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PROJETO DE ATERRO SANITÁRIO EM VALAS

Engo. Agro. José Luiz Viana do Couto

Nas minhas pesquisas na Internet eu estou sempre me surpreendendo com a quantidade e a qualidade do material disponível para consulta sobre temas de meio ambiente. Vejam o que eu descobri. Um livro completo intitulado:

GUIDELINES FOR THE DESIGN, CONSTRUCTION AND OPERATION OF MANUAL SANITARY LANDFILLS – A solution for the final disposal of municipal solid wastes in small communities. (ROTEIRO PARA O PROJETO, CONSTRUÇÃO E OPERAÇÃO DE ATERROS SANITÁRIOS MANUAIS – Uma solução para a disposição final dos resíduos sólidos em pequenas comunidades). Autor: Jorge Jaramillo, da Universidade de Antioquia, Colômbia, publicado pela Organização Panamericana de Saúde – OPAS/OMS/CEPIS/OPS, 299 págs, 2003.(*)

Sendo assim, fiquei tentado a elaborar uma planilha Excel com os cálculos de um aterro sanitário deste tipo, aplicado a uma pequena cidade brasileira. Tomei aleatoriamente como exemplo a cidade do Sul de Minas, São Gonçalo do Sapucaí.

UMA EXPLICAÇÃO SOBRE ATERRO MANUAL

Aterro Sanitário em Valas é aquele onde os resíduos sólidos urbanos (lixo doméstico) é despejado em valas de área retangular escavadas no solo. O tipo de aterro mais comum é aquele onde, em vez de valas, o lixo é colocado numa superfície plana, em sub-áreas previamente delimitadas e chamadas de células, até que a pilha atinja o volume de projeto, quando passa-se a preencher a célula seguinte. O termo “aterro manual” refere-se ao uso de ferramentas manuais, em vez de tratores, para o espalhamento e compactação do lixo nas valas.

O roteiro mencionado mostrou uma comparação interessante e didática entre duas cidades: uma pequena, com 30.000 habitantes e outra média, com 250.000 hab. O autor considerou os seguintes parâmetros nos seus cálculos:

a) distância transportada de 30 m;

b) velocidade do caminhão igual a 4 km/h; e

c) produtividade do trator de 37 m3/h para o lixo e de 14 m3/h para a terra.

Os cálculos mostraram que a cidade maior exige que o trator trabalhe diariamente (10 h/d), enquanto que na pequena o trator seria necessário apenas 0,96 h/d (menos de uma hora), não justificando economicamente o seu emprego. Portanto, o uso de trabalhadores para o espalhamento e a cobertura (com terra) do lixo na célula (ou vala) do aterro sanitário nas pequenas comunidades, é uma solução economicamente viável.

E OUTRA SOBRE A PLANILHA

Depois que fixamos os valores da profundidade de cada vala (de 3 a 5 m), da sua largura (3 a 6 m), e a das estradas de contorno e central (3 a 6 m) e calculamos a área necessária das valas (dividindo o volume anual de lixo pela profundidade das valas), para facilitar os cálculos automáticos da planilha, consideramos inicialmente a área do aterro sanitário como sendo um quadrado e, neste caso, seu lado será a raiz quadrada da área. Consideramos também o aterro dividido em 2 partes iguais, separadas por uma estrada central. Para ajustar os cálculos aos arredondamentos feitos nas equações de área e volume, criamos um fator “f” (maior do que 1) para o número de valas, a fim de que seja suficiente para conter todo o lixo anual. A Planilha explica o resto.

OUTRAS DICAS INTERESSANTES DO MANUAL

1 – Em alturas ou profundidades do aterro de até 6 m, não há necessidades de estudos geológicos e geotécnicos, barateando o custo da obra.

2 – Deve-se prever uma área adicional de 30 a 40% para a manobra dos veículos e infraestrutura dos operadores.

3 – É importante a existência de canais de drenagem de cintura e mesmo internamente, para que a água da chuva não escorra para as células com lixo.

4 – Deve-se cobrir as células com teto de palha ou outro material, para evitar a produção de chorume.

5 – Convém instalar pelo menos 3 poços de monitoramento feitos com tubos verticais de 20 cm de diâmetro, afastados 10, 20 e 50 m da área do aterro.

(*) www.cepis.org.pe/cdrom-repi86/fulltexts/bvsars/fulltext/guideliness.pdf

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 15 outubro 2010 às 7:58
Olá colegas,
obrigado pelo apoio. O roteiro é mesmo bom e o Ministério das Cidades deveria traduzi-lo para distribuição entre os Prefeitos, Engenheiros e Gestores Ambientais. Aliás, encaminhei ontem uma cartilha oferecendo a minha planilha. Considerando que a maioria das cidades brasileiras é de pequeno porte, o Aterro em Valas é uma solução tentadora. Insisto que ele deve ser coberto e nós, Engenheiros, deveríamos testar um polvilhamento com cal em vez daquela camada de terra diária que ocupa boa parte do aterro.
Um abraço
Comentário de Artur Melo em 14 outubro 2010 às 19:04
Excelente trabalho. Não consegui ainda ler tudo, mas já salvei o PDF.
Abç.,
ARTUR MELO
Comentário de Gilberto Fugimoto em 14 outubro 2010 às 16:59
Olá José Luiz,

Excelente contribuição!
Um tema que deveria ser objeto de um estudo coletivo mais aprofundado ou mesmo de um curso.
Umr proposta a ser considerada.

Aproveito para informar que em Seropédica o prefeito, engenheiro agrônomo Alcir Fernando Martinazzo, formado na UFRRJ, acaba de suspender o alvará de instalação do aterro sanitário naquele município.

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