Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

PITAIA: Uma Cultura para o Pequeno Produtor

Pitaia Pode ser Alternativa Vantajosa para Pequeno Produtor

Esta semana provamos PITAIA gentilmente fornecida pelo colega Avílio Franco que cultiva em sítio em Paulo de Frontin. Trata-se de uma fruta de cactus nativa desde o Brasil até o México. Seu sabor não é muito doce nem excepcional, o que não a torna enjoativa; seu gosto e textura lembram o Kiwi. Seu peso pode variar entre 700g a mais de 1Kg.

Segundo o colega Avílio, pode ser uma ótima opção para pequenos produtores em média altitude. Como pesquisador aposentado, Avílio, agraciado com o Prêmio Johanna Dobereiner 2014, produziu um artigo contendo orientações de cultivo que transcrevo a seguir. Ele ainda tem algumas mudas que pode fornecer. É o caso de entrar em contato e se dispor a encontrá-lo.

Plantio e manejo das pitaieiras

Avilio Antônio Franco, Eng. Agrônomo

Pitaia ou saborosa (dragon fruit em inglês) é o nome dado ao fruto de várias espécies de cactos epífitos, sobretudo do gênero Hylocereus, mas também do gênero Selenicereus, nativas da América do Sul até o México, hoje cultivada em vários países, principalmente da Ásia. A flor da pitaia (Foto 1) é enorme e belíssima, mas só abre por um dia e à noite. Portanto, a sua fecundação depende dos agentes polinizadores noturnos, principalmente dos morcegos que se alimentam de néctar e pólen. As espécies do gênero Hylocereus têm os cladódios (ramos modificados) com espinhos, mas os frutos inermes (sem espinhos), com casca vermelha e polpa branca ou casca vermelha com polpa roxa (Foto 2) que podem pesar mais de 1 kg. As espécies do gênero Selenicereus produzem frutos de até 100 g com espinhos e com casca de cor roxa e polpa branca ou casca amarela com polpa creme claro (Foto 3). A polpa de todas as pitaias é saborosa, adocicada com consistência gelatinosa entremeada com pequenas sementes pretas crocantes.

Foto 1: Flor de Pitaia às 23h

Foto 2: Pitaia de Polpa Branca e Roxa

Foto 3 –  Pitaia pequena com polpa branca (A) e Pitaia de casca amarela (B) com polpa creme claro (C).

A pitaieira, planta que produz pitaia, pode ser cultivada desde 30 até 700 metros acima do nível do mar, desde que as temperaturas sejam em média de 14 a 32°C, com chuvas de 500 a 3.600 mm/ano, mas se adapta também a climas mais secos. Paulo de Frontin – RJ tem clima e solos adequados para produção de pitaia. As plantas começam a produzir frutos de um a dois anos após o plantio, dependendo da maturidade dos cladódios usados como muda e do manejo das plantas (adubação e tratos culturais). Os frutos são inicialmente de cor verde, assumindo as cores vermelha, roxa ou amarela quando maduros.

Preparo das mudas

As mudas são feitas usando os cladódios com mais de um ano (Foto 4). Se cortados nas interseções dos cladódios (A) estes podem ser plantados imediatamente após o corte, mas se divididos na parte suculenta (B) devem ser deixados uns três dias à sombra antes do plantio, para cicatrização do corte. Quanto maior e mais maduro o cladódio usado como muda mais rápido começa a produção de frutas. O cladódio pode ser plantado diretamente no campo ou como mudas para enraizamento e depois levadas ao campo.

Foto 4: Mudas de Pitaia

Plantio

As covas de plantio devem ser um quadrado com um metro de lado por 30 cm de profundidade para melhor preparo e correção do solo.Todas as espécies de pitaias necessitam de apoio para crescer e produzir frutos, geralmente nas pontas dos cladódios (Foto 5). Um apoio funcional e barato pode ser feito usando um moirão de cimento, dormente etc. com um pneu preso na ponta como mostrado na foto 5. O pneu deve ser furado na parte inferior para não acumular água e evitar a proliferação de mosquitos, dependurado com arame galvanizado grosso ao topo do moirão de modo a suportar o grande volume de cladódios por muitos anos. O cladódio deve ser plantado com a base enterrada em torno de 10 cm no solo, próximo ao moirão e amarrado neste para orientar o crescimento dos novos cladódios até ultrapassar o espaço entre o pneu e a estaca.

