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Repensando a AGRONOMIA 4. - PLANEJAMENTO, o alicerce de nossa profissão.

REPENSANDO A AGRONOMIA  4. – PLANEJAMENTO, alicerce de nossa profissão.

Entendo que, pela minha visão de 54 anos de formado, o PLANEJAMENTO é uma atividade nossa que é absolutamente fundamental para o pleno exercício de nossa profissão. Trata-se do alicerce de nossa atividade. Lamentavelmente tem sido desconsiderada e relegada como secundária, ou até terciária.

Não me refiro somente ao que já temos feito: planejamento agrícola de uma propriedade rural, considerando sua potencialidade (classes de uso do solo), a cultura desejável, seu rendimento financeiro e condições adequadas de trabalho para todos que nela vão atuar. Nem a projetos específicos como o ‘plano integrado de manejo de pragas’, ‘projetos de irrigação e de drenagem’, ‘planos de conservação do solo e das águas’, ‘projeto das vias de circulação na zona rural’ e diversos outros.

Refiro-me em pensar a ocupação do solo e do ambiente, tanto na zona rural quanto na zona urbana como um todo. À nível municipal e regional. Enquanto projetos de propriedade agrícola são feitos na escala de 1:5.000 com detalhes até a escala 1:500, o planejamento da ocupação ambiental é feito em escalas mais amplas, algo como 1:25.000, 1:10.000. Muitas vezes, mais ampla ainda: 1:50.000 e 1:100.000. E não seria possível pensar o uso e ocupação do Brasil, considerando seus diferentes biomas, numa escala de 1:1.000.000?!

Um dos mais amplos campos de atividade profissional para engenheiros agrônomos no Brasil é a elaboração de PLANOS DIRETORES MUNICIPAIS DE USO DO SOLO. Plano este obrigatório por Lei. Que tem sido conduzido principalmente por arquitetos urbanistas. E, ou nós não somos convidados ou não estamos sabendo mostrar nossa indispensabilidade. Vejam: quantos municípios existem no Brasil? São 5.570! Significa não só 5.570 oportunidades de trabalho, que seria até uma afirmação egoísta, diante da importância absoluta do trabalho: planejar a agricultura, acompanhar a produção evitando sub e super produção de dado produto e, sempre respeitando o ambiente, e não só na zona rural, quanto igualmente ou mais ainda incluindo a zona urbana.

Desse tipo de planejamento que estou aqui colocando, em escalas entre 1:50.000 à 1:10.000, tão importante quanto a produção agrícola é a preservação ambiental. Saber valer na integridade do território (ruro-urbano) o Código Florestal, a potencialidade e vulnerabilidade ambiental, particularidades do respectivo BIOMA e respectivas classes de uso do solo. Cuidar da fauna instituindo nas propriedades agrícolas, pensadas integradamente, uma ordenação da superfície e corredores de fauna e núcleos de preservação.

Nessa linha de pensar escala de espaço e fauna e a nível regional, lembro aqui o projeto de um corredor de fauna de norte a sul na Europa, continuo, entre a Escandinávia e a Grécia ( Revista Garten und Landschaft, “Grünes Band durch Europa”, pp 20 a 25, Januar 2014). O que mostra que o planejamento ambiental transcende as delimitações geográficas de cada país. Conceito que vale para nosso país, de escala continental.

Um dos trabalhos bibliográficos mais importantes nessa linha é “Design with nature” de Ian McHarg, de 1969.

No Brasil, importante programa, lamentavelmente restrito à zona rural é o “Programa de Microbacias” da CATI, da Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, atualmente em pleno desenvolvimento.

E para os colegas que querem um exemplo prático, de imediato, principalmente no que se refere à ESCALA ESPACIAL DE PENSAR vejam o Plano Diretor de Controle da Erosão da bacia hidrográfica da sub-bacia Laranja Doce, no LINK http://www.cati.sp.gov.br/portal/themes/unify/arquivos/produtos-e-s... , elaborado pelo mesmo CATI já citado. Refere-se só à erosão, mas tal plano pode fazer parte de um  mais amplo para todo o municípios da região. Falta atuação para sensibilizar o povo e os órgãos governamentais atinentes.

Voltarei ao assunto. Comentários, em especial os críticos, são bem vindos. Obrigado pela atenção.

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Comentário de Francisco Lira em 6 fevereiro 2017 às 9:21

Excelente abordagem do Colega Rodolfo, sua experiencia tem sido muito oportuna nesse espaço. Lamento que infelizmente pela falta de profissionalismo, vivencia e visão profissional de nossos docentes temo visto a cada dia o empobrecimento do ensino agronômico, sem a devida formação para ocupação de tamanho espaço de oportunidades, uma situação realmente triste, como mudar isso? Se o sistema esta engessado.  Cito aqui o exemplo de um colega referencia em mecanização agrícola que na seleção para docente em meu curso de formação ganhou na prova escrita e didática, mas na parte dos papeis perdera para outro colega sem nenhuma experiencia profissional. Perdão o curso, perdeu os futuros profissionais

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