Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Vamos instituir ?

Uma amiga divulgou no 'meu' Facebook hoje (Dia do Extensionista, por sinal) que uma brasileira ganhou prêmio internacional ao criar sistema de dessalinização de água com grafeno.

Aproveitei o gancho para lembrar que O Globo de hoje, aqui no Rio de Janeiro, divulgou os nomes e as 'bolações' dos vencedores do Prêmio Innovare (O País, pág.7), da Justiça brasileira. E, também, outra publicação de ontem, mostrando dessalinizadores com placas de vidro ( material bem mais barato e acessível que o grafeno) sendo implantados por agricultores no sertão nordestino.

http://conexaoplaneta.com.br/blog/brasileira-ganha-premio-internaci...

Agora, se me perguntarem o que um bloco com terra e grama tem a ver com inovação, de imediato, eu não sei responder. Mas podemos descobrir, assim que deixarmos de ver as coisas apenas superficialmente.

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 23 fevereiro 2018 às 9:53

UMA NOVA TURBINA

https://www.facebook.com/tecmundo/videos/1678774902200344/?t=74

Peguei no Face. Tomara que funcione (a turbina e o link).

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 23 fevereiro 2018 às 9:43

AGRICULTURA  DIGITAL 4.0

Assisti ontem a um webinar do portal Mundo GEO (*) com este título e a Figura abaixo foi um dos slides apresentados, que destaca como PASSADO o uso de organismos geneticamente modificados (GMO) na década de 80 e o uso de GPS em tratores em 2008. No PRESENTE o uso da Internet em nuvem, mapas em GIS (como no CAR), agricultura de precisão e o uso de drones. No FUTURO, que já vivemos, estações meteorológicas conectadas, previsão do tempo Doppler, sensores em plantas para medição do fluxo da seiva e drones com sensores de carga útil.

(*)

 https://app.webinarjam.net/r/3/0/replay/17520/e5d0faf387/0/188338656

Outras possibilidades

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 9 dezembro 2017 às 7:23

OUTRAS INOVAÇÕES NO MESMO TESTE

A simples adoção de um Teste de Sulcos, numa fase anterior à implantação do Projeto Jequitaí (só agora a barragem está sendo construída), e em locais inabitados e distantes, onde a água dos reservatórios teve de ser levada de carro pipa, já constituiu uma inovação.

É bom lembrar que a finalidade do teste era a definição de parâmetros técnicos para o projeto futuro do método de irrigação por sulcos de infiltração. E como a área tinha pelo menos cinco grupamentos pedológicos, esse foi o número de testes que teve de ser realizado. Mas, vamos às três (3) inovações que quero destacar.

1) USO DE SIFÕES DE PVC RÍGIDO

Normalmente, neste método de irrigação, são utilizados sifões (pedaços de cano que levam a vazão de um canal ou regadeira para cada um dos sulcos) flexíveis de polietileno. Nesse teste, como se tratava de uma pesquisa/experimentação, o rigor das medidas sugeria que fossem usados sifões de PVC rígido, para que sua extremidade de jusante pudesse ficar suspensa, facilitando a medição da carga hidráulica (altura H de que falamos no post anterior). Consegue-se moldar as curvaturas do sifão, enchendo o pedaço de cano reto com areia seca, e aquecendo com fogo o trecho que queremos entortar. Outra vantagem da rigidez, é que podemos fixar a altura da extremidade final do sifão com uma forquilha feita na ocasião com galhos de arbustos. Levando em conta que o comprimento do sifão influi na vazão, outro cuidado foi aferir antes do teste, no galpão da empresa distante dali, se a vazão que queríamos testar no sulco com o comprimento e diâmetro daquele sifão, de fato acontecia para a carga hidráulica que seria testada no campo.

2) MEDIÇÃO DA CARGA HIDRÁULICA

A vazão do sifão é dada principalmente pelo diâmetro do tubo e a carga hidráulica medida a partir do centro do círculo da extremidade de saída. Mas, como medir essa altura exata, se o nível da água na regadeira/canal fica pelo menos um metro distante ? Aí usamos o dispositivo muito usado em laboratório de hidráulica experimental: o piezômetro. Trata-se de um tubo chamado cristal (material plástico flexível e transparente) com 4 mm de diâmetro interno. Usando um comprimento pouco maior que o do sifão, ele também era alimentado pelo canal, mas a sua extremidade final (ao contrário do sifão) era voltada para cima, formando um U, de modo a reproduzir (pelo princípio dos vasos comunicantes) a exata altura da água no canal. Assim o Engenheiro, de posse de uma régua escolar graduada em milímetros, disposta verticalmente e ao lado do trecho de subida do piezômetro, podia fixar o desnível (H) que havíamos determinado quando idealizamos o teste (a vazão) naquele sulco. Fixado o sifão na altura desejada, com a forquilha de que falei, podia-se retirar de cena o piezômetro.

3) MEDIÇÃO DA VAZÃO NO SULCO

Lateralmente e ao longo do sulco de maior extensão, fixamos estacas de madeira a cada 10 m, de modo a registrar o alcance da água no sulco, com aquela vazão de teste. A intervalos maiores (de modo que cada sulco tivesse pelo menos 3 medições de igual espaçamento) foram instaladas calhas metálicas para medição da descarga, cuja finalidade era, pela diferença das medidas em duas calhas contíguas/sucessivas, medir o volume de água infiltrada no trecho.

Solução um tanto criativa tive de usar numa área arenosa, onde os sulcos não conseguiam ter a seção transversal em V desejável num teste de precisão. Pedi a um auxiliar que pregasse duas tábuas com esse formato, e pedi que juntasse terra nas laterais e arrastasse o molde com cuidado, para a formação do sulco. Deu certo.

Vários caminhões pipa foram usados para encher cada reservatório e, como a água era transportada de um rio (Jequitaí, que deu o nome ao projeto) que ficava distante, tínhamos de economizar ao máximo. Quando o teste se aproximava do final e a previsão de consumo de água que havíamos feito antes (no planejamento do teste) não se concretizava, pedíamos a alguns auxiliares que levantassem a lona plástica que forrava o reservatório, para aproveitar os últimos litros de água do fundo para serem usados no teste.

Uma inovação não utilizada, pela época em que foi realizado o estudo, mas que seria bem vinda atualmente, seria o emprego de drones para a inspeção dos sulcos. Num dos testes que realizamos, foi observado que num sulco de vazão relativamente elevada, a água parava de caminhar em determinado ponto, ou caminhava mais lentamente do que devia. A observação atenta das laterais do sulco nos fez constatar que havia um buraco de mais ou menos 5 cm de diâmetro onde, inclusive, notamos a presença de uma perereca.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 8 dezembro 2017 às 8:18

CONTE ALGO QUE NÃO SEI

Este é o título da 'minha' coluna preferida de O Globo, publicada de 2a. à 6a. Feira, onde é entrevistado um especialista (em alguma coisa), estrangeiro de visita ao Rio ou brasileiro, e que inicia sempre com essa pergunta. Como dizia um famoso filósofo grego da antiguidade: "Todo homem que encontro é superior a mim em alguma coisa e, nesse particular, eu aprendo dele".

Seria ótimo se aproveitássemos este espaço para divulgar algum fato ou atividade profissional de Agronomia e que possamos interpretar como algo criativo ou INOVAÇÃO. Não acha ? E para dar o exemplo, vou começar.

Estabilização do nível da água em canal de irrigação

Em 1980/81 (37 anos atrás), como eu era o único Engenheiro Agrônomo contratado da Geotécnica S.A., com sede aqui no Rio de Janeiro, fui designado para conduzir uns testes de sulco para a Codevasf no Projeto de Irrigação do Jequitaí (56.000 hectares), no Norte de Minas. Como pode ver no croqui abaixo, a finalidade era medir a infiltração e o comprimento de sulcos na área que seria irrigada com esse sistema (e que, na época, junto com a inundação, era o método mais utilizado no Brasil e no mundo).

Ao sair do reservatório elevado para a regadeira (canal onde são posicionados os sifões), no ponto indicado pela seta da esquerda, a água chegava com muita turbulência, dificultando a leitura do desnível H mostrado no perfil da seta da direita.

