Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

Projeto de Lei tenta impedir Zootecnia aos Agrônomos
 

 
Interesses corporativistas falam mais alto e formulam projeto excluindo engenheiros agrônomos e médicos veterinários de exercer atividades relativas à zootecnia.
 
Em defesa do exercício profissional entidades elaboram manifesto.
 


PROJETO DE LEI nº. 2824, de 2008

FERE O INTERESSE PÚBLICO E O AGRONEGÓCIO BRASILEIRO

MANIFESTO INTERINSTITUCIONAL

 

CONTEXTO:

Em tempo presente inicia-se no Brasil mais uma disputa de mercado de trabalho entre profissões de nível superior. Agora é motivo de demanda a simples proibição de atuação de Médicos Veterinários e Engenheiros Agrônomos no campo da produção animal, denominada em poucos lugares do mundo, de Zootecnia. Esta contenda unilateral, originalmente motivada por Zootecnistas e, consubstanciada no Projeto de Lei nº. 2824, de 2008, de autoria do Excelentíssimo Senhor Deputado Federal Zequinha Marinho (PMDB-PA), trata no seu escopo principal da “proibição do exercício das atividades relativas à Zootecnia aos Médicos Veterinários e Engenheiros Agrônomos”. Este projeto tramita na Câmara Federal e aproxima-se de sua votação na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, constituindo-se a partir da sua origem num ato discriminatório, antidemocrático e desrespeitoso na forma e no conteúdo.

 

No conceito clássico a Zootecnia é definida como a “ciência da produção, criação, trato, domesticação ou manejo de animais”, “que objetiva o aumento da produtividade e da rentabilidade na criação de animais economicamente úteis” ou como o ramo da “ciência voltado para o aperfeiçoamento genético de animais economicamente úteis”, portanto, uma definição deveras ampla. Assim sendo, é crível compreender que toda e qualquer atitude relacionada à promoção de melhor desempenho dos animais de criação pode ser, de algum modo, enquadrada sob a égide da Zootecnia. Incluem-se aí as ações pertinentes à forragicultura, nutrição e alimentação animal, criação e exploração animal, bioética e bem-estar animal, etologia, bioclimatologia, genética e melhoramento animal, ecologia e biologia ambiental, profilaxia e prevenção de doenças, manejo reprodutivo animal, saúde e patologia animal, extensão rural, entre outras matérias. Portanto, um escopo conceitual que destinaria as competências formais e estritas, de forma exclusiva, aos profissionais originados dos Cursos de Zootecnia. Esse seria o resultado esperado na propositura do Projeto de Lei nº. 2824 de 2008. Isso é o que desejaria um grupo de profissionais – “os zootecnistas”, muito embora a entidade de representação dos diplomados em zootecnia, a Associação Brasileira de Zootecnistas - ABZ, tenha reiteradamente se manifestado contrária ao projeto como apresentado pelo Deputado Zequinha Marinho.

 

O texto do referido Projeto de Lei avilta as categorias dos profissionais Médicos Veterinários e Engenheiros Agrônomos, que tem na origem de suas profissões e nos seus conteúdos específicos, a formação clássica da Produção Animal, o que inapropriadamente é denominada de Zootecnia. Portanto, possuem conhecimento técnico suficiente e adequado para exercerem com plena prerrogativa e competência as atividades de produção animal e controle produtivo de animais, as quais, segundo o referido Projeto de Lei, passariam a ser de caráter privativo dos Zootecnistas.

 (...)

 

Este manifesto é consenso entre as diversas entidades profissionais e científicas que congregam os Médicos Veterinários, Engenheiros Agrônomos, Zootecnistas e outros profissionais que atuam na produção animal deste país e asseguram aos senhores deputados para que atuem de forma consciente pelo arquivamento do projeto ora em tramitação, pois não é moral permitir que a sociedade sofra o incomensurável dano de estar privada do trabalho técnico desses profissionais, que até hoje ajudaram a desenvolver a produção animal e em conseqüência a Zootecnia.


As entidades que garantem esta manifestação ratificam mais uma vez a tendência na busca pela multidisciplinaridade e ações somatórias em nossa sociedade. Este é um caminho de unicidade e força, um exemplo de humildade e lapidação, visando o progresso nacional.


Sugerimos que o diálogo alcance também a participação de membros das Comissões de Ciência e Tecnologia, do Trabalho, ampliando a discussão para além da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR), tanto na Câmara como no Senado. Isso poderia estabelecer uma agenda positiva para o debate franco e aberto, com exposições e argumentações de parte a parte, com o intuito apenas de fazer crescer nosso país, sem as sombras de tramitações subterrâneas, imposições e desrespeitos, que por muitos anos assolaram nossa sociedade e, quiçá, sob a égide do estado democrático de direito, nunca mais retornarão.

 

 

 Assinam o documento :

  • Sociedade Brasileira de Medicina Veterinária – SBMV e filiadas Estaduais
  • Confederação dos Engenheiros Agrônomos do Brasil - Confaeab
  • Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia – Confea e Creas
  • Conselho Federal de Medicina Veterinária e Conselhos Regionais
  • Colégio Brasileiro de Reprodução Animal - CBRA
  • Federação Nacional dos Médicos Veterinários – FENAMEV e Sindicatos
  • Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural – SOBER
  • Academia Brasileira de Medicina Veterinária e Academia Estaduais (ABMVET)
  • Colégio Brasileiro de Higienistas de Alimentos
  • Colégio Brasileiro de Aquicultura
  • Associação Nacional dos Engenheiros Agrônomos do INCRA – ASSINAGRO.

Demais entidades estão se mobilizando para apoiá-lo


Íntegra do Manifesto em anexo: Zootecnia_projeto_lei_manifesto_pluridisciplinar.pdf

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Comentário de Alcides Sandini Filho em 11 julho 2011 às 23:43
Acredito sim, que  o fortalecimento de nossas entidades de classe, com respeito aos brasileiros e aos profissionais, " destacando as entidades que assinam este manifesto ", tem ciência de que o respeito aos profissionais em colaborar com o crescimento econômico, social e ambiental, e o entrelaço das profissões existentes, respeitem as mesmas e de braços dados possamos resolver nossos problemas sem retirar os direitos adiquiridos em todas as profissões.
Comentário de Mario Sergio Alves de Godoy em 11 julho 2011 às 22:47
Esse é o velho PROBLEMA da criação de um curso para cada nicho... tornando-nos (os que não nos dedicamos ao mestrado ou carreira de pesquisa) estranhamente especializados. Eu, ao contrário, já coleciono duas graduações e penso que um bom profissional deve ir neste sentido desde que não queira fazer carreira acadêmica ou que já esteja com muita bagagem profissional. Nas agrárias, principalmente na Agronomia (zootecnia, floresta, alimentos, eng. agrícola, licenciatura em ciências agrícolas, etc, etc, etc...), eu penso que, ao invés de dividir, devería-se seguir a linha dos médicos: um mesmo curso pra todos ("clínico geral"), com residência de dois anos... e cada um vai fazendo as áreas que lhe interessam. Isso evita problemas de Concursos e de picuinhas como essa aí dos zootecnistas...
Comentário de joão carlos flôres em 11 julho 2011 às 20:48

Desde meus primeiros anos de atuação profissional, perguntava(avamos) aos  " zootecnistas " se eles já haviam se decidido se seriam  agrônomos ou veterinários !!!! Poois a  maior crítica que corria era de que zootecnistas eram metade agrônomos/metade veterinários.... e não tinham conhecimentos aprofundados em nenhuma das duas profissões. Mas brincadeiras  à parte, nós agrônomos precisamos - mais uma vez - fazer a sociedade sentir/perceber/ compreender mais uma invasão de nossas atribuições e competencias profissionais.

Está na hora, de fazermos muita divulgação desta  usurpação de nossos  direitos !!! VAMOS mostrar à sociedade em geral, o desprop´´osito desta Lei. A AEARJ precisa se mostrar mais. Expor à todos mais esta absurda intromissão em  nossas  atribuições. Vamos inundar a grande imprensa, mostrando nossa indignação, nosso descontentamento !! 

