DESMATAMENTO NA AMAZÔNIA

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Eu perguntei ao Google: "Quais os destinos da madeira da Amazônia ?" e a resposta foi a seguinte:

"Embora a exportação costume chamar mais atenção, o principal destino da madeira amazônica é, de longe, o mercado interno, que absorve cerca de 70% da produção. Entre as espécies mais cobiçadas estão: ipê, mogno (ameaçada de extinção), cedro, jatobá e maçaranduba".

Segundo reportagem de O Globo, o principal destino dos produtos é o mercado nacional. A maior parte vai para a região amazônica, sobretudo Mato Grosso e Rondônia (41%). Fora da Amazônia, São Paulo é o maior estado consumidor (6% do total da madeira). (1)

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Curiosamente, segundo o jornal, dos produtos madeireiros que chegam ao mercado consumidor, os Aparelhados e beneficiados de madeira são apenas 1,8% do total (478 m³ entre 2018 e 2020); os principais são: Resíduos florestais e industriais (38% e 9.888 m³) e Peças serradas para a construção civil (23% e 6.084 m³), seguidos de Cavacos, cascas etc. (19% e 4.965 m³).

Segundo a Imazon, em 1998, cerca de 2.500 madeireiras encontravam-se em operação na Amazônia e respondiam pela exploração de 28,3 milhões de metros cúbicos de toras. Entre os países importadores, sobressaem-se os Estados Unidos e França. Entretanto, as exportações para a China cresceram cerca de 950% entre 1999 e 2003. Outros 17 países estão envolvidos na importação de madeira da Amazônia, entre os quais: Alemanha, Espanha, Inglaterra, Portugal, Holanda, Bélgica, Tailândia, Estônia, Lituânia, Itália, República Dominicana, Haiti, Porto Rico, Taiwan, Índia e México.

Segundo Brasil de Fato (brasildefato.com.br) 90% da madeira exportada da Amazônia é ilegal, afirmou a Receita Federal. A Floresta Amazônica está enfrentando as mais altas taxas de desmatamento e incêndios florestais dos últimos nove anos, como mostra o gráfico abaixo.

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Rômulo Batista, ativista do Greenpeace, afirma que a retirada de madeira não raras vezes, é o primeiro passo para duas outras atividades ilícitas na Amazônia; a grilagem e o  desmatamento ilegal.

Desmatamento e doenças

No artigo "Próximas pandemias podem surgir na Amazônia", a pesquisadora Cecília Andreazzi do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) alerta que a Amazônia passa por intensa transformação, com abertura de novas frentes de desmatamento, agravamento da caça e do garimpo. Tudo isso impacta na emergência e dispersão de patógenos. (2)

Os cientistas descobriram 63 mamíferos em interação com 173 patógenos (vírus, bactérias, vermes, parasitas e fungos) que podem causar, pelo menos, 76 diferentes doenças. Todos estão associados à caça.

Análises computacionais indicaram que as espécies mais caçadas no Brasil, como paca, gambá, tatu e capivara, estão associadas a patógenos que potencialmente causariam danos graves à saúde pública.

Eu nasci em Belém - PA, considerada o Portal da Amazônia e, lá era comum na minha juventude se ver nas ruas do comércio, mendigos com-a-barriga-na-perna (literalmente), graças à Elefantíase ou Filariose linfática, uma doença causada por um verme transmitido por mosquito.

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Segundo estudo publicado na revista Science Advances, liderado por cientistas da Fiocruz, os locais de maior risco de surtos (de doenças endêmicas) são as cidades amazônicas remotas junto a áreas de desmatamento.

Muitas espécies de animais perdem seus habitats devido ao desmatamento (e aos incêndios florestais, lembro eu) e se aproximam de povoações. Com esse movimento, é rompido o equilíbrio na dinâmica que mantém vírus e outros patógenos na segurança da floresta.

Fica pois evidente que desmatamento e caça são graves problemas para a saúde pública. Conservar a floresta é proteger a saúde. Ninguém está imune ao que acontece na Amazônia.

E não se pode falar em doença sem lembrar que antes da Covid-19 foi perguntado à Organização Mundial de Saúde - OMS, quais eram as 3 doenças mais virulentas do mundo, e a resposta foi: Malária, Febre amarela e Oncocercose, todas transmitidas por mosquitos e presentes na Amazônia. Isso sem falar nas doenças neurológicas que podem acometer quem consome peixe dos rios da Amazônia, por causa do Mercúrio dos garimpos que se acumula nos peixes. Menos ainda da estrada de ferro Madeira-Mamoré onde, diz-se cada dormente era devido à morte de um trabalhador, em virtude da Malária.

 

REF.:

[1] Madeira da Amazônia, o desafio da ilegalidade, O Globo, Economia, 29.6.2022, pág. 15.

[2] O Globo, Saúde, 30.6.2022, Ana Lúcia Azevedo, pág. 24.

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