Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

A aplicação correta e adequada de um defensivo está na escolha das gotas adequadas às condições climáticas locais, principalmente a umidade relativa do ar. Gotas de pulverização que se elevam ou se deslocam para fora da área de aplicação deverão ser evitadas. Deslocamentos laterais das gotas dentro da área de aplicação são necessários para melhorar a penetração e deposição dentro da massa foliar das culturas.

Os principais equipamentos motorizados usados na aplicação de agrotóxico são mostrados na Figura abaixo, destacando a borda da faixa, seguida da zona tampão e a borda de áreas sensíveis (escolas, residências, mananciais de água, etc.).

DERIVA, por definição, é o deslocamento da calda de produtos fitossanitários para fora do alvo desejado. De modo geral, recomenda-se que as aplicações de defensivos agrícolas sejam realizadas quando a temperatura ambiente for menor que 30°C, a umidade relativa do ar maior que 50% e ventos com velocidade entre 3 e 7 km/h. A deriva do agrotóxico ocorre sempre que produtos líquidos são aplicados.

A deriva é influenciada por muitos fatores que geralmente podem ser agrupados em uma das seguintes categorias: 1) Características do spray, 2) Equipamento e técnicas de aplicação usados, 3) Clima e 4) Cuidado e habilidade do operador. Os fatores que influenciam significativamente o movimento das gotículas fora do alvo são a velocidade e a direção do vento, o tamanho e a densidade das gotículas e a distância do atomizador ao alvo (h), que deve ser a menor possível.

Outros fatores que influenciam a deriva incluem a velocidade da gota e a direção da descarga do atomizador, volatilidade do fluido de pulverização, umidade relativa, temperatura ambiente e intensidade da turbulência atmosférica.

Tamanho das gotas

O tamanho das gotas produzidas pelas pontas de pulverização depende do tipo de bocal, da vazão, pressão, do ângulo do jato e das propriedades do líquido pulverizado. Quanto menores forem estas gotas, mais sujeitas à deriva serão.

A quantidade de spray com diâmetros de gota menores que 150 µm é um indicador do potencial de deriva para aquela qualidade de produto. Por exemplo, uma qualidade "muito fina" tem gotículas que podem flutuar 20-30 vezes mais a favor do vento do que as gotas de um spray "muito grosso". Isso ocorre porque o spray muito fino tem uma proporção maior de gotas menores que 150 µm do que o spray muito grosso.

Partículas mais finas (ou seja, menos de 200 mícrons) podem permanecer suspensas nas correntes de ar por longos períodos de tempo e podem ser transportadas para fora da área alvo. Por exemplo, uma gota de 100 mícrons leva 11 segundos para cair três metros no ar parado e irá flutuar mais de 20 metros em um vento de 8 km/h.

A deriva (drift em inglês) nas aplicações de agrotóxicos é considerada um dos maiores problemas da agricultura. Entre os fatores que a influenciam, o tamanho das gotas pulverizadas e a velocidade do vento têm-se mostrado primordiais. (1)

O objetivo da tecnologia de aplicação de agrotóxicos é colocar a quantidade certa de ingrediente ativo no alvo, com a máxima eficiência e da maneira mais econômica possível, afetando o mínimo possível o ambiente (Mattews, 2002). Muitas vezes, entretanto, parte do produto aplicado se perde para o ambiente, principalmente por deriva.

De acordo com as condições locais de aplicação, é preciso conhecer o espectro das gotas pulverizadas, de forma a adequar o seu tamanho, garantindo, ao mesmo tempo, eficácia biológica e segurança ambiental. Vários pesquisadores consideram que gotas menores que 100 µm são facilmente carregadas pelo vento, sofrendo mais intensamente a ação dos fenômenos climáticos. De acordo com Zhu et al. (1994), gotas com diâmetro acima de 500 µm têm pouco problema de deriva e gotas abaixo de 50 µm, em geral, evaporam antes de atingir o solo.