Comentário de CONSTANCE gOULET em 11 julho 2011 às 20:32
hello gilberto i would like to talk to you but i don't understand spanish .Connie
Comentário de Afranio M. de Melo Franco em 11 julho 2011 às 20:03
Amigo Gilberto, quais as chances desta lei ser aprovada, pois se as chances forem grandes, vamos perder uma grande e importante parte de nossa carga horária (aves e suinos; bovinocultura de corte e leite, formação de pastagens,formulação de rações,etc). Alguma coisa têm que ser feita para impedir tamanho desfalque em nosso Curriculo. Concordo com a opinião do Ricardo Araújo. A classe de Agrônomos é muito desunida. Cada um só quer saber de sí, não existe uma união da classe para lutar por seus interesses em comum.Pensem nisso.
Comentário de Gilberto Fugimoto em 11 julho 2011 às 20:02

Me pergunto: o que está a meu alcance para  defender a minha profissão?

Uma questão que faço a mim e compartilho com os colegas da Rede Agronomia.

Na medida em que mobilizamos e agimos - mesmo dentro de nossa capacidade e alcance - a questão se transforma em ataque externo e problema insolúvvel e passamos a fazer parte da solução.
Comentário de Leonardo da Costa Lopes em 11 julho 2011 às 20:01

Gilberto,

Infelizmente acredito que esta lei seja aprovada, pois neste país as leis não são feitas baseadas no que é correto e sim nas demandas criadas por pressões políticas. Se a força política e pressão exercida pelos Zootecnistas 'sensibilizar' os legisladores, a coisa está feita. A profissão de Agrônomo está deprestigiada e prostituida, como comenta o colega Ricardo, e quem tem que mudar este conceito somos nós mesmos. Estou me comprometendo a procurar a AEARJ, Associação dos Engenheiros Agrônomos do Rio de Janeiro, e me responsabilizar por mobilizar a classe para lutar pela valorização de nossa profissão,que tem uma missão das mais importantes, produzir alimentos. Convoco os colega a procuraremas associações de seus estados e incentivarem este movimento. Não podemos ficar de braços cruzados e deixar que sejamos atropelados.

Comentário de Ricardo Araujo em 11 julho 2011 às 19:38

Pois não creio que os CREAs nos julguem como profissionais de segunda, pois sempre que é preciso, o sistema Confea/Crea defende a classe. E mais uma vez eles estão assinado embaixo.

Mas o que deve ser feito, é o mesmo que os zootecnistas estão fazendo, buscar força política para lutar pelos seus direitos. se for necessário fazer baixo assinado, temos que nos unir e fazer, se for necessário colocar notícias na imprensa, gerar discussão/debate, devemos fazer.

A profissão de engenheiro agrônomo já está prostituída e por que? Porque nada fizemos todas as vezes que foi necessário. Se o mercado está ruim, a culpa é da classe. Não é do vizinho, nem de outros profissionais.

Se somos mal pagos por trabalharmos sem cobrar honorários, para ser vendedor de revendas e/ou cooperativas (muitas vezes fazendo venda de balcão), a culpa é nossa. E acho que já passou do tempo de nos valorizarmos.

É comum ver engenheiros em geral ganhando salários de R$1.500,00 em empresas públicas e privadas. Abre uma vaga ou concurso com esse salário para médico, para ver se aparece algum pra trabalhar. Com certeza chove engenheiros.Sei que todos têm contas a pagar, mas somente com união é que conseguimos lutar pelos nossos direitos. Abraços a todos.

Comentário de Jéssica Maria Israel de Jesus em 11 julho 2011 às 19:18

fala Serio!!!

isso não e nada mais que inveja na minha opinião!!!

Todos os estudantes de agronomia  lutam bastante durante os seus no minimo 5 anos de faculdade integral (sem contar especialização) para terem competência para atuar em qualquer Área que o produtor precisar de auxilio, e eles numa briga de interesses não pensam nem no produtor nem nos estudantes e nem em nada so neles mesmos!!!

Isso e o cumulo do desrespeito e da falta de ética profissional, sem falar nos nossos governantes que não fazem a minima ideia da importância dos agrônomos para a produção e economia nacional.! 

Comentário de Janilson Barros do Amaral em 11 julho 2011 às 19:15
É colega Gilberto, e demais colegas do site, essa não dá para entender! Nem aceitar!!!

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