Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

O papel da Engenharia Agronômica na Agenda 2030 da ONU

O PAPEL DA AGRONOMIA NA AGENDA 2030
*Mauricio Dutra Garcia
*Paulo Guilherme Cabral

Breve relato:
Em 2015 encerrou-se o período de atuação do ODM – Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – instituído pelas Nações Unidas em 2000.
Nesses quinze anos o mundo passou por importantes transformações, de 2,5 milhões de pessoas famintas, consegui-se baixar pra 800 milhões, alem de outros indicadores, como a mortalidade infantil, a relações de gênero, a convivência com o HIV/Aids, questões ambientais e saneamento, e outros oito objetivos estipulados e perseguidos por 189 países. Porem não o suficiente para que toda a humanidade alcançasse indicadores desejados.
O Brasil foi um dos países que mais avançou nas conquistas e cumprimento dos objetivos e metas estipuladas, graças às políticas publicas implementadas nesse período e a participação da sociedade civil, estados e municípios.
A partir da conferencia “Rio + 20”, em 2012, começou-se a pensar num próximo período de desenvolvimento global, onde os objetivos até então não alcançados e outros novos deveriam ser contemplados. Daí surgiu o protocolo ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – agora assinado por 193 países e se estenderia de 2015 a 2030, conhecido por AGENDA 2030 e estendido a 17 objetivos.
Dentre os 17 Objetivos estipulados pela AGENDA 2030, existem aqueles que estão no campo de atuação da AGRONOMIA, tais como:
1- Erradicação da Pobreza
2- Fome Zero e Agricultura Sustentável
3- Água Potável e Saneamento
4- Trabalho Decente e Crescimento Econômico
5- Redução das desigualdades
6- Consumo e Produção Responsáveis
7- Ação Contra a Mudança Global do Clima.
8- Vida na Água
9- Vida terrestre
É claro que a AGRONOMIA está inserida de uma forma indireta nos outros oito objetivos restantes, mas vamos nos ater nesses que são de atuação direta.
O Papel da Agronomia.
1 - Evidente que quando falamos em Erradicação da Pobreza estamos colocando a agronomia na linha de frente, pois ao redor do mundo ainda existem pessoas vivendo com menos de U$S 1,25 por dia e, no campo essa realidade se faz mais presente, pois a migração campo-cidade se dá por falta de condições de produção dessas pessoas ou por mera expulsão pelos grileiros e grandes proprietários. Cabe à agronomia intervir nesse processo, criando metodologias e novas praticas agrícolas que permitem a produção e fixação do produtor no meio rural com dignidade e o necessário pra sua subsistência e renda. Nesse quesito temos a nosso favor a pesquisa, a academia e a extensão rural que muito bem desempenham esse papel.
2 - Fome Zero e Agricultura Sustentável nem precisa dizer muita coisa, pois o objetivo está claro que depende da agronomia produzir o suficiente para acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar, a melhoria nutricional e promover a agricultura sustentável. Muitas nações do mundo foram dizimadas ou entraram em declínio pelo excesso de extração das florestas, erosão descontrolada, assoreamento dos cursos d’água e uma má tecnologia de produção (recomendo a leitura do livro COLAPSO de Jared Diamond). Promover a agricultura sustentável e apoiar os pequenos agricultores é tarefa possível para os profissionais da engenharia agronômica. Imagine um mundo onde todos têm acesso a alimentos suficientes e nutritivos durante todo o ano, já que atualmente todas as noites uma em cada nove pessoas vão dormir com fome. Produtores, com assistência técnica adequada e pesquisa, juntos, poderão fazer disso uma realidade até 2030.
3 – Com auxilio da engenharia agronômica, a gestão sustentável da água e saneamento rural poderão ser assegurados e disponíveis para todos, inclusive nas cidades, que dependem dos cursos d’água que passam pelos campos e florestas. Todos os seres vivos, animais ou vegetais, necessitam de água para a sua sobrevivência, desenvolvimento e reprodução. Portanto, cuidar das nascentes, promover agricultura limpa, respeitar os limites de proteção e uso são tarefas inerentes aos profissionais que dão assistência técnica aos produtores.
4 – Trabalho Decente e Crescimento Econômico sustentado e inclusivo é parte importante do fato das pessoas terem empregos que paguem o suficiente para se sustentar a si e os seus familiares. A boa noticia é que a classe media está crescendo em todo mundo, quase triplicando nos últimos 25 anos e integrando um terço da população mundial. Porem, ainda tem cerca de 200 milhões ( quase a população do Brasil) ainda desempregados. Não só as cidades poderão abrigar e resolver essa situação cabe ao meio rural também criar mecanismos de absorção dessa mão de obra e destinar-lhes renda digna e empregos decentes.
