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Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Repensando a AGRONOMIA 8.- O Engenheiro Agrônomo e a VIDA RURAL.

REPENSANDO A AGRONOMIA – 8.- O Engenheiro Agrônomo e a VIDA RURAL.

           

            VIDA RURAL, aqui significando o contato no cotidiano dos seres humanos com a dinâmica dos processos naturais (cultivo) e com a Natureza (preservação).

 

            Entendo que o Engenheiro Agrônomo é o principal responsável pela Vida Rural. Pelo homem rural. Pela manutenção do espírito do homem rural. E daí responsável pela estruturação da vida rural, da mesma maneira como o arquiteto urbanista o é para o homem urbano, no tocante à VIDA URBANA.

 

Vou tentar explicar a razão e importância dessa afirmação, certamente sujeita a ‘chuvas e trovoadas’. Escrevo em base a textos como:  ”Decadência e regeneração da Cultura” de Albert Schweitzer, “O mal estar da Cultura” de Sigmund Freud, “ A demolição do homem” de Konrad Lorenz, e recentemente a Encíclica “Laudato Si” (Louvado seja) do Papa Francisco. E sem esquecer o filme “Tempos modernos” de Charles Chaplin: o ser humano automatizado e alienado.

 

Interessa-nos, portanto, o homem como espécie e o espírito humano. Em todas as escalas de tempo: no imediato e no mediato. Penso em espírito como algo inerente à biologia humana, no sentido agnóstico mesmo. Talvez lembrando o Teilhard de Chardin enquanto paleontólogo, quando trata do Noôs.

 

Postulado: o equilíbrio psicológico e social da espécie humana só se realiza na percepção daquilo que é real. Não perceber o real pode ocasionar sérias doenças ao animal homem (porque somos uma espécie animal, não é?). Os autores inicialmente citados preocuparam-se com isso.

 

Konrad Lorenz, biólogo e prêmio Nobel de Medicina em 1973, chama a atenção de que o homem urbano, estando afastado da natureza e vivendo rodeado de ARTEFATOS HUMANOS, ‘perde’ o senso de realidade por distanciar-se e mesmo negar sua condição animal, natural, o que lhe causa uma série de problemas e leva-o a um estado doentio, daí o titulo de seu livro ‘A demolição do homem’.

 

 Mais ou menos mostrando a gravidade da perda de noção de realidade, na linha da tese de Lorenz, foi já postado aqui na Rede de Agronomia, que “16 milhões de norte americanos pensam que produtos ‘achocolatados’ são produzidos por vacas cor de chocolate!” ((http://www.mlive.com/news/us-world/index.ssf/2017/06/brown_milk_bro... ) Isso vai muito além da criança que nunca viu uma galinha... só para dar uma dimensão da Coisa.

 

Interessante que, na linha de perda da noção de realidade, como doença, nosso saudoso professor Salvador Piza, ESALQ, emérito da USP, numa palestra, entre 1959 e 1962, comentava que as pessoas da cidade não assistem à morte dos animais com que se alimenta: “matam por nós” disse ele... e, em ambientes fechados que ninguém vê. Esse alimento é vendido em charmosas embalagens (que são artefatos humanos). Certamente ele estava também preocupado com essa questão, que, certamente, não atinge (tanto?) os habitantes da zona rural.

 

 Assim penso que nossa responsabilidade como engenheiros agrônomos está em pensar o homem num contexto geral ruro-urbano, focando também a espécie humana na zona urbana e ampliando nossa responsabilidade no tocante a zona rural. Em consequência, devemos nos preocupar com questões tais como valorizar a vida do homem rural, do fazendeiro ao simples trabalhador, preocupando-nos com sua educação, assistência médica, sua dignidade, sua vida social e em proporcionar um certo ‘glamour’ à vida rural, de maneira que se sinta valorizado e em pleno gozo da vida, tendo plena consciência de sua importância que é equivalente ao habitante das ZONAS URBANAS.  Que não tenha vergonha de pegar numa enxada quando necessário. Devemos nos preocupar com o êxodo do homem rural para as cidades e mesmo em considerar o caso de inverter essa tendência. Quem sabe até rever o enfoque da Reforma Agrária (assunto meio tabu no Brasil) e que o Governador Carvalho Pinto, em São Paulo, lá pelos anos 1960, denominou de REVISÃO AGRÁRIA.

 

Assim, questiono a afirmação de que um dos papéis da atividade primária – a agricultura, ”é ceder mão de obra para as demais...”. Essa frase denota, a meu ver, interesses mal formulados e mesmo escusos. Em outras palavras, questiono o fluxo de o homem rural para a urbe. Como as cidades estão ‘inchadas’, além de outras desvantagens, penso que devemos trabalhar para ‘inverter’ o ciclo, mantendo o homem rural no campo, e ou promovendo a ida de habitantes urbanos para a zona rural. Devido ao fluxo, o desemprego vai para a zona urbana...o homem rural deslocado para a periferia da cidade.

 

A postagem de 13 de agosto do colega Tito, vem exatamente na linha do que tento dizer, o que, para iniciarmos, é um bom augúrio: http://www.fundect.ms.gov.br/news/4701/pesquisa-de-ms-desenvolve-a-... .

 

A grande vantagem disso seria promover um REEQUILÍBRIO no espírito da humanidade, controlando parcialmente o homem urbano ‘demolido’ com o espírito mais saudável do homem rural. A Europa Central já conseguiu. No Brasil ainda não se pensa nisso.

 

Bem, meus caros, essa discussão ‘dá pano para manga’, mas temos de começá-la. E é por tudo isso, por questões como essa, que tenho a firme convicção que devemos REPENSAR A AGRONOMIA, assumindo a reflexão desde o início, de suas bases filosóficas, técnicas e espirituais. E COM CORAGEM! 

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Comentário de Francisco Lira em 14 agosto 2017 às 23:34

É um tema de alta relevância, o Brasil hoje vive o caos no falido processo de urbanização sem controle desprezando de forma absurdo os espaços verdes que muito amenizariam o stress da vida caótica dos grandes centros sem falar nas problemáticas terríveis da impermeabilização de solos em clima tropical, tanto pelas altas temperaturas como a total ausência da drenagem natural. Quando vejo as belas imagem dos verdes  bairros norte americanos fico a imaginar o que perdemos sendo um país continental e tropical pela falta de visão e valorização da importância do planejamento

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