Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Repensando a AGRONOMIA 7. - O Engenheiro Agrônomo um Apóstolo?

REPENSANDO A AGRONOMIA –7.- O Engenheiro Agrônomo como um Apóstolo?

 

Pessoalmente entendo que nossa profissão é um apostolado. Temos tantos e diversificados problemas a enfrentar! E a todos devemos nos dedicar.

 

A primeira vista parece que tudo vai bem para nossa classe, como consequência e produto de nossa atividade. Os 900 milhões de dólares de superávit comercial, entre 2010 e 2016, graças ao agronegócio têm causado euforia e ufania entre todos nós.

 

Entretanto, penso que não devemos pensar somente em resultados financeiros, seja para nós como engenheiros agrônomos, seja para a empresa onde trabalhamos. Temos de estar atentos para todos os lados da questão.

 

Sabidamente o agronegócio tem suas vantagens econômico-financeiras. Mas também tem muitas desvantagens. São muito comentadas as seguintes:

. utiliza máquinas pesadas que compactam o solo e altas doses de pesticidas,

. constitui extensas áreas de monocultivo com risco de desequilíbrio ambiental,

.utiliza pouca mão de obra e expulsa o trabalhador rural promovendo o inchaço das cidades,

. leva à concentração de poder e tende a desalojar o morador local que vende sua propriedade por valores muito baixos,

. desarticula as comunidades rurais e o espírito das comunidades rurais.

 

            Ao lado disso, surge uma série de questões paralelas que merecem nossa atenção: a importância ou não tanta da agroecologia; o que está acontecendo com as abelhas que desaparecem? (4.-), (5.-), (6.-); qual nossa posição quanto aos OGMs?; e a questão da qualidade da água para uso futuro de toda a humanidade?; a Reforma Agrária; a criação de Reservas Biológicas e a proteção de populações locais... A privatização do bem público. E tudo isso relacionado com Economia, Sociedade e Política. São realidades às quais não podemos fugir, pois, são de nossa responsabilidade como parte de nossa atividade.

 

            Concentração de poder econômico tem levado ao aparecimento de grandes empresas financeiras internacionais com PIB superior ao de muitos países, caminho aberto para a corrupção e o absolutismo. Nessa linha de pensar empresas como a Monsanto são altamente questionáveis. Foi até produzido um documentário com cerca de 80 minutos a respeito. Fica aqui o convite para assistirem o filme no youtube: “O mundo segundo a Monsanto”,  da jornalista francesa Marie- Monique Robin , de 2008: https://www.youtube.com/watch?v=J22coHHotpw –  

e formem sua própria opinião, lembrando sempre que o importante é tomarmos consciência dos problemas para não sermos manipulados por terceiros.

 

O que nós engenheiros agrônomos pensamos disso tudo? Importante, agrupados numa entidade de classe, todas as ideias são válidas e tudo funciona democraticamente: pessoas que pensam diferentemente são bem vindas e cada um tem direito a expor o que pensa, sem exceções. Pois, o que interessa, é termos a visão mais ampla possível. O mais diversificada possível. Mas temos de assumir o debate. Não é necessário todos estarmos de acordo. O importante e essencial é que todos nos estejamos conscientes e prontos para ação! A diversidade de pensamento é tão importante quanto a diversidade ecológica. A diversidade de ideias é que sustenta o equilíbrio. Ausência de diversidade conduz ao desequilíbrio e à concentração de poder (enfatizando) caminho aberto ao absolutismo.

 

Diante de tais dificuldades, que requerem muito estudo e reflexão, sem preocupação exclusivamente financeira, é que me levam a entender nossa profissão como um apostolado.

