Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Este é o título de um livro digital que acabei de ler, a partir de um link do meu Facebook. Sua autora, a colega Ana Primavesi, deve ser bem conhecida da velha guarda de Agrônomos. Ela diz que, em vez de usar adubos, devemos cuidar do maior desenvolvimento radicular.

Quando o homem não somente explorar, mas também cuidar de seu solo, os alimentos terão valor biológico elevado, e as pessoas, mesmo com poucos alimentos produzidos por plantas bem nutridas, serão saudáveis e inteligentes, e o fantasma da fome não existirá mais.

O livro trás informações curiosas sobre o nosso solo como, p.ex., o solo tropical tem de ser pobre para que as plantas consigam absorver água e nutrientes também durante as horas de maior calor. [Nas horas mais quentes a fotossíntese baixa e a raiz recebe menos carboidratos (grupos carboxílicos, isto é, -COOH), o que dilui a concentração de substâncias dentro da raiz]. O solo tem de ter ferro e alumínio para ser bem agregado, o que é importantíssimo para a penetração de água e de ar e, especialmente, o desenvolvimento das raízes, que têm de ter acesso aos nutrientes distribuídos pelo perfil do solo.

Em resumo: solo doente = planta doente = homem doente.

O solo tropical é 30 a 50 vezes mais pobre que o solo temperado devido à baixa absorção durante as horas quentes do dia. Entretanto, o solo tropical é até 30 vezes mais profundo do que o solo sob clima temperado. Isso compensa não somente sua pobreza, mas possibilita uma produção até 5,5 vezes maior do que em clima temperado.

O uso de grandes quantidades de cálcio neutraliza o alumínio e, por isso, desagrega o solo, tornando-o duro e inóspito para as raízes. Enquanto no clima temperado o pH do solo oscila ao redor do neutro, nos trópicos está normalmente em torno de 5,6.

A chave do cofre

O solo tropical sempre tem de: (i) ser protegido contra o impacto da chuva e o excesso de aquecimento; (ii) receber suficiente matéria orgânica para nutrir os 20 milhões de micro-organismos por cm³ de solo (no clima temperado tem entre 1,5 e 2 milhões); (iii) ser protegido contra o vento; (iv) as raízes precisam ter toda possibilidade de se desenvolver de forma abundante, tanto para os lados, como para baixo, e, para isso, necessitam de um solo bem agregado e com suficiente boro; (v) as variedades plantadas têm de estar adaptadas ao solo e ao clima e, quando necessitarem, é preciso adicionar os micronutrientes deficientes.

Leia em:

http://www.centraldefranquias.com.br/usuarioexterno/download/pergun...

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Comentário de Jose Luiz M Garcia em 7 março 2015 às 19:47

Caro Prof. Jose Luiz Couto,

Como você, conheço a Dra Primavezi de longa data.

Sempre achei uma tremenda injustiça nunca mencionarem o seu finado marido, Dr Arthur Primavezi,  que foi

quem primeiro chamou a atenção para vários dos fatos hoje mencionados pela Dra Primavezi, mas confesso que não saberia dizer sobre quem influenciou mais quem, pois a Dra Primavezi me confessou ter conhecido um famoso líder ecológico ainda na sua juventude, na sua terra natal, que fazia parte do império alemão à época que chamou a sua atenção para um manejo mais ecológico do solo.

Estive no lançamento desse livro e tenho uma cópia autografada. É obvio que a Dra Primavezi tem o seu valor inquestionável e incontestável, quando já aposentada, posicionou-se contra o sistema suicida de produção de alimentos e com isso tornou-se um ícone latino-americano da agricultura ecológica, o qual eu também admiro. Eu cito a Dra Primavezi, no que ela deve ser citada, em todas as minhas aulas e cursos. Tive o prazer de , em um ciclo de palestras no Instituto Biológico em São Paulo em 2003, ter recebido dela o comentário de que eu seria a pessoa que até aquele momento teria um pensamento mais em sintonia com o dela, o que provocou cenas de ciúmes de inúmeros puxa-sacos de plantão que já a acompanhavam há vários anos. Foi justamente o papel dos alimentos na nutrição humana e animal que nos aproximou.

Não quero e nem pretendo parecer iconoclasta, muito pelo contrário, mas algumas ponderações ao seu texto tornam-se necessárias em uma tribuna agronômica livre e democrática.

