Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Ponto de vista: Digam não a formação medíocre imposta pelo MEC

3600 horas não forma um profissional de excelência

O Engenheiro Agrônomo é o profissional de formação plena conforme decreto 23.196/33 atuando em todos os setores produtivos ligados a produção de alimentos seja animal ou vegetal, focando na sustentabilidade. Cabe ao Engenheiro Agrônomo o estudo e aplicação dos conhecimentos em solos, engenharia agrícola, fitotecnia, fitossanidade, zootecnia e meio ambiente e toda a interligação desses elos solo-planta-animal e ambiência  no sucesso na produção racional  de alimentos, energia e fibras que permitem a qualidade de vida e conforto dos tempos modernos aos seres humanos.

É graças ao melhoramento genético seja animal ou vegetal, as novas conquista e descobertas sobre microrganismo dos solos e conservação dos mesmos temos tido sucesso no aumento da produtividade, e assim esse profissional que para tais feito necessita de uma grande soma conhecimentos tem sido vitima do descaso e falta de respeito a formação plena tão necessária  a construção de um profissional de excelência que possa de fato favor jus ao titulo de Engenheiro Agrônomo e possa responder aos caros investimento da sociedade na forma de ações inovadoras. Por isso nosso repudio a essa formação tão medíocre que o Ministério da Educação tem defendido que nem de longe com 3600 horas é capaz de atender os verdadeiros objetivos da formação em Agronomia conforme transcritos a seguir de acordo com as diretrizes curriculares nacionais para formação do Engenheiro Agrônomo.

‘’Art. 7º Os conteúdos curriculares do curso de Agronomia serão distribuídos em três núcleos de conteúdos, recomendando-se a interpenetrabilidade entre eles:

I - O núcleo de conteúdos básicos será composto dos campos de saber que forneçam o embasamento teórico necessário para que o futuro profissional possa desenvolver seu aprendizado. Esse núcleo será integrado por: Matemática, Física, Química, Biologia, Estatística, Informática e Expressão Gráfica.

II - O núcleo de conteúdos profissionais essenciais será composto por campos de saber destinados à caracterização da identidade do profissional. O agrupamento desses campos gera grandes áreas que caracterizam o campo profissional e agronegócio, integrando as subáreas de conhecimento que identificam atribuições, deveres e responsabilidades. Esse núcleo será constituído por:

Agrometeorologia e Climatologia; Avaliação e Perícias; Biotecnologia, Fisiologia Vegetal e Animal; Cartografia, Geoprocessamento e Georeferenciamento; Comunicação, Ética, Legislação, Extensão e Sociologia Rural; Construções Rurais, Paisagismo, Floricultura, Parques e Jardins; Economia, Administração Agroindustrial, Política e Desenvolvimento Rural; Energia, Máquinas, Mecanização Agrícola e Logística; Genética de Melhoramento, Manejo e Produção e Florestal. Zootecnia e Fitotecnia; Gestão Empresarial, Marketing e Agronegócio; Hidráulica, Hidrologia, Manejo de Bacias Hidrográficas, Sistemas de Irrigação e Drenagem; Manejo e Gestão Ambiental; Microbiologia e Fitossanidade; Sistemas Agroindustriais; Solos, Manejo e Conservação do Solo e da Água, Nutrição de Plantas e Adubação; Técnicas e Análises Experimentais; Tecnologia de Produção, Controle de Qualidade e Pós-Colheita de Produtos Agropecuários.

III - O núcleo de conteúdos profissionais específicos deverá ser inserido no contexto do projeto pedagógico do curso, visando a contribuir para o aperfeiçoamento da habilitação profissional do formando. Sua inserção no currículo permitirá atender às peculiaridades locais e regionais e, quando couber, caracterizar o projeto institucional com identidade própria’’

Frente a tamanha afronta faz-se necessário que profissionais e principalmente estudantes, as maiores vitimas desse processo nefasto de empobrecimento de nossa formação possam cobrar de forma firme e dura dos cursos e das autoridades uma posição contraria a esse desmonte da graduação.

