Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Não é de hoje que há reclamações sobre os gramados de Futebol nacionais. Reclamações estas, feitas por jogadores, comissões técnicas e imprensa. Parte das reclamações são de fato, consistentes, mas temos de avaliar caso a caso para discernir o que realmente é pertinente, e o que não passa de “chororô”. . .

Se em alguma parte a regra do Futebol é perfeita, é no campo de jogo, posto que, as 02 equipes jogam no mesmo gramado e,  45 minutos, de cada lado. Assim, um gramado em boas condições é um palco perfeito para os artistas da bola. Um gramado em más condições, embora seja um mau palco não deveria servir de “desculpa”, pois é o mesmo para as duas equipes: vencedora e perdedora (quando não ocorre empate).

Isto posto, à exceção do “chororô”  supra registrado, é imprescindível dar importância às críticas. Não a toda crítica. Principalmente, não às críticas feitas via imprensa, que, na maior parte das vezes, são sonoras desculpas. E encontram eco na mídia face à falta de compreensão e conhecimento de grande parte de narradores e comentaristas sobre os gramados.  

Mas há crítica séria, construtiva, feita por comissões técnicas e jogadores, diretamente à administração do Estádio, do Clube ou do CT que tem de ser observada e levada em conta, em cada tomada de decisão de manejo de um gramado para prática esportiva do Futebol.

Historicamente falando, o Brasil evolui muito em seus gramados nos últimos 25 anos. Quem retroceder um pouco no tempo e puxar pela memória, lembrar-se-á de grandes craques (Zico, Sócrates, Romário, Bebeto, etc) jogando em gramados sofríveis: duros, irregulares, encharcados, enlameados, carecas e cheios de buracos perigosos. Em contra ponto a isso, ano passado, sediamos uma Copa do Mundo e em cerca de uma centena de campo usados (Arenas, CTS e CTOs) não houve registro de problema grave.

Visivelmente há, mesmo na Série “A”, gramados que já estão em más condições, mesmo no início do campeonato. Isso se dá, não por falta de expertise dos Engs Agrônomos nacionais, ou por falta de tecnologia.

Temos sim, tecnologia e bons técnicos.

Ocorre, porém, que, com honrosas exceções, Clubes centenários, mesmo de Série “A”, tem entendido ser importante gastar mais, num mês de salário de um “craque” da bola, do que em todo o ano com seus gramados (de Jogo e de Treino).

Isso mesmo! Há Clubes que gastam em um mês de salário com um jogador, mais do que gastam em todo o ano com todos os seus gramados. . . E, este é um fator determinante na qualidade dos gramados de um clube. Mostra a falta de conscientização de que os gramados de treito (CTs) e de Jogo (Estádio/Arena) são insumo básico do Futebol e o palco onde o “craque” pode demonstrar todo seu potencial...

Ocorrem também, um somatório de fatores, além do financeiro, que levam a problemas nos gramados, registrados abaixo, que são amplamente ignorados por Dirigentes, Jogadores, Comissões Técnicas, Narradores e Comentaristas:

- aumento da capacidade física do atletas, que hoje correm o dobro que há 20 anos atrás;

- redução do tamanho dos campos (de 110x75m, para 105x68m), com 1.110m2 a menos para 22 atletas que hoje correm mais;

- as chuteiras passaram a ter mais cravos, pontiagudos ao invés de redondos, que conferem maior poder de tração para os atletas, mas, que em contrapartida, provocam mais injúria mecânica aos gramados;

- a moderna arquitetura de Estádios trouxe as coberturas e os formatos tipo arena, que, se de um lado proporcionam maior conforto ao espectador e beleza estética ao estádio, impõe sombra ao gramado (a grama precisa da luz solar para fazer a fotossíntese e poder crescer, produzir massa verde e ter capacidade de suporte de pisoteio) e

- temos um calendário que é criticado por Técnicos e Comissões técnicas por sobrecarregar os atletas profissionais. Isso não é diferente com os campos, onde não há tempo para recuperação do gramado entre uma atividade e a outra...

Todos esses fatores, além do diminuto orçamento para os gramados, somados, produzem problemas como os vistos nas primeiras rodadas do Brasileirão. Mas os Dirigentes, Comissões Técnicas, Jogadores, e principalmente Narradores/Comentaristas, se esquecem que não há investimento financeiro suficiente, não há um calendário racional e nem banco de reservas para os campos de futebol... 

A crítica pura e simples, por grande parte da mídia, sem a compreensão de tudo o exposto acima, não leva a nada.

O investimento sério, continuado, associado a planejamento e um calendário racional, são a solução!

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Comentário de Francisco Lira em 18 junho 2015 às 10:31

Excelente abordagem, parabéns ao colega Artur Melo.

Comentário de Gilberto Fugimoto em 17 junho 2015 às 23:42

Artur,

Os dados que vc informa são impressionantes: um mercado de atuação importante que merece ser visto com dedicação para os colegas interessados. 

abração

Comentário de Artur Melo em 17 junho 2015 às 17:44

#nãotáfácilpraninguém

Melhorar vai, só que acho que ainda fica ruim um bom tempo...

Comentário de Enio Sicchiero Junior em 17 junho 2015 às 17:24

Quando digo gramados esportivos, incluo neste mercados que NUNCA havia passado por crise, como campos de polo, golfe entre outros. Estes mercados  nunca haviam sido afetados por crise, por pertencerem a uma classe social A, entretanto nem estes estão fazendo investimento em manutenção... os campos estão ficando sem manutenção e os trabalhadores das prestadoras de serviço ficando também desempregados...

Grande ajuda do nosso GOVERNO...

Será que é só isso que podemos esperar????

Comentário de Enio Sicchiero Junior em 17 junho 2015 às 16:29

Hoje em dia, os clubes não estão preocupados com os gramados. Aparentemente estão descapitalizados para qualquer investimento na manutenção do gramado que é o palco do espetáculo. Temos tido problemas em conseguir trabalhos nos clubes devido a falta de recurso financeiro quando apresentamos qualquer orçamento... Não sei mais como ficaremos no futuro próximo devido a falta de serviços...

Comentário de Artur Melo em 17 junho 2015 às 11:07

Digo mais, Gilberto, nenhum órgão de Governo (Federal, Estaduais ou Municipais), nenhum Conselho de classe (CREAs/CONFEA), nenhuma das Instituições do Futebol vêem, abordam ou tratam o problema.

Temos 670 Estádios com mais de 5000 lugares sentados, sem Engenheiro Agrônomo responsável... A grande maioria desses Estádios em área urbana. Aplicando agroquímicos sem controle algum!!!

Comentário de Gilberto Fugimoto em 16 junho 2015 às 23:31

Caro Artur,

Excelente análise e informação sobre a importância dos gramados esportivos e o papel do Engenheiro Agrônomo no seu planejamento, implantação e manutenção!

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