A importância da "densidade nutricional"dos alimentos é um fato incontestável e V.Sa. está de parabéns por trazer esse tema ao debate. Os alimentos hoje são produzidos por um sistema denominado de "agronegócio" que visa produzir ativos e não alimentos. A nutrição passou a ser um sub produto da agricultura chamada de convencional.

A Dra Primavezi está de parabéns por que nesse livro desancou os chamados agricultores orgânicos que repetem os mesmos erros que os convencionais ao tentarem produzir ativos orgânicos e não alimentos com melhor perfil nutricional. Criticou os chamados "Orgânicos por negligencia" que produzem alimentos de péssima qualidade visual, olfativa, palatável e nutricional. E os chamo de Orgânicos por Default.

Entretanto, algumas correções e colocações tem que ser evidenciadas.

Desde os texto Vedicos da India antiga que essa associação de plantas saudáveis gerariam pessoas saudáveis é evidenciada. Mais foi o Dr Rudolf Steiner quem em 1920 chamou a nossa atenção para esse detalhe. Depois dele Mokiti Okada, Lady Eve Balfour, Sir Albert Howard, J.I. Rodale,, Prof William Albrecht, Weston A. Price, Dr.Pottenger, e vários outros inclusive, eu mesmo, desde 2000 venho enfatizando esse aspecto nos meus artigos "Agricultura Orgânica: Passado, Presente e Futuro", "A desmineralização Crescente dos solos como fator determinante do aumento de incidência de doenças degenerativas", "O Alto Custo de uma Sistema Agricola Falido", "O Seqüestro da Agricultura Orgânica- O Manifesto Nutricional ". As colocações da Dra Primavezi são louváveis mas não são novas, muito pelo contrário. Mesmo assim são extremamente válidas.

No tocante a dinâmica do solo que envolve os tres aspectos, ou sejam, químicos, biológicos e físicos é que eu me reservo o direito a divergir de tão douta cientista.

Ja há algum tempo que a Dra Primavezi tem batido nessa tecla, a meu ver, cansada , de que solo tropical tem que ser pobre, com baixa % de saturação de bases ,pouco cálcio e muito ferro e alumínio. Nada mais longe da verdade ou da realidade. No meu entender ela confunde (como centenas de milhares de outros agrônomos) cálcio com calcário. O que ela chama de cálcio eu tenho quase a absoluta certeza que ela gostaria de ter dito "calcário". Concordo que calcário demais é ruim mas o cálcio tem o seu papel não só na esfera química mas também na biológica e na física do solo. Para começar é o cálcio que vai flocular o solo tornando-o mais poroso e por conseguinte mais aerado e mais permeável a água e ao oxigênio, dois insumos importantíssimos na agricultura. Os fungos de solo e bactérias de solo, que formam os "agregados de solo", também se beneficiam com a sua adição. O Cálcio é um dos principais macro elementos sendo muitas vezes mais importante até mesmo do que N-P-K. Portanto, solo pobre em cálcio e rico em alumínio é duro de engolir para um agrônomo que sabe que esse elemento é um inibidor do crescimento de raízes e não um facilitador.

Outra coisa que preciso chamar a atenção é para a diferença que existe entre "agregados de solo" e "solo agregado". Como agregado é sinônimo de compactado e desagregado seria sinônimo de solo solto, eu não posso concordar de forma nenhuma de que o "cálcio desagrega o solo e o torna endurecido". Não faz sentido.

Também gostaria de saber de onde provem todos aqueles números de milhões de bactérias por cm3 de solo e de que o solo tropical pobre produz não sei quantas vezes mais do o temperado.

Tudo vai depender do manejo do tropical e do temperado. Toda generalização é extremamente perigosa. Conheço solos tropicais mortos. Por acaso já ouviram falar em Nordeste brasileiro ?. E conheço solos temperados extrememente ricos em micro vida. Já ouviram falar em Siegfried Luebke ?

