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O risco das pragas que vem de fora

Por Claudio Spadotto, membro do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS), gerente geral da Embrapa Gestão Territorial.

As pragas (insetos, fungos, bactérias, plantas invasoras etc.) das lavouras costumam tirar o sono dos agricultores e seu controle custa caro. Entre perder grande parte da sua produção ou lançar mão de métodos de controle, a escolha já está feita. No Brasil, o mercado de defensivos agrícolas – o método mais utilizado - movimentou 13 bilhões de dólares em 2014.

Se não bastassem as pragas que já temos, existe o risco das que vêm de fora. A disseminação de pragas pelo mundo é favorecida pelo crescimento do comércio internacional. O aumento do trânsito de pessoas e mercadorias leva, cada vez mais, à chegada e a dispersão de pragas, mesmo que não intencional.

Aqui tratamos das pragas quarentenárias que não estão presentes no território nacional, mas apresentam alto potencial de entrada com possíveis danos aos cultivos. Essas pragas podem gerar grandes perdas nas culturas agrícolas, como no exemplo recente da lagarta Helicoverpa armigera, que causou prejuízos estimados em mais de 10 bilhões de reais e nem sequer foi possível determinar com exatidão a forma como entrou no País. Outros exemplos são: vassoura-de-bruxa do cacaueiro, bicudo do algodoeiro, ferrugem asiática da soja.

O estabelecimento de uma praga quarentenária em uma região pode comprometer a safra e a comercialização de produtos agropecuários, implica no aumento dos custos de produção e na adoção de medidas fitossanitárias, que prejudicam diretamente o produtor rural e têm em efeitos negativos em toda a cadeia produtiva.

As pragas quarentenárias podem entrar no Brasil, vindas de países vizinhos pelas nossas fronteiras. A vigilância sanitária no território brasileiro é um enorme desafio imposto pela grande extensão e diversidade de condições das nossas fronteiras. Essas pragas podem vir de países distantes e entrar através dos portos e aeroportos. Podem também aqui chegar trazidas por massas de ar ou por meios ativos de locomoção.

O conhecimento dos possíveis danos das pragas quarentenárias e a identificação das áreas agrícolas ameaçadas, assim como a caracterização das possíveis vias de ingresso e rotas de dispersão, são fundamentais para orientar o planejamento e a execução da vigilância fitossanitária. A proximidade das vias de ingresso e a concentração geográfica de algumas culturas agrícolas facilitam a proliferação de pragas exóticas e potencializa os danos.

Para apoiar a prevenção e o contingenciamento de pragas quarentenárias, a Embrapa vem conduzindo trabalhos em base territorial para subsidiar a definição de estratégias de defesa vegetal no Brasil.

Foram identificadas regiões em que ocorre grande produção de culturas agrícolas hospedeiras próximas a interseções de rodovias, ferrovias ou hidrovias na fronteira com países vizinhos e com ausência de postos de vigilância agropecuária. Em outras regiões, é notada a deficiência do número de postos de controle em função da extensão da fronteira. Há ainda regiões longe da faixa de fronteira, mas com porto ou aeroporto próximo, sem postos de vigilância federal. Já foram identificados 364 pontos de acesso terrestre (intersecção da fronteira territorial brasileira com rodovias, ferrovias e hidrovias) de pragas, e próximo à fronteira localizou-se 26 pontos de acesso portuário, 105 aeródromos públicos e 414 aeródromos privados.

Considerando a importância das pragas quarentenárias, a proeminência da agricultura brasileira no cenário mundial e a relevância desse setor para a economia do país, a Embrapa Gestão Territorial e o Conselho Científico de Agricultura Sustentável estão direcionando esforços conjugados no sentido de ampliar e aprofundar o trabalho de inteligência territorial para caraterização de vias de ingresso e priorização de locais para a implantação ou intensificação da vigilância fitossanitária e para identificação de áreas de contingenciamento de pragas quarentenárias.

Não estamos falando em zerar os riscos, mas sim de analisá-los e comunicá-los, para que possam ser devidamente gerenciados.

Sobre o CCAS

O Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS) é uma organização da Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011, com domicilio, sede e foro no município de São Paulo-SP, com o objetivo precípuo de discutir temas relacionados à sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira clara, sobre o assunto.

O CCAS é uma entidade privada, de natureza associativa, sem fins econômicos, pautando suas ações na imparcialidade, ética e transparência, sempre valorizando o conhecimento científico.

Os associados do CCAS são profissionais de diferentes formações e áreas de atuação, tanto na área pública quanto privada, que comungam o objetivo comum de pugnar pela sustentabilidade da agricultura brasileira. São profissionais que se destacam por suas atividades técnico-científicas e que se dispõem a apresentar fatos concretos, lastreados em verdades científicas, para comprovar a sustentabilidade das atividades agrícolas.

A agricultura, apesar da sua importância fundamental para o país e para cada cidadão, tem sua reputação e imagem em construção, alternando percepções positivas e negativas, não condizentes com a realidade. É preciso que professores, pesquisadores e especialistas no tema apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões, para melhor informação da sociedade. É importante que todo o conhecimento acumulado nas Universidades e Instituições de Pesquisa seja colocado à disposição da população, para que a realidade da agricultura, em especial seu caráter de sustentabilidade, transpareça. Mais informações no website: http://agriculturasustentavel.org.br/. Acompanhe também o CCAS no Facebook: http://www.facebook.com/agriculturasustentavel

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