 

Abaixo, a titulo de ilustração, o LINK de uma série de noticias polêmicas, mas, da maior relevância para nossa profissão e resultados de nossa atividade profissional:

 

° http://www.pan-europe.info/press-releases/2016/03/2-march-2016-glyp...  ;

° Europe should expand bee-harming pesticide ban, say campaigners ;

° BayerCropScience Fights Europe’s Pesticide Ban: Petition Blasts ‘Be...;

°  http://www.ihu.unisinos.br/566385-desertificacao-ameaca-94-das-terr...;

° http://jornalggn.com.br/noticia/nestle-e-o-fim-da-era-brabeck-por-f...;

° http://www.mst.org.br/2017/06/10/agronegocio-e-madeireiros-ameacam-...;

° http://epoca.globo.com/ciencia-e-meio-ambiente/blog-do-planeta/noti...;

 ° http://www.ihu.unisinos.br/563846-apresentadora-da-record-diz-que-i... ;

 ° http://www.resumenlatinoamericano.org/2017/05/08/michael-lowy-el-pe...  ;

 ° http://www.mst.org.br/2017/05/09/governo-e-ruralistas-se-unem-contr... ;

 ° https://www.socioambiental.org/pt-br/blog/blog-do-ppds/fisiologismo... ;

 ° http://solidarionoticias.com/reflorestamento-da-bacia-do-rio-doce-c...  ;

 ° http://www.ihu.unisinos.br/563686-orgaos-ambientais-sao-atropelados...

° http://blogs.oglobo.globo.com/miriam-leitao/post/sombras-no-ambient... ;

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Comentário de Rodolfo Geiser em 16 junho 2017 às 12:21

Caros, agradeço TODOS os comentários. Que venham outros, abraço, Rodolfo

Comentário de Mario Sergio Alves de Godoy em 16 junho 2017 às 12:15

Dentro desta abertura para opinar, permitam-me alinhar-me com o comentário do RAFAEL SÁ e mostrar-me incomodado pela figura apresentada pelo GILBERTO. O pensamento mercantilista tipo "monsanto" vem alinhado com a Revolução Verde. Assim como o lema aqui em SP, PR, etc era desmatar a base de correntão, máquinas de esteiras e, de uma hora para outra, isso parou (depois de avançar muito além do limite aceitável, é claro... parou até mesmo por falta de que desmatar). A partir da década de 70 foi se intensificando a mentalidade conservacionista. Acredito que vamos entrar em um processo de aumento das áreas preservadas. A questão da formação e da mentalidade individual é importante (tanto para a política/honestidade quanto para a produção/sustentabilidade). Ela vai se manifestar no caso a caso (onde sempre muitos sofrem uma certa opressão destes oligopólios mercantilistas) e vencer na sua forma coletiva, no longo prazo. Alinhado com o RAFAEL SÁ, creio que o modelo monocultor tem se movimentado no sentido conservacionista (desde o plantio direto até o MIP, até por questões meramente financeiras) e deve receber ainda muita contribuição dos Agrônomos na conservação - particularmente mecânica - de solo e proteção de nascentes (mananciais). Da mesma forma, a agricultura familiar das áreas antigas (pequenos cerealistas, silvicultores e/ou pecuarista) vai receber as orientações da mesma conservação de solo e da iLPF; e a (agricultura familiar) dos cinturões verdes receberão a orientação para produção orgânica, etc. Por isso que, por outro lado, não gosto muito destas caricaturas onde o "cristo" só fala para uma minoria. Nesta seara (campo semeado...), o chefe da igreja católica, por exemplo, publicou uma encíclica recentemente convidando a todos a se preocupar com a "casa comum". O RODOLFO GEISER trouxe uma questão fundamental, mas a mais importante, no momento, na minha percepção, é a da formação individual, na linha que vem militando o FRANCISCO.

Comentário de Gilberto Fugimoto em 15 junho 2017 às 18:04

Valeu Rodolfo,

Parabéns pela postagem e oportunidade de debater!

Comentário de Rodolfo Geiser em 15 junho 2017 às 17:29

Valeu o desenho, Gilberto, Obrigado,

Comentário de Gilberto Fugimoto em 15 junho 2017 às 16:59

Valeu Rafael!

Comentário de Rafael Sá em 15 junho 2017 às 13:47
Na minha opinião devemos aplicar a nossa técnica onde formos demandados. Seja em sistemas convencionais, integrados ou agroecológico existe sempre uma maneira, uma técnica ou recomendação mais adequada. E nesse sentido que se assenta nosso apostolado defender a técnica mais adequada em cada sistema de produção com responsabilidade profissional. A filosofia já nos ensina que: No ponto onde nosso talento tocar a linha da necessidade social, está ali a nossa vocação.
Comentário de Gilberto Fugimoto em 15 junho 2017 às 13:02

O que eu penso quando me falam em apostolado profissional....

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