Foto 5 – Apoio para sustentação 

Adubação

De uma maneira geral os solos de Paulo de Frontin -RJ são ácidos e muito deficientes em fósforo. Antes do plantio deve ser feita uma aplicação de calcário dolomítico para diminuir a acidez e fornecer cálcio e magnésio às plantas: dois copos dos usados para embalar requeijão cheios de calcário devem ser aplicados na cova  de um metro de lado e 30 cm de profundidade e misturados ao solo. Além disso, aplicar um copo pequeno, dos usados para geleia, cheio de adubo NPK 10:10:10 e misturado ao solo. Além da correção de pH o solo e aplicação de NPK, a aplicação de composto, esterco, qualquer matéria orgânica curtida ajuda muito no crescimento das plantas. Como as raízes da pitaieira são superficiais, o entorno da planta deve ser mantido com uma cobertura morta para evitar o crescimento de mato e proteger  as raízes contra o ressecamento. No início do período chuvoso e o início da frutificação devem ser aplicados ao redor DAE cada planta a mesma quantidade de adubo NPK aplicado no plantio.

Tratos culturais

Manter a área em torno de 1 m ao redor das plantas sem ervas daninhas, de preferência sempre coberta com  qualquer tipo de matéria orgânica disponível. As pitaieiras produzem bem crescendo em área ensolarada, em solos bem drenados com alguma tolerância a períodos sem chuva, mas não tanto quanto a maioria das cactáceas. Em quase dez anos de cultivo na região não foi observado o aparecimento de pragas ou doenças na cultura, dispensando assim o uso de agrotóxicos. A abelha cachorro às vezes roe a casca das frutas, mas isto pode ser evitado protegendo as frutas com sacos de papel ou qualquer outro material como o TNT usado para forrações.

Informações sobre o valor nutricional da pitaia obtidas na internet

Avilio Antônio Franco, Eng. Agrônomo; e-mail: aviliofranco@gmail.com

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Comentário de Gilberto Fugimoto em 7 março 2017 às 7:56

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Comentário de Eliezer Furtado de Carvalho em 23 abril 2015 às 19:37

Vejam texto de mensagem ao Deputado Lucas Vergílio, relator do PL 3.423/2012, em defesa da  Agronomia.

Senhor Deputado Lucas Vergílio,
 
Sou engenheiro agrônomo, com 46 anos de efetivo exercício profissional, como professor de Agronomia, perito judicial que já atuou em mais de 1.200 (um mil e duzentas) perícias judiciais em Goiás e em todo o país. Também Sou eleitor de Goiás, que, embora não tenha votado em Vossa Excelência, poderei votar futuramente.
 
Fui informado de que V.Excia. seria o novo relator do PL 3.423/2012, que tenta dar de graça aos biólogos atribuições assegurada aos profissionais de Agronomia (engenheiros agrônomos), na área de assistência técnica em campos de produção de sementes e mudas.
 
Este PL traz claramente escondido nas suas entrelinhas um pretexto de alguns poucos biólogos que, não tendo conseguida cursar Agronomia, pretendem obter de forma oblíqua e leviana atribuições para as quais o curso de biologia não oferece a mínima preparação técnica.   
 
Como tal pretenção representa grave risco à sociedade interessada, principalmente aos produtores rurais, cuja atividade depende de sementes e mudas de boa qualidade, de forma a assegurar resultado positivo na difícil tarefa de produzir com efíciência e qualidade para bem atender aos interesses da sociedade em geral, tomo a liberdade de dirigir-me a Vossa Excelência para dizer que a responsabilidade efetiva por condução técnica de produção de sementes e mudas somente pode ser assegurada através do curso de Agronomia, conforme há mjuitos anos estabelece a legislação brasileira e as resoluções do Conselho Federal de Educação - CFE e do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia – CONFEA, com base em grade curricular completa e adequada ao exercício da atividade de agronomia, como é o caso da respnsabilidade técnica pela condução de campos de produção de sementes e mudas. Aí, incluídas disceplinas relacionadas a edafologia, clima, solos, fitotecnia, zootencia, rertilizantes, defensivos, melhoramento genético de plantas e animais, entomologia aplicada à agricultura e pecuária, controle integrado de pragas e doenças de plantas, controle de qualidade, adaptabilidade das espécies de interesse para a produção agropecuária, processamento industrial, análise fitossanitária e de pureza e germinação e tudo mais que diga respeito à efetiva qualidade dos produtos a serem colocados no mercado, à disposição dos produtores e que possam atender à legislação e merecer a confiaça dos interessados.
 
