Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

SP NÃO RESISTE A 24 HORAS DE CHUVA

(O Globo, 11.2.2020, caderno País, pág.4)

Como reza o ditado: "Não adianta chorar o leite derramado"; no caso, a chuva (que por ser potável, vale tanto quanto o leite). No mesmo dia, à pág. 6, o  jornal diz que "Especialistas apontam que eventos extremos são o novo normal". Como subtítulo, a articulista Ana Azevedo lembra que as chuvas fortes concentradas em curto espaço de tempo se multiplicam e exigem medidas de adaptação das cidades.

Ela se referia ao índice de 114 mm/dia relativo às chuvas em São Paulo nos dias 10 e 11 de Fevereiro. que fizeram transbordar os rios Tietê e Pinheiros, paralisaram as principais linhas de trem e metrô e fizeram desaparecer das ruas milhares de ônibus que não conseguiram sair das garagens. Carros flutuavam nas vias expressas e avenidas. Também foram registrados 23 casos de deslizamentos e 30 desabamentos em bairros da periferia. Pelo menos 43 escolas não abriram as portas, assim como 41 unidades de saúde. Ao todo foram 90 pontos de alagamento em diferentes áreas, no CEAGESP inclusive, totalizando um prejuízo estimado em R$ 110.000.000,00. As chuvas provocaram ainda a morte de duas pessoas, e outras duas estariam desaparecidas, segundo agentes da Defesa Civil.

(Inundação em São Paulo)

A chuva

Comparando a equação das chuvas intensas para São Paulo publicada no livro Hidrologia Aplicada (Villela&Mattos, S.Paulo, 1975, pág.61, à esquerda na Planilha abaixo) com outra de  Paulo Wilken, e adotando o valor da chuva indicada pela imprensa (114 mm/d = 4,8 mm/h), conclui-se que o tempo de recorrência (pela equação do livro) foi de 170 anos.

As soluções

A Figura abaixo mostra algumas soluções técnicas já conhecidas para resolver o problema das enchentes urbanas.

Das tecnologias disponíveis atualmente, na minha opinião, apenas a dos PISCINÕES consegue (temporariamente) livrar as cidades dos transtornos das chuvas intensas, reservando-as num lugar seguro e subterrâneo, para liberá-las depois aos poucos, quando cessar a chuva.

Essa teoria, pelo menos no Brasil, ainda não pôde ser testada em toda a sua plenitude pois, das cidades que já os utilizaram, no Rio de Janeiro foram projetados 5 e apenas 2 construídos e, em São Paulo, a 'Prefeitura só fez oito de 19 piscinões prometidos' (O Globo, 11.2.2020, pág. 4). O de Tóquio, no Japão (vide Figura abaixo), o maior já construído, é formado por 5 poços com 65 m de profundidade e 32 m de diâmetro cada, interligados por 64 km de túneis e 50 m da superfície. O sistema de esgotamento conta com bombas de 14.000 HP capazes de recalcar 200 t/s de água da chuva acumulada para o exterior.(1)

Água de beber, camarada

Eu sou da opinião que parte da causa das enchentes nas cidades, não é do clima e nem das Prefeituras, mas de nós mesmos (cidadãos). Quando nós nos convencermos de que a água da chuva é potável, uma boa parte da chuva terá o destino (nobre) que merece: o nosso filtro doméstico, os jardins e, em último caso a privada.

 

REF. (1)

https://www.conversaafiada.com.br/mundo/2011/03/16/por-que-toquio-n...

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO ontem

UM MERGULHO NOS PISCINÕES

Eu até havia me esquecido que já abordei este tema aqui na Rede Agronomia. Aqui está o endereço: 

http://agronomos.ning.com/profiles/blogs/um-mergulho-nos-piscinoes

Boa leitura.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO sexta-feira

LEITURA DO PLUVIOGRAMA

Entrei no Google com a palavra 'pluviograma' e peguei um ao acaso, para mostrar a leitura do mesmo. Vide a Figura abaixo:

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO quinta-feira

POR QUE A CHUVA (DE SÃO PAULO) NÃO FOI INTENSA ?

Porque não se encaixou nos parâmetros mostrados na Tabela de LIMITE INFERIOR DAS CHUVAS INTENSAS. Ou seja, não é a intensidade maior ou menor que caracteriza uma chuva intensa, mas sim, a sua Altura e Duração.

A chuva de 140 mm em um dia ou 4,8 mm/h caída em São Paulo só seria Intensa se a sua altura tivesse sido de 35 mm em pouco mais de 480 min ou de 30 mm em pouco menos de 240 min.

Aliás, a intensidade da chuva deve ser medida em PLUVIÓGRAFO e não em PLUVIÔMETRO; e a medida divulgada pela imprensa só se referia a 140 mm em um dia, sem entrar em detalhes técnicos.

O pluviômetro acumula a chuva e só é lido (a altura de chuva) no dia seguinte, enquanto o pluviógrafo registra, a cada minuto (num papel milimetrado que gira num tambor) a sua altura e duração, podendo ser lido depois.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO quinta-feira

GRANDEZAS CARACTERÍSTICAS DAS CHUVAS

Todo manual de Hidrologia cita as 5 grandezas características das precipitações (no caso, as chuvas), que são:

1 - Altura = medida linear vertical do volume precipitado, em milímetros (mm);

2 - Duração = tempo durante o qual ocorreu a chuva, em minutos (min);

3 - Intensidade = vazão de ocorrência da chuva, em milímetros por hora (mm/h);

4 - Frequência = número de ocorrências, ou o número de vezes de uma dada chuva por ano; e

5 - Tempo de recorrência = tempo para chuva de certa intensidade se repetir, em anos.

O motivo de relembrar essas lições é que um colega Engenheiro Agrônomo comentou há pouco no Facebook, que essa chuva de 114 mm em um dia (4,8 mm/h) não foi nada, e que no campo, ela seria até bem vinda.

De fato, como mostrei na Planilha acima, na Tabela que caracteriza as Chuvas Intensas, a maior duração é de 840 min, quando a da chuva de São Paulo foi de 1.440 min, ou seja, tecnicamente falando, não ocorreu uma chuva intensa, mas sim de grande duração (foram dois dias de chuva), daí os estragos verificados em toda a cidade.

Voltando ao comentário do colega. Mas, se a chuva não foi intensa, qual o problema (teoricamente falando) ? Eu acho que a Figura abaixo mostra bem claramente essa diferença:

Nas cidades (zona URBANA) os picos das vazões são maiores do que no campo (zona com AGRICULTURA) e ocorrem em menor tempo, não permitindo que haja tempo hábil para o escoamento superficial.

Olhando por esse lado, a Equação das Chuvas Intensas que melhor representaria a chuva que ocorreu, seria a da coluna da direita no Quadro que preenchi, ou seja, aquela que calculou um Tempo de Recorrência de 25 anos.

Outros agravantes da catástrofe foram canais subdimensionados e/ou entupidos com lixo.

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