Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Novamente a Fiscalização do Exercício da Agronomia

Recentemente, fiz uma busca nos sites de todos os CREAs do Brasil, buscando informações sobre os procedimentos específicos adotados pelos Conselhos, para realizar a fiscalização do exercício da Agronomia.

Eu possuía uma expectativa, de que encontraria poucos subsídios, na pesquisa que estava desenvolvendo, porém a realidade foi ainda mais assustadora do que eu imaginava. De todos os 27 CREAs, somente 4 possuem manuais de fiscalização para o exercício da agronomia, 1 possui um conjunto de diretrizes e 2 adotam o manual de fiscalização do CONFEA, que no seu anexo 8 determina os procedimentos de fiscalização sobre nossa profissão.

Os estados que possuem manuais específicos são:

  • São Paulo - que apresenta procedimentos extremamente pobre, recomendando como prioritário fiscalizar somente três atividades: Pulverização Aérea, Prefeituras e Meteorologia. Pasmem.... Todas as demais atividades que são de exercícios profissional são relatadas no manual como OUTRAS ATIVIDADES, mas sem apresentar nenhuma diretriz ou procedimentos. Este manual foi editado em 2014, substituindo o de 2008, que já trazia justificativas para não fiscalizar, em dissonância com os próprios atos normativos do sistema CONFEA/CREA.
  • Amapá - Foi uma grata surpresa encontrar este manual, redigido em 2007, que além de tratar da maioria de nossas atividades profissionais, traz uma série de observações pertinentes a realidade local, em especial as populações ribeirinhas, extrativas e tradicionais. Neste manual de fiscalização, é muito interessante que ele traz além de um quadro sintético sobre os tipos de infrações profissionais e o seu enquadramento, não nos atos normativos do CONFEA, mas em leis federais, que amplia a capacidade fiscalizatória. Outro ponto interessante é um segundo quadro resumo, que descreve "todas" as nossas atividades profissionais e quais os itens que devem ser verificados na fiscalização.
  • Santa Catarina - Editado em 2010 e ainda em validade, segue o padrão do manual do estado do AC, trazendo um bom nível de detalhamento, com destaque a algumas atividades típicas do estado e que não são comuns em outros. Como o manual do AC, traz tabelas de enquadramentos nas infrações e tabelas de parâmetro para fiscalizações.
  • Paraná - É o único estado que tem um manual de fiscalização, atualizado para o ano de 2017. É o documento mais detalhado de todos que encontrei e digo que vale a leitura por todos os profissionais do Brasil e sem medo de errar, deveria ser usado como o balizador em todos os estados brasileiros. Além descrever de forma detalhada todas as atividades agronômicas, ainda é esclarecedor em pontos de sobreamento profissional, detalhando inclusive em alguns momentos porque certas atividades não podem ser exercidas por Engenheiros Agrônomos. Realmente foi o melhor documento de todos.

Há um tópico, no fórum de discussões dentro da rede sobre a Fiscalização, mas resolvi trazer esta discussão para a página central da rede, pois vejo ela no cerne de muitas discussões nossas. Este levantamento de informações me fez levantar uma questão... O que as Câmaras de Agronomia estão fazendo????

São pouquíssimos CREAs, que divulgam detalhadamente as pautas de reunião e menos ainda os que divulgam as Atas nas íntegra. Aqui, cabe eu parabenizar o CREA/SP que faz essa divulgação. Porém, foram pouquíssimos outros CREAs que adotam procedimento similar.

Eu vejo inúmeros colegas falando sobre a necessidade de criar um Conselho próprio, eu particularmente sou contra, pois se olharmos nos primórdios da criação das engenharias existiam 3: Civil, Militar e Agronômica. Então, quer dizer que somos um dos pilares do Sistema CONFEA/CREA. Porém, os nosso representantes no sistema não estão atuando para valorizar a nossa profissão.

