Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Esse foi o apelo do educador e escritor norte-americano Marc Prensky à plateia lotada de educadores em evento no Rio (Museu do Amanhã) que debate o uso das novas ferramentas digitais por professores, gestores e alunos, no artigo Rumo à escola do século XXI, da série EDUCAÇÃO 360 TECNOLOGIA (O Globo, caderno Sociedade, pág. 24, hoje, 08/08/2017).  Mas bem que poderia ser aplicado aos profissionais, (ainda) na escola ou depois de formados.

Dou um exemplo. Soube, esta semana que, pela primeira vez no Brasil, podemos elaborar um mapa de um Município qualquer, usando shapefiles da ESRI e imagens de satélite, sem lançar mão de qualquer software de Geoprocessamento como, p.ex., o ArcGIS, QGis e similares. Basta acessar o site do IBGE para anotar o número código do Município, baixar o software R (gratuito) e, também, o Google Earth Pro (também gratuito). Então, é só seguir o roteiro que publiquei aqui no blog OBTENÇÃO DE SHAPEFILES COM O R

(http://agronomos.ning.com/profiles/blogs/obten-o-de-shapefiles-com-o-r)

Eu já contei aqui na Rede uma estória que aconteceu comigo quando lecionava Irrigação e Drenagem na UFRRJ na década de 70, mas vale-a-pena-ver-de-novo, como diz a plin-plim. Na época, também era professor de lá o Geógrafo Jorge Xavier da Silva, um dos pioneiros do Geoprocessamento no Brasil, embora pertencesse a outro Departamento, que não ao de Engenharia, que era o meu. Logo que tomei conhecimento dos recursos de um software que ele e sua equipe da UFRJ haviam desenvolvido, o Sistema de Análise Geo-Ambiental - SAGA/UFRJ fiquei apaixonado pelo programa (que cabia num disquete de 3 e 1/4, que nem existe mais). E decidi fazer o meu Doutorado com ele, ou seja, em Geografia.

Era norma o Departamento se reunir para liberar um colega para o Doutorado (embora minha dispensa tenha sido parcial e sem bolsa de estudo). O preconceito contra a Geografia entre os colegas Engenheiros (Agrônomos) era visível. Como eu lecionava Irrigação, os colegas achavam que eu deveria me especializar nessa área; e alguns chegaram a aventar que eu estava querendo fugir da Matemática. Houve votação no impasse, e eu ganhei por apenas um voto.

Final da estória: o Prof. Xavier foi meu orientador e concluí o curso, no Fundão, em 1998.

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 8 agosto 2017 às 19:16

SIMILARIDADES

São muitas as semelhanças entre os objetos da Agronomia e da Geografia; a começar pelo nome, pois GEO significa TERRA.

A Geografia lida com áreas (plantações), linhas (rios), pontos (poços) e paisagens (terreno com voçorocas).

Na Agricultura, o conceito de ÁREA entra no cálculo da vazão ou descarga, produtividade agrícola (kg/ha), volume de chuva, densidade de drenagem, coeficiente de compacidade, fator de forma, extensão média do escoamento superficial, altitudes, retângulo equivalente e outros parâmetros fisiográficos das bacias hidrográficas.

Ao lermos os Anais de um Congresso Brasileiro de Geografia Física Aplicada, muitos trabalhos, pela sua utilidade, poderiam ter sido elaborados por um Engenheiro Agrônomo. Lembro-me de um em que, a simples cor escura (terra roxa) do solo nu de um preparo agrícola, sob o efeito da insolação, deu origem ao surgimento de uma chuva localizada do tipo convectivo.

O MAPA, que representa a segunda parte do termo GeoGRAFIA, é usado intensamente pelo Engo. Agro., desde o croqui de uma atividade agrícola comum, até a sofisticada agricultura de precisão. É nele em que se baseia a estratégia das rotas que levam ao escoamento da safra; o módulo rural, que varia com a localização dos biomas; e a outorga de água para irrigação, além de interferir na complexidade de formação dos Comitês de Bacias (rios que pertencem a mais de um Estado).

A delimitação de bacias hidrográficas, rotina manual delicada e trabalhosa, quando feita num mapa analógico (em papel), ganhou um pacote da empresa ESRI chamado Watershed Delineation (Delimitação de Bacias) no software ArcGIS onde, a partir de uma rotina sobre imagem de radar, delimita todas as sub-bacias de uma região e ainda calcula outros parâmetros hidrológicos como a ordem do curso d´água, a direção do fluxo e outros.

As próprias curvas de nível, fundamentais no planejamento agrícola, uso da terra e delimitação de APPs (de declividade e de altitude), nas áreas maiores, podem ser traçadas, em qualquer intervalo, apenas com softwares de Geoprocessamento (ArcGIS, Qgis e outros), a partir de imagens do tipo SRTM, obtidas na Internet do site da Embrapa (Brasil em Relevo).

E é bom não esquecer que sem uma mãozinha da Geografia (imagens de satélite de alta resolução e a delimitação de APPs), não seria possível a elaboração do Cadastro Ambiental Rural - CAR.

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