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Pitaia Novas Informações sobre a Cultura 2

Cultura da pitaia: ótima oportunidade para a agricultura familiar - continuação

Avilio Antônio Franco, Eng. Agrônomo, agricultor;

E-mail: aviliofranco@gmail.com

Espaçamento e Plantio

As plantas devem ser plantadas no espaçamento de 4 m x 4 m, em quincôncio quando houver declividade do terreno ou em linha reta em áreas planas. As covas de plantio devem ser um quadrado com um metro de lado por 30 cm de profundidade para melhor preparo e correção do solo. Todas as espécies de pitaias necessitam de apoio (tutores) para crescer. Vários tipos de tutores têm sido usados. Os de madeira, usados por muitos produtores tem a desvantagem de que com o tempo apodrecem. Mesmo o uso de madeira tratada como dormente, após alguns anos apodrecem perdendo-se uma planta em plena capacidade produtiva como mostrado nas fotos abaixo.

Planta em plena capacidade produtiva

Após queda por apodrecimento do dormente usado como tutor.

O tutor a ser usado deve ser decidido em face dos materiais disponíveis na propriedade e do custo dos mesmos, sempre levando em consideração que a pitaia acumula peso considerável e continua produzindo por mais de 20 anos.

O uso de tutor vivo poderá ser uma boa alternativa, sendo a espécie Gliricidia sepium e espécies do gênero Erythrina, nativas da região serrana da mata atlântica, boas opções para serem testadas. Estas espécies podem ser multiplicadas por estacas, são leguminosas fixadoras de nitrogênio e por isso enriquecem o solo com nitrogênio e toleram poda. Podem ainda ser usadas com poda controlada para reduzir o excesso de incidência luminosa. Vale a pena testá-las em sistemas agroflorestais.

Um tutor funcional e barato pode ser feito usando pneu descartável dependurado em um moirão de cimento.

Para preparar o pneu, untar uma faca afiada e com ponta fina em qualquer tipo de óleo para facilitar o corte da borracha e fazer quatro cortes equidistantes na parte de baixo do pneu para não permitir o acúmulo de água e proliferação de mosquitos. Com a mesma faca untada fazer mais quatro furos nos pontos intermediários dos primeiros como mostrado na foto (A). Na parte superior do pneu fazer quatro furos na mesma direção dos que foram feitos na parte inferior para passar o arame que formará a armadura de sustentação do pneu (detalhe na foto B). Fazer uma armação com arame galvanizado grosso como mostrado na foto (C).

Preparo do suporte com pneu descartado

O pneu deve ser fixado o mais perto do topo do tutor como mostrado na foto (A). O cladódio plantado diretamente no campo deve ter a base enterrada aproximadamente 10 cm, junto ao tutor e amarrado neste para orientar o crescimento dos novos cladódios até ultrapassarem o espaço entre o pneu e o tutor (B) e (C). Mudas também devem ser plantadas junto ao tutor e ter crescimento orientado como descrito para os cladódios.

Detalhe da fixação do pneu no tutor de cimento (A), plantio e

fixação do cladódio no tutor (B) e após dois anos de plantio (B)

Adubação

De uma maneira geral os solos de Paulo de Frontin -RJ são ácidos e muito deficientes em fósforo. Antes do plantio deve ser feita uma aplicação de calcário dolomítico para diminuir a acidez e fornecer cálcio e magnésio às plantas: dois copos dos usados para embalar requeijão cheios de calcário devem ser aplicados na cova e misturados ao solo. Além disso, aplicar um copo pequeno, dos usados para geleia, cheio de adubo NPK 10:10:10 e meio copo dos usados para geleia de FTE BR-12 como fonte de micronutrientes, misturados ao solo na cova. Além da correção de pH do solo e aplicação de NPK e micronutrientes a aplicação de 20 litros de composto, esterco, qualquer matéria orgânica curtida ajuda muito no crescimento das plantas. Como as raízes da pitaieira são superficiais, o entorno da planta deve ser mantido com uma cobertura morta para evitar o crescimento de mato e proteção das raízes contra o ressecamento. No início do período chuvoso e o início da frutificação devem ser aplicados ao redor de cada planta a mesma quantidade de adubo NPK e matéria orgânica aplicados no plantio.

Tratos culturais

Manter a área em torno de 1 m ao redor das plantas sem ervas daninhas, de preferência sempre coberta com qualquer tipo de matéria orgânica disponível. As pitaieiras produzem bem crescendo em solos bem drenados com tolerância a períodos sem chuva, mas com irrigação nos períodos secos produzem melhor. Alguns trabalhos de pesquisa tem recomendado o uso de sombreamento para a pitaia, observando que em sombreamento com tela de 30% as plantas foram mais produtivas que com sombreamento de 60%, indicando que a pitaia pode ser prejudicada sob luz plena em picos de alta luminosidade. Nas condições do plantio em Paulo de Frontin, a 620m de altitude, não observamos dano maior pela exposição à luz plena, a não ser ocasionalmente queimadura de cladódios mais expostos ao sol, mas que não chegam a morrer e aparentemente depois se recuperam. Entretanto, plantio a pleno sol a altitude de 40 m no Espírito Santo fracassou. Desta forma deve-se avaliar a necessidade de sombreamento de acordo com as condições locais. O sombreamento pode ser feito com tela ou em plantio agroflorestal onde a poda controlada do tutor arbóreo pode ser manejado para controlar o excesso de luminosidade e ao mesmo tempo fornecer matéria orgânica para proteção das raizes.

Podas

Recomenda-se que os cladódios mais velhos que já tenham produzido sejam removidos, servindo para produção de mudas. Além disso, deve-se eliminar excesso de brotação e cortar as pontas dos cladódios ao atingir aproximadamente um metro de comprimento para estimular a floração e não a produção de novos seguimentos (cladódios).

Pragas e doenças

No Brasil, por ser uma cultura ainda com pequena área cultivada, os problemas com pragas são poucos e esporádicos. O principal problema encontrado em campo são as abelhas irapuás (Trigona spinipes).

Formigas (Atta sexdens e Solenopsis sp.) também podem causar os mesmos danos que a abelha irapuá (cachorro) e, além dos frutos, danificam também cladódios jovens.

Também tem sido relatado o ataque de pulgões, cochonilhas, lesmas e caracóis, que têm preferencia por tecidos novos, macios e se alimentam das partes jovens das plantas, principalmente dos ápices de crescimento.

Em quase dez anos de cultivo na região de Paulo de Frontin não foi observado o aparecimento de pragas ou doenças nas pitaias de polpa branca ou vermelha. Em um cladódio da pitaia de casca amarela apareceu um ataque de fungo, a planta infectada foi eliminada e não houve ataque em outras plantas. Na variedade saborosa, que inicialmente foi muito produtiva, após uns 10 anos de plantio, apareceu um bacteriose. Os cladódios infectados forma sendo paulatinamente eliminados, ainda sem definição se haverá a morte completa da planta. Esporadicamente tem ocorrido o ataque da abelha cachorro (Irapuá) danificando a casca das frutas, mas isto pode ser evitado protegendo os mesmos com sacos de papel ou qualquer outro material como o TNT usado em forrações. Também pode-se combater as colmeias da abelha.

Fecundação das flores

Segundo informações extraídas da literatura, um dos grandes problemas da cultura é a autoincompatibilidade polínica que ocorre entre muitos clones. A autoincompatibilidade pode ser parcial ou total havendo casos em que ocorre frutos com a autopolinização porém de baixo valor econômico, por possuírem pouca massa, havendo a necessidade da utilização de pólen externo –de outro clone ou espécie para que ocorra frutificação efetiva. As condições climáticas também podem afetar diretamente a compatibilidade.

Nas condições da região de Paulo de Frontin ocorre polinização por vias naturais (morcegos e insetos) não havendo necessidade de polinização manual, produzindo frutos de até 1040 g. Tem sido observado que quando a florada é muito grande a taxa de fecundação é menor o que pode ser positivo como forma de regular o tamanho dos frutos. Em 2017 de 525 botões florais produzidos em duas matrizes, foram produzidas 285 flores e produção de 245 frutos. Essas mesmas plantas quando produziram em torno de 200 flores, houve diferença ente variedades, mas na melhor variedade a perda foi menor que 5%.