A escolha e o uso adequado de pontas de pulverização constituem passos importantes para a melhoria das condições de precisão e segurança na aplicação de agrotóxicos (Womac et al., 1997). No entanto, fatores como altura de lançamento da gota em relação ao alvo, densidade do liquido pulverizado e temperatura do ar também influenciam a deriva, e precisam ser considerados nos programas de redução de deriva.

A distância percorrida pela gota pode ser estimada pela equação abaixo.

A distância percorrida na vertical e a velocidade horizontal dependem das condições locais de pulverização, da posição do bico e dos ventos. A velocidade terminal pode ser estimada a partir de um balanço de forças na gota: peso menos o empuxo é igual à força de arraste.

O coeficiente de arraste depende do regime de escoamento que pode ser expresso em termos do número de Reynolds da gota, dado por (Bird et al., 1960):

O coeficiente de arraste  adotado foi obtido utilizando-se a expressão sugerida por Bird et al. (1960):

Substituindo-se valores anteriores na equação, obtém-se para a velocidade terminal a seguinte expressão:

A Planilha abaixo apresenta os cálculos para o tempo de queda de uma gota de inseticida com 400 μm de diâmetro, que cai de uma altura de 3 m.

Movimento lateral

Este movimento depende do tamanho da gota, da altura da queda, da velocidade do vento,  da temperatura e umidade relativa do ar. A Figura abaixo mostra o comportamento das gotas em função do seu diâmetro e altura de queda.

Muitos estudos têm mostrado que o número de gotas pequenas (cerca de 70% a 80% das gotas produzidas) constitui uma porcentagem considerável do volume pulverizado e que são responsáveis pela ocorrência da deriva. A maioria dos trabalhos técnicos tem demonstrado que gotas com diâmetro menor que 100 micrometros (μm) são consideradas, em condições normais de aplicação, como perdidas por deriva e evaporação. (2)

O Vento é a componente horizontal que desvia a trajetória inicial das gotas em direção ao alvo. É a condição meteorológica mais crítica influenciando a deriva. Quanto maior essa componente e menor o tamanho da gota (e consequentemente, seu peso), maior será a quantidade de líquido que deixa de atingir o alvo. A deriva é menor quando o vento está  abaixo de 16 km/h. Não pulverizar quando o vento for maior ou estiver soprando na direção de culturas sensíveis, construções, animais ou fontes de água.

A evaporação das gotas da pulverização aumenta o potencial de deriva. Com a gradativa perda de líquido, as gotas vão diminuindo de tamanho e de peso sendo mais facilmente carregadas pelo vento. A taxa de evaporação da água (líquido usado na maioria dos casos como diluente das caldas aplicadas), para um determinado tamanho de gota, é dependente da umidade relativa do ar. Quanto menos a umidade relativa do ar, maior e a taxa de evaporação.

Uma grande parte das gotas produzidas (as de tamanhos menores) é desviada pelo vento e se evaporam totalmente antes de se depositarem nas superfícies alvo. Quando essas gotas se evaporam, as moléculas dos produtos químicos nelas diluídos permanecem em suspensão no ar, sendo carreadas a grandes distâncias. Essa deriva é muito difícil de ser detectada e somente se dá conta dela quando aparecem os seus sintomas em outras plantas ou culturas sensíveis.

A temperatura também influencia na estabilidade atmosférica, assim como a presença de turbulência e inversões. Em condições de inversão térmica, quando ao ar está muito calmo (estabilidade atmosférica), também pode ocorrer deriva pelo movimento lateral, embora lento, mas bastante significativo das massas de ar. A melhor maneira de se evitar o tipo de deriva associada com as condições atmosféricas é eliminar a formação de gotas muito finas na pulverização.

Tamanho das gotas

O tamanho da gota e a velocidade do vento são os dois fatores mais influentes que afetam a deriva. A umidade relativa influencia a taxa de evaporação de uma gota e, portanto, seu tamanho, tempo de voo, velocidade e distância de deriva.

