Rede Agronomia

Rede dos Engenheiros Agrônomos do Brasil

SOMBREAMENTO DOS GRAMADOS em "MODERNOS ESTÁDIOS" - ARENAS

   Desde 1997 venho registrando em vários artigos, palestras e cursos, mas vale a pena reiterar:  -  Os novos estádios de futebol, tipoarena”, com cobertura total das arquibancadas, projetam sombras no campo que prejudicam o desenvolvimento do gramado. Criam um micro clima complicado até para a manutenção/sobrevida do vegetal.

   Como sabemos (ao menos deveríamos saber), os vegetais “fabricam” seu próprio alimento através da famosa equação da fotossíntese. Para relembrar os tempos de escola: com a presença de clorofila no tecido vegetal ocorre a produção de compostos orgânicos (carboidratos) a partir de compostos inorgânicos, como a água, nutrientes e o dióxido de carbono (CO2), utilizando a energia luminosa do sol.

   Então, a planta retira a água e nutrientes do solo (na verdade, por nós fornecidos, num gramado esportivo), o CO2 do ar atmosférico, metabolizando seu próprio alimento e liberando oxigênio para o ambiente. Para que isso ocorra, além de água, dos nutrientes e do CO2, o vegetal precisa de luz (a clorofila já está presente no tecido vegetal em maior ou menor grau). É ela, a luz, a fonte de energia fundamental no processo de produção de alimentos do vegetal e de seu desenvolvimento. É a energia que move a fábrica. Sem a presença de luz, a maioria dos vegetais não cresce e, até mesmo, definha e sucumbe:

   Nos gramados esportivos, essa equação é vital para que o gramado cresça, produza massa verde, se regenere e suporte as altas cargas de pisoteio que via de regra é submetido.

   Daí batermos sempre na tecla da necessidade de estudo criterioso, de equipe multidisciplinar, com a presença de Eng Agrônomo, para a concepção de projeto de um estádio, principalmente dos modelos Arena, priorizados pela FIFA, uma vez que estas, pelo fato de usarem coberturas muito próximas ao campo, muitas vezes opacas e/ou fixas, limitam a entrada de luz e trazem vários problemas com relação à equação básica da fotossíntese e um micro clima, intra Estádio, muito complicado (sombreado e sem ventilação).

   Mesmo os europeus, que já convivem com as arenas há mais tempo que nós, usam blends de variedades de grama menos suscetíveis à sombra, luzes artificiais (SGL Concept) e, ainda assim, convivem com replantios todos os anos. Só que na Europa os replantios totais e os custos extras advindos dos problemas da sombra nos gramados, são considerados como custos normais de manutenção. Além disso na Europa, se usam espécies de grama que necessitam de menos luz (por causa do clima temperado usam-se, na Europa, as C3 que necessitam de cerca de 12 mols/dia de luz, enquanto as C4 necessitam de cerca de 35 mols/dia):


   No Brasil (onde ainda lutamos para incutir na consciência de gestores/dirigentes de Estádios, Clubes e CTs a importância dos palcos verdes para o futebol, a necessidade de bons projetos, de bons orçamentos de construção e de manutenção dos campos) o gramado nos estádios tipo arena se não forem muito bem pensados, projetados, executados e mantidos, poderão ser um grande “calcanhar de Aquiles”, como vimos na Copa das Confederações. Isso porque ainda não existe uma cultura e uma consciência da importância dos gramados e, por vezes, eles ainda são vistos como um custo indesejável e não um investimento inerente ao esporte/espetáculo.

   Com a linha da moderna arquitetura de Estádios, onde, através da cobertura se obtêm maior conforto para os usuários e maior beleza das Arenas, iniciaram-se os problemas com o severo sombreamento imposto ao gramado por essas mesmas coberturas.

    Isso em grande parte vem ocorrendo, nas 02 últimas décadas, porque os Arquitetos sonham a plasticidade dos Estádios. De outro lado, os Engs. Civis fazem sua parte e levam o sonho do Arquiteto à execução de fato. E, geralmente, com a obra/projeto já concebidos, lembram-se que tem de se colocar um ser vivo dentro dessa espetacular criação e que este, o gramado, tem suportar uma carga intensa de pisoteio...

   Os Engs. Agrônomos, que infelizmente só são lembrados quando o problema já está estabelecido, tem de solucionar a questão, quando o ideal seria, ainda na fase de concepção do projeto, antever e mitigar esse problema, com coberturas translúcidas e escamoteáveis. 

   Esse fenômeno/problema vem crescendo e, tão recente é o problema, como são os meios técnicos para minorar esse problema... Além de manejo especial (fertilização especial, overseeding, descompactação, etc), nos últimos anos o SGL Concept (Suplementação com Luz artificial) vem se mostrando um grande aliado na mitigação dos problemas causados pelo sombreamento, na Europa e no Brasil.

   No Brasil, desde a Arena da Baixada (1998), em Curitiba, primeiro Estádio nacional com design de "Arena", os problemas do sombreamento vem sendo sentidos. Depois, o Engenhão no Rio, inaugurado em 2007, foi o segundo estádio em que o gramado sofre por causa do micro clima intra estádio.

   Inicialmente se relutava em usar o sistema SGL, tanto em função de custos, quanto por causa de dúvidas de sua efetiva colaboração para a melhoria das condições dos gramados... Tanto o problema, como essa solução eram muito recentes. Hoje, no entanto, já há relativa segurança em recomendar o uso desse sistema em Estádios nos quais as sombras são excessivas e, além do Engenhão que foi o pioneiro no Brasil no uso dessa tecnologia, Arenas como a do Grêmio, a Fonte Nova,  a do Inter, o Maracanã, Brasília, etc, fazem uso da suplementação artificial de luz.

   Para combater, ou minorar, esse micro clima intra estádio, o COL/2014 se viu obrigado, para a boa manutenção dos gramados, recomendar para a maioria dos estádios (em maior ou menor grau, a depender da situação de micro clima de cada Estádio):

-Suplementação de luz artificial,

-Air Vaccum System (drenagem pressurizada),

-Irrigação com controle individual de aspersores e

-Reforço de fibra sintética.

   O maior problema são os custos adicionais de construção e, principalmente, manutenção dos gramados nesses estádios... Quem os pagará? De certo nós, usuários dos estádios!!!

E isso tudo porque tem faltado a veia Agronômica nos projetos. . .

Exibições: 661

Comentar

Você precisa ser um membro de Rede Agronomia para adicionar comentários!

Entrar em Rede Agronomia

Comentário de Moady Maikell da Silva Vieira em 21 agosto 2013 às 21:57

Sem duvida levantaremos essa bandeira Artur, a importância de nós agrônomos na execução dos projetos de gramados esportivos, a luta estar apenas começando, um grande abraço se duvida você é nosso percussor.

Comentário de Gilberto Fugimoto em 20 agosto 2013 às 13:54

Caro Artur,

Excelente artigo que mostra a importância da orientação técnica do engenheiro agrônomo poderia economizar milhões em recursos de manutenção!

Grande abraço

© 2021   Criado por Gilberto Fugimoto.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço