Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Repensando a AGRONOMIA- 3: UMA DERROTA E UMA LIÇÃO?

REPENSANDO A AGRONOMIA - 3 :   Um pouco de história: uma derrota e uma lição?.

Quando penso em nossa profissão, procuro um modelo de pensar e uso um triângulo equilátero. Nos seus vértices, as condições para a realização da Agronomia em equilíbrio: a qualidade e quantidade da produção agropecuária, o correto manejo dos recursos naturais renováveis e a qualidade de vida nas comunidades rurais.

Atualmente, com essa história de agronegócio, só se pensa em produção e se esquece os demais vértices. Não se pode pensar em produção sem se considerar a natureza e o homem que nela vive. E isso tudo faz parte da agronomia. Afinal, arquitetos pensam a urbanização sem pensar na qualidade de vida do homem?

Lá pelos anos 1960, a Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo era organizada de tal maneira que atendia aos requisitos desse triângulo, a saber: (1.)  a Coordenadoria da Pesquisa dos Recursos Naturais, cuidava da natureza, (2.) a Coordenadoria da Assistência Técnica Integral, cuidando das comunidades rurais, (3.) a Coordenadoria da Pesquisa Agropecuária, cuidando da técnica, e junto o Instituto de Economia Agrícola cuidando da parte da economia. Na CPRN estavam o Instituto Geográfico e Geológico, o Instituto Florestal e o Instituto de Botânica.

Em 1986 esse modelo de organização foi detonado com a criação da SMA- Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo e nós engenheiros agrônomos perdemos algo que tínhamos controle: o cuidado com o manejo dos recursos naturais renováveis. ATIVIDADE EM QUE SOMOS OS UNICOS PROFISSIONAIS HABILITADOS A REALIZAR.

A partir desse momento nossa atividade foi conduzida cada vez mais unicamente para a produção. Junto com o manejo dos recursos naturais, nos afastamos do social. Hoje, quase só se fala em ‘agronegócio’. Na sede da AEASP, esta palavra consta em nosso brasão. E no Instituto de Engenharia de São Paulo a Divisão de Agronomia foi substituída pelo Departamento de Agronegócio (confirmem:  http://www.iengenharia.org.br/   )... Agronegócio é muito importante, mas é somente uma das partes da Agronomia...

Cada vez mais isolados, estamos perdendo a força e amplitude de nossa atividade profissional. Essa dissociação começou com a ESALQ-USP criando a turma de cinco anos com especialidades: fitotecnia, zootecnia, florestais, etc...  A partir daí cada uma quer ter vida própria o que enfraquece nossa profissão. PENSO QUE FOI UMA IDEIA INFELIZ E MAL SUCEDIDA PARA A AGRONOMIA EM GERAL  E QUE DEVEMOS PENSAR SERIAMENTE EM VOLTAR ÀS ORIGENS, integrando tudo novamente e atentos as necessidades do mundo atual. Aliás, não sou o primeiro aqui na Rede de Agronomia a afirmar isso.

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Comentário de Rodolfo Geiser em 31 janeiro 2017 às 17:24

Jorge, Olá, Agradeço muito o seu comentário. Concordo, como dizem, com todas as letras, em gênero, número e grau. Confesso que não tive a sua coragem de escrever com toda a clareza: " ocorre também por interesses, quando criam novas profissões, criam junto um aparato de empregos e cargos, sem contar as vaidades  ". Aliás, não sei qual o maior problema, se é o financeiro ou a vaidade. A vaidade é muito grave pois algo pessoal, altamente negativo, afeta toda uma classe. Assim, agradeço muito suas palavras. abraço

Comentário de JORGE ROBERTO RAMOS SALOMÃO em 31 janeiro 2017 às 6:35

É uma confusão bem interessante, eu entendo que Agrônomia é a ciência do Agro e Agronegócio é a parte empresarial do Agro e por isto bem distintas.

Comentário de JORGE ROBERTO RAMOS SALOMÃO em 31 janeiro 2017 às 6:16

Belo comentário, a separação ocorre também por interesses, quando criam novas profissões, criam junto um aparato de empregos e cargos, sem contar as vaidades.   Voltar ao passado e reunir tudo de novo não será uma tarefa fácil.

Comentário de Francisco Lira em 16 janeiro 2017 às 12:39

A Destruição das tradicionais escolas de Agronomia foi um duro golpe contra a formação de excelência em nossa profissão, hoje em ex escolas, agronomia é apenas um mero departamento muitas  vezes compartilhados com outros cursos como florestal, tendo o ensino sombreado por interesses ate medíocres de áreas concorrentes, na ENA é um exemplo trágico de uma escola de referencia que hoje tem um curso com carga horaria ate menor que cursos apêndices como zootecnia, florestal, agrícola e etc.

Comentário de Rodolfo Geiser em 16 janeiro 2017 às 12:24

José Leonel, olá, Obrigado seus comentários. Explicam bem a situação. Entendo, entretanto, que teve também muita vaidade de professores no jogo, pois seu raciocínio não valeria para a ESALQ da USP, em cuja universidade certamente já tinham 10 faculdades não sendo necessária a subdivisão da Agronomia...E vira lástima ao quadrado...

Comentário de Rodolfo Geiser em 16 janeiro 2017 às 12:24

José Leonel, olá, Obrigado seus comentários. Explicam bem a situação. Entendo, entretanto, que teve também muita vaidade de professores no jogo, pois seu raciocínio não valeria para a ESALQ da USP, em cuja universidade certamente já tinham 10 faculdades não sendo necessária a subdivisão da Agronomia...E vira lástima ao quadrado...

Comentário de José Leonel Rocha Lima em 16 janeiro 2017 às 9:48

Foi isso que ocorreu, lembro que as universidades teriam que ter pelo menos 10 faculdades ou curso para continuarem a serem consideradas universidades. Assim sendo a UFRRJ dividiu seus principais cursos Agronomia e Veterinária em engenharia florestal, zootecnia e dentro da agronomia criou fitotecnica, engenharia rural e tecnologia de alimentos que posteriormente viraram outros cursos.

Foi uma lástima!!!

Comentário de Rodolfo Geiser em 16 janeiro 2017 às 9:16

Entendo que essa ideia nasceu das próprias escolas, tendo em vista 'arranjos' internos e sem consultar a as entidades de classe, os órgãos governamentais tipo ministério e secretarias da agricultura, ...

Comentário de José Leonel Rocha Lima em 15 janeiro 2017 às 18:17

Muito bem colocado meu!!!

Concordando muito com o colega  Rodolfo Geiser

Comecei minha vida profissional em 1979 com a Agronomia já INFELIZMENTE dividida.

FOI UMA IDEIA INFELIZ E MAL SUCEDIDA PARA A AGRONOMIA EM GERAL  E QUE DEVEMOS PENSAR SERIAMENTE EM VOLTAR ÀS ORIGENS

Comentário de Francisco Lira em 15 janeiro 2017 às 13:22

É uma reflexão que cada um de nos deve fazer, alguns anos atras em uma de nossas reuniões na AEAPI tratando sobre a desconstrução de nosso curso ouvia de um colega mais vivido essa mesma realidade trágica de criar as especialidades ainda na graduação, foi realmente uma ideia infeliz que se espalhou pelo país e contaminou as escolas de Agronomia como Esal, Esav em Minas, Esalq e tantas outras e todos ja sabemos que no deu, agora é preciso juntar forças e recuperar o tempo perdido, creio que podemos com muito esforço mudar essa realidade infeliz que muitos tentam emplacar de uma formação míope apenas com viés fitotécnico, esse ainda por cima resumido.

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