Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

O Globo de hoje, 23.7.2014, caderno Sociedade, pág.26, diz que Produção de carne bovina tem maior custo ambiental. A pesquisa foi feita por cientistas do Bard College de Nova York, da Universidade de Yale e do Instituto de Ciências Weizmann, em Israel. Alguns deles são listados abaixo:

  1. A criação de bois exige 11 vezes mais água de irrigação do que outros animais;

  2. O gado exige mais espaço (28 vezes +) e é mais nocivo à natureza que aves e porcos; e

  3. Os bois emitem 5 vezes mais gás Metano do que outros animais que geram proteínas.

Se a pesquisa tivesse sido feita aqui no Brasil, teríamos de acrescentar os danos ao desmatamento na Amazônia e a grande compactação do solo provocada pelo pisoteio. Eles não incluíram o peixe no estudo devido à falta de dados sobre o uso de alimentos na criação e à porção relativamente pequena de calorias (0,5%) oriundas do animal na dieta dos americanos. Mas, aqui pra nós, que o peixe é melhor solução que o gado, isso é.

Como Engenheiro Agrônomo e sabedor da importância da carne bovina em nossa pauta de exportações (principalmente agora, que a China voltou a comprá-la do Brasil), eu não poderia pregar pelo extermínio da criação. Por outro lado, não custa argumentar com o produtor agrícola que o peixe criado em tanques dispõe da maior conversão alimentar (gasta-se 1 kg de ração para produzir um quilo de carne), menor espera produtiva e maior lucro.

Mas, por que esse papo de mudança agora ? É que está se abrindo uma chance enorme de mudarmos a cara do agronegócio, com base em estudo local, durante o Cadastro Ambiental Rural. A legislação pertinente diz que uma das funções do cadastro ambiental é propor o Desenvolvimento Rural do País.

Pra finalizar esse pensamento em voz alta, mostro aí em cima a propaganda e um dos slides de um Webinar (conferência virtual) que assisti ontem aqui em casa (no Rio de Janeiro), partindo lá do Rio Grande do Sul, sobre a Análise Multicritérios na Decisão (MCDA, na sigla em inglês) com auxílio do Geoprocessamento. Tem tudo a ver com o que falei acima.

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 29 julho 2014 às 17:48

Luiz Rego, agradeço os trabalhos que me enviou; já comecei a lê-los. Gostei muito. Para os colegas da Rede, trata-se da produção de cartas básicas de planejamento [GIS] relativas aos macrofatores ambiental, social e econômico que, interpretadas em conjunto [aí entra a tal Análise Multicritério a que eu me referi no texto acima], regulam e ditam o  melhor uso e ocupação das terras para planejamento rural e urbano. Essa visão holística, em geral, como não é passada nas Escolas de Agronomia, fazem falta ao nosso currículo.

Comentário de Antônio Carlos Coutinho em 29 julho 2014 às 12:35

Concordo com você José Luiz!

Temos de buscar sempre alternativas para o mundo em que vivemos, seja para alimentação, energia, processos e por aí vai!

Abraços.

Coutinho.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 29 julho 2014 às 12:12

Coutinho, como disse antes, não posso pregar contra uma atividade responsável por parcela considerável do nosso PIB. Por outro lado, também não posso concordar com você quando diz que que a tecnologia diminuirá os danos ambientais. Mesmo com ela, o boi continuará a ter 4 patas (impermeabilizando o solo com o pisoteio), a arrotar e soltar pum (e com eles, a despejar CH4 na atmosfera), a demandar muita água (seja para o pasto, bebida, abate e outras tarefas) e os fazendeiros a desmatarem a Amazônia e o que resta da Mata Atlântica. O que deveríamos fazer é ir substituindo a carne vermelha pela de PEIXE, criado em cativeiro.

Comentário de Antônio Carlos Coutinho em 29 julho 2014 às 11:10

Na minha opinião, a medida que a pecuária de corte se tecnifica, mais eficiente ela se torna e com isso, a degradação ambiental provocada pela atividade diminui!

Com a introdução de novas tecnologias é possível:

1) aumentar a capacidade suporte das pastagens e como isso aumentar a taxa de lotação;

2) diminuir a idade de abate;

3) aumentar a taxa de natalidade;

4) aumentar a taxa de desfrute; etc.

Portanto, cada vez mais essas tecnologias devem ser difundidas entre os pecuaristas de corte!

A Extensão Rural e a Assistência Técnica tem papel relevante nesse processo!

Atenciosamente.

 Coutinho.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 28 julho 2014 às 19:22

Luiz, se quiser enviar algum trabalho pra mim (especificamente), pode usar um dos meus endereços: joseluiz@cohidro.com.br ou jviana@openlink.com.br mas, se for para todos da Rede, tem de resumi-los e postá-los aqui (Adicionar comentário). O Gilberto poderá orientá-lo melhor, pois é o dono do pedaço (criador do site). Seja bem vindo.

Comentário de LUIZ DE MORAIS RÊGO FILHO em 28 julho 2014 às 18:06

De que forma posso encaminhar alguns trabalhos para o Gilberto Fugimoto e para José Luiz Viana do Couto?

Comentário de Francisco Lira em 28 julho 2014 às 16:31

Esperamos o enriquecimento deste espaço com  as publicações do nobre coleta Luiz de Morais, pois para aqueles que ainda estão começando a vida profissional como eu, seria muito importante.

Comentário de Gilberto Fugimoto em 28 julho 2014 às 10:30

Isso mesmo José Luiz!

Caro Luiz de Morais, fique a vontade para postar num blog ou num Grupo de Discussão as linhas gerais do seu trabalho. A Rede Agronomia é de todos nós!

Quem sabe, surgindo interesse, o assunto se desdobra?!

Grande abraço

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 28 julho 2014 às 9:49

Luiz, fui contemporâneo do Doracy na UFRRJ, onde também lecionei por 21 anos seguidos (área de recursos hídricos) até 2002. Você não tem que pedir licença pra mostrar um trabalho, pois estamos em casa. Aliás, os Engenheiros Agrônomos, por residirem muitas vezes em localidades isoladas, precisam mesmo de uma reciclagem. Um abraço cordial.

Comentário de LUIZ DE MORAIS RÊGO FILHO em 27 julho 2014 às 19:30

Prezados, Tenho trabalhado com o assunto desde 2008, quando do pós-doutorado em parceria com o Professor Doracy Ramos. De lá para cá, estamos trabalhando no assunto, com alguns produtos, principalmente para o INEA, para o consórcio intemunicipal Bacia Lagos São João. Um briefing encontra-se na página da PESAGRO. Gostaria de que me fosse concedida a oportunidade de apresentar o presente trabalho.

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