5 – Redução das Desigualdades entre pessoas e regiões que atinge milhões de populações mundo afora. Para resolver isso devemos lançar mão dos avanços tecnológicos, da internet, da conectividade entre pessoas e adotar políticas públicas que criem oportunidades a todos. A desigualdade de renda é um problema global, do campo e das cidades, portanto, a solução seria melhorar a regulamentação dos mercados e instituições financeiras, enviar ajuda humanitária aos que mais precisam e ajudar as pessoas que se fixaram em seus locais de origem.
6 – Consumo e Produção Responsável dizem respeito aos nossos hábitos e costumes. Uns não consumem o que necessitam e outros consomem tanto que joga no lixo o excedente. Consumir preservando os recursos naturais para que gerações futuras assim também possam fazê-lo. Portanto, cortar os desperdícios de alimentos per capita à metade, engajar as empresas e os consumidores em aproveitar resíduos através da reciclagem, eliminar os resíduos tóxicos, além de ajudar os povos que não consomem o suficiente para sua sobrevivência, são maneiras de produzir e consumir com responsabilidade.
7 – Ação Contra a Mudança Global do Clima é tarefa não só da agronomia, mas de todos habitantes do planeta terra. Recorrendo ao livro de Jarred Diamond – COLAPSO, nas paginas 589/590, transcrevo a seguir:
“A maioria dos cientistas mais respeitados concorda hoje que, apesar das altas e baixas de temperaturas ano a ano, que exigem complicadas analises para confirmar a tendência ao aquecimento, recentemente a atmosfera de fato está sofrendo um aumento de temperatura com rapidez fora do comum, e que as atividades humanas são a principal causa desse aquecimento ou uma das principais.
Embora achemos que deveríamos dar as boas vindas ao aquecimento global baseados em que temperaturas mais altas significarão crescimento de plantas mais rápido. O fato é que o aquecimento global produzirá vencedores e perdedores. As plantações em áreas frias com temperaturas marginais para a agricultura podem de fato aumentar, enquanto as plantações em áreas quentes ou secas podem diminuir. Na Califórnia e em muitos outros climas frios, o desaparecimento das neves das montanhas diminuirá a quantidade de água disponível para uso domestico e para a irrigação, o que limitará a produção agrícola daquelas áreas. O aumento global do nível dos mares como resultado do desgelo, representa perigos de inundação e erosão de planícies costeiras densamente povoadas e deltas de rio pouco acima ou, até mesmo, abaixo do nível do mar. As áreas assim ameaçadas incluem grande parte dos Países Baixos, Blangadesh e a costa leste dos EUA, muitas ilhas do Pacífico, os deltas do Nilo e do Mekong, e cidades costeiras ou ribeirinhas do Reino Unido (p.ex. Londres), Índia, Japão e Filipinas, como mudanças climáticas posteriores resultantes da mudança na circulação dos oceanos resultando ao seu turno no derretimento da calota polar.”
Como vemos a Ação contra as mudanças climáticas é uma ação também muito forte da agronomia, pois além das perdas das terras agricultáveis temos as perdas anuais causadas pelos Tsunamis, terremotos, ciclones tropicais e inundações, causando novos investimentos de centena de bilhões de dólares na recuperação dessas áreas atingidas.
8 - Vida na água trata de Conservar e Promover o uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável. A temperatura, a química, as correntes e formas de vida tornam os oceanos possíveis à vida humana. Mais de 3 milhões de pessoas dependem da diversidade marinha e costeira para sua subsistência. Os oceanos absorvem cerca de 30% do CO² produzidos pelo homem, porem essa produção excede a capacidade de absorção, deixando a água dos oceanos mais ácida 26% mais que o inicio da revolução industrial no século XXVIII. Nosso lixo, como 13 mil de pedaços de plásticos em cada quilometro quadrado de oceano, ajudam a deteriorar a vida nos mares e oceanos.
9 – Vida Terrestre significa Proteger, Recuperar, Promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda da biodiversidade. As interdependências dos seres vivos é a chave para VIDA. Alimentos, ar puro, água limpa e potável, o combate às alterações climáticas, são indispensáveis para existência da vida no planeta. Nós humanos fazemos parte disso. A vida vegetal representa 80% da dieta humana. As Florestas, que cobrem 30% da superfície da Terra, ajudam a manter o ar puro, a água limpa e o clima em equilíbrio. Além de abrigo e lar para milhões de espécies animais. Apesar disso, as terras agricultáveis estão desaparecendo em uma velocidade 30 a 39 vezes mais rápido do que as taxas históricas. Desertos estão se espalhando. Animais estão sendo extintos. È urgente frearmos esses eventos e, a AGRONOMIA tem responsabilidade nisso, tanto pro bem quanto pro mau.

