Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

 

     Engenheiros Agrônomos na abertura do AGROSUL 2012, evento preparatório para o XXVIII Congresso Brasileiro de Agronomia 2013, realizado entre 08 e 10 de agosto na Assembleia Legislativa do Paraná, em Curitiba.

Com o tema “Os agrotóxicos e o papel dos Engenheiros Agrônomos na Produção de Alimentos Seguros e Sustentabilidade Ambiental" o Agrosul reuniu autoridades do Brasil inteiro e aguçou a discussão em torno do registro de produtos nos três Ministérios - Saúde, Agricultura e Meio Ambiente, fiscalização, segurança alimentar, entraves para o desenvolvimento da Agricultura no Brasil, presença de resíduos e contaminação de alimentos na produção orgânica, entre outros assuntos.

A abertura dos trabalhos aconteceu com manifestação durante o grande expediente, em sessão plenária do Legislativo, na quarta-feira, dia 08/08, e seguiu com uma extensa programação ao longo dos dias 09 e 10, resultando na Carta de Curitba, que contempla todas as propostas levantadas durante o Encontro.

Para o biólogo Danilo Lourenço de Souza, analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente, que trabalha com a avaliação ambiental de agrotóxicos no Ibama, o papel do engenheiro agrônomo não é só o de prescrever o agrotóxico, mas também o de efetuar o acompanhamento no campo. “O registro de um produto leva de três a cinco anos e tem que passar pelos três Ministérios – Meio Ambiente, Saúde e Agricultura. Quando identificamos um problema, como aconteceu recentemente com os neonicotinóides,  o  produto é chamado para reavaliação. Neste caso, a aplicação aérea foi suspensa a fim de não causar danos ao meio ambiente ”, relata.

O engenheiro agrônomo Carlos Alexandre Oliveira Gomes, do Ministério da Saúde, ANVISA, destacou a importância da segurança alimentar e falou sobre a presença de resíduos. “Temos muito que aprimorar no uso do agrotóxico no Brasil. As informações de rótulo e bula são importantíssimas, bem como a aplicação correta do produto, para qualidade e segurança do consumidor”, enfatiza.

Avanços, pesquisas e tecnologia:

Segundo o engenheiro agrônomo Luis Carlos Ribeiro, gerente de Regulamentação Estadual da Andef (Associação Nacional de Defesa Vegetal), o processo para o registro de um produto no Brasil é muito lento. “Já tivemos casos de cargas serem devolvidas porque naquele alimento foram encontrados resíduos de agrotóxicos que não se usam mais naquele país. Hoje existem moléculas muito mais seguras que não podem ser utilizadas porque estão aguardando o registro. Temos muito que avançar “, afirma.

O engenheiro agrônomo Gilberto Guarido também acredita que o processo precisa ser mais ágil. “Existe uma espécie vegetal chamada Crambe, com grande potencial agrícola e utilizada para produzir biodiesel, que não tem sequer um produto agrotóxico com registro de agrotóxico para utilização naquela cultura. Tal cultura, uma brássica, não é comestível, o que poderia ser um fator para a agilização de registros”, exemplifica.

Outro exemplo é a aveia preta, cultura tradicional no Paraná. Uma cooperativa planta mais de 500 mil hectares no estado. Entretanto, os produtos registrados para essa cultura são poucos. “Uma das nossas reivindicações aqui no Agrosul é que se crie um grupo para se atender às necessidades dos cereais de inverno e que permita a extensão de uso de produtos registrados para o trigo também para ser utilizado em outros cereais de inverno com mesmas características”, ressalta Guarido.

Já o engenheiro agrônomo Júlio Sério de Britto, do Ministério da Agricultura, afirma que os agrotóxicos devem ser usados com muito controle. Existem registrados hoje no país 1.500 produtos, e o tempo para aprovar um produto, por lei, é de 150 dias, mas pode se estender por dois a três anos. “Os agrotóxicos são um mal necessário e devem ser usados com muito controle. A biotecnologia é o futuro para a agronomia”, enfatiza.

E os orgânicos?

“Fala-se muito em uma agricultura livre de agrotóxicos, mas isso é impossível. Uma pesquisa feita em Pernambuco apontou contaminação nos produtos orgânicos. Das 131 amostras coletadas 19% continham resíduos de agrotóxicos. O orgânico é seguro? Quem fiscaliza? Como chega ao consumidor?”, questiona Ossir Gorenstein, engenheiro agrônomo que atua profissionalmente no CEAGESP, em São Paulo.

Na opinião de Gorenstein, para a obtenção de alimentos seguros são necessárias boas práticas na agricultura, que vão desde a escolha adequada dos insumos, verificação da água de irrigação para ver se não esta contaminada, cuidados com a higienização, descarte correto das embalagens dos agrotóxicos, entre outros aspectos.