A solução que encontrei foi colocar no início do canal duas fileiras de tijolos furados (vide foto à esquerda) que, além de funcionarem como dissipador de energia (hidráulica), direcionam a vazão 'disciplinando' o fluxo nos micro-canais dos furos dos tijolos. E deu muito certo. A inspiração veio do meu emprego anterior, na Hidroesb S.A. (1975/80), a única empresa particular de Hidráulica Experimental do Brasil, onde essa prática (a dos tijolos furados) era comum.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 7 dezembro 2017 às 13:01

O ÓBVIO ULULANTE

Sem qualquer pretensão de querer parecer o bamba, eu acho que não é tão difícil inovar. Pelo menos, teoricamente. Basta pensar. Só isso ? Claro que não. Você deve ter conhecimento prévio do assunto. Quanto mais, melhor. Quer um exemplo ?

O tal Leonardo da Vinci brasileiro que eu conheci (ou, se quiser, pode chamá-lo de Santos Dumont tupiniquim-2) a quem me referi antes, no caso do gotejador subterrâneo de Brasília (numa época em que não havia ainda gotejador à venda, e muito menos subterrâneo), o Dr. Teófilo, da Hidroesb, bolou um DESARENADOR para irrigação, matutando sobre a equação da velocidade média da água em condutos: V = 4*Q/π.D².

Nos projetos de irrigação localizada da década de 70, como ainda não haviam desenvolvido os gotejadores como os conhecemos hoje, a economia de água se devia à passagem da água por tubinhos de 1 a 3 mm de diâmetro, enrolados em bobinas. Se a água contivesse areia, poderia entupi-los.

Pois bem. Vamos fazer o que eu sugeri no início: pensar. A areia vem misturada com a água e, ao se deslocar, tem a sua velocidade (a da água). Pela equação da velocidade, esta é tanto maior quanto maior for a vazão (Q) e menor for o diâmetro (D) do dispositivo que a conduz. Ora, se é assim, mantendo-se a vazão constante e aumentando-se o diâmetro do conduto, a velocidade média diminuirá; até um ponto em que o grão de areia perderá a sua energia cinética, ou de velocidade, e cairá sob a ação da gravidade.

Na Figura abaixo, é fácil entender o que aconteceu no invento do Dr. Teófilo. A água penetra por baixo (bombeada de uma fonte próxima) no desarenador e, logo ao passar do trecho inicial (que parece um funil), tem sua velocidade reduzida bruscamente pelo aumento do diâmetro de saída de 20 para 40 cm, mas não ainda ao ponto necessário para a deposição da areia, que é de cerca de 0,3 m/s.

Acontece que logo em seguida o desarenador tem uma segunda expansão do seu diâmetro, que passa a ser de 100 cm ou um metro. Aí, a velocidade média da água cai para 0,1 m/s, até menor do que a exigida para a deposição da areia. Então, ela 'tomba' para as laterais, sendo retirada periodicamente com a abertura de duas torneiras  que eu chamei de purga.

Simples, não, meu caro Watson ? E note bem. Isso não é só teoria. Esse desarenador portátil, cilíndrico, metálico e com tripé, foi testado num projeto de irrigação que a Hidroesb elaborou para uma empresa da Rússia no deserto da Argélia, no Norte da África, e funcionou bem como era esperado.

E como o papai aqui era o único Engenheiro Agrônomo da Hidroesb, adivinha quem foi à Argélia (junto com um colega Engo. Civil da empresa) levar o projeto final ?

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 7 dezembro 2017 às 8:38

VAMOS LÁ, MOÇADA !

Caro colega Eduardo,

Apesar do título que dei ao post ("Prêmio Agroinnovare"), o ideal é que o profissional de Agronomia (Engenheiro Agrônomo) não precisasse de um estímulo dessa grandeza para exercer o seu dia-a-dia. A inovação, ao meu ver, deveria ser uma busca incessante ao executarmos ou planejarmos toda e qualquer atividade agrícola. Além do aspecto econômico que a inovação trás, o seu maior mérito é a satisfação íntima pela realização de um trabalho bem feito.

O Globo de hoje trás um caderno especial sobre Diálogos Empresariais, com destaque para a inovação. Chamou-me a atenção a página 6, com o título "Depois de sobreviver à crise, é hora de inovar", de onde pincei textos que achei relevantes.

"Mas uma das grandes questões que, desde já, desafia a todos, e para a qual muitos ainda não atentaram, é a busca da inovação. Uma busca que ainda não mobilizou ou sensibilizou a maioria das empresas brasileiras".