Numa aplicação correta, o tamanho das gotas é muito importante para se atingir o alvo desejado. (3)

a) Gotas grandes (> 400 µm):

São menos arrastadas pela deriva e apresentam menores problemas com a evaporação no trajeto da ponta ao alvo. Por outro lado, proporcionam menor cobertura da superfície a ser tratada e concentração de gotas por cm2 , possuem baixa capacidade de penetração na cultura e elevam a possibilidade de escorrimento do produto nas folhas.

b) Gotas médias (200-400 µm):

Possuem características intermediárias entre as grandes e as pequenas. Se não houver qualquer indicação na bula do produto fitossanitário, deve-se utilizar gotas de tamanho médio, com o objetivo de reduzir a probabilidade de erros na aplicação.

c) Gotas pequenas (<200 µm):

São mais arrastadas pela deriva e apresentam grandes problemas com evaporação durante a aplicação. Porém, proporcionam cobertura do alvo e quantidade de gotas por cm2  normalmente altas (sob condições climáticas adequadas), possuem também alta capacidade de penetração na cultura e reduzem a possibilidade de escorrimento do produto nas folhas.

Gotas menores que 50 µm permanecem suspensas no ar indefinidamente ou até a completa evaporação.

Uso de aviões na aplicação

As pulverizações foram realizadas por meio de uma aeronave Ipanema EMB 202A, equipada com sistema DGPS, operando a 177 km/h (110 mph), voando três metros acima do dossel, 16 m de largura de faixa e 20 L/ha de taxa volumétrica de aplicação.

Nos tratamentos com atomizador, seis atomizadores de gaiola rotativa (Micronair® AU 5000) foram fixados com lâminas anguladas a 65°, para gotas maiores, e a 55°, para as menores. A pressão do sistema estava em 193 kPa.

De acordo com o fabricante do Micronair AU5000, as lâminas nos ângulos de 65° e 55° promovem um espectro de gotículas fino, com diâmetros médios de volume (VMDs) de 203 e 142 μm, respectivamente, conforme classificado pela ASABE.

 

REF.: [1] SIMULAÇÃO DA DERIVA DE AGROTÓXICOS EM DIFERENTES  CONDIÇÕES DE PULVERIZAÇÃO, João Paulo Cunha, Uberlândia – MG, 2008.

https://www.scielo.br/pdf/cagro/v32n5/39.pdf

[2] Considerações sobre a deriva, 25 de maio de 2017

https://maissoja.com.br/consideracoes-sobre-deriva/

[3] Manual de Aplicação, ANDEF

http://www.lpv.esalq.usp.br/sites/default/files/Leitura-Manual_Tecn...

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 19 maio 2021 às 10:28

SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO DO LÍQUIDO NA AERONAVE

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 11 maio 2021 às 17:22

SE VOCÊ TEM UM LIMÃO FAÇA UMA LIMONADA

(Caso da pulverização eletrostática)

Recentemente alunos de uma escola rural sofreram com a deriva de agrotóxicos pulverizados com avião agrícola. Os pesticidas são o limão mas as soluções para evitar a deriva são a limonada. A revista Globo Rural que está nas bancas (No 426, Maio 2021, pág. 81) trás uma nota chamada Gotas elétricas, que motivou este post.

Ela diz que a técnica de pulverização eletrostática gera gotas com elevada carga elétrica estática (aquela que quando friccionamos um pente no tecido, atrai fragmentos de papel picado), utilizando um equipamento chamado pulverizador por eletrificação direta. Ao se aproximar das folhas da planta, as gotículas de água com o defensivo (agrotóxico) promovem o aparecimento de forças de atração maiores do que a da gravidade, fazendo com que sejam depositadas no local onde há maior incidência de pragas e doenças. (1)

A redução da deriva diminui a possibilidade de contaminação, aumentando a segurança do operador e a preservação do meio ambiente. Em relação ao sistema convencional, chega a ser 30% maior a eficiência da tecnologia aprimorada pela Embrapa, com o objetivo de atender a agricultores de baixa renda.

A eficiência desse método pode variar em função de fatores como a vazão e a pressão de trabalho do equipamento; da capacidade de isolamento do material do equipamento; de condições meteorológicas como umidade relativa e temperatura; de características da calda como pH, viscosidade e volatilidade da mesma; porém, em qualquer das situações sempre poderá ampliar o grau de deposição pela atração elétrica entre as gotas e o alvo.

Um dos custos mais elevados da produção agrícola refere-se ao controle de pragas e doenças das plantas cultivadas. A eficiência desse controle está implicitamente ligada à qualidade da aplicação de produtos químicos ou biológicos que propiciem seu combate ou o aumento da resistência das plantas aos efeitos das pragas. Assim, quanto mais eficientes forem as aplicações, melhor o efeito desses produtos e menor o custo desses controles, além do fato de quanto melhor o controle, maior a produtividade das culturas.

O uso dessa tecnologia propicia um significativo aumento na segurança dos operadores de pulverização (portanto dos agricultores em geral) diminuindo bastante a contaminação dos usuários em relação às derivas das pulverizações convencionais. Como é direcionada para equipamentos costais, amplia o acesso à tecnologia pelos agricultores de baixa renda e agricultores familiares, cumprindo seu papel social.

Sistema para eletrificação de bicos hidráulicos

Suporte dotado de eletrodos de indução de cargas estáticas para uso em bicos hidráulicos de pulverização, de jatos cônicos ou em leque. São compostos de fonte de alimentação de alta voltagem, eletrificada por pilhas comuns, fios próprios para alta voltagem, aros metálicos inoxidáveis no formato dos jatos e suporte hidro-repelentes acopláveis às capas dos bicos. Pode ser acoplado a quaisquer tipos de pulverizadores que utilizem bicos hidráulicos, transforma um pulverizador comum em eletrostático. Promove significativo aumento na eficiência da deposição de gotas nos alvos biológicos e na economia de calda. (2)

Uso do sistema em aviões agrícolas

O sistema de pulverização eletrostático (SPE), foi desenvolvido no Brasil para atender a necessidade de redução de calda e eficácia na aplicação de defensivos agrícolas. O sistema foi projetado, também,  para aeronaves agrícolas. O sistema é apto para trabalhar com gotas muito finas, baixa umidade relativa do ar e altas temperaturas. (3)

FAIXA DE APLICAÇÃO. O sistema eletrostático foi desenvolvido para trabalhar com faixa efetiva entre 15 e 16 metros. O volume de 10 litros por hectare com sistema SPE equivale a pulverizações com 30 litros por hectare dos métodos convencionais.

A definição e o potencial de ação dos produtos pulverizados dentro da faixa de 15 a 16 metros possuem cobertura extraordinária e superior a qualquer outro método de pulverização, pois a redução da deriva é grande devido a velocidade de queda das gotas até o alvo.

O sistema eletrostático trabalha com pressões entre 70 e 130 psi, dessa forma, o aumento da faixa maior que 16 metros pode ocasionar a falta de volume e compensação da bomba, o que reduzirá o volume pulverizado por hectare.

REF.:

[1] Pulverização Eletrostática por Eletrificação Direta, Embrapa.

https://www.embrapa.br/busca-de-solucoes-tecnologicas/-/produto-ser...

[2] Sistema para eletrificação de bicos hidráulicos, Embrapa.

https://www.embrapa.br/busca-de-solucoes-tecnologicas/-/produto-ser...

[3] Sistema de Pulverização Eletrostático – SPE, Manual

https://www.eletrostatico.com.br/assets/base/catalogos/SPE-AEREO/PO...

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 3 maio 2021 às 14:03

SISTEMAS DE APLICAÇÃO

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 3 maio 2021 às 13:58

EVAPORAÇÃO DAS GOTAS

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 3 maio 2021 às 13:49

DIFERENÇA DE BICO PARA ATOMIZADOR

O avião da Figura abaixo está utilizando atomizadores rotativos em vez de bicos de pulverização (na pulverização de algodoal).

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 3 maio 2021 às 13:40
Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 26 abril 2021 às 9:16

DENSIDADE DE GOTAS

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 25 abril 2021 às 22:38

MAU USO DA TÉCNICA

Hoje o principal problema que caracteriza uma má aplicação aérea no Brasil é a falta de homogeneidade da dose dos defensivos agrícolas no campo e esse prejuízo é só do produtor. Até mesmo algumas lavouras de cana-de-açúcar vêm sofrendo com investigações do Ministério Público sobre possíveis irregularidades em aplicações aéreas. (1)

Mas, será mesmo que a aviação agrícola é um grande perigo ao meio ambiente como vem sendo disseminado? Por que ainda vemos tantas notícias negativas sobre as aplicações aéreas de defensivos? Seria por conta da má qualidade da aplicação? Falta de fiscalização? Ou apenas sofremos com a falta de comunicação e diálogo entre o setor interessado e a sociedade?

Para o diretor-executivo do Sindag (Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola), Gabriel Colle, isso ocorre por falta de informação da sociedade sobre a agricultura de um modo geral e devido a um estereótipo em torno da aviação, que sofre justamente pela sua transparência.

“As pessoas sempre relacionam o avião com o uso incorreto de defensivos. A própria mídia, quando se refere a questões envolvendo defensivos utiliza muito mais imagens de aeronaves aplicando [porque é mais fácil de fotografar sem ter que entrar na propriedade, a imagem fica melhor ou porque, afinal, chama mais a atenção mesmo]. Além disso, quando há forças-tarefas de fiscalizações no campo, a aviação é a única ferramenta que pode ser diretamente fiscalizada em escala ampla”, defende.

nossofoco.eco.br

Para saber detalhes sobre qualquer aeronave, bastar consultar o site da Anac. Todas as suas operações ficam minuciosamente registradas e em relatórios cujos resumos são enviados mensalmente ao Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e os originais ficam na empresa, obrigatoriamente à disposição de qualquer fiscalização. “Nenhuma outra ferramenta de aplicação tem a transparência e está tão ao alcance de fiscalizações quanto a aviação agrícola”, reforça Colle.

Entre as normas mais importantes há ainda a Instrução Normativa nº 2, de 2008,do Mapa, que determina, por exemplo, que cada empresa tenha um engenheiro agrônomo e exige a presença de técnico agrícola com especialização em operações aéreas em todas as aplicações.

“Ela define faixas de segurança e procedimentos para evitar a aplicação em locais indesejados. Por exemplo, ela proíbe que aplicações aéreas sejam realizadas a menos de 500 m de cidades ou mananciais de abastecimento. Ainda proíbe a aplicação a menos de 250 m de agrupamento de animais ou que uma aeronave carregada sobrevoe áreas povoadas, entre outros detalhes. São distâncias que devem ser associadas às boas práticas de aplicação, tornando a atividade segura à sociedade e meio ambiente”, afirma.

Segundo os ambientalistas, um dos problemas mais graves na aplicação errônea de agrotóxicos é a morte de abelhas, responsáveis pela polinização de inúmeras culturas e muito sensíveis a qualquer tipo de veneno.

judiagora.com.br

Além disso, a atividade ainda deve seguir regulamentos da Anac sobre aeronaves, sua manutenção e equipamentos, além da certificação de empresas, uso de pistas eventuais, formação dos pilotos e outros aspectos. “Para completar, os operadores precisam estar atentos também ao Código Brasileiro de Aeronáutica, à chamada Lei dos Agrotóxicos e todos os outros dispositivos”, adiciona o diretor-executivo do Sindag.

PROBLEMA DA DERIVA E AS BOAS PRÁTICAS

As gotas pulverizadas por aplicações aéreas (aviões agrícolas) ou terrestres (pulverizadores automotrizes, de arrasto, montados e costais) que não atingem o alvo sofrem um processo conhecido como deriva. Ambas as modalidades de aplicação podem resultar nesse problema quando as boas práticas de aplicação não são seguidas.

“Há um erro muito comum que é achar que é sempre o avião que causa deriva. Por isso toda aplicação deve seguir parâmetros técnicos. Perda por deriva é prejuízo para o meio ambiente, para o aplicador e para os vizinhos”, explica Carvalho.

Os resultados mais recentes do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), coordenado pela Anvisa, datam de 10 de dezembro de 2019 e referem-se ao período 2017-2020. Segundo o relatório, foram encontrados resíduos de agrotóxicos em 51% das 4.616 amostras. Do total de amostras, 23% foram consideradas insatisfatórias por apresentarem resíduos com concentrações superiores ao Limite Máximo de Resíduos (LMR), o que implica potenciais riscos de intoxicação aguda e crônica advindos da exposição dietética.(2)

O Brasil é um dos países que mais consome esse veneno, se tornando cada vez mais dependente deles. A Organização Mundial da Saúde juntamente com o Sistema Único de Saúde estimam que aproximadamente cerca de 500 mil pessoas por ano são contaminadas por aqui. (3)

bemglo.com

Dos cerca de 5 milhões de estabelecimentos rurais no Brasil, apenas 1,6 milhões usam agrotóxicos. Mesmo assim, estes sofrem indiretamente com a pulverização vizinha, a contaminação da água e a intoxicação no meio rural e precisam de políticas públicas de desenvolvimento produtivo sustentável para alavancar a sua produção.

REF.:

[1] Tecnologia Agrícola – Aplicação aérea com segurança, RPA_News Cana e Industria.

https://revistarpanews.com.br/tecnologia-agricola-aplicacao-aerea-c...

[2] Aliança pela alimentação adequada e saudável.

https://alimentacaosaudavel.org.br/blog/artigo-subsidiar-agrotoxico...

[3] Agrotóxicos, o perigo de consumi-los e como eliminá-los.

https://bemglo.com/agrotoxicos-e-o-perigo-de-consumi-los/

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 25 abril 2021 às 12:50

AVIAÇÃO AGRÍCOLA:  A IMPORTÂNCIA DO TEMA

Dia 30/01/2018 eu postei aqui um blog que chamei de AGROTÓXICO MATA, DE VERDADE ! Apesar de reconhecer que a pesquisa científica e o avanço tecnológico (referente ao manejo integrado de pragas – MIP, controle biológico, agricultura orgânica e outros temas) ainda não chegou ao ponto de dispensar o uso de agrotóxicos, o uso desses produtos continua sendo o calcanhar de Aquiles da Agricultura; e os Engenheiros Agrônomos continuam com a pecha de envenenarem os pratos dos alimentos com as suas pulverizações. (1)

Imagine viver em uma região onde é comum ter problemas respiratórios. Em que no começo da noite, o cheiro de produtos tóxicos invade as casas, levando os moradores a sofrer com dores de cabeça, náuseas e vômitos. Surgem casos de câncer, algumas mulheres grávidas sofrem abortos espontâneos e bezerros nos pastos passam a nascer sem órgãos. Essa é a história que contam os moradores do município de Boa Esperança, no interior do Espírito Santo. A revolta com a situação levou mais de 10% da população da cidade a assinar um projeto de lei de iniciativa popular para proibir a pulverização aérea de agrotóxicos. Cerca de 10% da população de Bom Sucesso (ES) assinou um projeto de lei de iniciativa popular para proibir a pulverização aérea de agrotóxicos na cidade. (2)

REF.:

[1] Agrotóxico mata, de verdade !, José L.V. Couto, Rede Agronomia

http://agronomos.ning.com/profiles/blogs/agrot-xico-mata-de-verdade

[2] Como o agronegócio atua para garantir a pulverização de agrotóxicos pelo ar, Reporter Brasil.

https://reporterbrasil.org.br/2020/07/como-o-agronegocio-atua-para-...