Francisco Lira

Engenheiro Agrônomo Esp.

CREA-PI 18.222/D

Conselheiro Câmara de Agronomia CREA-PI

 

 

 

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Comentário de Gilberto Fugimoto em 25 maio 2017 às 9:40

Um dado novo, para mim, foi a informação que o INEP é o órgão do MEC que avalia os cursos de graduação. Portanto cabe conhecermos um pouco mais desse Instituto para eventualmente termos instrumentos de denúncia de cursos sem qualidade!

Comentário de Eduardo B. Teixeira Mendes em 24 maio 2017 às 22:46

Realmente a formação é preocupante. Eu observei agora a pouco os currículos de algumas escolas particulares, que estão oferecendo curso de engenharia agronômica com 3,5 anos de duração mais meio ano de estágio. Curso com 2.700 horas aula. Oferecem como disciplinas optativas para formação de carga horária curso de LlBRAS.

As atuais diretrizes curriculares do MEC não estabelecem carga horária mínima para a formação profissional.

A única forma de barrar essas aberrações são com Conselhos fortes, que no momento dos registro de atribuições sejam criteriosos.

Inclusive devemos aproveitar o momento, que o sistema CONFEA/CREA está passando por uma crise institucional, inclusive com procedimentos investigativos de vários órgãos de controle federais, chegando a ter sua competência questionada, uma vez que ele não cumpre a premissa básica que fiscalizar o exercício profissional.

Comentário de Francisco Lira em 24 maio 2017 às 15:36

Gilberto essa abordagem é que estimula a formação do profissional através da construção de soluções é que deveria ser de fato a mola propulsora dos cursos de agronomia, mas o que se ve é uma fabrica de seres mecânicos prontos para repetir  e não inovar

Comentário de Francisco Lira em 24 maio 2017 às 15:33

Precisamos buscar um meio de elevar esse minimo de 3600 para algo em torno de 4500, caso contrario nossa profissão vai se transformar em um formação pífia frente  a suas atribuições, um absurdo.

Comentário de Gilberto Fugimoto em 24 maio 2017 às 11:52

Ontem mesmo participei de uma palestra sobre formação em engenharia no SENGE RJ e vi alguns aspectos interessantes do palestrante, ex-reitor da UERJ e, naturalmente, engenheiro (eletricista).

  • Nos EUA há o profissional de engenharia e o cientista de engenharia (certamente com formação diferenciada).
  • 1/3 dos profissionais de engenharia não trabalham na área (achei até pouco)
  • O profissional é formado em 5 anos mas precisa dar respostas durante 40 anos de trabalho (ou 49 se passar a reforma da previdência). Não é possível sobrevier tanto tempo sem uma Formação em Serviço e/ou Formação Continuada.
  • Há uma tendência pedagógica em se adotar uma Metodologia Ativa, que consiste no aprendizado baseado na solução de problemas. Isso inverte a formação tradicional em caixas (cálculo, estatística, física, mecânica, etc) mas os conteúdos se inserem de forma prática para solução de problemas. Essa metodologia tem sido aplicada de forma pioneira e referencial pela Universidade de Aalborg na Dinamarca (cujo lema é "Linking Life and Learning")
  • Um problema é a longa formação: alunos demoram em média 6 anos para se formarem em cursos de 5 anos de duração prevista.

Comentário de Eduardo B. Teixeira Mendes em 24 maio 2017 às 7:35

Infelizmente Francisco, este é um processo real, que se constitui na prática reducionista da formação, com a finalidade de valorizar a especialização pós formação básica.

Além disso, com a redução do processo de formação, se obtém um barateamento na formação básica, o que estimula a abertura de cursos, principalmente em unidades de ensino particulares. Este debate é similar ao de 1996, quando deixou de existir o currículo mínimo de Agronomia e passaram a existir as Diretrizes Curriculares de Agronomia.

Além disso, devemos lembrar, que com base na reformar de 1996, esta carga horária de 3600 era para formar Agrônomos sem o título de engenheiros.

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