Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Justifico o meu interesse nesse assunto (mesmo já estando aposentado) por ter passado 60% da minha vida profissional lecionando numa Escola de Agronomia (UFRRJ), em Seropédica - RJ. E o motivo desta pergunta (do cabeçalho) é o artigo: "O desafio de atualizar ensino da Engenharia" (O GLOBO, caderno Economia, 15.4.2018, João S. Neto, pág.38). O subtítulo é: 'Com o avanço da indústria 4.0, empresas se unem a faculdades para modernizar o currículo da profissão'.

O artigo começa bem enfático, dizendo que, na prática, as universidades estão capacitando engenheiros longe das reais demandas das empresas. E arremata: Diante do célere avanço de tecnologias como a inteligência artificial, a internet das coisas e a indústria 4.0 (que combina as duas primeiras com a robótica), o desafio que se coloca às escolas de Engenharia é levar para as salas de aula conteúdo que atenda à real qualificação exigida pelas indústrias.

O engenheiro que as universidades precisam formar hoje tem que saber empreender, tomar decisões, comunicar-se e liderar equipes. E deve buscar sempre a inovação --- diz Vanderli Fava, presidente da Associação Brasileira de Educação em Engenharia (Abenge), que participou das discussões para as mudanças. Há uma década não se fazem mudanças nos currículos de Engenharia, e é fundamental que haja atualização de conteúdo, tanto tecnológico quanto do que se espera desse profissional. Estamos distantes da formação adequada --- diz Luiz Curi, membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão associado ao Ministério da Educação.

Modificações Propostas:

Lembro que os profissionais visados no artigo eram os Engenheiros Civis e não especificamente os Agrônomos. Uma das sugestões para melhoria profissional seria o ensino de conceitos mais aprofundados de Administração e Empreendedorismo. Outra é que o engenheiro em formação trabalhe no desenvolvimento de produtos até o seu descarte. Mais uma modificação proposta é que o professor não seja apenas um pesquisador, mas traga no currículo alguma experiência de mercado, e que inove no método de ensino --- diz Eduardo Zancul, Professor da Escola Politécnica da USP, que participou das discussões da Mobilização Empresarial pela Inovação - MEI.

A Poli lançou na semana passada o curso de Engenharia da Complexidade, inédito no país, já com a metodologia de aprendizado por projetos. A ideia é que, ao resolver um problema de mobilidade urbana, como a construção de um viaduto, o aluno estude o impacto da obra para a população, meio ambiente e economia.

O artigo termina com a frase: Num mundo em constante transformação tecnológica, é preciso mudar o conteúdo oferecido e a forma de preparar os engenheiros.

A minha opinião:

Com o avanço da informática e a internet das coisas presa nas orelhas dos bovinos e nos painéis modernos dos tratores, colheitadeiras e controladores de drones, pelo menos o básico dessas inovações deve ser transmitido aos alunos de Agronomia.

Por outro lado, seria desejável que toda e qualquer Escola de Agronomia tivesse funcionando um pequeno Laboratório de Hidráulica, uma das ciências mais antigas mas que, pela sua importância, rivaliza em importância com as modernas tecnologias.

Reconheço que não é fácil encontrar uma brecha para inserir mais conhecimento num campo tão vasto como é a Agronomia. Termino essas reflexões mostrando um mapa mental da Agronomia, feito por mim com base no que era ensinado nas décadas de 70 e 80.

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 1 maio 2018 às 11:48

ATUAÇÃO PROFISSIONAL

O conhecimento aprendido nas Disciplinas dos Cursos de Agronomia nem sempre resolvem os casos práticos que se nos apresentam em nossa vida profissional. Vou citar o que aconteceu comigo, numa das últimas consultorias de que participei em uma empresa de Engenharia aqui no Rio de Janeiro.

Existe uma Área de Proteção Ambiental nos fundos da Baía de Guanabara, a APA Guapimirim, uma área tão preservada que parece um trecho do Pantanal ou mesmo da Amazônia. Anos atrás os pescadores da região solicitaram ao poder público que construísse um canal artificial unindo dois rios da região, para facilitar a pesca. Passado algum tempo, pelo fato de um dos rios ter ficado poluído, as suas águas estavam contaminando as do outro rio (com que se comunicava pelo canal), e pediram que o fechasse.

A empresa, então, bolou umas três alternativas, mas todas apresentavam consideráveis impactos ambientais. O dono, Engenheiro Civil especialista em barragens (com Mestrado e Doutorado na área, feitos nos Estados Unidos), também tinha participado das sugestões. Como ele sabia que eu me afeiçoara à área ambiental, pediu a minha ajuda.

Estudando na Internet, vi que havia um tipo de barragem submersa implantada em alguns locais fora do Brasil, mas nunca aqui. Estudei o assunto e verifiquei que aqui no Rio de Janeiro havia duas empresas internacionais que trabalhavam com o material.

Mostrei o meu projeto a elas, que se prontificaram a ratificar meus cálculos e fornecer o material. O (meu) projeto foi aprovado pelo INEA (órgão ambiental do RJ) e pela Empresa, mesmo essa tendo sido a primeira e única barragem que projetei em toda a minha vida profissional. Como sabem, estou aposentado há 15 anos.

