Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Por Ciro Antonio Rosolem, membro do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS) e professor titular da Faculdade de Ciências Agrícolas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (FCA/Unesp Botucatu); e por Rumy Goto, membro do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS) e professora adjunta III  da Faculdade de Ciências Agrícolas da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (FCA/Unesp Botucatu).  

 

Novamente a ANVISA divulgou as hortaliças contaminadas por agrotóxicos. O governo condena a si mesmo, anualmente, divulgando essas notícias, retrato da sua própria incompetência.

Onde está o Projeto de Minor Crops, que todos os produtores e empresas de defensivos esperam que seja regulamentado? Deve estar engavetado em algum lugar.

O governo deve sim, fiscalizar a qualidade dos alimentos. Mas, antes disso, precisaria fazer a lição de casa: avaliar os projetos ou ações que deveriam estar acontecendo, como, por exemplo, fazer a assistência técnica chegar a todos os produtores.  Onde está a assistência técnica? Nossos produtores muitas vezes utilizam defensivos na mais pura ingenuidade e ignorância, pois o Brasil é enorme e em todos os cantos tem sempre alguém produzindo pimentões, cenouras etc. Este é o grande erro da fiscalização: procurar os mercados atacadistas, aparentemente só para condenar as frutas e hortaliças, os vilões de sempre. É mais fácil do que informar adequadamente os produtores, com assistência técnica de qualidade, fiscalizando a recomendação e uso dos produtos.

Essas fiscalizações periódicas nos mercados, muitas vezes, são manobradas por ONG’s contaminadas por ideologias e crendices sem fundamentação técnica ou científica. Tal como seitas fundamentalistas. O orgânico seria a solução. Será que seria?

A produção orgânica no Brasil está ainda longe de, realmente, ser orgânica, organizacional. Usam biofertilizantes e pulverizam as culturas sem nenhum controle, com formulações “naturais” sem registro na ANVISA, nos Ministérios do Meio Ambiente, da Saúde e Agricultura Pecuária e Abastecimento. Não há informação precisa do princípio ativo, do produtor, de primeiros socorros, da validade, do período de carência, ou seja, produtos completamente irregulares, muitas vezes receitados por profissionais não legalmente habilitados.  Basta ser “certificado” por algum “instituto”. Qual a competência que esse tipo de profissional tem?  

Dentro do Plano de Agricultura Sustentável, lançado em outubro pelo governo, está o Planapo (Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica). No total, serão destinados R$ 7 bilhões em créditos agrícolas e R$ 1,8 bilhão em investimentos para diversas frentes, incluindo a capacitação técnica dos agricultores. Ora, essa capacitação já deveria existir há anos, para que não ocorressem os problemas denunciados pela ANVISA.

Quando a ANVISA noticia essas “contaminações”, além de expor a incompetência do governo, ofende toda uma cadeia produtiva que, por exigência do próprio mercado, voluntariamente tem buscado a rastreabilidade e a sustentabilidade, com selos internacionais. A sustentabilidade não é privilégio da produção orgânica. Sustentabilidade é questão de honra para todos os setores, não só para a agricultura, se quisermos ter um planeta funcionando ainda por longo tempo.

Para vivermos, precisamos de remédios para combater doenças. Precisamos combater pragas, como o mosquito da dengue. Da mesma forma, a produção agrícola, principalmente nos trópicos, exige proteção contra doenças e pragas. Sem remédios e com dengue, morremos. Sem comida também morremos. Assim como as plantas, precisamos dos defensivos agrícolas. Precisamos de produtos adequados, registrados, fiscalizados e, principalmente, aplicados adequadamente.

Sobre o CCAS

O Conselho Científico para Agricultura Sustentável- CCAS é uma organização da Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011, com domicilio, sede e foro no município de São Paulo-SP, com o objetivo precípuo de discutir temas relacionados a sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira clara, sobre o assunto.

O CCAS é uma entidade privada, de natureza associativa, sem fins econômicos, pautando suas ações na imparcialidade, ética e transparência, sempre valorizando o conhecimento científico.

Os associados do CCAS são profissionais de diferentes formações e áreas de atuação, tanto na área pública quanto privada, que comungam o objetivo comum de pugnar pela sustentabilidade da agricultura brasileira. São profissionais que se destacam por suas atividades técnico-científicas e que se dispõem a apresentar fatos concretos, lastreados em verdades científicas, para comprovar a sustentabilidade das atividades agrícolas.

A agricultura, apesar da sua importância fundamental para o país e para cada cidadão, tem sua reputação e imagem em construção, alternando percepções positivas e negativas, não condizentes com a realidade. É preciso que professores, pesquisadores e especialistas no tema apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões, para melhor informação da sociedade. É importante que todo o conhecimento acumulado nas Universidades e Instituições de Pesquisa sejam colocados a disposição da população, para que a realidade da agricultura, em especial seu caráter de sustentabilidade, transpareça.

 

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Comentário de PAULO ROBERTO NASCIMENTO MACEDO em 16 novembro 2013 às 18:59

Parabéns ao Prof. Ciro Rosolem , pela esplanação deste assunto polêmico e verdadeiro , a Agricultura Sustentável em todos os setores  tem que passar da fase de axismos e da falta de assistência técnica , para a competência em qualidade de uso de informações e de profissionais com capacidade e conhecimento técnico com bagagem prática e teórica e sempre atualizada principalmente na Agricultura familiar e olericultura , onde vigora uma falta generalisada de informação e de Fiscalização pela Anvisa dos produtos usados na Agricultura Orgânica ,

Pois estrato de fumo de rolo contem várias substâncias cancerígenas , óleo de Nim tem vários principios químicos que podem ser nocivos ao ser Humano , estrato de sei lá o que pode conter vários princípios ativos e que também tem carência para consumo quando aplicados sobre plantas que serão consumidas em natura ,e assim vai , a  falta transparência da ANVISA sobre normas de comercialização de defensivos e fertilizantes orgânicos no Brasil , impera a muitos anos e vamos empurrando o consumidor leigo e apaixonado pelo natural para longe do conhecimento de manejo desta agricultura.

Virou moda nos grandes Cemtros Urbanos , não produtores de alimentos o termo Sustentável , mas a maioria não entende como isto funciona , infelismente....

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