Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Capitais erram em obras de prevenção de chuva

(O Globo, caderno País, Domingo 16.2.2020, pág. 16)

Para a urbanista Taícia Helena Marques, o investimento em drenagem ecológica e de baixo impacto -- isto é, sem depender dos piscinões -- é essencial em áreas de fundo de vale, como é chamado o ponto para onde a água é escoada. A prefeitura de São Paulo afirmou que a criação de Parques Lineares é "um instrumento privilegiado que deve ser utilizado para a minimização de enchentes" e garantiu o cumprimento da meta de inaugurar 10 parques até o fim do ano.

Os Parques Lineares são equipamentos urbanos construídos às margens de rios e córregos, e indicados para: liberar as suas margens ocupadas irregularmente; dar uma ocupação racional às áreas com risco de inundação; e oferecer à população local áreas livres, onde se procura preservar a vegetação existente e impedir a ocupação irregular. (1)

Objetivos

Os objetivos dos parques lineares são: proteger ou recuperar os ecossistemas lindeiros aos cursos e corpos d’água, conectar áreas verdes e espaços livres de um modo geral, controlar enchentes e prover áreas verdes para o lazer.

Foram pensados para receber uma série de intervenções da chamada infraestrutura verde, a fim proporcionar a retenção e infiltração local de águas pluviais e o retardamento do escoamento superficial. Além de ajudar no controle das enchentes, as tipologias de infraestrutura verde também desempenham outras funções tais como conforto ambiental, suporte à biodiversidade e notadamente a redução da poluição difusa das águas por meio da vegetação.

A criação de espaços verdes públicos, consubstanciados naquilo que a literatura chama de caminhos verdes, originalmente “greenways”, atende adequadamente à dupla função de criar áreas que atendam a demandas urbanas, mas que possam conviver com cheias periódicas, desde que sejam permeáveis em, pelo menos, 60% das suas áreas, com o uso de pisos permeáveis e outras pequenas obras de drenagem.

No que se refere ao manejo de águas pluviais, o parque linear tem como um de seus princípios fundamentais aumentar a área de várzea dos rios, permitindo assim, o aumento das zonas de inundação e a vazão mais lenta da água durante as cheias dos rios. Além disso, ajudam a evitar a ocupação humana irregular em áreas de proteção ambiental.

Projeto

O projeto de um parque linear é, geralmente, feito para atender às necessidades socioambientais da área em que será implantado, e por isso cada projeto apresenta características específicas relacionadas ao local. Mesmo assim, é possível observar que existem diversos elementos que estão frequentemente presentes no projeto destas medidas. Alguns destes elementos foram destacados nas imagens abaixo, que retratam parques de Belo Horizonte e de São Paulo.

A Figura abaixo mostra alguns elementos urbanísticos indispensáveis em um projeto de Parque Linear.

Ao contrário de outras obras de engenharia, os parques lineares costumam receber em seu projeto um tratamento paisagístico, com o objetivo de atrair o público para os seus equipamentos de lazer, como mostra a Figura abaixo.

Ao iniciar mais um blog abordando a implicação da água da chuva nas cidades, eu lamento observar a baixíssima participação dos colegas Engenheiros Agrônomos com comentários nos meus textos, desperdiçando uma oportunidade enorme de troca de ideias que, estou certo, enriqueceria o nosso conhecimento de Hidráulica e Hidrologia.

 

REF. (1) PARQUES LINEARES COMO MEDIDA DE MANEJO DE ÁGUAS PLUVIAIS,  Associação Brasileira de Cimento Portland, ABCP

http://www.solucoesparacidades.com.br/wp-content/uploads/2013/10/AF...

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 24 fevereiro 2020 às 8:19

ONDE PODEMOS CONTRIBUIR ?