Já os biólogos tem seu estudo e seu foco voltado para aspectos genéricos da flora e da fauna, como, por exemplo, saber quantas patas tem uma centopéia ou quantas nervuras possuem as asas de uma borboleta, coisas de interesse para a bilogia, mas sem nenhum interesse para a produção agropecuária.
 
Portanto, o PL 3.423/2012 é uma armadilha que visa conceder de forma sorrateira e graciosa aos biólogos atribuições de agronomia, para as quais o seu curso não lhes oferece preparação tencnica. E isso coloca em risco a agricultura, a economia e a sociedade brasileiras.
 
Diante desses fatos, cumpre-me solitar a Vossa Excelência que exercite o seu elevado espírito público, para não permitir a aprovação desse ordido PL, para o bem de todos os brasileiros, inclusive, para o bem dos própríos profissionais dignos da nobre profissão de biólogo.
 
Atenciosamente.
 
Engenheiro Agrônomo Eliezer Furtado de Carvalho
CREA-GO 207/D.    

  

Comentário de Gilberto Fugimoto em 23 abril 2015 às 17:52

Ola Irani,

Agradeço a postagem e a complementação da informação.

Feliz aniversário atrasado e uma feliz aposentadoria!

Agora que tem mais tempo, compartilhe sua experiência na Rede Agronomia.

abração

Comentário de Gilberto Fugimoto em 16 março 2015 às 9:29

Oi Maria Helena,

A produtores próximos ele tem cedido mudas, é o caso de entrar em contato com ele.

Tem email de contato e ele tbém já está na Rede Agronomia.

Mais uma vez grato pela gentileza do reconhecimento!

abração

Comentário de Maria Helena de Araújo em 15 março 2015 às 22:30

Gilberto,

Não é nenhuma gentileza - é reconhecimento mesmo! A propósito, ainda não conheço a pitaia, apesar de ser uma cactácea e em nosso Semiárido ser rico dessa espécie. Como se consegue mudas? Avílio foi muito didático em sua explanação, nos despertou curiosidade.

Comentário de IRANI de SOUZA PORTILHO em 15 março 2015 às 3:54

Parabéns  pelo  texto,  orientações  técnicas  e  demais informes; realmente, tudo é  questão de estudar  um  pouco mais, se aprimorar  e  cuidar  dos detalhes  para melhor obter  resultados satisfatórios  em especial  nas pequenas  áreas.No meu caso, como venho  trabalhando com pequenas propriedades  , desde  os  últimos 25  anos  em 37 de profissão ( estarei  me  aposentando  agora um dia  depois de meu aniversário 17  de março 2015)  e como já venho orientando  e  respondendo  técnicamente   por  viveiros  de agricultores familiares no  entorno  de Curitiba,  no vale  do Ribeira  ,  onde temos  variações  de  altitude   < entre  350 até  990metros, clima  subtropícal )  acredito  que podemos usar  deste  recurso  ampliando  a  variação de  cultivos AGROFLORESTAIS  sem  usar  os  químicos,  somente cultivos ORGÂNICOS...grato pela  participação

Comentário de José Leonel Rocha Lima em 13 março 2015 às 10:06
É uma opção para a nossa aposentadoria quando teremos tempo de cultivar e viver mais próximo à natureza.
Comentário de Gilberto Fugimoto em 13 março 2015 às 10:01

Ola Leonel,

Vc que estava presente à sessão de prova da fruta, vamos arrendar uma terra e cultivar! rsrs

abração

Comentário de Gilberto Fugimoto em 13 março 2015 às 10:01

Ola Maria Helena,

Grato pela gentileza do reconhecimento e postagem!

abração

Comentário de Maria Helena de Araújo em 10 março 2015 às 16:58

É socializando conhecimento que se mostra quão importante é nossa rede!

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