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 24 abril 2021 às 11:26

A INFLUÊNCIA DA VELOCIDADE DO VOO NO DIÂMETRO DAS GOTAS

Um dos maiores desafios no planejamento de uma aplicação é justamente a decisão do espectro de gotas: devemos usar gotas mais finas ou gotas mais grossas? Do ponto de vista prático, o ideal é encontrarmos um balanço entre o desempenho de cobertura e penetração da aplicação (usando gotas finas, quando possível), com um potencial adequado de redução do risco de perdas, o que nos levaria à preferência pela aplicação de gotas médias, quando necessário. (1)

Outro aspecto fundamental do planejamento de uma aplicação é que se faça a adequação da tecnologia de aplicação às condições meteorológicas presentes nos locais das aplicações. Devem ser evitadas aplicações com umidade relativa inferior a 50% e temperatura ambiente maior que 30oC, assim como deve-se dar preferência a velocidades médias de vento entre 3km/h e 10km/h. Ausência de vento também pode ser prejudicial, em função da chance de ocorrer inversões térmicas ou ar aquecido ascendente, fenômenos que dificultam a deposição das gotas mais finas.

A velocidade do voo, por exemplo, afeta o tamanho de gotas para as pontas hidráulicas, como CP-03, CP-11TT e pontas de jato cônico, como as do tipo disco e caracol. Para essas pontas o incremento na velocidade e o ângulo de deflexão, aumentam o impacto do ar com o líquido, causando maior fragmentação das gotas, reduzindo o tamanho das mesmas. A deriva, caracterizada com parte da aplicação que não atinge o alvo, deve ser sempre controlada durante as aplicações. As condições meteorológicas, tamanho de gotas, altura de voo e distância de áreas de restrição são os principais fatores a serem observados para reduzir o risco de deriva. O tamanho das gotas é determinado pela pressão operacional, velocidade de voo, ângulo de deflexão dos bicos e características físico-químicas das caldas.

Para atomizadores rotativos, além da velocidade de voo, a velocidade de rotação altera o tamanho de gotas. Em determinada velocidade, quanto maior a rotação dos atomizadores, menor o tamanho de gotas. Para atomizadores de tela, ainda há o impacto das gotas com essa estrutura, para depois serem lançadas e sofrerem um segundo impacto com o vento. Portanto, nesse caso, tanto a velocidade de voo, quanto o ajuste do ângulo das pás dos atomizadores irão alterar o espectro de gotas, e consequentemente o risco de deriva.

Uma das soluções criadas pelo setor da aviação agrícola para o controle do espectro de gotas são os chamados atomizadores rotativos. Os atomizadores utilizam a energia centrífuga proveniente da alta rotação, que, por sua vez, é gerada pelo fluxo do ar em voo. Existem dois tipos mais utilizados no Brasil: os atomizadores de tela e os de discos (Figura abaixo).

O equipamento funciona de acordo com a regulação de uma válvula (Unidade de Restrição Variável - VRU) que, junto com o ajuste de pressão da bomba eólica do avião, controla a vazão do produto que será pulverizado sobre a cultura. Vide Figura abaixo. (2)

Reis et al. (2010) sublinha que os atomizadores rotativos produzem gotas com menor coeficiente de variação, ou seja, com maior uniformidade do que outros tipos de bicos. Da Cunha et al. (2017) também ressalta que é possível inferir que os atomizadores são as ferramentas mais interessantes para reduzir a deriva quando comparados aos bicos convencionais.

