Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Redes Sociais e Agronomia

Em mais 5 anos, não lembro de ninguém questionando o porquê do nome Rede Agronomia. Será só o modismo ou há um conceito por trás? 

Para explicar, preciso falar um pouco da minha experiência: trabalhei com redes sociais e organização comunitária por mais de 10 anos. Resolvi então aplicar o conceito utilizando-se de uma plataforma virtual que pudesse estimular a comunicação e conexão entre os engenheiros agrônomos. Surgiu assim, em 2009, numa reunião da AEARJ, a Rede Agronomia.

Mas afinal qual a proposta da Rede Agronomia? Pra que uma rede de engenheiros agrônomos? Simples, foi a melhor forma que eu encontrei de fortalecer a organização profissional

Para confirmar essa proposta e tirar dela o melhor potencial, precisamos falar um pouco sobre a teoria de redes e seu potencial de transformação social.  Para tanto lanço mão da pouca literatura disponível, especialmente dos textos do Augusto de Franco (www.escoladeredes.ning.com), que nos esclarece bem os conceitos desta nova ciência.

Não vou esgotar o tema em apenas um blog, mas acho que será muito útil entendermos um pouco mais sobre organização e redes especialmente para quem pensa em organização social, seja ela de agricultores ou de engenheiros agrônomos.

O que são redes?

Redes são sistemas de nodos e conexões. No caso das redes sociais, tais nodos são pessoas e as conexões são relações entre essas pessoas. As relações em questão são caracterizadas pela possibilidade de uma pessoa emitir ou receber mensagens de outra pessoa. Quando isso acontece de fato dizemos que se estabeleceu uma conexão.

A Grande Rede Cósmica

Existem muitos tipos de redes, dentre os quais os mais conhecidos e citados são as redes biológicas (a rede neural, por exemplo, que conecta os neurônios no cérebro dos animais, ou a teia da vida que assegura a sustentabilidade dos ecossistemas, conectando micro-organismos, plantas e animais e outros elementos naturais) e a rede social (embora existam também redes de máquinas - como a rede mundial de computadores que chamamos de Internet - que são redes sociais na medida em que conectam pessoas). Há uma homologia entre esses diversos padrões organizativos, de sorte que, estudando-os, pode-se iluminar a compreensão do multiverso das conexões ocultas que configuram o que chamamos de social.

Redes propriamente ditas são apenas as redes distribuídas

Nem tudo que assim se chama, é de fato uma Rede. Em geral (em mais de 90% dos casos) denominamos indevidamente de redes estruturas descentralizadas que tentam conectar horizontalmente instituições verticais (quer dizer, organizações hierárquicas, mesmo que essas organizações façam parte da sociedade civil e pertençam à nova burocracia associacionista das ONGs). Uma rede social propriamente dita, no entanto, é uma rede distribuída. Para compreender isso é preciso começar dando uma boa olhada nesses diagramas de Paul Baran (1964), esboçados em um documento em que descrevia a estrutura de um projeto que mais tarde se converteria na Internet, na sua versão original (1).

Redes centralizadas são hierarquias 

Reparou? Nos três desenhos acima (do diagrama de Baran) a distribuição dos pontos (nós) é a mesma. O que varia é a forma de conexão entre eles. Redes propriamente ditas são apenas as redes distribuídas (o terceiro grafo). As outras duas topologias – centralizada e descentralizada – podem ser chamadas de redes, mas apenas como casos particulares (em termos matemáticos). Ambas são, na verdade, hierarquias.

Mesmo a rede descentralizada (o segundo grafo) é uma rede hierárquica. Uma rede de fato, não possui centro, portanto desprovidas de hierarquia. 

Exibições: 347

Comentar

Você precisa ser um membro de Rede Agronomia para adicionar comentários!

Entrar em Rede Agronomia

Comentário de Gilberto Fugimoto em 13 fevereiro 2015 às 21:31

Caros Francisco, Leonel e Maria Helena,

Grato pelas palavras e observações!

abração

Comentário de Maria Helena de Araújo em 3 fevereiro 2015 às 23:32

Parabens Gilberto. Excelente matéria sobre Redes.

Comentário de José Leonel Rocha Lima em 25 janeiro 2015 às 20:41

Oxalá a Rede Agronomia se aproxime cada vez mais do modelo de rede distribuída.

Forte abraços as meus conectados colegas e amigos da Rede Agronomia.

Comentário de Francisco Lira em 21 janeiro 2015 às 15:19

Realmente o potencial da rede agronomia é muito grande e tem surpreendido com a participação de muitos colegas, entretanto vejo muitos profissionais inativos sem ação, entendo que muitos teriam a contribuir, o que falta então para esse profissionais aproveitarem um espaço tão democrático como esses para trocar ideias colocarem seus pontos e vista e construir um agronomia mais conectada e atuante?

Comentário de Gilberto Fugimoto em 21 janeiro 2015 às 12:31

Ola Paulo,

O programa Comunidade Ativa foi uma excelente iniciativa que entendeu a importância de formação e organização para formação de Capital Social, base para o desenvolvimento social e comunitário.

A base do Augusto Franco é a melhor disponível em redes sociais e capital social. 

Essa é a chave para entender o desenvolvimento (ou sua ausência) em comunidades agrícolas e microbacias alvo de projetos de extensão rural.

Espero falar mais sobre isso. 

abração

Comentário de Paulo Shiguemitsu Higa em 21 janeiro 2015 às 9:57

Olá.

A minha experiência em rede, tendo por base "Comunidade Ativa" no ano de 2.002, aqui em Pedro de Toledo - SP, Vale do Ribeira.

Como filho de um pequeno produtor, no ano de 2.000 devido, ao falecimento da Tia, foi possível voltar a minha terra natal, onde tive a oportunidade de rever os conhecidos da época ginasial. Deste contato tive a oportunidade de executar o Programa Estadual de Microbacias Hidrográficas no município, nos anos de 2.002 a 2.004, onde conseguimos entender um pouco da organização social, integrando os 3 setores da Sociedade.

Assim, no ano de 2.005, com alguns amigos conseguimos formar uma cooperativa dos condutores no transporte escolar do meio rural, dando condições estudo para os filhos dos produtores e trabalhadores rurais.

A rede entre as microbacias dentro e fora do município é o nosso desafio atual após uma caminhada de 10 anos no Desenvolvimento Social, Econômico e Político de Pedro de Toledo - SP.

A base inicial de Augusto Franco e demais agentes de desenvolvimento local foram os participantes desta caminhada nos 3 setores.

 

© 2020   Criado por Gilberto Fugimoto.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço