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Pitaia Novas Informações sobre a Cultura 1

A pedido do colega engenheiro agrônomo Avílio Franco, apresentamos novas informações sobre a cultura da Pitaia. Desde a primeira postagem na Rede Agronomia, em março de 2015 - Pitaia: uma cultura para o pequeno produtor - Avílio recebeu convites surgiram para palestras e dois agricultores de sua região já tiveram projetos de plantio aprovados.

Como o artigo é muito extenso, resolvemos apresentá-lo em duas postagens de blog distintas. Segue então a primeira parte:

Cultura da Pitaia: ótima oportunidade para a agricultura familiar

Autor: Avilio Antônio Franco, Eng. Agrônomo, agricultor;

E-mail: aviliofranco@gmail.com


Pitaia (dragon fruit em inglês) é o nome dado ao fruto de várias espécies de cactos epífitos nativas do Brasil até a Flórida, hoje cultivada em vários países, principalmente da Ásia. O primeiro registro que se tem escrito sobre as pitaias data-se de 1494, onde Pedro Mártir de Anglería, historiador do descobrimento das Américas pelos espanhóis, relata: “Hay otro árbol que nace em las hendeduras de las piedras, no em buen suelo; se llama pytahaya”.
As palavras pitayas e pitahayas são originárias do idioma taíno, pertencente à família linguística arahuaca, no México e significa fruta escamosa. No México, são termos usados para se referir a gêneros distintos (Pitayas - cactáceas colunares dos gêneros Stenocereus e Cereus e Pitahayas - cactáceas epífitas dos gêneros Hylocereus e Selenicereus), Atualmente, a maioria dos trabalhos referem-se a elas como pitaya. Na América Central e América do Sul, pitaya e pitahaya são palavras utilizadas para se referir as frutas pertencentes aos gêneros Hylocereus e Selenicereus. Nós as chamaremos de pitaias.


As pitaias pertencem à família Cactaceae, gênero Hylocereus com 19 espécies, as quais foram agrupadas às plantas que pertenciam ao gênero Selenicereus, uma vez que trabalhos de sequenciamento genético mostram que muitas plantas pertencentes a este gênero são, na verdade, pertencentes à Hylocereus.


As espécies e variedades mais comuns são:
A pitaia ‘amarela’ ou ‘colombiana’ [H. megalanthus], que possui a casca amarela, com espinhos no fruto e polpa branca. Também é citada como a subespécie luteocarpus de H. undatus.

Hylocereus megalanthus (?H. undatus)

Pitaia ‘vermelha’ [H. undatus] que possui casca vermelha e polpa branca.

Pitaia vermelha (H. polyrhizus) que possui frutos com casca vermelha e polpa vermelha.

Hylocereus polyrhizus

Pitaia baby ou saborosa H. setaceus, nativa do cerrado brasileiroro e que apresenta casca vermelha com espinhos e polpa branca (JUNQUEIRA et al., 2002).

Hylocereus setaceus (ex Selenicereus setaceus)

Pitaia de escamas com casca amarela são mostradas em algumas fotos na internet, mas sem informações se representa uma mutação das espécies de casca vermelha ou se representa espécie/variedade distinta.

Pitaia sem espinho na fruta e com casca amarela?

As flores de todas as espécies de pitaia discutidas acima só abrem por uma noite, são enormes e belíssimas. Flor de H. undatus fotografada às 23:00 h.

Por só abrir a noite a sua fecundação depende dos agentes polinizadores noturnos, principalmente dos morcegos que se alimentam de néctar e pólen. As espécies do gênero Hylocereus têm os cladódios (ramos modificados) com espinhos, mas os frutos inermes (sem espinhos) que podem pesar mais de 1 kg, como mostrado na foto com a balança, mas geralmente com 400 a 500g. As espécies H. megalanthus (pitaia amarela) e H. setaceus (pitaia saborosa) produzem frutos com polpa branca de 100 a 200g e apresentam espinhos na casca, que podem ser facilmente destacados quando as frutas estão maduras. A polpa de todas as pitaias é saborosa, adocicada com consistência gelatinosa entremeada com pequenas sementes pretas crocantes e férteis. Nas mesmas condições de crescimento a polpa da pitaia amarela é a mais adocicada, seguida pela pitaia saborosa, a de casca e polpa vermelha, sendo a de casca vermelha e polpa branca e menos adocicada, mas ainda muito saborosa.

Clima

A pitaieira, planta que produz pitaia, pode ser cultivada desde 30 até 700 metros acima do nível do mar, desde que as temperaturas sejam em média de 14 a 32°C, com chuvas de 500 a 3.600 mm/ano, mas se adapta também a climas mais secos. Paulo de Frontin – RJ tem clima e solos adequados para produção de pitaia. As plantas começam a produzir frutos de um a dois anos após o plantio, dependendo do tamanho e a maturidade dos cladódios usados como mudas e do manejo das plantas (adubação e tratos culturais), estabiliza produção entre 5 e 6 anos e pode continuar produzindo após os 20 anos. Os frutos de todas as espécies são inicialmente de cor verde, dependendo da espécie, assumindo as cores vermelha ou amarela quando maduros.

Preparo das mudas

As mudas podem ser feitas a partir das sementes ou usando cladódios, ramos modificados maduros. Mudas produzidas a partir de sementes demoram mais de quatro anos para iniciar produção, enquanto as mudas produzidas a partir de cladódios podem produzir frutos no mesmo ano ou no ano seguinte ao plantio. Devem-se usar cladódios de mais de um ano e se cortados na interseção do cladódio (A) podem ser imediatamente plantados, mas se cortados na parte suculenta do cladódio (B) estes devem ser despontados para aumentar enraizamento e deixados à sombra por três dias para cicatrização do corte antes do plantio. Quanto maior e mais maduro o cladódio usado como muda mais rápido começa a produção de frutas. O cladódio pode ser plantado diretamente no campo ou para produção de mudas para enraizamento e depois levadas ao campo.

(continua no próximo blog)

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Comentário de Suzy de Carvalho em 24 março 2017 às 15:27

Ótimo artigo

Comentário de Manoel José Sant´Anna em 23 março 2017 às 16:59

Boa tarde colegas, perfeito muito boa matéria, vou aguardar o próximo blog, meus parabéns Dr Franco!.

abrçs

Comentário de Gilberto Fugimoto em 23 março 2017 às 15:54

Legal Helen,

Se puder fale mais onde é e como está sendo a experiência!

abração

Comentário de Helen Ávila em 23 março 2017 às 15:10
Boa tarde!
Adorei a abordagem sobre esta fruta exótica. Sou engenheira agrônoma e entusiasta em frutas exóticas. Em fevereiro do ano passado (2016) iniciei o cultivo de pitaya com 300 pés divididos entre as 3
principais variedades e tb, a pitaya amarela sem espinhas. Em novembro do mesmo ano, iniciei colheita.
Comentário de Gilberto Fugimoto em 23 março 2017 às 11:19

A Pitaia tradicional.

Ambas da produção do colega Avílio Franco

Comentário de Gilberto Fugimoto em 23 março 2017 às 11:18

A Pitaia vermelha em destaque!

Comentário de Gilberto Fugimoto em 23 março 2017 às 11:18

Um sessão de prova da fruta na AEARJ promovida pelo colega Avílio Franco:

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