, focar em estratégias operacionais e de desempenho. Entre o Rural e o Urbano, eu priorizaria o segundo, por causa do nosso elevado índice de urbanização. O enfoque técnico principal é o seguinte: os ramais de esgoto, como sabemos, são canais circulares (em sua maioria) que trabalham por gravidade (nunca a seção plena) e, portanto, por terem uma inclinação mínima, vão sempre se aprofundando, principalmente nas áreas planas. Aí é que vem o problema técnico. Em determinada profundidade, devemos prever elevatórias (de esgoto) para retornar o percurso próximo à superfície. Ora, quando a bacia hidrográfica é grande, a probabilidade de mais elevatórias aumenta e, com elas, o custo da rede.

Uma ETE pequena, para um ou 2 bairros contíguos, seria o ideal mas, numa cidade grande ou pequena mas com grande população, a proliferação dessas estações poderia trazer problemas de licenciamento ambiental e maus odores (se mal operada), entre outros.

Um abraço.

Comentário de Manoel José Sant´Anna em 24 outubro 2018 às 9:44

Bom dia José Luiz, ok!. Vamos então entrar propriamente no assunto! - A CETESB, hoje dificultando muito o desenrolar dos processos, uma vez que aboliu o contato direto, e tudo será feito por informatização, sendo que o seu programa normalmente sai do sistema e os atendentes são soberbos, e exige detalhes burocráticos, que dificultam!, Mas vamos ao que interessa, para conseguir outorga e anuência destas autarquias, preciso planejar o uso água apurando-a para reuso, e dar fim aos efluentes prevendo um mínimo de impacto ambiental!. Pois bem Tudo que ensinou-me soma-se ao que já utilizo, para chegar aos pontos de aprovação!. Saliento que em áreas rurais deve existir maior tolerância, por inúmeros fatores, mas... falta discernir tais critérios e oficializa-los!. Ex :- Se temos limitações em águas contidas pelo teor de fósforo solúvel, no confinamento de tanques redes, então deveria existir uma maneira de filtrar esta saída para reutilizar esta água ,no que podemos usar dos 50% do Q7/10 e continuar nossa produção sem redução neste período. 

abraços Manoel    

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 23 outubro 2018 às 19:53

Caro colega Manoel, boa tarde.

Não se menospreze. Não precisa utilizar todos os meus ensinamentos para opinar. O Engenheiro Agrônomo tem uma formação bastante eclética e você, sabidamente, é uma pessoa inteligente. O desafio que lancei não é difícil. Perguntei se você sugere/prefere várias ETEs pequenas (tipo Valo de Oxidação) em vez de uma grande (tipo Wetland construída como a de Araruama-RJ, Lagoa de estabilização ou uma Convencional). Nós, como técnicos de nível superior, não podemos/devemos nos furtar a colaborar num tema tão importante para o País como é o Saneamento Básico, não acha ?

Um abração.

Comentário de Manoel José Sant´Anna em 23 outubro 2018 às 17:47

Boa tarde Dr José Luiz, obrigado por mais estas informações, não creio que seja capaz ainda de utilizar todos os seus ensinamentos, mas guardeio, talvez ainda possa melhorar minha desenvoltura.

obrigado... Manoel

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 20 outubro 2018 às 15:24

ENDEREÇO DA EPA

(Aqui está)

(*)

https://www.epa.gov/sites/production/files/2015-10/documents/constr...

 Bom proveito.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 20 outubro 2018 às 15:19

ETE TIPO WETLAND

No Brasil, as wetlands são referenciadas pelo próprio termo em inglês, wetlands (terras úmidas), constructed wetlands e, por wetlands construídas, áreas alagadas, alagados construídos ou artificiais, várzeas artificiais, áreas inundadas, leito de raízes, zona de raízes, zonas úmidas, filtros plantados, tanques de macrófitas, filtros plantados com macrófitas, alagados naturais, terras úmidas construídas, leitos cultivados, entre outros.

As tecnologias convencionais de tratamento biológico de esgoto são projetadas visando principalmente a remoção de matéria orgânica, resultando em um efluente com concentrações de Nitrogênio (N) e Fósforo (P) próximas às do esgoto bruto (Prosab, 2009).

As wetlands removem Nitrogênio, Fósforo, matéria orgânica solúvel, metais pesados, sólidos em suspensão e patógenos. Os microrganismos presentes no biofilme dos colmos e raízes é que irão promover as ações de depuração do esgoto nas wetlands.