A Tabela abaixo mostra o desempenho do Atomizador Zanoni M14 num teste realizado no Brasil pela Zanoni Equipamentos, com a aeronave nacional Ipanema 202. Os testes com os atomizadores rotativos foram realizados no dia 8 de agosto entre as 9h20 e 13h20. A velocidade do vento variou entre 1km/h e 12km/h, a temperatura ambiente entre 16°C e 18°C e a umidade relativa do ar entre 80% e 84%. A velocidade média da aeronave variou entre 144 km/h e 164 km/h, realizando, em todos os tiros, uma aplicação com pressão de 2,8 bar (ou aproximadamente 40,6 PSI). Para cada um dos tiros, foram utilizados papéis hidrossensíveis distribuídos ao longo de um o posicionado no campo, sobre o qual a aeronave sobrevoou realizando aplicação de água e corante, os quais foram colocados sob a leitura de um microscópio DropScope (SprayX).

A regulagem do tamanho da gota é obtida de acordo com a velocidade de rotação do difusor do atomizador, que varia conforme a velocidade da aeronave e o ângulo das pás da hélice do equipamento. Pode-se, portanto, ajustar o tamanho das gotas de acordo com a necessidade de uma determinada aplicação.

No caso de atomizadores importados, como o Micronair, o fabricante disponibiliza um aplicativo on-line (http://www.micron.co.uk/droplets) que permite o cálculo preciso do espectro de gotas baseado em pesquisas realizadas em universidades de referência, como a Universidade de Queensland (Austrália).

A vazão de líquido nos atomizadores é ajustada por um sistema de orifícios variáveis e pela pressão da calda no sistema hidráulico de pulverização. Alguns atomizadores mais simples utilizam uma conexão hidráulica com restritores de vazão formados por anéis perfurados, enquanto outros utilizam um sistema de ajuste rotativo denominado Unidade de Restrição Variável (VRU). A intensidade de fragmentação das gotas depende da rotação do atomizador, a qual é definida tanto pelo ângulo de ataque das pás das hélices como pela própria velocidade de voo da aeronave.

Para uma mesma configuração, como ângulo das pás a 45 graus e 180 km/h, aplicando 6 L/min de calda por atomizador, o percentual de gotas mais sujeitas à deriva (%<100 µm) varia mais de 50% entre algumas marcas.

a Tabela abaixo, apresenta os dados do atomizador nacional Microspin em comparação aos dados gerados pelo estrangeiro Micronair AU-5000. A uniformidade das gotas é mensurada pela amplitude relativa (AR), indicador que aponta um espectro mais uniforme quanto menor ele for. Ou seja, quanto mais perto de 0 a amplitude relativa for, mais uniforme é aplicação e, consequentemente, mais eficiente ela tende a ser.

 

Portanto, quando se faz o ajuste do sistema de pulverização de uma aeronave, é muito importante considerar o modelo de avião que está sendo utilizado (velocidade), a interação entre a calda e a velocidade de voo, bem como o modelo e fabricante da ponta hidráulica ou atomizador rotativo (de tela ou de disco). Informações como estas podem ser baixadas no site www.agroefetiva.com.br

Se o alvo da aplicação inclui a parte interna ou inferior das plantas, como no caso típico de uma aplicação de fungicidas para a ferrugem, é necessária uma boa penetração das gotas e, para tanto, devem ser usadas gotas de menor tamanho e se possível maior volume de calda. Entretanto, vale lembrar que gotas muito finas são mais sensíveis à evaporação e aos processos de deriva, o que pode reduzir a quantidade de produtos que se depositam nos alvos, reduzindo a eficácia dos tratamentos.

 

REF.:

[1] AgroEfetiva

https://www.agroefetiva.com.br/influencia-da-velocidade-de-voo-na-s...

[2] Zanoni Equipamentos

https://www.zanoniequipamentos.com.br/uploads/products/manual/2020/...

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