Outro ponto de interessante que esse levantamento de dados me trouxe e que acho interessante compartilhar são os números de profissionais em cada modalidade no Sistema. Apesar de muitos CREAs valorizarem mais a modalidade Civil, ela ocupa somente o segundo lugar no numero de profissionais inscritos. Na estatística que está disponível no site do CONFEA que apresenta o número total de profissionais de todos os níveis (técnicos, tecnólogos e engenheiros) por modalidade traz números interessante para pensarmos, veja a listagem abaixo (estou usando a denominação existente no site do CONFEA):

  1. Engenharia Eletricista - 482.623 profissionais
  2. Engenharia Civil - 383.535 profissionais
  3. Engenharia Mecânica e Metalúrgica - 273.432 profissionais
  4. Agronomia - 196.686 profissionais
  5. Especiais - 67.276 profissionais
  6. Engenharia Química - 35.414 profissionais (aqui há o dilema com o CRQ)
  7. Engenharia Geologia e Minas - 25.392 profissionais
  8. Engenharia Agrimensura - 24.740 profissionais

A modalidade Agronomia representa 13,20% dos profissionais do sistema. Porém é em minha opinião uma das menos valorizadas, em função não de seus números, mas da inoperância de muitas Câmaras Especializadas de Agronomia (CEAs) simplesmente exercerem a sua função.

Aqui em SP, estamos discutindo, entre muitos profissionais que a valorização da profissão somente se dará quando houver fiscalização efetiva e as CEAs deixarem de ser um espaço puramente burocrático para ser um local de debate, franco e aberto, com foco nas demandas mais urgentes da classe agronômica.

Exibições: 348

Comentar

Você precisa ser um membro de Rede Agronomia para adicionar comentários!

Entrar em Rede Agronomia

Comentário de Gilberto Fugimoto em 20 março 2017 às 10:40

Gostei dos motes para uma campanha de marketing da Agronomia!

  • Antes de plantar consulte um Engenheiro Agrônomo!
  • Agronomia a ciência responsável pelo alimento seguro!
  • Agronomia a ciência que move o agronegócio!
  • Você já agradeceu a um Agrônomo pela orientação que ele faz aos agricultores?
  • Desenvolvimento rural graças a Agronomia....
Comentário de Eduardo B. Teixeira Mendes em 19 março 2017 às 1:11

Caro Manoel, 

Concordo contigo o trabalho realmente é hercúleo... mas totalmente necessário. Tenho tido contato recentemente com colegas de vários estados do Brasil, que descrevem como estão sendo massacrados por seus contratantes. Temos uma usurpação de habilitações e prerrogativas ocorrendo de modo sistemático. Por  isso é a necessidade de lutarmos para reconquistarmos o nosso espaço.

Hoje eu estive trabalhando fora de minha cidade e ao longo da estrada, nas entradas de cidades e adesivados em carros via mensagens sobre diversas profissões, algumas são manjadas, outras mais originais....Mas em todas as minhas andanças eu nunca vi uma placa ou um outdoor enaltecendo o trabalho dos Engenheiros Agrônomos. Vemos coisas assim:

  • Sem advogado não se faz justiça!
  • Seguro só com corretor de seguros!
  • Antes de comprar um imóvel consulte um corretor de imóveis!
  • E outras infinidade delas....

Mas eu ainda não encontrei nada pelas estradas e carros frases como:

  • Antes de plantar consulte um Engenheiro Agrônomo!
  • Agronomia a ciência responsável pelo alimento seguro!
  • Agronomia a ciência que move o agronegócio!
  • Você já agradeceu a um Agrônomo pela orientação que ele faz aos agricultores?
  • Desenvolvimento rural graças a Agronomia....

E quantas outras mais possamos pensar!