Receituário Agronômico: de quem é a responsabilidade?

Outro assunto bastante debatido foi o receituário agronômico, uma importante ferramenta que deveria, acima de tudo, garantir a segurança alimentar e qualidade ambiental à sociedade. No entanto, de acordo com a legislação recentemente aprovada, um técnico agrícola, profissão de nível médio, passou a poder prescrever receitas para a venda de agrotóxicos. O engenheiro agrônomo Dionísio Luiz Pisa Gazziero, presidente da AEA Londrina, em sua palestra questionou: “Um adolescente de 16 anos não pode ser responsabilizado criminalmente, mas pode prescrever um receituário agronômico?”.

O engenheiro agrônomo Hugo Reis Vidal, presidente da AEAPR-Curitiba, acredita que no Brasil o receituário agronômico não poderia ser prescrito por jovens que, mesmo sendo técnicos de nível médio, geram um risco muito grande para toda a população, em função de sua formação ainda incompleta para tal. O profissional capacitado para emitir um receituário é o engenheiro agrônomo.

Assistência Técnica

“A maior dificuldade hoje é a Assistência Técnica no Campo. A informação existe, mas ela muitas vezes não chega aos produtores rurais”, contextualiza o engenheiro agrônomo José Carlos Christofoletti, que atua no estado de São Paulo como consultor e ministrando treinamento para engenheiros agrônomos, agricultores e aplicadores sobre tecnologia de aplicação de agrotóxicos.

Chritofoletti abordou no encontro os fatores ambientais e sua influência na eficiência da aplicação de agrotóxicos, tais como o vento, a temperatura e a umidade relativa do ar, enfatizando que o objetivo da prática da pulverização de agrotóxicos é o de colocar o máximo do produto na superfície do alvo. Para tanto, um dos pontos mais importantes é o diâmetro da gota produzida, que deve ser grande o suficiente para não produzir deriva, ou seja, não voar para locais outros que não a cultura a ser protegida, o que acontece quando há orientação técnica competente pelo engenheiro agrônomo responsável técnico e o cumprimento das recomendações pelo aplicador no campo.

Balanço geral

Para o engenheiro agrônomo Dirson Artur Freitag, vice-presidente do CONFEA, o Agrosul 2012 foi o melhor evento dos últimos tempos porque cumpriu com o seu objetivo de falar sobre a profissão e suas atribuições, indo além da questão do uso do agrotóxico. “As discussões foram bastante produtivas”, finaliza.

Concordando com tal avaliação, o engenheiro agrônomo Luiz Antonio Corrêa Lucchesi, Presidente da Federação dos Engenheiros Agrônomos do Paraná, que é também professor do Curso de Agronomia da Universidade Federal do Paraná, afirma que "além da grande receptividade e apoio dos deputados da Assembleia Legislativa do Paraná, houve também maciça presença de colegas que exercem importantes cargos no setor público, na iniciativa privada e no terceiro setor que muito contribuíram para a qualidade das discussões e das propostas aprovadas para a Carta de Curitiba ao final do evento".

Como desdobramentos, Lucchesi espera que propostas para o aprimoramento da legislação sobre os agrotóxicos no Brasil gerem uma maior autonomia e autoridade para o exercício profissional pelos engenheiros agrônomos, permitindo que as receitas agronômicas sejam mais simplificadas e, de fato, sejam entendidas e seguidas pelos aplicadores, aqueles que mais risco trazem aos alimentos e ao ambiente.

Além disso, acredita que as propriedades rurais contem com a responsabilidade técnica destes profissionais, que se promova mais treinamento e habilitação de aplicadores, que haja um aprimoramento das faculdades de agronomia permitindo uma melhor formação de profissionais de nível superior e que haja consciência de que agrotóxico não pode ter o uso autorizado por quem tenha apenas formação de nível médio; e ainda que, por meio de políticas públicas consequentes, se estimule e fiscalize a rastreabilidade, valorizando os bons produtores e corrigindo-se as desconformidades quando se encontrar resíduos além dos níveis permitidos.

Por fim, Lucchesi afirma que “quem mais ganhou com as discussões foi a sociedade que, com mais conhecimento e sem alarmismos, retomou a consciência de haver sempre engenheiros agrônomos cuidando da qualidade do seu alimento”.

Exibições: 186

Comentar

Você precisa ser um membro de Rede Agronomia para adicionar comentários!

Entrar em Rede Agronomia

© 2019   Criado por Gilberto Fugimoto.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço

Offline

Vídeo ao vivo