"É preciso reconhecer que inovação não é lampejo, não é invenção, não é ideia de alguns gênios e, sim, um movimento sistêmico dentro das organizações que com o tempo se tornará uma tradição".

"Poucas empresas brasileiras já percebem essa diferença, até porque acreditam erroneamente que inovar significa apenas se atualizar tecnologicamente. A base da inovação não são circuitos, botões e motores, mas criatividade e inventividade". (o grifo é meu)

Resumindo:

Tome a última tradução de i.no.var: CRIAR. Aí está a base conceitual da palavra Engenharia: "engenhar" (nem sei se existe); engenho = arte. Exerça com dignidade a sua profissão. Inove !

Comentário de Eduardo B. Teixeira Mendes em 7 dezembro 2017 às 5:11
Realmente é uma ideia muito interessante. Existem diversas prêmios para inovação na área agrícola, mas apesar da importância do agronegócio e da agricultura familiar para a economia nacional eles não tem 0,5% da visibilidade que outros prêmios de outras áreas.

É preciso dar visibilidade a inovação tecnológica, tanto de baixo custo destinada às agricultura familiar, quanto a inovação de ponta destinada a agricultura empresarial.

Parabéns pelo lançamento desta discussão.
Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 6 dezembro 2017 às 13:51

A PROVA DO CRIME

Entrei no Google com as palavras "irrigação dos gramados do eixo monumental de brasília hidroesb" (sem as aspas) e, logo na primeira linha, surgem os Anais do 3o. Seminário Latino-americano de Irrigação por Gotejamento, realizado em Campinas-SP, mostrando um resumo do nosso trabalho.

Minha intenção era achar uma foto ou imagem do gotejador que foi bolado por técnicos da Empresa, dentre os quais destaco o Engo. Civil  Theophilo B. Ottoni Netto, seu fundador, dono, chefe supremo e o Leonardo da Vinci da equipe.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 6 dezembro 2017 às 13:08

UM BLOCO COM TERRA E GRAMA

A figura que encabeça este post, tomada emprestada de um site de fabricante de tubos para drenagem subterrânea (se não me engano), para mim, tem um significado especial e simboliza, de fato, a inovação em Agronomia.

Tudo começou 41 anos atrás, quando eu trabalhava na Hidroesb S.A., uma empresa particular que prestava serviços de Hidráulica e Hidrologia, aqui no Rio de Janeiro e coordenei o Projeto de Irrigação dos Gramados do Eixo Monumental de Brasília com Gotejamento Subterrâneo (no período 1976/79), para a Novacap. Já naquela época, ficávamos admirados dos gramados da Capital Federal voltarem a ter um verde escuro e forte, assim que passava a época seca, quando eles ficavam totalmente secos e marrom acinzentados.

A inovação teve início com a ideia de se criar um gotejador (naquela época os que haviam eram microtubos que, pelo reduzido diâmetro e relativamente grande extensão, perdiam pressão e davam uma mijadinha na saída) subterrâneo, já que temia-se o roubo e vandalismo se fossem instalados aspersores no gramado (esses escamoteáveis, dos campos de futebol de hoje, nem em pensamento existiam).

Bolamos um gotejador de polietileno que consistia em duas canecas de boca pra baixo e, na parede de uma delas, foi projetado um longo canal (imagine as ranhuras de um parafuso) para fazer as vezes do microtubo da época. A água entrava por cima e saía por baixo e ia perdendo carga ou pressão no trajeto. A boca seria fechada com uma rodela de Bidim, que já existia, para evitar a introdução das raízes da grama no interior do 'copo'.

Mas, voltando à cor do gramado, o que não sabíamos é que aquele verde viçoso era fruto da retirada de Nitrogênio atmosférico por bactérias que se fixavam na raiz das gramíneas (no início dessas pesquisas, que tiveram início no Instituto de Pesquisas e Experimentações Agropecuárias do Centro-Sul - IPEACS, no campus da UFRRJ em Seropédica-RJ, pensava-se que esse fenômeno só ocorria com as Leguminosas, soja no meio). Isso foi constatado, por iniciativa da Hidroesb, nos laboratórios desse então embrião-da-Embrapa.

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