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EAD na AGRONOMIA: Avanço ou Retrocesso?

Recentemente em reunião da CCEAGRO (Coordenação das Câmaras de Agronomia dos CREAs), realizada de 19 a 21 de setembro no Crea-SP,  tratou, entre outros temas, do painel "EAD, Mito ou Desafio?" e da “Qualidade de ensino e atribuições profissionais” 

Há muito vem se discutindo, especialmente no Sistema Confea Crea e na militância da Agronomia Nacional, sobre possíveis prejuízos da EAD (Educação à Distância) especialmente na Graduação. Por outro lado há quem defenda e veja avanços nessa modalidade.

Parece haver consenso (ao menos no meu círculo de debates) que EAD é uma importante ferramenta de formação complementar e transmissão de conteúdos. Entretanto há uma certa resistência quando se trata de utilizar EAD na graduação, ou seja, na formação dos profissionais. 

Quem é contrário à EAD na graduação, argumenta que a formação do profissional inclui as amizades, as redes de relacionamento que se formam, os embates de ideias e visão de mundo que vão se construindo com a convivência num ambiente universitário, ou seja, a formação profissional ultrapassa a visão restrita de transmissão de conteúdo.

Por outro lado, a própria transmissão de conteúdo ficaria prejudicada na graduação, uma vez que a prática laboratorial e de campo fica inviável num ambiente exclusivamente EAD. 

Fechamento de Cursos Presenciais

Não por acaso vemos a mídia debater o tema, uma vez que os investimentos em EAD no país ultrapassam a casa de dezenas de bilhões. Com o avanço da EAD podemos projetar o encerramento da maioria dos cursos presenciais privados de nível superior. Um alerta para quem pensa na carreira acadêmica, cujo mercado pode sofrer grandes alterações nos próximos 5 anos.  Quem viver, verá.

Abaixo um artigo publicado no O Globo de 21/09/2018 que lança luz sobre outros aspectos a serem considerados sobre o tema.

Há Riscos a serem considerados

Antonio Gois - Análise - O GLOBO (extrato do texto) 21/09/2018 p. 29

O relatório Education at a Glance, da OCDE, mostrava que apenas 16% da população de 25 a 34 anos no Brasil tinha completado do ensino superior. Na média dos países da OCDE (na maioria desenvolvidos) esse percentual chega a 43%. Os dados divulgados pelo MEC hoje, do Censo da Educação Superior, mostram que continuaremos por muito tempo longe dos países ricos. 

O que salvou a expansão do ensino superior foi o crescimento das matrículas à distância (21% do total). Sem elas, o país teria chegado ao quarto ano consecutivo de estagnação do nº de universitários. Dos novos alunos, um terço ingressa na universidade por essa modalidade. Ela é hoje portanto, essencial no esforço de expansão do ensino superior. Mas há riscos a serem considerados. 

Um deles é o da qualidade. O outro é o fato de as taxas de evasão nesses cursos serem potencialmente maiores (especialmente em cursos com maior carga horária on-line) em comparação com os presenciais. Hoje, no total do sistema, uma parte significativa (cerca de metade) do esforço da matrícula é perdido depois pelo fato de o estudante não se formar. Se a educação à distância puxar essa taxa ainda mais para cima, o desperdício de esforços e recursos públicos e privados será ainda maior. 

É preocupante também o fato de a modalidade à distância estar se expandindo em cursos de formação de professores, onde há uma demanda crescente por mais foco na prática pedagógica e onde as taxas de evasão já são bastante elevadas. 

Por exemplo, dos 30 mil alunos que ingressaram em 2010 em cursos de formação de professora de matemática, mais da metade (56%) já havia abandonado o curso em 2015.

O país precisa da educação à distância para crescer no ensino superior, mas depender apenas dela para isso, como tem acontecido ultimamente, é um sinal preocupante de fragilidade do sistema. 

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Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 29 setembro 2018 às 19:08

VERTEDOR BICO DE PATO

No meu post do dia 24/12/2015 "Matematicando, tô ligado !" (*), eu dimensionei um vertedor bico de pato (como o mostrado na foto da maquete), e agora o refaço, por um caminho diferente.

Seja o canal de seção retangular com a seguinte configuração: largura (X) = 1 m, profundidade (Y) = 0,30 m e um vertedor com 3 segmentos perpendiculares e 2 inclinados, cujas extensões nós não conhecemos. Na porção de montante, a área da seção transversal será: A = X*Y = 0,30 m². Queremos que a altura da lâmina de água sobre a crista do vertedouro seja de H = 0,13 m. Se a borda do vertedor for arredondada, o seu coeficiente de descarga será c = 0,36 segundo a tabela da Figura abaixo. A velocidade média do fluxo à montante é função da declividade do canal e da sua rugosidade e foi calculada previamente em V = 0,50 m/s.

Resta agora calcular o comprimento dos 2 trechos inclinados do vertedor, o que será feito em Excel na Figura abaixo e que eu chamei de l (L minúsculo). Observe que a crista do vertedor é a soma dos 3 trechos perpendiculares que arbitramos no início e mais os 2 inclinados que foram calculados pela transformação da equação da vazão: B = 0,15+0,15+0,15+0,78+0,78 = 2,01 m.

(*)http://agronomos.ning.com/profiles/blogs/matematicando-t-ligado

Comentário de Gilberto Fugimoto em 26 setembro 2018 às 23:30

Òtimas propostas José Luiz!

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 26 setembro 2018 às 18:37
Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 26 setembro 2018 às 16:58

SUGESTÕES PARA EAD

Segundo Confúcio: "Aquilo que escuto eu esqueço, aquilo que vejo eu lembro, aquilo que faço eu aprendo". Esse ditado pode servir ao Ensino à Distância.

Educação a Distância é um método de transmitir conhecimentos, competências e atitudes que é racionalizado pela aplicação de princípios organizacionais e de divisão do trabalho, bem como pelo uso intensivo de meios técnicos, especialmente com o objetivo de reproduzir material de ensino de alta qualidade, o que torna possível instruir um grande número de estudantes, ao mesmo tempo, onde quer que eles vivam. É uma forma industrializada de ensino e aprendizagem (Educação à Distância, Reflexões, Críticas e Prática).

Nos cursos de graduação em Engenharia, uma das maiores críticas ao EaD fica por conta das aulas práticas. Tomando emprestado do primeiro parágrafo "aquilo que faço eu aprendo" e do segundo "é uma forma industrializada de ensino e aprendizagem", eu proponho aqui o projeto de um Laboratório de Hidráulica dedicado exclusivamente ao Ensino à Distância.

Ele serviria à uma determinada região ou aos cursos de EaD de todo o país e que tivessem como Disciplina a Hidráulica. Seria palco tanto de aulas presenciais (apenas para alunos de EaD) como à distância. Nesse caso, a prática seria feita pelo Tutor, mas com acompanhamento virtual do aluno, por teleconferência.

No tópico "A Performance Hidráulica do Tijolo com Furos" do meu blog, aqui na R.A. (http://agronomos.ning.com/profiles/blogs/a-performance-hidr-ulica-d..., 23/02/16, 126 exibições) eu chamei a tenção deste recurso simples mas muito usado em Laboratórios de Hidráulica Experimental, como o que trabalhei na década de 70, aqui no Rio de Janeiro.

Comentário de RICARDO BARROS SALES em 26 setembro 2018 às 12:11

Bom Dia José Luiz !

Nossa, essa maquete foi perfeita, rica em detalhes. Ainda não estamos vendo irrigação mas já irei apresentar a sua ideia ao meus tutores..!!! De já convido você pra da uma palinha pra nois por vídeo conferencia. Compartilhe um pouco com a gente do seu conhecimento!

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 26 setembro 2018 às 11:53

ENSINO DA HIDRÁULICA

Ricardo, bom dia.

Esta foto do canal parece que ficou melhor, né ? Esta maquete em madeira me foi muito útil nas minhas aulas de Hidráulica e Irrigação, na UFRR, nas décadas de 80 e 90. Em geral, quando o professor dá aula sobre canais, desenha um trapézio (as 4 linhas básicas do contorno do vertedor retangular da foto) para representar a área da seção transversal, mas esquece de dizer que isso é teórico, e só se concretiza com a presença à jusante de uma estrutura hidráulica chamada bico de pato (por motivos óbvios), que é a parte central da maquete.

A minha ideia é que essa estrutura seja reproduzida em AutoCAD 3 D, de modo que gire com o comando do mouse, para que o aluno de EAD possa analisar e entender o funcionamento das estruturas hidráulicas que a compõem.

Comentário de herbert dittmar em 26 setembro 2018 às 0:02

EAD é o futuro. Não há o que mudar. É só mais uma ferramenta que, se bem utilizada, não trará problemas, mas inúmeras soluções, como por exemplo, diminuindo o custo dos estudos.

Logicamente há áreas da Agronomia que exigem o ensino presencial. É uma questão mais de desapego do que de desespero.

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 25 setembro 2018 às 19:48

Ricardo.

A foto não está boa porque foi tirada de celular mas trata-se justamente do trecho em que o canal muda de declividade. O vertedor bico-de-pato serve para medir a vazão e para garantir o nível de água de projeto. Na parte superior, à esquerda, um vertedor de seção retangular e, à direita, uma derivação para um canal secundário.

Comentário de RICARDO BARROS SALES em 25 setembro 2018 às 15:42

Boa Tarde José Luiz..!

O nosso instituto tem um laboratório, e ele é bem aparelhado pois o mesmo recebe os estudantes de enfermagem. Os professores que acompanham nossas aulas são bem orientados em relação a essas aulas..!! tanto que muitos alunos ja estão adquirindo os seus próprios microscópios de bolso para algumas aulas a campo!  "Veio à memória um trecho de canal de irrigação em madeira que paguei a um marceneiro para ilustrar as minhas aulas." Você poderia me enviar fotos para eu compartilhar com meus professores e colegas de sala, se possível eu te mando o meu numero de whats. Seria de muita importância para nosso ensino !

Comentário de JOSÉ LUIZ VIANA DO COUTO em 25 setembro 2018 às 15:13

Olá Ricardo.

Que bom que você atendeu ao meu apelo. De fato, tenho alguns quilômetros de rodagem, mas estamos sempre aprendendo. Fui Professor de alunos da Licenciatura em Ciências Agrícolas na UFRRJ, e eles me ensinaram muito. Sei da importâncias das visitas, e quando era aluno fizemos algumas, inclusive à Minas e São Paulo. Mas, as práticas de laboratório a que me referia era a LABORATÓRIO mesmo, e não à fazendas. As aulas por teleconferência que eu imagino poderiam talvez utilizar plataformas gratuitas como o SKYPE ou mesmo a do Facebook. Um outro recurso didático no EAD seria utilizar imagens de AutoCAD 3 D para aulas de estruturas hidráulicas. Veio à memória um trecho de canal de irrigação em madeira que paguei a um marceneiro para ilustrar as minhas aulas.

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