Ao visualizarmos qualquer projeto de Parque Linear, o primeiro profissional que nos vem à cabeça é o Arquiteto e, em seguida, o Engenheiro Civil. Respeitadas as atribuições de cada um deles, o Engenheiro Agrônomo tem em seu currículo, várias Disciplinas que o habilitam a uma colaboração efetiva no estudo e planejamento dos Parques Lineares. E se isso for verdade, na ausência ou não dos outros dois colegas, por que não dar o chute inicial ?

O mapa mental abaixo foi elaborado por mim anos atrás e, embora desatualizado, mostra o potencial do Engenheiro Agrônomo no campo da Engenharia.

mm_agron.jpg (AGRICULTURA)

Nós (Engenheiros Agrônomos) já temos alguma experiência no trato das várzeas (local de construção dos Parques Lineares) desde 1975, ano de criação do Programa de Aproveitamento Racional de Várzeas (PROVÁRZEAS) em Minas Gerais. Na seara da Floresta (ramo que perdemos para a Engenharia Florestal na década de 70), adquirimos experiência durante a construção da Rodovia Transamazônica e sua colonização; bem como algumas noções de urbanismo, ao acompanhar no INCRA e nesta mesma época, o mutirão de Arquitetos na bolação das agrovilas. Quanto aos conhecimentos de Hidráulica e (um pouco menos da) Hidrologia, sabemos tanto ou mais que os colegas Arquitetos e Engenheiros Civis.

Então, qual o conhecimento que nos falta para rivalizar com os dois nessa seara ? Da parte dos Arquitetos, aquele bom gosto e estética (difícil de copiar) e dados sobre as dimensões dos vários equipamentos urbanísticos (calçadas, desenho de praças, ciclovias e campos esportivos, que eles encontram na sua bíblia chamada Neufert, e nós podemos 'garimpar' no Google); e da parte dos Civis, a concretagem, implantação de pisos permeáveis (que devem ser da ordem de 60% do total) e iluminação pública.

Para adiantar o expediente, reuni alguns dados dos Arquitetos sobre dimensões, mostrados na Figura abaixo.

No caso da Engenharia Civil, o buraco é mais embaixo mas, algumas soluções para os pisos são mostradas na Figura abaixo.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 17 fevereiro 2020 às 16:00

PARQUES LINEARES TAMBÉM SÃO ÁREA DE LAZER

Parques lineares, ou greenways, são intervenções urbanísticas construídas ao longo de cursos d’água. Normalmente maiores em seu comprimento do que na sua largura – por acompanhar o trajeto de rios e córregos e estarem sempre associados à rede hídrica – tais espaços são capazes de conectar áreas verdes, proteger e recuperar o ecossistema, controlar enchentes, abrigar práticas de lazer, esporte e cultura, além de contribuir com alternativas não motorizadas de mobilidade urbana.

A Fundação para Pesquisa Ambiental de São Paulo (1) apresenta diretrizes para a implantação de Parques Lineares. A FAU apresenta os Parques Lineares na Cidade de São Paulo (2). Imagens e fotos de parques no Pinterest (3).

As principais características dos parques lineares são as seguintes:

  • Proteger ou recuperar os ecossistemas marginais aos cursos e corpos d’água;
  • Conectar áreas verdes e espaços livres de um modo geral;
  • Controlar enchentes; e
  • Prover áreas verdes para o lazer.

Os parques lineares são uma iniciativa sustentável de uso e ocupação das áreas urbanas de fundo de vale – pontos mais baixos de um terreno acidentado, formando uma calha por onde escoam as águas das chuvas – nos âmbitos ambiental, social, econômico e cultural. Geralmente, tais partes dos rios são canalizadas e ocultadas por avenidas. Os parques lineares procuram, justamente, ocupar esses pontos, a fim de evitar o processo de pavimentação.

De acordo com a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) da Prefeitura de São Paulo, a capital paulista conta com 24 parques lineares, sendo 13 deles na Zona Leste, 8 na Zona Sul, 2 na Zona Norte e 1 na Zona Centro-Oeste da cidade.