Tipos de Wetland

1) Fluxo superficial ou lâmina livre, com altura inferior a 40 cm, com macrófitas emergentes, flutuantes ou submersas e maior tempo de retenção hidráulica; pode ocorrer a proliferação de mosquitos e odor. Indicado para receber efluentes de Lagoas de Estabilização.

2) Fluxo subsuperficial, onde não há uma coluna d´água sobre o terreno, mas são filtros lentos horizontais preenchidos com brita ou areia como suporte e onde as raízes se desenvolvem. A altura do substrato é de 60 cm, removendo mais N, P e metais pesados. Usado em pequenas comunidades nos Estados Unidos, Austrália, África do Sul e Europa. Adequados para receber efluentes de tanques sépticos e reatores anaeróbios.

3) Fluxo vertical, com filtros de brita ou areia e nível d´água abaixo do meio suporte (subsuperficial), impedindo o contato direto de pessoas e animais.

As macrófitas

As plantas cultivadas no sistema de wetlands construídas são chamadas de hidrófitas, macrófitas aquáticas, hidrófitas vasculares, plantas aquáticas ou plantas aquáticas vasculares. Crescem em ambientes de transição entre sistemas aquáticos e terrestres e produzem quantidades expressivas de matéria seca, com elevado teor de nutrientes. São dos tipos: a) emersas ou emergentes (Junco e Taboa); b) com folhas flutuantes (Lírio d´água e Vitória Régia); c) submersas enraizadas (Elódea e Cabomba); d) submersas livres (Utriculária) e e) flutuantes livres (Alface d´água, Aguapé, Orelha-de-rato e Salvínia).

Requerem um manejo contínuo para manter a eficiência de remoção de poluentes, gerando assim uma elevada quantidade de biomassa, que pode ser utilizada na produção de ração animal, energia, biofertilizantes (reciclagem de nutrientes), adobe e artesanato (Junco, p.ex.).

Parâmetros de controle

De acordo com Philippi e Sezerino (2004), os mais importantes são: Vazão (Q), Temperatura da água, Potencial de Hidrogênio (pH), Condutividade elétrica (CE), Oxigênio dissolvido (OD), Demanda bioquímica de Oxigênio (DBO), Demanda química de Oxigênio (DQO) e Nutrientes (N e P). Outros fatores também atuantes são: Temperatura do ar, Radiação solar e Pluviosidade.

Para monitorar a quantidade de água são utilizados o volume e a vazão do afluente e do efluente. Para a qualidade da água são observadas as suas principais características biológicas (microrganismos); físicas (cor, turbidez, odor e temperatura); e químicas (pH, alcalinidade, acidez, dureza, Fe, Mn, Cl, N,P, OD, DQO e DBO)(Von Sperling, 1996).

Os parâmetros de caracterização da vegetação traduzem a taxa de crescimento, área foliar (AF) e índice de área foliar (IAF), avaliando as respostas das plantas a diferentes condições ambientais, quantificando os nutrientes (P e N), etc. (Kletecke, 2011).

Critérios para construção

Dimensionamento hidráulico

Alguns detalhes construtivos, citados no Livro de Bolso das Wetlands Construídas, (*) da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos - EPA.

Detalhes construtivos:

P.S.

Caro colega Manoel, obrigado pela parte que me toca. Todos nós sabemos menos do que devíamos. Você diz que aguarda as minhas colocações e desafios. Pois bem: a colocação foi o post e o desafio (inicial) foi o tamanho das futuras ETEs. Por que não quis opinar à respeito ?

Um abraço

J.L.

Comentário de Manoel José Sant´Anna em 20 outubro 2018 às 10:29

Bom dia, caríssimo Dr José Luiz , sempre atento a suas matérias!. Instrutivas e complementares aos meus pequenos conhecimentos!. Aceito e aguardo suas colocações e desafios, nossos conhecimentos sempre são inferiores aos que devemos fazer uso!. Dai a importância de suas colocações!. Mas quanto aos "desejosos" candidatos na gestão mor deste nosso promissor País, não tenho a mínima dúvida que NÃO desejam se eleger para o bem da sociedade, ou para receber apenas seu salário pelos seus serviços ao bem do Brasil!!!???. 

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