Dia 14/02/2017 eu publiquei aqui o tópico BARRAGEM ECOLÓGICA (*), que mostrava detalhes técnicos deste projeto. A 'minha' barragem seria um tanto parecida com a Figura abaixo, com a diferença que era bem menor que essa e havia água dos dois lados.

(*)http://agronomos.ning.com/profiles/blogs/barragem-ecol-gica

P.S. - Grato pela participação, Eduardo. O que contei acima não contesta a sua opinião, mas apenas a reforça. Nem sempre nossa atuação profissional é pautada pelo que aprendemos na Escola de Agronomia ou pela qualidade dos docentes. Na minha opinião, nós é que temos de correr atrás da informação e da inovação.

Comentário de Eduardo B. Teixeira Mendes em 1 maio 2018 às 1:03
Gostaria de colocar uma gasolina nessa discussão....

O quanto será que nossas escolas de Agronomia pelo Brasil não estão abandonando toda gama de conhecimentos que nossa profissão abrange e estão centrando fogos em formar mais fitotecnistas do que Engenheiros Agrônomos???

Sempre vemos debates homéricos sobre nossas atribuições profissionais, mas poucos procuram discutir como nossos colegas estão sendo formados... Com a proliferação de muitas faculdades nos últimos anos fico com a dúvida... Será que todas elas possuem um corpo docente adequado para garantir a formação integral do ENGENHEIRO AGRÔNOMO para exercer todas as atribuições profissionais que lhe cabe???

Já que temos que repensar a formação temos que tocar nessa ferida também...
Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 26 abril 2018 às 16:06

Cara colega Bráisia, grato pela participação no 'debate'. Hoje, mais do que nunca, o profissional que não se atualizar no que faz, não terá o mesmo valor (e preferência no mercado) do que o fizer. Concordo com a indicação da área ambiental como um diferencial na Agronomia. Fiz o meu Mestrado em Saúde Pública em 1968, quando o banho de agrotóxicos que tomava o bandeirinha da aviação agrícola era considerado apenas uma fatalidade. Tanto que, mesmo agora, pretendo fazer o Curso de Licenciamento Ambiental da AEARJ.

Amigo Gilberto, me desculpe mais uma vez por discordar, duplamente. De fato poucos participam mas estes (tenho observado), evitam opinar sobre temas técnicos, preferindo os políticos. E não pense que estou atrás de palmas. Mesmo quando lecionei para Agrônomos e Florestais na UFRRJ, eu só obtinha recompensa pelo meu esforço didático entre os alunos de Licenciatura em Ciências Agrícolas, que viam criatividade em minhas iniciativas.

Comentário de Gilberto Fugimoto em 26 abril 2018 às 11:14

José Luiz,

Não esmoreça. Acontece que esse comportamento é típico de redes sociais virtuais: muitos aderem mas poucos se manifestam. Já falei pra vc considerar a proposta de realizar cursos sobre seu largo campo de conhecimento. É uma proposta que pode mobilizar de forma mais efetiva e divulgar ainda mais sua rede de ação.

E mais, caro amigo, atuação de associações não seria paternalista, mas ocupar um espaço vazio na formação complementar, até por que não seria uma gratuita. Uma oportunidade de diálogo da entidade com a categoria.

abração

Comentário de Bráisia Arifa em 26 abril 2018 às 11:14

Bom dia! Excelente postagem!Concordo com o colega e reforço que como profissional graduada em 1986 tive que buscar novos conhecimentos para manter-me no mercado de trabalho.Uma área muito interessante atualmente é a de consultoria ambiental!

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 20 abril 2018 às 17:12

Olá Gilberto,

Obrigado, mais uma vez, pelo apoio e incentivo. Eu também acho que a nossa agenda está lotada e, por isso, terminei meu pensamento dizendo (e mostrando) que a nossa "árvore" (mapa mental) está cheia de galhos produtivos. A formação que você chamou de complementar, pelas Associações de Engenheiros Agrônomos, me parece um tanto "paternalista".

Veja, p.ex., que hoje fazem 3 dias que postei o assunto e houve apenas 20 exibições, com apenas um colega (você) se manifestando sobre o assunto.

Eu continuo achando que a formação acadêmica não termina com o diploma, continua no dia a dia da profissão, mas depende de nós e de mais ninguém. Só aprendemos se quisermos. Tenho tentado mostrar alguns caminhos como, p.ex., a necessidade de nos familiarizarmos com as Geotecnologias e com o uso de softwares como o R, Python e (agora) o ImageJ mas, parece que a 'turma' continua irredutível. Uma pena.

Comentário de Gilberto Fugimoto em 20 abril 2018 às 11:52

Olá José Luiz,

Excelentes reflexões, com as quais concordo plenamente. Destaco que há anos venho alertando para a ausência de formação em gestão, uma deficiência de todo nível superior, aliás.

A questão do empreendorismo também é outro aspecto que clama por espaço de formação, nesses tempos sem emprego.

Considerando que as grades curriculares ja estão lotadas de demandas da formação regular, vejo espaço para formação complementar especificamente pelas Associações de Engenheiros Agrônomos.

Abração

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