Conclusão.
A Associação dos Engenheiros do Distrito Federal – AEADF, associada à REDE ODS Brasil, faz gestões junto ao CREA-DF e ao CONFEA para o engajamento nessa agenda.
Conseguimos junto ao CONFEA incluir no rol de palestras da 75ª, 76ª e 77ª SOEA – Semana Oficial da Engenharia e Agronomia, realizadas em Belém, Maceió e Palmas, respectivamente, o tema da “AGENDA 2030 no Contexto das Engenharias”.
Recentemente o assunto também fez parte do elenco de palestras do XXXI CBA (Congresso Brasileiro de Agronomia), no Rio de Janeiro, em Agosto/19, onde se pode aprofundar no tema especificamente para os engenheiros agrônomos brasileiro.
Embora não tenhamos avançado muito em termos de realizações concretas, nossos esforços continuam no sentido de conscientizar os profissionais da importância dessa ação global em que se traduz a AGENDA 2030 com seus 17 objetivos e 169 metas.
Aqui apontamos apenas os objetivos que se relacionam diretamente com as engenharias agronômicas, porém, os outros 8 restantes têm relação direta com as engenharias em geral, Civil, Mecânica, Elétrica, Aeronáutica, Naval, Computacional, Geociências, etc., etc. É urgente um mergulho nesses objetivos por parte das instituições civis da sociedade. Esse engajamento é completar as políticas públicas que os governos, nos 3 níveis, devem implementar.
A AEADF, no seu pequeno papel de indutor dos profissionais da engenharia agronômica, e seguindo orientações das SOEA’s e do XXXI CBA, tem procurado crias situações de aglutinação e difusão nos eventos em que participa.

Fontes:
– Calendário 2016 PNUD e Secretaria de Governo da Presidência da Republica
- Relatório da 1ª Edição do Premio ODS Brasil
_ Jared Diamond – COLAPSO, como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso – Livraria EcoTerra 2ª edição

*Mauricio Garcia - Engº Agrônomos, diretor da AEADF, ex-conselheiro suplente do CREADF e ex-conselheiro Federal suplente do CONFEA
*Paulo Cabral – Engº Agrônomo, diretor da AEADF, Conselheiro Regional do CREADF e professor titular de Sustentabilidade do IFB – Instituto Federal de Brasília.

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Comentário de Mauricio Dutra Garcia em 10 maio 2020 às 18:57

Obrigado Francisco. Alguma observação para acrescentar?

Comentário de Francisco Lira em 10 maio 2020 às 11:20

Excelente colegas, grande papel junto a AEADF. Parabéns!!!!

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