Funções urbanas

É possível associar essas áreas com ciclovias, favorecendo o deslocamento urbano. É muito importante formarem-se espaços de permanência nesses locais, plenos de natureza e vida, criando ambientes capazes de favorecer as práticas de sociabilidade e fortalecer a esfera pública na cidade.

“A cidade ganha espaços verdes públicos que favorecem o exercício da esfera pública, do encontro, da sociabilidade, da contemplação, da qualidade de vida urbana”, explica a urbanista Mariana Soares. Por outro lado, se houver inundação, os danos são bem menores do que se a área estivesse ocupada por habitações e transitassem veículos.

Espaço para ciclistas

Considerando que nos parques lineares deve haver sempre uma faixa reservada para ciclistas, o Manual do DNIT (4) recomenda as seguintes dimensões mínimas. Uma largura total de 1,20 m é admitida como mínima para qualquer via destinada a uso exclusivo ou preferencial de ciclistas. Quando as velocidades, os volumes e veículos motorizados e a participação de veículos comerciais aumentam, uma largura mais confortável de 1,50 m é desejável.

Sendo assim, a largura mínima de um parque linear, em cada margem, será de 5 m pois, só a faixa para ciclistas ocupa 3 m.  

REFERÊNCIAS:

(1) http://www.fau.usp.br/depprojeto/labhab/biblioteca/produtos/pesquis...

(2) http://www.fau.usp.br/depprojeto/revistalabverde/edicoes/ed04.pdf

(3) https://br.pinterest.com/caiofreds/parques-lineares/?lp=true

(4)

http://ipr.dnit.gov.br/normas-e-manuais/manuais/documentos/740_manu...

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 16 fevereiro 2020 às 20:21

DIRETRIZES PARA IMPLANTAÇÃO DE PARQUE LINEAR

O principal elemento que define um parque linear é a sua linearidade, ou seja, um parque que se desenvolve numa linha contínua dentro do espaço urbano. Com relação à finalidade, o parque linear associado aos cursos d’água, tem uma característica bem peculiar ligada a proteção ambiental. A partir da década de oitenta, com o movimento ambientalista, o parque linear associado aos cursos d’água, surgiu como uma ferramenta de gestão ambiental, frente ao desafio urbano para o controle da poluição dos mananciais hídricos, controle dos riscos de enchentes, controle das ocupações irregulares e controle da erosão das margens dos rios e ribeirões. Corredores verdes ou greenways é a denominação internacional que inclui a categoria de parques lineares. As principais diretrizes para sua implantação são as seguintes:

1) Identificação de todas as áreas verdes livres municipais do entorno da área do parque proposto, para privilegiar sua integração.

2) O tratamento integral do curso d’água, ou seja, considerando sua bacia hidrográfica como unidade de planejamento e toda a extensão do curso d’água.

3) Seguir as determinações da Resolução CONAMA no.369/2006, que permite a regularização fundiária e a edificação em área urbana distante apenas 15 metros dos cursos d’água com até 50 metros de largura.

4) Garantir a participação da população moradora em todas as etapas de planejamento e implementação das ações.

5) Promover intervenções que promovam a regeneração e recuperação da vida dos sistemas envolvidos.

6) O parque deve ser atrativo e dinâmico, possibilitando a interação com pessoas de todas as idades e interesses; o parque também deve ser lúdico para atrair as crianças.

7) A recomendação da Organização Mundial da Saúde é de que as cidades disponham de 10 m²  a 15 m² de área  verde  por  habitante  (WHO,  2012).

8) Devem reduzir os impactos das enchentes, porque podem fortalecer a estrutura dos leitos fluviais, reter temporariamente parte da água que extravasa e facilitar a sua infiltração no solo.

9) Devem melhorar a qualidade de vida, do ar, bem como de promover o uso misto do solo, oferecendo atividades esportivas e de recreação essenciais para a saúde física e mental dos cidadãos.

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