Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

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Estávamos falando de túnel extravasor de drenagem e piscinões, duas soluções teoricamente factíveis em megacidades como Rio (túnel) e Sampa (piscinões). É bom lembrar que, logo depois dos esgotos e do lixo, a macro-drenagem urbana tornou-se um dos principais problemas ambientais da atualidade. Entre os motivos dessa priorização, podemos destacar os seguintes:

a)     a nossa taxa de urbanização já ultrapassou os 80%;

b)     a impermeabilização varia na ordem direta da densidade demográfica;

c)      o péssimo hábito de jogarmos lixo nas ruas agrava os danos das enchentes;

d)     o desconhecimento dos nossos engenheiros, da Drenagem Sustentável;

e)     o descaso das Prefeituras com o Plano Diretor Urbano de Drenagem; e

f)       o aumento das chuvas intensas em decorrência do aquecimento global.

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Ainda tem gente que duvida dessa estória de ´efeito estufa´ mas, cada dia é mais freqüente ouvirmos nos noticiários da TV que “a chuva que caiu ontem no Rio, equivale ao esperado para 15 dias”, p.ex.

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A diferença entre túnel e piscinão está, principalmente, na dinâmica das águas. Enquanto o 1o. conduz a água assim que ela cai, o piscinão a acumula para depois libera-la aos poucos. Portanto, em termos de vazão ou descarga (volume de água da chuva descartado na unidade de tempo), ponto para o túnel, que nada mais é do que um canal escavado em rocha. Em trechos montanhosos da cidade, como os cobertos pelo túnel extravasor de que falamos anteriormente, apesar de cara, a solução é hidraulicamente simples. O problema está nas áreas planas, praticamente ao nível do mar, como acontece num dos pontos mais problemáticos para as enchentes do Rio de Janeiro, como é a Praça da Bandeira. Lembrei-me agora de um fato curioso. Quando fui a Macapá-AP, anos atrás, para dar um curso de Irrigação e Drenagem para alunos de Licenciatura em Ciências Agrícolas, me contaram que um dos principais igarapés da cidade, de manhã corria num sentido e, à tarde, no outro, por efeito da maré. Ora, rio é um canal, só que natural.

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E por falar em Hidráulica (a ciência que estuda a condução da água), com base em anotações que fiz durante o encontro de engenheiros no Clube de Engenharia, reproduzi as equações tradicionais para confirmar a vazão do tal canal-extravasor. Aqui está, portanto, a Planilha Excel com as fórmulas de Manning e a equação da continuidade:

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O que mais me impressionou nos debates no C.E. foi a informação de que, nos piscinões construídos no Brasil (a maioria está localizada em São Paulo-SP), o maior problema é o acúmulo de lixo durante as enchentes; e depois. Lembro que quando estudei esses dispositivos em sites estrangeiros, essa hipótese (de lixo) nem era aventada. Uma questão, claramente, de educação do povo. E quando se fala de educação, infelizmente, nós sempre estamos na rabeira.

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Outra imagem apresentada por um dos palestrantes que me deixou “de cabelo em pé”, foi a dos imensos piscinões construídos subterraneamente em Tóquio. Parece um hangar de avião do tipo jumbo (vide abaixo).

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