Produtividade e pós-colheita

A produtividade média da pitaia é variável, de acordo com as condições edafoclimáticas, técnicas de cultivo e idade do pomar, podendo variar de 10 a 30 t.ha-1 Armazenamento a 8ºC aumenta a vida útil em 25 dias, cinco vezes superior ao armazenamento em temperatura ambiente. As frutas quando colhidas antes da cor vermelha intensa aparecer pode durar uns 8 dias em temperatura ambiente.

Informações sobre o valor nutricional e nutraceutico.

Os frutos da pitaia, de modo geral, são os que apresentam maior importância econômica. Podem ser comercializados na forma de fruta fresca e polpa, ou industrializados, na forma de geleias, doces, drinks, bebidas e sorvetes. Os frutos são boa fonte de vitaminas e minerais, apresentando alto teor de potássio podendo ser destacado:

• Pitaias são ricas em fibras e minerais, principalmente zinco e ferro. as vermelhas são ricas em ferro e vitamina A, as amarelas em zinco.

• As sementes são pobres em gordura poli-insaturada, e as vermelhas em particular não possuem gordura saturada. As sementes tem efeito laxante, sendo eficaz no controle de gastrite e infecções dos rins.

• As flores e os talos imaturos podem ser consumidos como verdura ou cozidos como legumes.

• Pitaias também possuem quantidades significativas de antioxidantes, que previnem os efetios dos radicais livres.

• Contem captina que é considerado tônico cardíaco.

• Pode ser usada na produção de xampu e tem efeito no controle a dor de cabeça.

•  A pitaia supostamente aumenta a excreção de metais pesados e diminui o colesterol e pressão sanguínea, previne câncer do colón e diabetes. Comer regularmente pitaia alivia doenças crônicas do sistema respiratório. Sua polpa, gelatinosa, protege a mucosa gástrica.

• A casca das variedades de casca vermelha e polpa rocha apresentam grande quantidade de betalaínas, pigmentos considerados como alternativa ao uso de corantes artificiais nos alimentos uma vez que apresentam estabilidade em pH de 3 a 7. Além disso, representa uma grande fonte de pectinas, betacianinas (cerca de 150 mg/100g de massa seca) e fibras, podendo ser aproveitada como fonte desses produtos. 

Literatura Consultada

JUNQUEIRA, K. P.; JUNQUEIRA, N. T. P.; RAMOS, J. D; PEREIRA, A. V. 2002 Informações preliminares sobre uma espécie de pitaya do Cerrado. Planaltina, DF: EMBRAPA Cerrados, 2002. 18 p. (Documentos, 62)

 

Menezes, Thatianne Padilha de. 2013 Polinização e maturação de pitaia vermelha (Hylocereus undatus (Haw.) Britton & Rose. Tese de Doutorado. UFLA, Lavras 102 p.

 

Silva, Adriana de Castro Correia da Pitaya 2014 Melhoramento e produção de mudas de pitaia.Adriana de Castro Correia da Silva. Tese de doutorado, Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Jaboticabal, 132 p.

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Comentário de Gilberto Fugimoto em 6 abril 2017 às 17:25

Pedro,

Vi o video. Muito bom!

Comentário de PEDRO LUIZ DE FREITAS em 6 abril 2017 às 16:09

Ensinamentos do Dr. Avílio dando frutos (digo, pitayas):  https://www.facebook.com/programarevistadocampo/videos/164569608239...

Comentário de JOÃO ANTUNES em 30 março 2017 às 21:05

Ótima opção para agricultura familiar, mas onde encontrar as mudas, visto que moro na região norte, Rondônia ela se adaptaria nesta condição de clima predominante é tropical úmido, e precipitação de 1700 a 2700 mm/ano.

É recomendado o plantio, neste tipo de clima?

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