Comentário de Manoel José Sant´Anna em 18 março 2017 às 9:08

Bom dia, colegas, hercúleo!. Esta é uma mudança cultural em toda população do nosso Brasil!. Enfrentamos ferrenha luta de poderes contra direitos, entre todos os segmentos públicos deste nosso País!. Enquanto debatemos sobre valorização da nossa classe, e nada mais justo e de direito em ser pleiteado, debatido e se possível resolvido!. Nosso Brasil esta em uma crise cultural sem precedente, os poderes não conseguem colocar em seus limites, esquecem que sua função principal é a defesa e a harmonia da convivencia desta sociedade a que pertence!. Tudo promovendo o crescimento no geral desta nossa civilização!. Acho que isto se chama civilidade de um povo!. No caso do nosso o brasileiro!.    

Comentário de Gilberto Fugimoto em 17 março 2017 às 16:38

Caro Manoel,

Tens razão, não há como chegar ao Paraíso sem querer purgar os pecados!

Comentário de Manoel José Sant´Anna em 17 março 2017 às 14:55

Quanto a termos muitos pecados, e tão poucas virtudes!. Caro amigo Gilberto, neste período de penitência, quem sabe uma confissão dos Eng. Agrônomos, sensibilize nosso criador!. Ai... aliviamos nossos pecados, mas ainda ficamos sem virtudes!!!??.

Comentário de Manoel José Sant´Anna em 17 março 2017 às 14:39

Boa tarde colegas, prezado Eduardo, você atingiu o alvo da ferida!. Valorização da participação dentro da sociedade!. Tai... isto se pensarmos só na formação acadêmica, a instrução sobre ética e responsabilidade, além do nosso compromisso social, que deveria ser a continuidade do recebido no berço e no estudo fundamental!. O dinheiro não tem valor, quando o endinheirado não é sequer reconhecido e respeitado em seu meio!. Eduardo não tem qualquer valor possuir uma cartilha de procedimentos, ( veja que chamo de cartilha, não de Manual de Procedimentos) se não a respeitamos ou sequer sabemos o que ela quer dizer!. As CEAS acontecem onde??!!. Nas Associações de Classe??!; Associações nossas, com nossa representação??!!, Fui Presidente da Associação dos Engenheiros de Catanduva, Vice em outra gestão, da Diretoria, por muitas outras, chegamos a ter palestrantes sobre Concreto e Concretagem com Falcão Bauer, com os Eng. Agr. só conseguimos volume de participantes quando tinha festa e churrasco com muita cerveja. Isto denigre nossa classe!. Nós não nos damos valor a nós mesmo!!??. 

Comentário de Gilberto Fugimoto em 17 março 2017 às 11:43

Eduardo,

Tantos pecados, tão poucas virtudes.

De fato, a falta de ação é um problema só superado pela falta de comunicação dos Creas.

abração

Comentário de Eduardo B. Teixeira Mendes em 17 março 2017 às 11:31

O CREA MG e o CREA RJ, podem até ter bons materiais, mas eles não são disponibilizados nos sites para ciência da classe.

Eu tive a curiosidade de entrar em todos os CREAs e baixar todos os arquivos que eu encontrei. Não somente os manuais, mas umas 30 tabelas diferentes de honorários agronômicos em todo Brasil

Comentário de Bráisia Arifa em 17 março 2017 às 9:30
Bom dia
Comentário de Gilberto Fugimoto em 17 março 2017 às 8:44

Eduardo,

Como sempre ótimas provocações!

Contribuindo para análise, mas também desconhecendo o tema, vejo que aqui no Rio de Janeiro tbém foi produzida uma cartilha de orientação à fiscalização. Entretanto, não sei de ações concretas nesse campo.

Minas Gerais tem um projeto de fiscalização muito bem estruturada, conforme apresentada pelo colega Moucherek, vice presidente da Confaeab, que era (ou ainda é) diretor de fiscalização do CREA MG. Ele descreveu, no CNP em Foz do Iguaçu, todo um trabalho de abordagem aos produtores rurais que ia no sentido de orientar e educar, muito mais do que simplesmente autuar.

© 2020   Criado por Gilberto Fugimoto.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço