Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Repensando a AGRONOMIA .- 5- Sobre seu ENSINO

                Muito temos comentado sobre o ensino da Agronomia. Que ocorre uma ‘desconstrução’ da Agronomia. Gosto dessa palavra. É a visão que tenho; ocorre ‘desconstrução’ e não o inverso, a Construção. A Construção de um pensamento que refletiria a Agronomia para o Brasil.

            Penso que cada professor quer ensinar a sua disciplina (matéria), em detalhes minuciosos e não se preocupa em integrar seus ensinamentos com os professores das outras matérias. Não há preocupação em integrar todos os conhecimentos de cada disciplina. Ao menos foi essa a impressão que tive quando cursei a ESALQ/USP, entre 1959 e 1963, inclusive. E me parece, ao menos em função de informações de muitos colegas de todo o Brasil, que isso ocorre até hoje, na grande maioria das Escolas.

            E como se poderia inverter esse processo? Da ‘des’ para a Construção? De uma espécie de desintegração para a Integração de todas as disciplinas? Teríamos de buscar um foco. Um único foco. Uma espécie de ‘denominador comum agronômico’ para cada uma do conjunto de disciplinas que compõe o ensino da Agronomia.

            Entendo que o denominador comum, o foco do ensino da Agronomia seja a atividade de PLANEJAMENTO. De Planejamento em Agronomia. E da habilidade de planejar em equipe. Em equipe com economistas, urbanistas, sociólogos, geógrafos.

            A Escola definiria projetos a serem pensados pela comunidade acadêmica da Faculdade, os quais poderiam durar mais de um ano, envolvendo assim todos os alunos da escola, que cursem do primeiro ao quinto ano. Por exemplo, cada escola pode tomar como modelo de pensar PLANEJAMENTO, o próprio território do Município em que se situa. Pensar sua produção agrícola, tendo como base uma soberania alimentar municipal, incluindo valores financeiros envolvidos, e a valorização das comunidades rurais. Controlar a produção de sorte a não haver nem  super produção (que avilta o valor do produto) nem sub produção (que leva à ‘importação’ e aumento de custos). A preservação ambiental nas zonas rural e urbana, direcionamento da expansão urbana para as terras de menor potencial agrícola, incluindo a soberania municipal na produção de ÁGUA. Nesse modelo de pensar, poderia ser pensado o manejo de bacias hidrográficas até o planejamento agrícola das propriedades rurais.

Nesse processo ocorre CONSTRUÇÃO. Ocorre integração de conhecimentos. O ensino de cada disciplina seria sempre direcionado ao PLANEJAMENTO, funcionando assim, este último, como DENOMINADOR COMUM para todas as disciplinas. Enfim, me parece que escolas de Arquitetura e Urbanismo adotam, ao menos parcialmente, esse modelo de pensar...

            Não há necessidade de se criar novas Cadeiras ou Disciplinas para isso. Que se forme uma Comissão de Trabalho de alguns professores, representando disciplinas diferentes, que levariam a cargo a definição de projetos a serem elaborados, ano a ano, e integrando os demais professores com alunos. As vantagens disso são incomensuráveis... ... ...

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Comentário de Manoel José Sant´Anna em 8 março 2017 às 17:01

Boa tarde colegas, voltamos sempre ao mesmo ponto, a depreciação do profissional da Engenharia Agronômica, todos gostamos de encontrar um único culpado, um modelo desagregador capaz de induzir os nossos gestores da educação, a desvirtuar por dinheiro, a complexidade e importância deste profissional responsável pelo que chamamos de PIB. Alguém já escreveu sobre os interesses escusos e degradados de espírito patriótico, em obscurecer a cultura dos nossos jovens. Não vejo dentro da sociedade brasileira, apenas a desconstrução da Engenharia Agronômica, vejo esta desconstrução ocorrendo desde o seio familiar, a 50 anos em meu curso primário existia a matéria moral e cívica, cantava-se o hino com a mão espalmada sobre o coração, os professores era nossos ídolos, nosso modelo, qual é o modelo de professor que pode ser imitado hoje?????!!!!. 

Comentário de Manoel José Sant´Anna em 8 março 2017 às 17:01

Boa tarde colegas, voltamos sempre ao mesmo ponto, a depreciação do profissional da Engenharia Agronômica, todos gostamos de encontrar um único culpado, um modelo desagregador capaz de induzir os nossos gestores da educação, a desvirtuar por dinheiro, a complexidade e importância deste profissional responsável pelo que chamamos de PIB. Alguém já escreveu sobre os interesses escusos e degradados de espírito patriótico, em obscurecer a cultura dos nossos jovens. Não vejo dentro da sociedade brasileira, apenas a desconstrução da Engenharia Agronômica, vejo esta desconstrução ocorrendo desde o seio familiar, a 50 anos em meu curso primário existia a matéria moral e cívica, cantava-se o hino com a mão espalmada sobre o coração, os professores era nossos ídolos, nosso modelo, qual é o modelo de professor que pode ser imitado hoje?????!!!!. 

Comentário de Mario Sergio Alves de Godoy em 5 março 2017 às 15:31

O assunto é apaixonante. A nossa formação. No entanto, como vem sendo destacado pelos colegas, não é algo simples. Mas, que deve ser encarado com urgência e com coragem/determinação pensando o agronegócio brasileiro (o familiar e o das grandes empresas) e na NECESSIDADE da presença do AGRÔNOMO integral junto a essas Empresas e o setor Público.

Mais uma vez, e principalmente nestes casos mais acadêmicos, enfatizo que participo deixando um ponto de vista muito particular, sem nenhuma esperança de que venha a ser de muito proveito.

A UNIVERSIDADE e os Professores Universitários são pontos nevrálgicos do processo, mas a AGRONOMIA deve ser gestada de outro Organismo (já existente ou não). A UNIVERSIDADE e os Departamentos das Faculdades de Agronomia (dentro das Universidades) fazem parte e não percebo que deva mudar muito a sua postura, senão no sentido de FAZER PESQUISA e ENSINAR. Já fui aluno de dois cursos de graduação em duas UNIVERSIDADES e o que pude perceber é que a força da Graduação vem da força da PÓS-GRADUAÇÃO, do comprometimento dos Professores com ela.

Particularmente, recentemente, na Graduação em Agronomia, vi os ALUNOS com muito tempo livre... (e, justamente, digo de passagem, eu mesmo os via com certa inveja, no entanto, com certa dó. Esclareço: fiz um curso em regime integral ao mesmo tempo que exercia profissionalmente o mesmo trabalho que fazia antes do ingresso no curso também em regime integral e com bom aproveitamento). Vi muito ALUNO empregando mal o tempo e, neste sentido, os Professores não tem coragem de atuar... Muitas coisas que o texto em análise propõe, digamos, já existe... falta PLANEJAMENTO por parte dos alunos! Falta o ALUNO fazer seu Planejamento, falta o ALUNO aproveitar o tempo, participar de Congressos, Agri Shows e eventos (obs: não esses em cidades turísticas...) pelo sertão, pelas fronteiras agrícolas (MT/RO/PA/TO/BA/MA/PI e pela Caatinga); conhecer o CREA, as Associações, planejar o trancamento de um período para fazer um estágio na EMBRAPA, no CEAGESP, no IBGE, EMATER (acompanhar a agricultura do seu Estado) ou , fazer um curso EaD do SENAR... sei lá.

Neste sentido, os Professores e os Departamentos deveria abrir leques de opções aos estudantes: uma permanência na EMBRAPA RO acompanhando um Unidade de Referência em iLPF e o objetivos brasileiros em colocar carbono no solo..., etc. E, de forma positiva, desaconselhar determinados comportamentos cujo resultado ficou evidente em Santa Maria-RS ou mesmo aqui em Bauru-SP recentemente (fica difícil para um pai explicar a perda de um filho em determinadas circunstâncias).

Então: nos cursos de agronomia há tempo excedente, há disciplinas interdisciplinares de sobra... falta interesse dos ALUNOS e, neste sentido, falta mobilização dos Professores e Departamentos da Agronomia (e das disciplinas de Humanas) no sentido de tirar o aluno do marasmo. Mas, cabe fundamentalmente aos Professores fazer Pesquisa de qualidade, orientar pós-graduandos com qualidade... vi Professores passando o tempo na Universidade como os alunos... Embasamento técnico primoroso nas cadeiras do núcleo do Curso, incluindo Veterinária, Floresta, Bioquímica, etc.

Professores das áreas de interdisciplinares como Extensão Rural, Economia, História das Civilizações, etc... poderiam, no meu entender, dedicar mais energias a estes processos de PLANEJAMENTO sugeridos no texto. Colocar os alunos em ambientes externos a Faculdade por mais tempo...

Mas a que Entidade máxima de Agrônomos caberia Reger a Orquestra?

Comentário de Rodolfo Geiser em 4 março 2017 às 9:22

Caros Francisco, Alex e Gilberto e todos demais amigos da Rede. Agradeço os comentários e apoio do Francisco. Agradeço o Alex, mostrando exemplos detalhados endossando as idéias que expus no Repensando - 5.-  Agradeço ao Gilberto ter colocado minhas idéias no contexto global da Agronomia. Penso que esses assuntos que estamos abordando aqui, são fruto de um trabalho de desconstrução de praticamente 50 anos e não o resolveremos n um ano. Creio que temos de planejar, agir politicamente com todos os colegas, em especial os que vivem em diversificações, e que, temos de pensar de maneira global, integrada, em beneficio de nossa Nação e não pensando em indivíduos ou disciplinas isoladas (refiro-me aos florestais, zootecnias, e demais). Esse trabalho DEVE SIM SER REALIZADO e vai tomar muito tempo para nova integração, algo como DEZ A VINTE ANOS. Não resolveremos de uma hora para outra. Num único Congresso. MAS É INDISPENSÁVEL QUE SEJA FEITO.

Comentário de Francisco Lira em 3 março 2017 às 18:04

Boas contribuições Aldo e Gilberto e complemento você Aldo, realmente vivemos uma situação critica na formação agronomia, profissionais tão especializados que buscam ser a referência mundial no parafuso da roda  traseira esquerda , mas no geral não conhecem nada da maquina em si. E Gilberto enquanto estudante técnico em edificações pre agronomia entre 2000 e 2002 vivi muito junto com meus professores Eng. Civis o desenho técnico em alto CAD, praticamente todas as disciplinas eram complementadas com ferramenta de grande importância, aí chegou na graduação em agronomia, fui para velha prancheta, confesso que vi ali uma grande decepção enquanto via estudantes de civil, arquitetura e agrimensura abusando dessa ferramenta, perdi o bonde.

Comentário de Aldo Max Custódio em 3 março 2017 às 15:43

Prezado Rodolfo,

Realmente a "des-construção" da Agronomia é grave e generalizada. Sou professor em uma instituição Federal, tive algumas experiências com alguns cursos de vários estados do Brasil, e estudo sobre o "ensino da Agronomia". O problema inicia com os próprios professores que são super-especializados em uma área e não se preocupam com os conhecimentos gerais de sua área de formação. São Fitopatologistas especializados em uma doença específica da soja, mas que não conhecem a ecofisiologia da cultura. O entomologista é doutor especializado na nervura da asa da mosca-da-fruta, mas não conhece as exigências das fruteiras por ela atacada. O engenheiro agrícola é doutor em mecanização, mas não sabe fazer caracterização morfológica de um solo. O fitotecnista obteve doutorado com a cultura do arroz, mas não sabe nada de outras culturas anuais, portanto, não está apto a falar de rotação de cultura, consórcio etc. Enfim, a fragmentação da agronomia é uma realidade cruel e que se intensifica na medida que novas áreas de especialização vão surgindo. Hoje, encontra se muitos especialistas nas Instituições de ensinos, porém, poucos Engenheiros Agrônomos. Não que o Mestrado e Doutorado não sirva ou seja importante, mas esses não devem ser alcançados em detrimento dos conhecimentos básicos e gerais da graduação. Os alunos aprendem tudo "separado", saem do curso e, lá fora, descobrem que tudo é integrado, interligado e interdependente. Alguns conseguem a partir de experiências desenvolver soluções a partir de uma perspectiva integradora e holística, outros, fracassam porque tentam soluções específicas/limitadas muitas vezes produzidas em contextos completamente diferentes.

E... Sinceramente, não tenho esperanças de ver mudanças significativas a curto prazo, pois todo o sistema institucional é viciado, mudanças pontuais apenas atenuaria o problema, não resolveria.

Comentário de Gilberto Fugimoto em 3 março 2017 às 14:55

Prezado Rodolfo,

Agradeço e parabenizo sua disposição em compartilhar suas ideias sobre o ensino da Agronomia considerando ainda sua longa experiência profissional!

Entretanto, vejo que a deterioração do ensino e da carreira da Agronomia envolve várias questões e uma complexa luta de forças e interesses. Destes, via de regra, sobressaem os interesses privados sobre os coletivos. 

A própria qualidade (e o conteúdo) do ensino é resultado de uma disputa política onde colidem várias visões e ideologias além da célebre acusação de que a Academia é uma "Torre de Marfim" isolada da realidade.

Dessa forma, há sérias carências e inadequações que precisam ser superadas não apenas na Agronomia, mas em quase todo o ensino superior, especialmente o tecnológico. 

Formar profissionais sem entender (e pesquisar) as demandas do mercado, as novas tecnologias existentes é condenar o profissional ao erro e à desatualização, antes mesmo de formado. 

Vi outro dia num debate que as aulas de desenho técnico continuam sendo à mão, enquanto nenhuma parte da disciplina se dedica a apresentar novas ferramentas como autocad. Será que topografia já apresentou GPS e GIS aos estudantes? Alguém se forma sabendo de agricultura de precisão ou precisaremos de ajuda de tecnólogos para este tema?

Ficam aqui as provocações para debate!

Grande abraço

Comentário de Francisco Lira em 2 março 2017 às 20:59

Boa colocações Rodolfo. Em um momento em que integrar tem sido uma das palavras mais dita no setor produtivo, fico a imaginar como colocar na mente dessa turma que faz o ensino de Agronomia a ver essa necessidade. ILFP, Aquaponia são duas ferramentas que vem ganhando destaque, uma em grande escala e outra em pequenos módulos por enquanto,  mas ambas integrando conhecimentos agronômicos. Enquanto estudante realmente convivi com essas ilhas de conhecimento e quando não intrigas entre docentes e no final o aluno sempre perdendo e claro a sociedade, investimento caro para retorno duvidoso, e  é por essas e por outras que vez por outra aparece um oportunista como alias ocorre desde 1960 querendo dar a luz soluções caras e de cunho duvidoso como todos nos já conhecemos.

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