Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

CONSIDERAÇÕES SOBRE O LIXO DE MARITUBA

Quase todo o lixo de Belém vai para o Município vizinho de Marituba-PA. A Prefeitura local contratou uma empresa de São Paulo (REVITA: http://www.revita.com.br/) para gerenciar o problema. Ela chegou a implantar um Aterro Sanitário mas, por algum problema técnico, o material depositado começou a gerar mau cheiro e revoltou a população local. Houve passeata, interdição provisória da BR (rodovia que sai de Belém, passar por Marituba em direção ao Sul) e muito bate-boca. Por absurdo, o Ministério Público impediu recentemente as manifestações.

Tenho um sobrinho que foi Vereador da cidade (seu irmão chegou a ser Prefeito de Marituba) e com quem converso de vez em quando pelo Facebook. O recado aí de baixo é pra ele.

Paulo, sei que você é uma pessoa ocupada e não tem muito tempo (como eu) para ficar pesquisando na Internet mas, se tiver curiosidade, entre no Google com a frase seguinte, com as aspas incluídas: "composição gravimétrica do lixo de belém do pará".  Fiz isso e descobri coisas interessantes. Por exemplo.

1) Há vários trabalhos acadêmicos sobre o problema do lixo (tecnicamente chamado de Resíduos Sólidos Urbanos ou RSU) publicados aí em Belém, feitos na UFPA, Unama e outras Universidades, a maioria sobre o lixão de Aurá (e nenhum sobre Marituba).

2) Ao meu ver, nesses trabalhos, os Professores que participam das Bancas Examinadoras são, em princípio, os técnicos que deveriam ser procurados para opinar sobre o lixo de Marituba, entre os quais, o Eng. Janary Fonseca Pinheiro, Diretor do Dep. de Res. Sólidos da SESAN.

3) Nos trabalhos que li, não observei qualquer destaque para os resíduos de construção e demolição - RCD mas, numa cidade com a população de Belém, número de prédios altos e uso elevado de cimento, essa porção do lixo deveria ser considerada e desviada dos Aterros.

Agora, algumas considerações minhas, particulares, para você pensar (comigo).

1 - A matéria orgânica compõe mais da metade do volume do lixo. É ela quem origina o chorume, e este, o mau odor de que os moradores de Marituba reclamam. Sendo ela a matéria prima para a formação do composto, quando lançada no Aterro Sanitário, diminui a sua vida útil pela metade.

2 - Para a produção do composto, sua umidade não deve ultrapassar os 60% e deve ser misturada com produtos que tenham Carbono, como folhagens. Além disso, as leiras (montículos) devem ficar assentes sobre piso impermeável (cimento) e serem revirados de vez em quando para a necessária oxigenação. Nas imagens dos vídeos de Marituba, não vi nada disso.

3 - Se a imprensa e o Ministério Público de Belém estão comprometidos, uma forma prática de fiscalizar o que vem fazendo a empresa paulista no Aterro de Marituba é com o uso de DRONES, operado por alguém entendido e assistido por um dos Professores do item 2, acima.

Um abraço

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 30 junho 2017 às 10:35

VEJAM QUE ABSURDO

https://www.facebook.com/herbert.nascimento.35/videos/1303539679744...

(Não se esqueçam de proteger o meio ambiente, colegas!)

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 26 maio 2017 às 10:39

Bom dia, Gilberto.

Você tem razão. Para nós, Engenheiros Agrônomos, interessa muito o problema da COMPOSTAGEM pois, como eu disse abaixo, além de fornecer adubo (condicionador de solo é o termo exato), aumenta pelo menos o dobro a vida útil do aterro sanitário. Acontece que a compostagem tem dezenas de parâmetros a serem seguidos e um deles, o teor de umidade, é crítico lá na Amazônia (a minha terra, pois nasci em Belém), onde chove de montão.

Talvez pelo complexo de vira-latas, a Prefeitura de lá (Marituba-BA) contratou uma empresa de São Paulo, que não monitorou alguns desses parâmetros técnicos (que envolvem o gerenciamento dos RSU) e um fedor insuportável revoltou os moradores da cidade.

A lição que eu tiro desse episódio, é que a 'nossa' Amazônia ainda é uma ilustre desconhecida. Eu lembro como apanhamos, na década de 70, quando técnicos aqui do Rio de Janeiro (por se acharem os bambas) fizeram uma porção de besteira na colonização da Rodovia Transamazônica.

O pior (ou melhor ?) é que lá em Belém tem algumas Faculdades com técnicos capazes de resolver o problema. E se omitem.

Um abraço

Comentário de Gilberto Fugimoto em 26 maio 2017 às 9:33

José Luiz,

Muito interessante postagem.

Mostra que o problema do lixo é muito mais sério e complexo do que se imagina!

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 25 maio 2017 às 18:54

LOCALIZAÇÃO DO ATERRO

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 25 maio 2017 às 18:31

Imagem do aterro de Marituba:

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 25 maio 2017 às 18:27

Catadores do lixão de Aurá protestam pelo aterro de Marituba.

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