Generalizações são muito perigosas. O que torna o solo duro e impermeável é exatamente o Magnésio presente no calcário e por isso que eu digo que ela confunde cálcio com calcário. O calcário faz isso. O cálcio não. O Prof Albrecht provou, além de qualquer sombra de dúvida, que não é o pH que interessa mas sim o teor de cálcio do solo. Porque vocês acham que o Gêsso Agrícola está tanto em evidência lutimamente ? Exatamente por fornecer Cálcio (e Enxofre) e não interferir no pH. Não queremos pH elevado. Queremos é cálcio no seu devido lugar ( ao redor de 50% da CTC, dependendo do método de analise de solo)

Um outro aspecto que torna o entendimento do solo possível é o aspecto biológico que nunca foi devidamente levado em consideração pela Agronomia. Não se esqueçam que a Prof Primavezi trabalhou em um Dept de Solos onde só se enxergava química, química e mais química. Hoje em dia sabemos que levar em consideração somente o aspecto químico nos leva a interpretações errôneas como essas acima mencionadas.

Ver o solo somente sob o aspecto químico sem levar em consideração as bactérias, os fungos, as micorrizas, os actinomicetos, as cianobactérias, as micro algas, os protozoários, os elmintos (benéficos), chegando até os oligoquetos não tem sentido algum.

Falar em solo rico em Boro sem mencionar a sua natureza eletronegativa e mencionar que a única fração capaz de retê-lo seria justamente com a fração humica formada por essa plêiade de organismos que formam a chamada Rede Alimentícia do Solo, não significa muito. Sem matéria orgânica elevada nunca irá existir "solo rico em boro".

Não sei se ajudei o entendimento ou se confundi mais ainda, mas não concordo com essa proposta de "Bolsa Família" para o solo brasileiro. Chega de miséria. Chega de pobreza. Vamos colocar o país nos trilhos novamente  começando pelo solo.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 6 março 2015 às 11:04

SOLOS DO NORDESTE

(Dessa vez, pergunte à Embrapa)

http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/114582/1/FOLD...

Transplantado do meu Facebook.

Bom proveito

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 28 fevereiro 2015 às 7:52

A ÁGUA E O SOLO

Considerando que o texto da colega Agrônoma incitou-nos a pensar o nosso solo de forma diferente [do que nos foi ensinado na Universidade], e já que estamos aqui para conversar, convido os colegas a deixarem aqui as suas reflexões, mesmo que atuem em áreas diferentes da Pedologia. Como eu, p.ex., que sou especialista em irrigação. Então, puxando a brasa para a minha sardinha, vou começar com a água.

O solo é composto por sólido, líquido e gás. Para cumprir a sua função da produção vegetal, a água do solo é peça-chave na condução dos alimentos (sais minerais). Considerando que o instrumento que leva a água, do solo até as folhas, são as raízes, o volume do solo umedecido pela água é fundamental para o seu sustento [e sustentação].

Nas zonas semi-áridas como a do NE, a irrigação é estratégica para a garantia da produção agrícola. O método de irrigação que mais economiza água é o gotejamento, formando-se um bulbo de umidade, no pé da planta. Para compensar a relativamente pequena quantidade  de nutrientes contidos neste reduzido volume de solo, temos de recorrer à ferti-irrigação, o que encarece o sistema.

Moral da estória: não adianta o plantio estar sobre um solo muito profundo (tipo Latossolo, p.ex.), se só vamos utilizar os primeiros poucos centímetros da superfície. Ainda bem que lá, a maioria dos solos é raso.

Conto algo que não sabe:

Os Arquitetos que bolaram as agrovilas da rodovia Transamazônica na década de 70, como eu (Engenheiro Agrônomo), pertenciam ao Grupo Tarefa de Planejamento – GTPLAN do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA. Elas teriam, em planta, o formato de 2 retângulos compridos concêntricos onde, o menor, seria uma ‘praça’, no qual a mata nativa seria preservada [para reminiscências futuras]. A área do retângulo maior e mais externo, separado da praça por uma rua, é onde ficariam as casas dos colonos.

Aconteceu porém o inesperado. Ao serem implantadas as primeiras agrovilas, e a área maior em volta da praça teve de ser desmatada para a construção das casas, as árvores das bordas [da praça] começaram a cair. Assim, o projeto teve de ser refeito, e toda a área da agrovila teve de ser desmatada.

Por que aconteceu ? É que as árvores na Amazônia, pelo elevado lençol freático, têm raízes rasas e, sujeitas ao vento e sem proteção [das outras árvores, inclusive por ação dos cipós], tombam com facilidade. Por isso é que 2 tratores unidos por um correntão, conseguem desmatar na região. Naquela época, com a chegada ao Brasil das motosserras, elas é que desfilavam na avenida (Transamazônica, é claro).

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 27 fevereiro 2015 às 17:20

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