Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Por Rodrigo da Silveira Nicoloso, membro do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS) e pesquisador da Embrapa Suínos e Aves.

A agropecuária brasileira vem sendo cada vez mais cobrada a produzir de forma sustentável. Isto em um cenário de custos de produção em elevação, investimentos crescentes em tecnologia, concorrência com produtores europeus e americanos subsidiados e com a constante demanda da sociedade pela produção de alimentos baratos.

Como pensar na sustentabilidade ambiental se é cada vez mais difícil manter a propriedade rural sustentável economicamente? A resposta passa, obrigatoriamente, pelo planejamento racional da propriedade rural e integração dos sistemas de produção. Talvez a suinocultura seja o melhor exemplo para ilustrar como uma atividade potencialmente poluidora pode se transformar em um fator de desenvolvimento de outras atividades agropecuárias, através da reciclagem dos dejetos gerados na produção de suínos como fertilizantes.

O mesmo dejeto que polui se lançado indiscriminadamente no ambiente, pode se tornar um fertilizante orgânico valioso para a produção de grãos ou forragem se corretamente manejado. Apesar de muito variável, em média, cada metro cúbico (1.000 litros) de dejeto de suínos tem cerca de 3,4 kg de nitrogênio, 2,9 kg de fósforo (P2O5) e 1,7 kg de potássio (K2O). Considerando os preços médios destes nutrientes obtidos a partir de fertilizantes minerais, um metro cúbico de dejeto teria um valor aproximado de R$ 21,00. Assim, uma propriedade suinícola de tamanho médio com 1.000 animais em terminação alojados produz por ano o equivalente a R$ 30.000,00 em fertilizante orgânico.

O passivo ambiental de uma atividade pode se tornar o insumo de outra! É por isto que a bovinocultura de leite vem crescendo no oeste de Santa Catarina, onde os dejetos da suinocultura são aproveitados para a produção de pasto em quantidade, qualidade e com baixo custo. A expansão da suinocultura no centro-oeste do Brasil também contribui com a redução dos custos de produção do milho, onde a fertirrigação com os dejetos de suínos substitui parcialmente os fertilizantes minerais que respondem por até 50% das despesas com insumos nesta cultura.

Assim, resolvemos dois problemas de uma só vez, dando destino adequado aos dejetos da suinocultura e abatendo custo de produção das atividades que se beneficiam com o uso deste fertilizante. Quando a propriedade rural é gerenciada de maneira integrada e os sistemas de produção são planejados de forma a se beneficiarem mutuamente, é possível produzir com sustentabilidade e lucro!

 

Sobre o CCAS

O Conselho Científico para Agricultura Sustentável- CCAS é uma organização da Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011, com domicilio, sede e foro no município de São Paulo-SP, com o objetivo precípuo de discutir temas relacionados a sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira clara, sobre o assunto.

O CCAS é uma entidade privada, de natureza associativa, sem fins econômicos, pautando suas ações na imparcialidade, ética e transparência, sempre valorizando o conhecimento científico.

Os associados do CCAS são profissionais de diferentes formações e áreas de atuação, tanto na área pública quanto privada, que comungam o objetivo comum de pugnar pela sustentabilidade da agricultura brasileira. São profissionais que se destacam por suas atividades técnico-científicas e que se dispõem a apresentar fatos concretos, lastreados em verdades científicas, para comprovar a sustentabilidade das atividades agrícolas.

A agricultura, apesar da sua importância fundamental para o país e para cada cidadão, tem sua reputação e imagem em construção, alternando percepções positivas e negativas, não condizentes com a realidade. É preciso que professores, pesquisadores e especialistas no tema apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões, para melhor informação da sociedade. É importante que todo o conhecimento acumulado nas Universidades e Instituições de Pesquisa sejam colocados a disposição da população, para que a realidade da agricultura, em especial seu caráter de sustentabilidade, transpareça.

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