Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Retornando do Congresso Brasileiro de Agronomia arrisco compartilhar algumas ideias e visões sobre organizações hierárquicas e Redes Sociais.

Plenária final do Congresso Brasileiro de Agronomia

Para iniciar, lanço um questionamento que vai de encontro à razão de ser de uma Confederação (e das demais federações e associações - a qual pertenço) de engenheiros agrônomos:

É necessário uma estrutura hierárquica para organizar uma categoria?


Mesmo sem ter uma resposta a priori desenvolvo minha linha de raciocínio para compartilhar entre os amigos da Rede. Acostumado a articular redes sociais e promover diálogos horizontais para solução de problemas, retorno desse Congresso impactado com as estruturas erigidas para organização da nossa categoria. Nesse momento recorro ao auxílio luxuoso de Augusto de Franco e suas reflexões sobre Redes Sociais.

"Há até bem pouco nunca havia experimentado participar de uma rede propriamente dita – uma estrutura distribuída de pessoas (com graus de distribuição predominantes em relação aos graus de centralização) – sem estatutos, sem patrimônio, sem sede, sem registro cartorial e sem submissão à qualquer norma jurídica específica, sem diretoria ou coordenação, sem postos, cargos, funções definidas ou qualquer tipo de burocracia; enfim, sem hierarquia.

Alguns anos atrás eu não acharia possível estruturar qualquer ação coletiva senão partindo de algum tipo de ordem predeterminada e é provável que muitos ainda pensem assim. Mesmo para falar mal das hierarquias ou lutar contra elas, erigimos hierarquias (grifo meu). (...) Isso ocorre também – por incrível que pareça – com coletivos de ativistas aglutinados em função do proselitismo das redes distribuídas como novo padrão organizativo: não raro tais grupos constroem seus próprios castelinhos ou igrejinhas, redigem estatutos e constituições, elegem juntas diretivas, governadores ou outros tipos de executivos (algumas vezes conferindo-lhes uma parcela de poder discricionário bem maior do que aquela de que dispõem os dirigentes das organizações centralizadas que tanto criticam)."
Sobre nossas dificuldades de organizar redes, in: http://escoladeredes.ning.com/group/bibliotecaer/forum/topics/23847...


Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito.

Clarice Lispector

Com mais dúvidas que certezas, arrisco no entanto algumas reflexões. Entendo a importância de uma entidade representativa na luta da categoria, mas reivindico minha sanidade em direcionar tempo e energia em processos que deem sentido à minha vida e ao meu cotidiano.

Antes que os amigos argumentem que uma luta política também pode dar sentido à vida, eu, concordando, invoco Edgard Morin e sua teoria da complexidade. Até onde entendi, Morin mineiramente substitui a análise cartesiana de escolha entre "ou isso ou aquilo" para acolher, no pensamento complexo, "isso E aquilo". Em outras palavras, não desconsidero nenhuma luta política legítima, mas escolho nessa altura da vida os meus caminhos. Se pudermos compartilhar algumas visões, poderemos compartilhar alguns caminhos.

Rede Agronomia - uma proposta de organização horizontal

Sem desmerecer toda estrutura hierárquica construída ao longo de anos de lutas, argumento que há uma nova visão para organização profissional.


Creio que ficamos muito tempo organizando lutas a partir de estruturas hierarquizadas. Toda uma cultura criada pela e para a hierarquia. Agora, diante de um novo paradigma, resistimos a uma nova forma de organização não importando (ou nem vendo) os defeitos que essa velha forma acarreta.


Sem querer esgotar o tema entendo que o mérito da Rede Agronomia está no potencial de veicular - enviar e receber - informações que possam contribuir para nossas atuações profissionais e até nossas vidas pessoais.


O recente Congresso Brasileiro de Agronomia nos revela de forma mais que didática que, em paralelo ao encontro técnico, articula-se um Congresso de entidades. Lideranças e representantes muito ciosos de suas posições discutem sobre os rumos da categoria.

Fico imaginando que os rumos da categoria, assim como nossos próprios rumos, podem ser alavancados por uma organização em rede. Como é possível?


Creio que isso é material para outro blog, mas deixo a dica no slide acima. Nas redes as pessoas são mais importantes que as instituições. Afinal é tudo o que importa para nossa vida, não acha?

Fonte dos Slides: Franco, Augusto: MATERIAL PARA UMA APRESENTAÇÃO SOBRE NETWEAVING In: http://escoladeredes.ning.com/profiles/blogs/material-para-uma-apre...

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Comentário de Gilberto Fugimoto em 18 dezembro 2009 às 13:02

Há 6 anos no CBA - 2003 - II


Recuperando registros antigos, comprova-se o problema de organizações hierárquicas. A disputa por posições políticas cristaliza uma estrutura de poder. O que era um meio para expressão da categoria acaba tornando-se um fim em si mesmo.

Despende-se tempo e energia na manutenção (e na disputa) do poder entre os grupos.
Da minha parte, me divirto muito mais articulando REDES SOCIAIS - estruturas horizontais que promovem e acolhem múltiplos fluxos de comunicação para produção de diálogos e articulação de parcerias.

Não mais um Presidente e vários comandados.

Essa imagem é didática.
Na Rede todos podem apresentar suas propostas e articular o que lhes convier.
Só depende de cada um. Sem assembléias, sem votação, nem conquista de maiorias.

Um dado comum, mas inquietante para quem acostumado está à hierarquia.
Numa rede de 100 pessoas, se alguém propõe uma ação e uns 15 ou 20 aderirem, muito bem!
A maioria não precisa concordar. O restante pode não fazer nada ou tomar uma ou várias atitudes diferentes.

- Ah, mas aí perde-se a capacidade de representação do grupo ou categoria!
É verdade. A rede não é uma boa estrutura representativa.
Aliás, quem articula redes não pode ter essa pretensão.
Redes, quando vivas, expressam a dinâmica do fluxo de informações e diálogos que transformam e são transformados a todo o momento.
Mas o que tem sido feito em nome dessa tal representação, dessa pretensa unidade?

Enquanto se espera 10 anos pela democratização de uma entidade, animar uma Rede Agronomia, faz muito mais sentido para articulação de parcerias que, beneficiando os profissionais, contribuam para o fortalecimento da categoria.
Comentário de Gilberto Fugimoto em 18 dezembro 2009 às 12:17

Há 6 anos no CBA - 2003


Uma proposta de redemocratização da CONFAEAB

PROPOSTA Nº 07/2003


ASSUNTO:Trabalho a ser apresentado / debatido na Câmara 10. Organização Classista

PROPONENTE:
Engenheiro Agrônomo Antonio Augusto da Silva Aquini, CREA/SC nº 3009-3
Engenheiro Agrônomo Raul Zucatto, CREA/SC 3125-8

DESTINATÁRIO: CONFAEAB

PROPOSTA DE TRABALHO:
O trabalho propõe a retomada do processo democrático na escolha de dirigentes da entidade máxima de representação da Agronomia Nacional, processo interrompido em 1999, quando, juntamente com a mudança do nome da FAEAB – Federação das Associações de Engenheiros Agrônomos do Brasil, para CONFAEAB – Confederação das Federações de Engenheiros Agrônomos, aboliu-se a eleição direta para presidente e diretoria da entidade.

Propõe-se, objetivamente, a volta das eleições pelo voto direto e secreto em todo o Brasil.

Paralela e concomitantemente à volta das eleições diretas propõe-se também uma rediscussão da nossa organização classista: Porquê CONFAEAB? Bem como uma ampla discussão sobre nossa representação sindical, qual a real força do braço sindical da Agronomia, quando atuamos em sindicatos conjuntos com a Engenharia?

JUSTIFICATIVA:
A velha e boa FAEAB teve nove anos de fase áurea. Escreveram a história desta fase quatro presidentes: Walter Lazzarini Filho 1980/83; Luiz Carlos Pinheiro Machado 1984/85; Valdo José Cavalet 1986/87 e Floriano Barbosa Izolan 1988/89.

O pioneiro e grande líder deste período fértil de democracia plena e de posicionamentos classistas foi, sem dúvida, o Engenheiro Agrônomo Walter Lazzarini Filho. Sob sua batuta realizaram-se dois CBA’s memoráveis, o de Curitiba/PR e o de Recife/PE.

O Brasil daquela época fervilhava pela volta das eleições diretas, pelo repúdio à ditadura. Nossa entidade, em aliança efetiva com a FEAB – Federação dos Estudantes de Agronomia, promovia eventos de massa, com grandes repercussões políticas e técnicas.

Da justificativa da inflação pelo aumento do chuchu à falta de um Plano de Conservação do Solo; do uso indiscriminado de agrotóxicos à inexistência de um programa de produção de sementes; da timidez da reforma agrária às importações agrícolas injustificadas, enfim, não passava uma questão de política agrícola sem um posicionamento da FAEAB, alicerçada no seu Conselho Deliberativo.

A partir de 1990 a Agronomia vai, paulatinamente, perdendo força de representação. O golpe fatal veio em 14 de maio de 1999, quando, pelo novo Estatuto ocorre a mudança da Federação em Confederação e a extinção das eleições diretas. O presidente e diretores passam a ser eleitos por um colégio eleitoral de 27 delegados, sendo um voto por estado.

Enquanto o Brasil se redemocratiza a Agronomia, na contramão da história, sofre um retrocesso. A FAEAB, na gestão do Engenheiro Agrônomo José Eduardo Anzaloni, amputa um direito elementar em qualquer sociedade democrática: o voto direto. Sem democracia não existe força. Não é por acaso que, na carona do retrocesso democrático, nossa categoria tenha sofrido grandes derrotas e perdas profissionais.

Sem legitimidade nossos representantes não são ouvidos nem por nós mesmos. Como serão ouvidos pelos outros, por quem decide? Por quem governa? Pelo poder judiciário, por exemplo?

Não é por acaso que tivemos duas derrotas recentemente: em 30 de dezembro de 2002 a edição do Decreto Federal 4560, o Decreto do Super Técnico, contendo flagrantes exorbitâncias de atribuições aos Técnicos de Nível Médio e, mais recentemente, o parecer favorável da Ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça – STJ, através de decisão, que confere atribuições ao Técnico Agrícola de prescrever o Receituário Agronômico.

Por tudo isso é que precisamos de uma verdadeira reorganização classista que venha a dar tranqüilidade e perspectivas melhores para a categoria, através de entidades fortes que tenham representatividade e força, sendo o primeiro passo da nova caminhada a volta das eleições diretas. Esta retomada proporcionará uma revitalização das entidades estaduais e regionais o fortalecimento da representatividade e força política da categoria.


CONCLUSÃO:
Conscientes de que não é a única solução para os nossos problemas, mas o melhor início para o equacionamento dos mesmos, propomos:

1- A instituição estatutária da volta das eleições diretas para presidente e diretores da CONFAEAB, respeitando-se a composição atual até o mês de julho de 2004, data da nova eleição;

2- Paralelamente ao processo eleitoral, seja chamada uma Assembléia Nacional da Agronomia, até março de 2004, com participação paritária de cinco (5) delegados por estado para discutir e deliberar sobre a pauta mínima composta de:

· Organização classista: que sistema federativo queremos?

· Sindicalização dos profissionais da Agronomia

APRESENTAÇÃO:
O trabalho faz uma retrospectiva da atuação da FAEAB que vem, politicamente, perdendo representatividade e combatividade na defesa dos interesses dos Engenheiros Agrônomos.

Analisa como uma das ações a eliminação das eleições diretas, a partir de 1999, do presidente e diretoria da CONFAEAB.

JUSTIFICATIVA:
Entidade forte e representativa tem como pressuposto básico a eleição de seus dirigentes pelo voto direto e secreto. Não há como se desejar gestão legítima sem a coresponsabilidade da categoria com sua participação eleitoral direta e não através de colégio eleitoral.


CONCLUSÃO:
Propõe-se:

1 – A volta das eleições diretas para presidente e diretoria da CONFAEAB;

2 – Paralelo às eleições pelo voto direto e secreto propõe-se a chamada de uma Assembléia Nacional da Agronomia para discutir nossa organização classista.

A ata informa que a proposta foi rejeitada pelo CBA
Comentário de Gilberto Fugimoto em 27 outubro 2009 às 17:39
Caros,
Agradeço as manifestações.
Resolvi postar artigo pq voltei mesmo impactado com a estrutura rígida não só do Congresso como das entidades. Ultimamente venho articulando redes sociais e tenho visto a agilidade e sinergia proveninente da participação cooperativa / colaborativa em lugar de espaços da disputa política tradicional.

Acredito que uma rede social tem gde potencial de mobilização da categoria se tornando um fato novo nesta continuidade de disputa.

Portanto escrevo à guisa de esclarecer que o que me moveu foi o impulso de compartilhar novas ideias e confrontá-las com as existentes buscando novos olhares para a mesma questão. Não é minha intenção confrontar pessoas e movimentos mas propor novas saídas.

Como tudo que escrevo, não precisava, mas achei que devia esse esclarecimento.
abração
Comentário de José Leonel C D Rocha Lima em 27 outubro 2009 às 16:27
Gilberto, muito bom o artigo.
A foto do plenário esvaziado fala por si só. A primeira imagem é realmente aterrorizante!!!! O esquema controle e comando realmente é uma grande sacanagem (cagada seria melhor).
Por último os bonequinhos (da vivo) organizados em grupos e ligados na rede é o nosso grande sonho.
Parabéns pela reflexão.
Sou entusiasta desse nosso grande desafio.
Valeu amigo!!!
José Leonel
Engenheiro Agrônomo
Diretor da Ass Eng Agrônomos do Rio de Janeiro
Comentário de Fernando Cezar Juliatti em 26 outubro 2009 às 12:43
Prezados companheiros da rede Ning
Prezado Moderador Gilberto,


Foi bom tê-lo encontrado no CBA em Gramado.Fiquei feliz aos constatar que os Engenheiros Agrônomos estão mobilizados, haja visto a nossa reunião com mais de 17 estados da federação e suas respectivas lideranças.Uma questão me vem a mente, como uma maioria deixa ser dominada por uma minoria...como um grupo pensante se deixa ser dominado por uma adminstração retrograda e calcada nos nos da década de 30....Precisamos de vida, precisamos de oxigênio,precisamos de ser pró ativos para avançar com os ideais dos ENG. AGRÔNOMOS.A classe não esta desunida, e na minha opinião falta apenas um empurrão.Não vamos deixar que os ideais nobres de nossa categoria sejam massacrados por manobras de uma minoria que esta sem eco e sem seguidores.Acho que esta foto que voce colocou da assembléia final do CBA de Grammado reflete isto.Esta na hora de buscarmos uma nova entidade comprometida com a categoria e esvaziar aos poucos os CBAs.Estamos agindo juridicamente para o resgaste da CONFAEAB, mas não sabemos quanto isto demorará.Por uma nova representatividade para os Eng. Agrônomos. Chapa CONFAEAB, FORTE, UNIDA e PARTICIPATIVA.Aguardamos todos na SOEAA de Manaus para a continuidade do movimento e apresentação dos estatutos da nova entidade nacional.

Eng. Agrônomo Fernando Cezar Juliatti.
Comentário de Gilson Cassiano de Góes Filho em 26 outubro 2009 às 8:57
Gilberto, este sem dúvida é o caminho.
Precisamos discutir isso na próxima reunião da AEARJ, para tirar a idéia do "papel" e colocarmos em prática!
Abraços.
Comentário de José Vivaldo Mendonça em 26 outubro 2009 às 0:38
Meu Caro Gilberto,

De início gostaria de parabenizá-los pela iniciativa para construção desta rede e pelo esforço em viabilizar um processo permanente de comunicação na categoria.

A imagem inicial deste texto é o reflexo da organização atual dos Engenheiros Agrônomos no Brasil: esvaziada, descredibilizada, manipulada por interesses individuais, enfraquecida.

Acredito que as redes cumprem um papel de grande relevância para o debate de idéias, disseminação de informações e encaminhamento de ações objetivas, entretanto, ainda não podemos alçá-la a instrumento de representação política e institucional de um segmento.

Por vezes, com sua ampliação e fortalecimento, a Rede assume uma função representativa, pela força dos seus posicionamentos e sobretudo pelo processo democrático e participativo que orienta sua existência, o que tem faltado a nossa CONFAEAB.

Temos um grande desafio pela frente. Como discutimos em Gramado, precisamos resgatar a força, a legitimidade e a coerência da nossa representação nacional. Esta rede, o Fórum de Engenheiros Agrônomos, a Coordenação Nacional das Câmaras de Agronomia do Sistema CONFEA/CREA e as Associações Estaduais independentes, serão fundamentais nesse processo de reconstrução.

As redes interligam pessoas e processos e ocupam um papel fundamental neste novo mundo, no qual o virtual consolida-se materialmente resultando em ações concretas e estruturantes, sobretudo para consolidação de uma governança capaz de transformar sonhos em realidade.

Vamos em frente. Inauguro com este post minha participação nesta Rede.

Forte abraço

José Vivaldo Mendonça
Engenheiro Agrônomo
Ilhéus-Bahia

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